A sociedade brasileira – sobretudo o meio católico – está verdadeiramente fervilhando de notícias em virtude da “corrida presidencial” – que neste dias mais parece “boxe presidencial”.

O Reinaldo Azevedo escreveu um excelente artigo “descendo a lenha” no apoio descarado que o Ministério da Saúde, na pessoa do Ministro José Gomes Temporão [abortista fanático], tem dado à causa abortista. A postagem do Reinaldo denuncia a calhordice de Temporão, que desperdiçou R$ 80.000,00 dos cofres públicos [usando a dotação do Ministério da Saúde] na produção de um vídeo com depoimentos [comprados?] de mulheres que se dizem a favor da descriminalização do aborto. O blogueiro da Veja escreveu:

Os abortistas enchem a boca para afirmar que a interdição é de natureza religiosa e que o estado é leigo. Uma ova! Mais de 70% dos brasileiros são contra a mudança da legislação na área. Se é ou não a religião que move boa parte, pouco importa. O estado brasileiro existe também para os crentes. Ou não? Se o estado tem de ser leigo, e tem, também tem de ser neutro no que diz respeito a paixões. Não cabe ao governo, como gerente desse Estado na área executiva, patrocinar campanhas contra interdições legais. O governo é um servo das leis, não um agente do proselitismo.

Enquanto isso, D. Demétrio Valentini decepciona os católicos brasileiros em uma espécie de “anti-campanha” ou “tentativa desesperada de salvar a campanha de Dilma”: o prelado resolveu “esclarecer e denunciar” aquilo que chamou de “instrumentalização da questão do aborto”. Esta infeliz declaração de D. Demétrio teve algumas implicações péssimas:

 

i)          O blog da Dilma publicou a declaração.

ii)        O Padre José Comblin publicou no site da Adital [“tradicionalmente” diabólico] uma Carta Aberta a D. Demétrio na qual ele endossa o posicionamento do bispo, tece loas ao mesmo, e afirma – quase em tom de ameaça – que “se não houver um esclarecimento público, ficará a imagem de uma igreja conivente com as manobras espúrias”. Pe. Comblin ainda acrescentou, antes de finalizar sua Carta: “Queremos continuar confiando nos nossos bispos e por isso aguardamos palavras claras”.

iii)     Pasmem (ou não!): a CNBB atendeu, solícita, ao pedido do Pe. Comblin e publicou uma Nota em Relação ao Momento Eleitoral. A CNBB está preocupada com os bispos que, sensatamente, estão orientando de forma clara os seus fiéis a não votar em uma candidata cujo partido é **institucionalmente** favorável à descriminalização do aborto. Lamentável.

 

Em meio a esta confusão, a Globo compilou as declarações que Dilma, Serra e Marina – ao longo de sua carreira política – já fizeram a respeito do tema aborto. Em algumas declarações, eles – como diria Dilma (argh!) no debate de ontem na Band -“apenas tergiversam”. Mas em outros pronunciamentos fica claro o posicionamento favorável da candidata petista à descriminalização do aborto. Nas palavras dela, é **um absurdo** que abortar seja crime! \o/ Confiram a matéria no G1.

Por falar em debate na Band, quem não assistiu ontem poderá conferir os 5 rounds da Batalha pelo Poder clicando aqui [os links para o debate estão nos comentários feitos a respeito de cada bloco. Quem não conseguir acessar no site da Band pode assistir no Youtube]. Em tempo: ou o debate foi mal divulgado ou as pessoas encheram a paciência de assistir a este tipo de espetáculo circense: a rede amargou o quinto lugar no Ibope durante a transmissão do debate ontem

O Último Segundo, por sua vez, abriu uma enquete com respostas a meu ver propositadamente mal escritas para saber qual o percentual de pessoas que mudariam de voto em função do tema aborto. Votem clicando aqui! O tempo urge e nós precisamos demonstrar a força de nossas posições. A alternativa a ser escolhida é, obviamente, **a segunda**.

E o Gabriel Chalita? Pensam que ele escapou? Justo ele – que adora escrever cartas para amigos e para a mãe – agora tem que engolir uma Carta de Repúdio à sua pessoa, escrita pelo Pe. Michelino Roberto, do Grupo de Oração Sementes do Espírito, da Paróquia de Nossa Senhora do Brasil, em São Paulo. Não consegui acessar a tal carta pelo site da Paróquia (terão recebido ordens de tirar do ar, como as restrições impostas a alguns vídeos do Youtube que demonstram a incoerência do Chalita?… Nunca saberemos). O fato é que sempre há uma solução: a carta está postada neste blog 😉 Um dos trechos diz:

 

Às vésperas da eleição, vimos também a sua presença marcante no encontro de Dilma com a imprensa para tratar publicamente do “apoio religioso”. Como se já não bastasse, vimos nos jornais de hoje duas notícias que só corroboram com nosso terror: a de que o Sr. fora escolhido para “costurar” apoio de religiosos à candidatura Dilma

[…]

Continuaremos rezando por você para que você reencontre seu caminho, a tanto perdido.

“Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna.” Mateus 5:37

É, Chalita. Se eu fosse você não brincava de papagaio do Lula, não. Tua máscara está caindo…

Por fim, eu não poderia me esquecer de fazer côro à Campanha de Orações pela Salvação do Brasil, que reiniciou hoje! Faltam 20 dias para as eleições do segundo turno. Se rezarmos todos os dias, a começar de hoje, um terço em honra de Nossa Senhora, teremos oferecido um milheiro de ave-marias à Santíssima Virgem para que ela nos livre do flagelo do comunismo. Hoje, 11 de Outubro, a intenção especial é “pela vitória da Verdade, contra a mentira”. Participem! Para mais detalhes acessem o site da Campanha.

p.s.: Aproveitem para rezar a fim de que consigamos que os bispos do Brasil consagrem o país ao Imaculado Coração de Maria. Para que o façam, senão pela benevolência episcopal, ao menos pela insistência dos fiéis que lhes suplicam 😉

 

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Realmente o Brasil cria “um dia especial” para tudo. Vou propor a criação do dia do blogueiro católico 😉  Por que não? O fato é que no dia 20 de agosto se celebra [ou melhor, “eles celebram”] o Dia do Maçom.  O Senado também comemorou essa desgraça em sessão especial [dessas que não têm nada de especial e não se resolve nada, só fazem “encher linguiça”].

Descobrir que existe o Dia do Maçom foi novidade para mim. Não foi novidade, porém, saber que MotoSerra, o careca candidato à Presidência, saudou a Maçonaria neste dia e afirmou que os ideias de “liberté, egalité, fraternité” – princípios basilares da filosofia maçônica e da Revolução Francesa – são também os do Brasil. Serra afirmou [ipsis literis, com grifo meu]: “a sociedade brasileira precisa absorver os ensinamentos acumulados pela Ordem Maçônica”. Duvidam? Então assistam:

 

 

Um outro careca, o Geraldo Alckmin, também fez a sua saudação à Maçonaria ressaltando a importância dela “para o mundo” e colocando-se como parceiro dos seus ideais…

 

É, meus amigos, cada dia percebo mais que estamos em um mato sem cachorro… A diferença entre MotoSerra e Dilma Housseim é só cabelo…

Aos que não sabem as razões pelas quais a Igreja condena – no todo e em cada uma das suas partes – a Maçonaria, recomendo que leiam as sábias palavras de D. Estevão Bettencourt, OSB, neste artigo da Pergunte e Responderemos.

Importantíssimos o alerta e a recomendação de Sua Eminência, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, na seguinte nota – dirigida ao clero paulista [seguem trechos, com meus grifos]:

[…]

A pergunta que se refere à religião (“qual é sua religião?”) pode gerar confusão, perplexidade e distorção dos dados da realidade. De fato, quem responder “sou católico”, ou “minha religião é a católica”, será colocado diante de uma lista de nada menos que 27 opções de “católicos” ou de “religiões católicas” supostamente diferentes. Fica a perg/runta sobre os reais motivos dessa formulação da questão, quando boa parte das alternativas (bem 12) dizem respeito à mesma Igrejaeligião Católica Apostólica Romana. Nossos católicos poderão ser levados a indicar uma opção equivocada, que não corresponda à sua/nossa Igreja ou religião: Católica Apostólica Romana.

Portanto, recomendo que nossos fiéis católicos sejam oportunamente orientados a responder: “sou católico apostólico romano”, ou “minha religião é a Católica Apostólica Romana”. Sugiro que a questão seja explicada sem demora ao povo nas Missas (avisos) e em outras circunstâncias (jornais, revistas, internet). O Censo já está acontecendo. Em anexo, envio-lhes a lista do IBGE, relativa às opções de “católicos” constantes no Censo 2010.

Estimados padres, as questões acima expostas entram no nosso zelo pastoral, para conduzir, defender e servir, quais bons pastores, o rebanho do Senhor confiado aos nossos cuidados. Deus os abençoe e recompense!

Cardeal Dom Odilo P. Scherer

Arcebispo de São Paulo

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O que se segue é a lista de “tipos de católicos” a que o Cardeal se refere no trecho acima, bem como uns oportunos comentários e esclarecimentos [cuja autoria eu não consigo precisar se é ou não de D. Odilo – dado que os recebi por e-mail de uma fonte que não me repassou esta informação]


Católica Apostólica Brasileira

Católica Apostólica Carismática

Católica Apostólica Cristã

Católica Apostólica Ortodoxa

Católica Apostólica Romana

Católica Armênia

Católica Bizântino

Católica Brasileira

Católica Carismática do Brasil

Católica do Brasil

Católica Maronita

Católica Melquita

Católica Não Apostólica

Católica Novo Mandamento

Católica Ortodoxica Armênica

Católica Ortodoxica Grega

Católica Ortodoxica Russa

Católica Pentecostal

Católica Renovação Carismática

Católica Renovada

Católica Síria

Católica Tradicionalista

Católica Ucraniana

Catolicismo Apostólico Romano

Católico Congregação Mariano

Católico Congregado Mariano

Católico Conservador

As Igrejas Católica Maronita, Católica Melquita, Católica Ucraniana, Católica Armênia e Católica Síria não são outras “religiões”, mas grupos de ritos diferentes da nossa própria Igreja Católica Apostólica Romana, todos unidos ao Papa. E “Catolicismo Apostólico Romano”, “Católico Congregado Mariano”, “Católico Congregação Mariana” também não são Igrejas nem religiões, mas associações e grupos de nossa Igreja. Ainda outras denominações que aparecem no elenco de “religiões” podem gerar equívocos e falsificação dos dados. Católico renovado, católico conservador, católico pentecostal, católico tradicionalista, Católica Renovação Carismática, Religião Católica Apostólica Carismática são todas denominações que podem deixar nosso povo católico sem saber exatamente se trata de sua própria tendência dentro de nossa Igreja, ou se são mesmo outras religiões, desvinculadas da nossa Igreja Católica Apostólica Romana. Que fazer diante da possível confusão em relação à pergunta sobre a religião no Censo 2010?

Antes de tudo, temos que constatar o fato: não somos os únicos que se apresentam como católicos, nem mesmo como católicos apostólicos romanos. Há vários grupos, não unidos com o Papa e a comunhão da nossa Igreja Católica, que usam esta mesma denominação. Isso mereceria um esclarecimento para nosso bom povo.Cada pessoa tem a liberdade de consciência e de religião; e tem o direito de saber quem é quem, em matéria de religião, e a qual grupo está aderindo. Verdade e religião não podem andar separadas. O uso equívoco da identidade religiosa lesa a liberdade religiosa dos outros.

Reproduzo aqui matéria do Deus lo Vult! que convida todos os católicos desta Terra de Santa Cruz a realizar uma Campanha de Oração – pela salvação do Brasil. A ideia partiu do Taiguara, o Jorge aderiu, o Alessandro [do Veritatis] também manifestou apoio, e já se está discutindo como a Campanha pode ultrapassar as fronteiras da internet [o que, a meu ver, é absolutamente necessário]. A proposta é muito simples: nos 20 dias que antecedem às eleições, cada católico rezaria um terço acrescentando, no início, a jaculatória: Nossa Senhora Aparecida, livrai o Brasil do flagelo do comunismo!. Desta forma, honraríamos a Virgem Mãe com 1.000 ave-marias ao mesmo tempo em que suplicaríamos a Deus ficar livres da maldição do comunismo. Este blog adere a esta Campanha. Adira você também!

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Campanha de Oração – pela salvação do Brasil!

O Brasil vive uma situação política terrível. Enquanto governantes ímpios zombam de Deus e das raízes católicas do povo brasileiro, o país caminha a passos largos em direção à Foice e ao Martelo que, derrotados no Leste Europeu, querem fincar raízes aqui no Novo Mundo. Os brasileiros, inermes e apáticos, não se apercebem do abismo que se lhes abre aos pés. Não se descortina, no horizonte, nenhuma esperança meramente humana que possa libertar o país da sombra que, sobre ele, paira ameaçadora.

Já não há o que fazer, mas o nosso auxílio está no Nome do Senhor – que fez os Céus e a Terra. As hostes do Inferno levantam-se contra o Brasil e o pretendem tomar de assalto, diante da apatia do seu povo; mas esta aqui é a Terra de Santa Cruz. Esta é a terra que tem por Padroeira uma Senhora poderosa e terrível, uma Virgem que, sozinha, venceu todas as heresias do mundo inteiro. Esta aqui é Terra de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Este é o país que, em sua história, já pôde contar com as inestimáveis graças desta Boa Rainha. Foi Ela que, no século XVII, livrou-nos da dominação holandesa. Foi também Ela que, no século passado, livrou-nos do comunismo. É a Ela que recorremos mais uma vez, e que mais uma vez há de nos valer. Porque jamais se ouviu dizer que algum dos que tivessem a Ela recorrido, fosse desamparado.

É a Ela que recorremos, gemendo e chorando sob o peso de nossos pecados, sem termos absolutamente mais a quem recorrer. É a Virgem Aparecida que vai salvar o Brasil. É aos pés d’Ela que depositamos a nossa confiança; e a Ela que recorremos neste momento terrível que a nossa Pátria atravessa.

Rezemos pela Pátria! Unamo-nos à Campanha de Oração pela Salvação do Brasil. Reproduzo-a, como foi originalmente publicada no En Garde. Divulguemo-la. E rezemos. Que Nossa Senhora Aparecida Se compadeça de nós, e nos salve!

* * *

A nossa Terra de Santa Cruz enfrenta um de seus piores momentos. O comunismo galopa como o cavaleiro vermelho do Apocalipse, trazendo consigo os flagelos do aborto, da destruição da família, da perseguição religiosa, do ateísmo programático, do narcotráfico.

Em Pernambuco, a Virgem apareceu em 1936 advertindo que o Brasil passaria por uma sangrenta Revolução que instauraria o comunismo no país e traria sofrimento e dor ao povo brasileiro. Com o sangue dos cristãos nas mãos, a Virgem pediu que rezássemos o Santo Terço, em devoção ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria, contra a comunistização do país e em favor da exaltação da Santa Cruz. Pediu penitência e oração.

Esse é o momento de atendermos ao pedido da Virgem!

1000 Ave-Maria’s pelo Brasil!

Rezemos o Santo Terço diariamente, até o dia das Eleições, adicionando a início a seguinte petição: “Nossa Senhora Aparecida, livrai o Brasil do flagelo do comunismo!”

Se cada católico brasileiro comprometer-se um Terço pelos 20 dias anteriores à Eleição, teremos rezado 1000 Ave-Maria’s, cada um, pelo nosso país!

Comprometamo-nos a rezarmos diariamente o Santo Terço até o fim do pleito, atendendo ao pedido da Virgem, nesta hora difícil que se avizinha.

Caso contrário, com o advento do comunismo, do aborto e da destruição do matrimônio e da família, advirá sobre nós também a Ira de Deus; lembremo-nos que a Virgem disse em La Salette que “a mão do Seu Filho já pesava demais, e já não conseguia segurá-La”. Rezemos, pois!

Replique em seu Blog e listas este apelo, no Brasil e no exterior! Faça chegar o apelo da Virgem a todo o Brasil, pelas diversas mídias católicas: TV’s, rádios, Blogs, jornais, revistas… tudo!

A Virgem pediu, a Mãe pediu: nós atendemos! Rezemos!

Recorramos à Virgem Santíssima, Porta dos Céus e Refúgio dos Pecadores! Consagremos a nós mesmos e ao Brasil ao Coração Imaculado de Maria!

Bispos do Brasil, consagrem a Terra de Santa Cruz ao Coração Imaculado de Maria, por Ela prometeu em Fátima: No fim, meu Imaculado Coração triunfará!

Mãe Maria, Nossa Senhora Aparecida, Rainha do Brasil, rogai por nós!

Fonte : Blog da Canção Nova

 

O debate inédito entre candidatos à presidência da República, feito por emissoras católicas, está chegando. É nesta segunda-feira (23), a partir das 22h. A Canção Nova está preparando muitas novidades para você que vai acompanhar este momento importante para os cristãos. E uma delas é esse espaço no blog, que vai deixar você por dentro de tudo que acontece nos bastidores do programa.

O debate acontecerá no auditório da Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, no dia 23 de agosto, a partir das 22h. E será transmitido ao vivo para todo o Brasil, e para alguns países, pelo Sistema Canção Nova de Comunicação e a Rede Aparecida. Estima-se um público de mais de 100 milhões de telespectadores.

O programa pretende criar um espaço inédito para que temas de interesse dos cristãos sejam tratados com profundidade, além de questões ligadas à saúde, educação, emprego, segurança pública, previdência, liberdade de imprensa e reforma agrária. O aborto, o uso de células-tronco embrionárias e a exposição de símbolos religiosos em locais públicos ganham destaque na pauta.

p.s.: O mediador será o padre Antônio César Moreira

O Brasil caminha, sem sombra de dúvida, para uma ditadura de esquerda. Não bastando a facilitação do divórcio, o legislativo agora se depara com um lei em que o Estado visa ensinar aos pais como educar seus próprios filhos:  refiro-me ao Projeto de Lei 2.654/03, que ficou popularmente conhecido como “Lei da Palmada”. O Projeto – que reforma o Estatuto da Criança e do Adolescente e, também, partes do Código Civil – foi encaminhado ao Congresso Nacional e encontra-se na pauta da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

A “Lei da Palmada” é uma demonstração claríssima de que o Estado deseja fazer com que os seus tentáculos alcancem realidades que não lhe dizem respeito. A ingerência estatal em assuntos que deveriam ficar restritos ao âmbito familiar fere o clássico Princípio da Subsidiariedade (tão caro e fundamental para a Doutrina Social da Igreja). Neste sentido, são muito oportunas as palavras do papa Leão XIII, na Encíclica Rerum Novarum:

Assim como a sociedade civil, a família […] é uma sociedade propriamente dita, com a sua autoridade e o seu governo paterno, é por isso que sempre indubitavelmente na esfera que lhe determina o seu fim imediato, ela goza, para a escolha e uso de tudo o que exigem a sua conservação e o exercício duma justa independência, de direitos pelo menos iguais aos da sociedade civil. Pelo menos iguais, dizemos Nós, porque a sociedade doméstica tem sobre a sociedade civil uma prioridade lógica e uma prioridade real, de que participam necessariamente os seus direitos e os seus deveres. E se os indivíduos e as famílias, entrando na sociedade, nela achassem, em vez de apoio, um obstáculo, em vez de protecção, uma diminuição dos seus direitos, dentro em pouco a sociedade seria mais para se evitar do que para se procurar.

Querer, pois, que o poder civil invada arbitraria-mente o santuário da família, é um erro grave e funesto. Certamente, se existe algures uma família que se encontre numa situação desesperada, e que faça esforços vãos para sair dela, é justo que, em tais extremos, o poder público venha em seu auxílio, porque cada família é um membro da sociedade. Da mesma forma, se existe um lar doméstico que seja teatro de graves violações dos direitos mútuos, que o poder público intervenha para restituir a cada um os seus direitos. Não é isto usurpar as atribuições dos cidadãos, mas fortalecer os seus direitos, protegê-los e defendê-los como convém. Todavia, a acção daqueles que presidem ao governo público não deve ir mais além; a natureza proíbe-lhes ultrapassar esses limites. A autoridade paterna não pode ser abolida, nem absorvida pelo Estado, porque ela tem uma origem comum com a vida humana. «Os filhos são alguma coisa de seu pai»; são de certa forma uma extensão da sua pessoa, e, para falar com justiça, não é imediatamente por si que eles se agregam e se incorporam na sociedade civil, mas por intermédio da sociedade doméstica em que nasceram. Porque os «filhos são naturalmente alguma coisa de seu pai… devem ficar sob a tutela dos pais até que tenham adquirido o livre arbítrio» (4). Assim, substituindo a providência partena pela providência do Estado, os socialistas vão contra a justiça natural e quebram os laços da família.

Não obstante as palavras do Sucessor de Pedro tenham sido bem claras, gostaria de fazer aqui algumas considerações sobre esta relação entre Estado e Família – no que concerne à propositura desta tal “Lei da Palmada”.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (curiosamente abreviado de ECA) já prevê punições bem severas (se comparadas ao padrão tupiniquim) para pais descontrolados que querem fazer de seus filhos saco de pancadas. O artigo 129 do ECA, por exemplo, enuncia as medidas aplicáveis aos pais ou responsáveis, entre as quais estão a “advertência” [inciso VII], a “perda da guarda” [inciso VIII], a “destituição da tutela” [inciso IX], a “suspensão ou destituição do poder familiar” (antigo “poder pátrio”) [inciso X], etc. O artigo 130 diz que “verificada a hipótese de maus-tratos, opressão ou abuso sexual impostos pelos pais ou responsável, a autoridade judiciária poderá determinar, como medida cautelar, o afastamento do agressor da moradia comum(grifos meus). Ora, isto posto, parece-me injustificada a tese do deputado Erci de Moraes (PPS) que afirmou que “a lei da palmada veio para fortalecer o Estatuto”. Se o ECA já é claro sobre a punição de agressores, qual a necessidade de editar mais uma norma a respeito da mesma matéria? Será que o ócio do legislativo é tal que ele agora está cunhando normas só para mandar que se obedeçam às já existentes?

Saindo um pouco da esfera do Direito, virão os seguidores apaixonados de Paulo Freire dizer que “bater não é a solução”. Ok. Concordo. Entretanto, não está em discussão a “eficácia” da palmada enquanto método educacional. A questão é mais profunda: o Estado está usurpando a autoridade dos pais, e a usurpação de autoridade é uma das principais características de uma ditadura! Se bem percebermos, é o Estado que está querendo dizer aos pais qual é o melhor e o pior método de educar os filhos! Que pedagogo apoiaria tal medida?

Outros dirão: há pais que “exageram na dose”, de tal maneira que uma palmada acaba se convertendo em espancamento. Ok. Também concordo. Mas o que garante que a aprovação desta lei fará “desaparecer” esse tipo de pais? Acaso se está pensando que multiplicar leis resolverá o problema dos desequilibrados? Ademais, por que estes “exagerados” não poderiam simplesmente ser enquadrados nos artigos do Código Penal que tipificam e punem atos de violência, nas suas diversas modalidades, agravantes e qualificadoras?

Há, ainda, o problema da geração [desnecessária] de mais demandas judiciais – decorrentes da reivindicação do “direito de não-apanhar”. Com isso, o judiciário – já abarrotado de pendências – ganhará mais alguns volumes para as suas estantes já superlotadas de processos…

Sem contar com a possibilidade de que filhos “mais esclarecidos” passem a usar a lei como instrumento para chantagear os pais: “se você me der um tapa, te mando para a cadeia”. Uma lei que ajuda a formar filhos rebeldes! Não é fantástico? Aos que acham que eu estou sendo exagerado, peço que reflitam com vagar sobre o seguinte trecho – extraído do malfadado PL 2.654/03: “Cabe ao Estado […] introduzir no currículo do ensino básico e médio um tema transversal referente aos direitos da criança nos moldes dos Parâmetros Curriculares Nacionais”. É isso mesmo, caros pais e responsáveis: o Estado ensinará os seus filhos e pupilos a revoltar-se contra a opressora hierarquia familiar, contra as medidas arbitrárias que vocês – “soberbamente” – lhes impõem.

Por fim, aos que argumentam que a lei foi motivada por bons propósitos, contra-argumento com o célebre, e veraz, adágio proveniente da sabedoria popular: “De boas intenções o inferno está cheio”…

Esta lei, portanto, representa um desserviço à família. Aliás, é perceptível que o atual governo intenta destruir a instituição familiar e, para isso, está executando, paulatinamente, um plano macabro cuja inspiração é, com toda certeza, satânica. Um passo nessa direção foi a facilitação do processo de dissolução civil da sociedade conjugal. É bem verdade que, no Brasil, foi uma ditadura de direita que introduziu a figura do divórcio, por meio da Lei 6.515, de 26 de Dezembro de 1977 (ou seja, durante o governo do General Ernesto Geisel). Mas é sintomático que a esquerda esquizofrênica que hoje manda no Brasil tenha ampliado o alcance dessa lei. Ressalte-se que o “divórcio a qualquer custo” sempre foi uma bandeira da esquerda. Portanto, tanto a flexibilização da Lei do Divórcio quanto a “reforma” proposta pela Lei da Palmada são demonstrações inequívocas do desejo comunista de transformar o Brasil em um Estado Totalitário. O Estado “xereta”, intrometido, quer, na realidade, matar dois coelhos em uma só caixa d’água: o primeiro coelho é a destruição da instituição familiar [que representa um obstáculo ideológico ao desenvolvimento de seus projetos megalomaníacos]; e o segundo é o estímulo à subversão nas camadas mais basilares da sociedade [para, depois, bem aos modos comunistas, subjugar a sociedade mediante o emprego da força e exercício do autoritarismo. Tudo isso com a desculpa de estar “restabelecendo a ordem”]. Se estes não forem os reais motivos para proposituras legais desta natureza, eu – sinceramente – não consigo encontrar razões que as “justifiquem”.

Desnecessária, inócua, desmedida, absurda, infeliz e injusta. É isso que a “Lei da Palmada” é. E adivinhem de quem foi a ideia? Da deputada federal Maria do Rosário, que “coincidentemente” pertence ao PT do Rio Grande do Sul… Não é implicância, não. É só mais uma constatação…

Leia também: Reinaldo Azevedo comenta o “projeto da palmada”.

[Às vezes os políticos tem um lapso de sensatez. A nota abaixo talvez demonstre isso. Não sabemos as reais intenções de uma publicação como essa – sobretudo porque estamos em ano eleitoral -, mas não podemos deixar de reconhecer que, enfim, alguém levantou a voz para condenar e manifestar publicamente repúdio a este projeto ardiloso do governo federal de afrontar os autênticos diretos humanos com o PNDH3]

 

 

Fonte: O Globo

 

Nota do DEM e PSDB sobre decreto 7.037/09 –

 Plano Nacional de Direitos Humanos

 

 

 

 

1. O cerceamento da liberdade de pensamento e expressão pelo Estado compromete e condena a versão particularíssima de direitos humanos que o governo federal impingiu à Nação por meio do Decreto 7.037, de 21.12.2009. O Decreto, não obstante o compromisso explícito do ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, de revê-lo e abri-lo à discussão com o Congresso Nacional, está em pleno vigor, mantendo ambiente de receio e espanto na sociedade brasileira.

 

2. Nesse decreto, em nome de uma causa nobre – os direitos humanos -, constam decisões que a negam, invertem e agridem, tais como, entre muitas outras:

 

-Restrições à liberdade religiosa (proibição de uso de seus símbolos em locais públicos);

– Restrições à liberdade de imprensa e à produção cultural;

– Quebra do monopólio do Judiciário para a resolução de conflitos (cláusula pétrea constitucional)

– Estímulo às invasões de terras e afronta ao direito de propriedade

– Banalização do aborto, tema cujo âmbito de discussão e decisão é o Congresso Nacional.

 

3. Repudiamos a tentativa de estabelecer, em nome dos direitos humanos – que devem pairar acima de ideologias e partidarismos -, um regime de restrições incompatível com o Estado democrático de Direito e as aspirações da sociedade brasileira.

 

4. Os partidos que assinam esta nota se comprometem a lutar contra esse decreto, pela dignidade e pelos direitos humanos de todos em nosso país, não importa o credo político ou religioso, tendo sempre em mente que:

 

– é dever do Estado brasileiro proporcionar a todos oportunidades de emprego e renda, garantir acesso à moradia, saúde, educação, segurança e promover a superação da pobreza;

– o desenvolvimento econômico e social do país pode e deve ser buscado por caminhos de liberdade e respeito efetivo aos direitos humanos e civis;

– o Congresso Nacional, com ampla consulta à sociedade, é o foro adequado para o debate de temas éticos envolvendo a vida em família e o direito à vida;

– a busca de realização dos verdadeiros direitos humanos não se coaduna com a imposição de modelos de Estado ou civilização fabricados em núcleos de militantes e em laboratórios intelectuais, por mais prestigiados que sejam;

– será com a participação de todos que iremos realizar o sonho de uma grande Pátria com liberdade, deveres e direitos equânimes garantidos a todos.

 

5. Por sua abrangência e pretensa transversalidade, o referido Decreto equivale a uma mini-constituinte. Se outro mérito não tem, revela a verdadeira face ideológica de um governo que faz profissão de fé democrática, mas que, em conferências com sua militância (que pretende substituir a sociedade civil), conspira pelo obscurantismo.

  

Rodrigo Maia – Presidente Nacional do DEM

Sérgio Guerra – Presidente Nacional do PSDB