Ontem (15), ao mesmo tempo em que tive a ventura de entrevistar a Drª. Dolly, tive a desventura de ter uma conversa informal com o Dr. Sérgio Cabral, chefe da equipe médica que realizou o abortamento dos gêmeos da garota de Alagoinha. Uma repórter da Folha de Pernambuco e eu alternávamos as perguntas ao Dr. Sérgio. Registre-se o fato de que ele não quis tomar parte na tribuna da câmara para defender o seu “ponto de vista” (favorável à prática do aborto “nos casos em que a lei permite”) por considerar antidemocrático um debate em que só um dos lados comparece. Curioso… Ora, o lado que – embora convidado – não compareceu, foi o dele! As portas da Casa de José Mariano estavam abertas a eles, a palavra lhes fora franqueada, mas eles – os abortistas – não quiseram fazer uso dos seus direitos de liberdade de pensamento e liberdade de expressão. De quem é a culpa da omissão dos pró-aborto? De quem propôs e organizou o debate? Claro que não. No fundo, a argumentação do Dr. Sérgio, em essência, quer tão-somente justificar a sua covardia (já demonstrada de maneira irrefutável no próprio fato de ele realizar assassinato de inocentes). Mas, considerações à parte, grosso modo o que ele me disse foi o seguinte:

             Erguei-vos, Senhor: O que o senhor diz das estatísticas apresentadas pela Drª. Dolly Guimarães quanto à mortalidade materna?

             Dr. Sérgio Cabral: Existem inúmeras estatísticas em contrário ao que ela apresenta.

 

            Erguei-vos, Senhor: O senhor acha que houve manipulação dos pais da garota quando lhes foi solicitada a “autorização” para o abortamento?

             Dr. Sérgio Cabral: Cabe ao Ministério Público e a Polícia Federal investigar se houve.

 

            Erguei-vos, Senhor: O senhor faria de novo?

             Dr. Sérgio Cabral: Sim. Continuaremos a realizar o procedimento terapêutico do aborto nos casos em que a lei autoriza. Havendo alterações na lei, mudamos o procedimento. Mas, enquanto isso não ocorrer, nós continuaremos a fazer.

 

            Erguei-vos, Senhor: O senhor não acha que a lei é permissiva e não indicativa? Ou seja, embora ela lhe dê uma “autorização” para proceder ao aborto em determinados casos, ela nunca o obriga a isso. Não é assim?

             Dr. Sérgio Cabral: Não sei. Não sou jurista.

 

            Erguei-vos, Senhor: Pessoalmente, o senhor é a favor do aborto?

             Dr. Sérgio Cabral: Tenho duas opiniões distintas: uma como médico e uma como pessoa.

 

            Erguei-vos, Senhor: A que o senhor atribui a ausência dos seus colegas nesta audiência pública?

             Dr. Sérgio Cabral: Não sei. Teria que falar com cada um deles para apurar os motivos pelos quais decidiram não comparecer.

 

            Além destas respostas, Dr. Sérgio fez ainda outros comentários que, embora não relacionados diretamente às perguntas, se faziam pertinentes quanto ao caso da garota de Alagoinha. Eis aqui algumas das suas afirmações:

             * “Você acha que alguém na minha equipe gosta de realizar abortos? Ninguém gosta. Mas, como profissionais de saúde, temos que – em alguns casos – fazê-lo”.

            * “Nós queríamos manter um clima de naturalidade para não gerar mais traumas. Então a garota estava lá brincando e, de repente, perguntava: ‘mas, e essa barriga’? E nós dizíamos: ‘é verme (verminose). Mas a gente já está tratando disso’” 

            * “Como profissional de saúde tenho que cumprir a Lei” (detalhe: esta frase foi repetida ad nauseam…)”

            * “Aqui neste debate eu não estou contra nem a favor” (esta frase, embora carente de significado prático, foi dita duas vezes).

 

            E, para fechar com chave de ouro, a frase mais absurda de todas:

             “O risco de morte foi apenas um adendo. Nós, como profissionais de saúde, tínhamos é que cumprir a norma do Ministério da Saúde e o Código Penal”.

                Isso significa, em termo práticos, que eles – a equipe médica – não estava nem aí para a vida da menina, muito menos a dos gêmeos. O importante era matar e contar com a bênção da legislação para isso.  Parafraseando o jornalista Boris Casoy, “isto é uma vergonha!”.

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8 Respostas to “Dr. Sérgio Cabral”

  1. Wagner Moura Says:

    Respostas de bandido… É assim mesmo que bandido responde nesses programas policiais.

  2. Laís Says:

    Eu que estudo direito, se a lei estiver contra os meus princípios, os princípios da minha religião eu não sigo. Isso é resposta para quem não tem resposta. Pois ninguém é obrigado a concordar com a lei, qando se constata que ela não é correta. Covardia, pura covardia.

  3. Frederico Moreira Says:

    Estarrecedor!

  4. manuella almeida ribeiro de abreu Says:

    eu não suporto nem ouvir falar em aborto eu tenho 7 anos de casada e sou louca pra ser mãe e não tenho filho,e essas mulheres q tem o praser de ser mãe fasem isso,o mundo estar totalmente tomado pelo maliguino.

  5. Thiago Says:

    Não sei se fico com pena ou com ódio desse excomungado abortista!!

    comparar/chamar um feto de vários meses de “verme”, como ele chamou aí em cima??!!

    pensar o que de um assassino como esse??
    ele diz que segue o Código Penal…então eu colocaria o código penal pra ele, referente ao artigo 121, parágrafo referente a “HOMICÍDIO QUALIFICADO”…até 30 anos de cadeia

    é isso que ele merece, no mínimo.

    triste…duas vidas assassinadas, sem possibilidade de defesa por um sujeito desses 😥

    Jesus chora diante dessa geração!!

  6. Jaime Prado Says:

    Quero dar os parabéns ao Dr. Sergio Cabral pela bela iniciativa, no proceeso que foi implantado junto aos internos do |Hospital Curupaíti do Estado do Rio de Janeiro, que sirva de exemplos par os outros estados da nossa federação.
    Sei o quanto é dificil a vida dos pacientes internados nas antigas colôpnias popis sou func/serv do antigo Asilo-Colônia Aimorés, em Bauru/SP, 76 anos de história somos referecnia mundail nas pesquisas e no tratamento aos pacientes portadores da hanseníase uma mancha negra que ainda afeta a nossa população mais carente.
    Parabéns Dr. Sergio Cabral pela iniciativa, eu luto incansavelmente na poreservçaõ da história do Asilo Colônia Aimorés junto com o Morhan.
    Preservar a história é manter subsidios para que as futuras gerações possa entender o significado da Palavra Lepra Díficil de Falar mas Fácil de Curar.
    Gostaria que o senhor me add meu orkut e conhece o meu trabalho tenho no meu arquivo particular mais de 7.600 fotos da história, muitas em preto e branco desde 1925 no começo da história do antigo asilo.

    Um grande abraço gostari muito de conhecê-lo pessoalmente e relatar meus conhecimentos sobre a história do asilo da ex: Deputada Conceição da Costa Neves a primeira mulher na história do Brasil e entrar dentro de um leprosário em 1944, na cidade de Sorocaba/SP.
    História, tive o prazer de conhecer recentemente o Dr. José Coprsino Filho ai do seu estado um exemplo de vida esteve pela primeira vez aqui em Bauru nos dias 27 e 28/10/ 2009.
    Jaime Prado – Mtb: 038076- Projeto História – Morhan

  7. Jaime Prado Says:

    Dr. Sergio Cabral parabéns pela maravilhosa iniciativa, que seja um exemplo a ser seguido por outros estados brasileiros, principalmente no Estado de São Paulo onde existiu no passado, cinco colônias de isolamento, e milhares de internos que ainda busca um abrigo dígno para morar talves, está iniciativa do Governo do Estado Rio de Janeiro, possa sensibilizar outros governantes pelo menos fazer um xerox desta magnífica idéia, não importa mesmo que seja dentro de uma colônia onde os internos viveram parte de suas vidas, isoladados da sociedade.
    Gostaria que o Coordenador do Morhan,meu amigo Artur Custodio acionasse os demais estados da federação para este projeto.
    “A História nos mostra caminhos, e nos dá subsidios do passado para vivermos o presente e transforma o futuro”.

    Jaime Prado – Mtb: 038076 – Projeto História

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