setembro 2009


  

            Deparei-me, através de uma lista de e-mails, com um artigo interessantíssimo publicado no site Reino da Virgem Mãe de Deus. O artigo, intitulado “Joelhofobia”, trata de como a genuflexão [ato de se ajoelhar] faz parte da tradição litúrgica e devocional dos católicos, não podendo – portanto – ser proibido ou desestimulado. O artigo é curto, bem escrito e pertinente. Logo, merece uma forte recomendação de que seja lido 😉

 

            Hoje é dia de São Jerônimo. Aqueles que desejam conhecer melhor este grande santo e doutor da Igreja podem ler no site Franciscanos uma pequena biografia do padroeiro dos estudos bíblicos.

 

            O Rafael Vitola escreveu um post – áspero, mas necessário – comentando o parecer da CNBB sobre jogos de azar.  Vale a pena conferir.

           

            I

 

           Querem matar Obama! Alguém lançou uma enquete no Facebook perguntando se o presidente dos EUA deveria ser morto. Antes que a voz do povo fosse a voz de Deus, retiraram do ar a enquete. Eu particularmente sou contrário a que matem Obama. Acho que ele deveria passar por um processo idêntico [ou talvez mais radical até] ao do protagonista do filme “O Curioso caso de Benjamim Button”: ele devia regredir na idade até atingir o ventre de sua querida mamãe. E lá, no ventre materno – tal como as crianças abortadas – ele deveria conhecer a dura realidade da morte quando [ainda] se é inocente… É caro leitor, talvez eu seja mais macabro que o sujeito que criou a pesquisa no Facebook…

              II

              Para os pedófilos, castração química já! A proposta está sendo estudada pelos ilustres senadores deste nosso Brasil Varonil. Porém, eu pergunto: isso não é meio estóico, não? E quanto aos instintos? Há como livrar-se deles? Se bem que – pelo Evangelho de domingo passado – “é melhor entrar no Reino do Céu sem um dos olhos do que – tendo ambos – arder no inferno”. Por analogia…

 

               III 

 

            O Percival Puggina escreveu um primoroso artigo descendo a lenha no envolvimento do Brasil com a questão Hondurenha. Vale a pena ler 😉

 

           

           

  

            Michael Jackson era gay

 

             Calma! Quem está dizendo isso não sou eu: foram os próprios gays que – durante uma Parada Gay no Pará – resolveram “homenagear” o cantor norte americano.

            “Ele era uma das maiores vítimas de preconceito e sofreu com isso até a morte – seja pela cor da pele ou pelo estilo de vida”, disse Paulo Caldas, um dos fãs que prestou a homenagem” (grifos meus).

            Clique aqui para ler a matéria completa.

  

            E o bicho tá pegando em Honduras…

 

             “A tensão ficou mais forte em Honduras neste domingo (27) em antecipação a novos confrontos depois que o presidente deposto Manuel Zelaya pediu a seus partidários que façam uma ofensiva final e os líderes golpistas responderam com uma dura advertência ao Brasil. Trabalhadores rurais de Honduras se dirigem para a capital em apoio a Zelaya, disse o líder religioso Andres Tamayo à agência France Presse. Ele está dentro da embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde o presidente deposto está abrigado desde que voltou ao país na última segunda-feira”.

            O site da Globo acrescenta que “o governo interino de Honduras, liderado por Roberto Micheletti, decretou neste domingo (27) a suspensão de direitos constitucionais públicos, como a liberdade de circulação e expressão, de protestos, e autorizou a suspensão de grupos de mídia que, na visão do governo de fato, “provoquem distúrbios pelo país”. O anúncio foi feito através de uma cadeia nacional de rádio e TV.

 

            Conselho Federal de Serviço Social adere publicamente ao abortismo

  

            Conselhos de classe, ordens e associações profissionais quaisquer normalmente não servem para porcaria nenhuma além de recolher taxas [através de um sutil processo de extorsão]. O Conselho Federal de Serviço Social  – que deve ser uma verdadeira gaiola das loucas – prestou um grande DESserviço social escrevendo a seguinte Moção de Apoio:

 

            Nós, assistentes sociais, delegadas/os, observadores/as e convidadas/os reunidas/os no 38º Encontro Nacional CFESS/CRESS realizado em Campo Grande/MS no período de 06 a 09 de setembro de 2009 manifestamos nosso apoio ao Manifesto contra a criminalização das mulheres que praticam aborto apresentado pela Frente Nacional pelo Fim da Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto.

            Centenas de mulheres no Brasil estão sendo perseguidas, humilhadas e condenadas por recorrerem à prática do aborto. Isso ocorre porque ainda temos uma legislação do século passado – 1940 -, que criminaliza a mulher e quem a ajudar.

            A criminalização do aborto condena as mulheres a um caminho de clandestinidade, ao qual se associam graves perigos para as suas vidas, saúde física e psíquica, e não contribui para reduzir este grave problema de saúde pública.

            As mulheres pobres, negras e jovens, do campo e da periferia das cidades, são as que mais sofrem com a criminalização. São estas que recorrem a clínicas clandestinas e a outros meios precários e inseguros, uma vez que não podem pagar pelo serviço clandestino na rede privada, que cobra altíssimos preços, nem podem viajar a países onde o aborto é legalizado, opções seguras para as mulheres ricas.

            A estratégia dos setores ultraconservadores, religiosos, intensificada desde o final da década de 1990, tem sido o “estouro” de clínicas clandestinas que fazem aborto. Os objetivos destes setores conservadores são punir as mulheres e levá-las à prisão. Em diferentes Estados, os Ministérios Públicos, ao invés de garantirem a proteção das cidadãs, têm investido esforços na perseguição e investigação de mulheres que recorreram à prática do aborto. Fichas e prontuários médicos de clínicas privadas que fazem procedimento de aborto foram recolhidos, numa evidente disposição de aterrorizar e criminalizar as mulheres. No caso do Mato Grosso do Sul, foram quase 10 mil mulheres ameaçadas de indiciamento; algumas já foram processadas e punidas com a obrigação de fazer trabalhos em creches, cuidando de bebês, num flagrante ato de violência psicológica contra estas mulheres.

            A estas ações efetuadas pelo Judiciário somam-se os maus tratos e humilhação que as mulheres sofrem em hospitais quando, em processo de abortamento, procuram atendimento. Neste mesmo contexto, o Congresso Nacional aproveita para arrancar manchetes de jornais com projetos de lei que criminalizam cada vez mais as mulheres.

            Deputados elaboram Projetos de Lei como o “bolsa estupro”, que propõe uma bolsa mensal de um salário mínimo à mulher para manter a gestação decorrente de um estupro. A exemplo deste PL, existem muitos outros similares.

            A criminalização das mulheres e de todas as lutas libertárias é mais uma expressão do contexto reacionário, criado e sustentado pelo patriarcado capitalista globalizado em associação com setores religiosos fundamentalistas. Querem retirar direitos conquistados e manter o controle sobre as pessoas, especialmente sobre os corpos e a sexualidade das mulheres.

            Ao contrário da prisão e condenação das mulheres, o que necessitamos e queremos é uma política integral de saúde sexual e reprodutiva que contemple todas as condições para uma prática sexual segura.

            A maternidade deve ser uma decisão livre e desejada e não uma obrigação das mulheres. Deve ser compreendida como função social e, portanto, o Estado deve prover todas as condições para que as mulheres decidam soberanamente se querem ou não ser mães, e quando querem. Para aquelas que desejam ser mães devem ser asseguradas condições econômicas e sociais, através de políticas públicas universais que garantam assistência a gestação, parto e puerpério, assim como os cuidados necessários ao desenvolvimento pleno de uma criança: creche, escola, lazer, cultura, saúde.

            As mulheres que desejam evitar gravidez devem ter garantido o planejamento reprodutivo e as que necessitam interromper uma gravidez indesejada deve ser assegurado o atendimento ao aborto legal e seguro no sistema público de saúde.

            Neste contexto, não podemos nos calar!

            Nós, sujeitos políticos, movimentos sociais, organizações políticas, lutadores e lutadoras sociais e pelos diretos humanos, reafirmamos nosso compromisso com a construção de um mundo justo, fraterno e solidário, nos rebelamos contra a criminalização das mulheres que fazem aborto, nos reunimos nesta Frente para lutar pela dignidade e cidadania de todas as mulheres.

            Nenhuma mulher deve ser impedida de ser mãe. E nenhuma mulher pode ser obrigada a ser mãe.

            Por uma política que reconheça a autonomia das mulheres e suas decisões sobre seu corpo e sexualidade.

            Pela defesa da democracia e do principio constitucional do Estado laico, que deve atender a todas e todos, sem se pautar por influências religiosas e com base nos critérios da universalidade do atendimento da saúde!

            Por uma política que favoreça a mulheres e homens um comportamento preventivo, que promova de forma universal o acesso a todos os meios de proteção à saúde, de concepção e anticoncepção, sem coerção e com respeito.

            Nenhuma mulher deve ser presa, maltratada ou humilhada por ter feito aborto!

            Dignidade, autonomia, cidadania para as mulheres!

            Pela não criminalização das mulheres!

 

Campo Grande- MS, 09 de setembro de 2009.

Conselho Federal de Serviço Social (CFESS)

Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS)

 Aprovada na Plenária Final do 38º. Encontro Nacional CFESS/ CRESS, realizado de 06 a 09 de setembro de 2009 em Campo Grande-MS.

  

             Os mestres de espiritualidade (sobretudo os santos místicos) sempre procuraram nos alertar quanto a dois comportamentos extremamente nocivos para qualquer relação humana. São eles: o apego e o desprezo.

            O apego demasiado às criaturas nos leva a menosprezar [ou até desprezar] o Criador. Trata-se de uma afeição desordenada que desencadeia ciúmes excessivos [decorrente de uma sensação de posse], dependência em relação ao outro, e uma profusão de atitudes egoístas. Santo Agostinho explicou resumidamente, e muito bem, as conseqüências deste apego exagerado, quando – na comparação das duas cidades – afirma que “a Cidade dos Homens ama tanto a si, que chega a desprezar Deus; ao passo que a Cidade de Deus ama tanto o Criador, que atinge o desprezo de si”. É o egoísmo contra o altruísmo. Queremos um lado, as somos constantemente arrastados para o outro.

            Às vezes este apego se dá em relação aos familiares [com quem – pelo menos em tese – temos uma relação mais próxima]. A experiência mística da Igreja nos mostra que mesmo o amor natural que há entre pais e filhos (que é intenso) deve ser moderado. Jesus fez esta exigência quando disse: “Se alguém ama mais o seu pai ou sua mãe que a mim, não é digno de Mim”. Urge, portanto, ter uma afeição “justa”, por assim dizer, para com todos os que nos rodeiam. Diz-se que “justiça é dar a cada um o que é seu” [cuíque suum]. Dar a devida “medida” de amor a cada uma das pessoas com as quais nos relacionamos é, portanto, um dever cristão, um serviço à justiça, que implica empreender uma luta contra as nossas tendências. Um dos efeitos benéficos dessa “moderação” para com os nossos afetos humanos [talvez o mais verificável] é a melhora na qualidade da nossa oração: quando nos “desligamos” daquilo que é terreno, mais facilmente conseguimos nos voltar para o que é “do alto”.

            A outra coisa que constitui uma grave falta para com o próximo é o desprezo. Ele é o oposto do apego. Desprezo é ser indiferente em relação ao outro; é não lhe dar atenção, não se importar com ele, viver como se ele não existisse.

            No mundo de hoje, o desprezo muitas vezes quer-se justificar usando como desculpa a “vida corrida”, a falta de tempo. As pessoas não têm mais tempo para dedicar aos outros. As relações virtuais [criadas e estimuladas por sites como Orkut, Gazzag, Twitter, Facebook, etc.], a meu ver, muito contribuíram para que isso acontecesse. Antes os amigos iam à casa uns dos outros, hoje enviam scraps… Os encontros pessoais ficaram “fora de moda”: é como se eles gerassem uma grande “perda” de tempo [“muito mais veloz é conectar-se e comunicar-se sem precisar sair de casa”]. Que triste!

            Aquela experiência que Jesus fez com o jovem rico – a de “fitá-lo nos olhos e amá-lo” – é muito enriquecedora e revela o grande interesse que Nosso Senhor tinha pelas pessoas. Precisamos aprender isso com Ele! A lição que Cristo nos dá – e que está narrada no final do Evangelho de São Mateus – é muito clara: “tudo que fizestes a um desses pequeninos, foi a Mim que o fizestes. A atenção dispensada ao outro reverte em interesse por Deus. Da mesma forma, o menosprezo, o desprezo, a indiferença para com o outro, implicam uma renúncia a Deus, um desinteresse por Aquele que nos criou.

            Que Deus nos ajude a alcançar a justa medida dos nossos afetos.

           

São Pio de Pietrelcina

São Pio de Pietrelcina

 

            Tenho um imenso carinho pela ordem dos frades menores capuchinhos. E hoje, no dia de São Pio de Pietrelcina, quero honrar a memória deste santo capuchinho [que, para mim, representa a glória desta ordem]. A respeito dele, penso que diria São Francisco, il poverello d’Assisi: Laudato sie, Signore, per tutte le tue creature; laudato sie per San Pio da Pietrelcina! (Louvado sejas, Senhor, por todas as tuas criaturas; louvado sejas por São Pio de Pietrelcina).

            O vídeo que trago logo abaixo me emociona deveras: trata-se da exumação do santo corpo de Padre Pio. É um espetáculo! Resumidamente o que ocorre é o seguinte: o Cardeal autoriza – solenemente – a abertura da cripta, os frades entoam o Te Deum, e o corpo do santo revela-se… incorrupto!

            Como o vídeo está em italiano, traduzi parte do pronunciamento de S. Eminência durante a exumação.  Diz o prelado: 

 

            “Encarregados, procedam à abertura do sepulcro e à exumação do venerável corpo de São Pio de Pietrelcina (no século, Francesco Forgione), sacerdote professo da ordem dos frades menores capuchinhos.

            Aquilo que nós começaremos a fazer é um gesto de afetuosa, delicada, discreta e respeitosa devoção para com os restos mortais de São Pio de Pietrelcina. Este gesto se faz, primeiramente, em louvor e agradecimento a Deus, três vezes Santo, por haver suscitado – no seu servo fiel – uma ulterior manifestação do mistério da cruz.

            […]

            Pe. Pio, irmãos, irmãs, amigos, deixou-nos um testemunho e um herança. E esta herança é a santidade,  a qual todos nós – seus devotos e filhos espirituais – devemos atingir”.

 

 Rezemos com São Pio:

 Oração composta por Pe. Pio para depois da Comunhão Eucarística

 Fica comigo, Senhor, pois preciso da tua presença para não te esquecer. Sabes quão facilmente posso te abandonar.

Fica comigo, Senhor, porque sou fraco e preciso da tua força para não cair.

Fica comigo, Senhor, porque és minha vida, e sem ti perco o fervor.

Fica comigo, Senhor, porque és minha luz, e sem ti reina a escuridão.

Fica comigo, Senhor, para me mostrar tua vontade.

Fica comigo, Senhor, para que ouça tua voz e te siga.

Fica comigo, Senhor, pois desejo amar-te e permanecer sempre em tua companhia.

Fica comigo, Senhor, se queres que te seja fiel.

Fica comigo, Senhor, porque, por mais pobre que seja minha alma, quero que se transforme num lugar de consolação para ti, um ninho de amor.

Fica comigo, Jesus, pois se faz tarde e o dia chega ao fim; a vida passa, e a morte, o julgamento e a eternidade se aproximam. Preciso de ti para renovar minhas energias e não parar no caminho. Está ficando tarde, a morte avança e eu tenho medo da escuridão, das tentações, da falta de fé, da cruz, das tristezas. Oh, quanto preciso de ti, meu Jesus, nesta noite de exílio.

Fica comigo nesta noite, Jesus, pois ao longo da vida, com todos os seus perigos, eu preciso de ti.

Faze, Senhor, que te reconheça como te reconheceram teus discípulos ao partir do pão, a fim de que a Comunhão Eucarística seja a luz a dissipar a escuridão, a força a me sustentar, a única alegria do meu coração.

Fica comigo, Senhor, porque na hora da morte quero estar unido a ti, se não pela Comunhão, ao menos pela graça e pelo amor.

Fica comigo, Jesus. Não peço consolações divinas, porque não as mereço, mas apenas o presente da tua presença, ah, isso sim te suplico!

Fica comigo, Senhor, pois é só a ti que procuro, teu amor, tua graça, tua vontade, teu coração, teu Espírito, porque te amo, e a única recompensa que te peço é poder amar-te sempre mais. Como este amor resoluto desejo amar-te de todo o coração enquanto estiver na terra, para continuar a te amar perfeitamente por toda a eternidade. Amém.

  

São Pio de Pietrelcina, rogai por nós!

 

             Mesmo tendo outros públicos “à sua disposição”, o demônio não pára de atormentar os católicos. Sou obrigado a constatar que – não obstante o cheiro de enxofre lhe tenha prejudicado o paladar – o infeliz tem bom gosto. Seguramente, para ele deve ser mais instigante, mais satisfatório e mais emocionante, tentar um católico que tentar um qualquer: invadir uma cidade que possui um exército para defendê-la é sempre mais meritório que tomar uma aldeia abandonada; ganhar uma luta após um prolongado [e, portanto, cansativo] combate, é sempre mais honroso que vencer por W.O. Logo, quando o diabo consegue conquistar a alma de um católico, ele a ostenta com a maior satisfação e sorri com largueza. A alma católica é uma espécie de trunfo, uma medalha de ouro. É por isso que o demônio continua perseguindo os católicos: ele quer o ouro. Não se contenta com latão.

            É interessante perceber que – enquanto nos templos protestantes o diabo “entra e sai” nas pessoas como se estivesse no parque de diversões entrando na fila várias vezes para ir ao mesmo brinquedo – na história da Igreja, o diabo sempre deu um trabalho danado [acho que, para o assunto tratado, esse termo cai como uma luva ;)] para abandonar a alma de alguém. Do ponto de vista do demônio, católicos representam “material de primeira” pelo qual ele batalha até o último instante para adquirir. Aí está, então, a prova do bom gosto de satanás. Aliás, um dia alguém me deu uma curiosa razão para não ser protestante. Disse: “em ‘igreja de crente’ há mais presença do diabo que presença de Deus”. Tem lá o seu fundo de verdade…

            Com relação ao ofício de certos “pastores” – para quem (perdoem-me a comparação) até uma flatulência com som estranho é sinal de manifestação demoníaca, acho que o demônio se diverte. E isso é triste porque ele se diverte enquanto outros – pessoas simples, na maioria das vezes sem formação espiritual – viram objeto do espetáculo oferecido pelos mercenários hereges. As pessoas, supostamente endemoninhadas, viram como que animais de circo que – ao se tornarem ‘peça de observação’ – ou provocam comoção, ou viram alvo de deboche…

            Uma coisa é certa: o maligno odeia os filmes que tratam da temática do exorcismo. Embora ele, ali – na tela – possa exercer sua aguçada vaidade [mostrando parte das coisas espetaculares de que é capaz] normalmente acaba vencido. O padre é mostrado como alguém que tem autoridade sobre ele. E é esse “sentir-se inferior” que deve deixar o demônio furioso.

            Além disso, acho que o tinhoso de vez em quando entra em crise de identidade. São tantos nomes para um único sujeito: Diabo, Demônio, Inimigo, Satanás, Satã (abreviatura do anterior), Tinhoso, Maligno, Belial, Belzebu, ufa! É para enlouquecer qualquer um. Eu, particularmente, não gosto de chamá-lo de “Encardido”, como fazia o saudoso Pe. Léo, da Comunidade Betânia. Acho pejorativo demais =P Além do que, as pessoas [demônio incluso] são livres para gostar ou não de tomar banho. O pior mesmo, entretanto, é quando chamam qualquer demoniozinho de Lúcifer! O chefão deve ficar mais endiabrado do que já é. Ora, Lúcifer é um só! Os outros são simples diabinhos que fazem parte daquele um terço de anjos rebeldes que São Miguel Arcanjo botou pra correr do Paraíso.

            Outra coisa: tem gente que vai ao restaurante e, quando vê o garçom tropeçar e derrubar a bandeja, acha que foi “o cão que botou o pé”. Pera lá! Atrapalhar a caminhada espiritual dos filhos de Deus é, sim, ofício do maligno; mas, a triste sorte do garçom desajeitado não é culpa do diabo. Justiça seja feita!

 

            Ontem, em Copacabana (RJ) aconteceu a II Caminhada contra a Intolerância Religiosa. 80.000 pessoas participaram do evento (eu nunca confio nesses números, mas vá lá que seja verdade). Foi noticiado que ateus participaram do evento, reivindicando o direito de não crer. Então eu me pergunto: será que todos os que participaram desta caminhada lutam por um mesmo ideal? Será que a liberdade religiosa que um católico reivindica é a mesmo que liberdade religiosa requerida por um ateu?

            O primeiro ponto a ser comentado, creio eu, é que a caminhada está com o nome errado. Na verdade, as pessoas ali estão lutando pela liberdade de culto, e não a religiosa. Ora, o Brasil é internacionalmente conhecido por ser um país “plural”, aberto a todo o tipo de cultura religiosa.  Aqui todo mundo acredita no que quiser. E o fundamento disso é que o “crer” é uma questão de foro íntimo que, por natureza, é inviolável. O Brasil parece que não só respeita isso, como até incentiva: aqui tem mais templo protestante que posto de saúde!

             A outra questão é com relação ao uso indistinto, e logo infeliz da palavra liberdade. A liberdade, segundo a Doutrina da Igreja, está orientada para o bem. Logo, nem todos são livres quanto ao credo porque nem todos os credos não se orientam ao bem. Doa a quem doer. O que todos têm é livre arbítrio – que, em termos de religião, no Brasil – significa poder fazer o “self service” religioso: cada um vai à religião que quer e escolhe o deus que quer…

             O problema, portanto, está na questão do culto. Protestantes querem ter o direito de fazer os seus cultos barulhentos na rua; nós, católicos, queremos poder manter a tradição medieval das procissões; umbandistas lutam ainda por manter a imagem de seus orixás naquela lagoa de Salvador [cujo nome eu esqueci]. Enfim, cada um tem os seus motivos para brigar. E é aí que eu retomo à questão da presença dos ateus na caminhada de ontem: a quem os ateus cultuam? Se eles não têm nenhuma cerimônia própria de culto, nenhuma cultura nem tradição próprias a serem mantidas, que raios estavam fazendo ontem em Copacabana?

             Mas, isto aqui é Brasil e todo mundo gosta é de sair na TV mesmo…

            Ah, se todos os caminhos realmente levassem a Roma… O mundo estaria a salvo!

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