Entrevista concedida a mim por D. Antônio Muniz, O. Carm., arcebispo de Maceió e presidente do Regional Nordeste II da CNBB, por ocasião da cerimômia de posse de D. Fernando Saburido, OSB.

            Exsurge: A Arquidiocese de Olinda e Recife está saindo das mãos um bispo religioso [carmelita] e passando às mãos de um outro bispo religioso [beneditino]. Está se tornando uma práxis da Santa Sé nomear bispos religiosos para o Nordeste do Brasil? Se sim, por quê?

 

            D. Muniz: Sempre foi uma prática aqui no nordeste. Já tivemos outros bispos carmelitas ocupando a Sé de Olinda, bem como grandes bispos beneditinos ocupando a Sede Primacial em Salvador. E sempre foi muito presente a vida religiosa na vida da Igreja. Portanto não é nem uma prática, é algo normal. Agora, por exemplo, eu – que sou carmelita – estou em Maceió; em João pessoa nós temos um sacramentino [D. Aldo], e um do clero diocesano que é de Natal [D. Matias].

 

            Exsurge: E com relação à forma de governar? O senhor que um religioso “rege” diferentemente de um diocesano?

 

            D. Muniz: Não, não. Nossa formação é a mesma, a abordagem eclesial é a mesma. Talvez a nossa maneira de entender a espiritualidade, a nossa maneira de rezar, a nossa maneira de dar certos enfoques. Isso é natural de cada pessoa e também natural de cada padre diocesano que tem a sua maneira, o seu jeito de ser.

 

            Exsurge: O senhor conviveu muito tempo com D. José – não só como carmelita, mas também como irmão no Episcopado. Que característica o senhor acha que marca a figura de D. José?

 

            D. Muniz: O que sempre me deixa muito impressionado em D. José é a cordialidade fraterna. É um irmão com quem eu jamais me incomodaria de conviver sempre no mesmo convento. É uma pessoa de obedecer, uma pessoa de estar caminhando com a comunidade, de atenção para com o outro que está doente. Isto é muito importante. É esta impressão que fica na convivência com D. José: a simplicidade. A simplicidade dele no modo de conviver como irmão. Isso é uma marca muito profunda. E é isso que vai acontecer a partir de amanhã: ele vai para o nosso convento de Goiana – onde tudo começou, onde ele fez o noviciado, onde ele ingressou na ordem. Eu também estive em Goiana, eu também fui noviço naquele convento. E ele vai para lá viver como frei José Cardoso (ou frei Elias como a gente chamava quando ele era padre). É isso que realmente me impressiona. É aquele “combati o bom combate, guardei a fé, resta-me esperar a coroa”.

 

            Exsurge: Em relação a D. Fernando Saburido: o senhor também conviveu com ele como bispo…

 

            D. Muniz: Tivemos muito relacionamento de trabalho. Enquanto bispo e também enquanto padre estávamos no mesmo clero. Trabalhamos juntos no mesmo regional: ele como presidente e eu como vice-presidente. Trabalhamos sempre juntos. Todo o período de Fernando foi um período de muito trabalho conjunto no Regional.

 

            Exsurge: Que traço o senhor vê como marcante da personalidade de D. Fernando?

 

            D. Muniz: A decisão. Ele é um homem muito decidido. Isso é o que me impressiona nele. E também a coragem que ele tem de tomar as decisões; de dizer: “é assim, eu quero que seja assim e será feito assim”.

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Uma resposta to “D. Antônio Muniz, O. Carm.”

  1. tetssnats Says:

    I enjoyed reading your blog. Keep it that way.

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