novembro 2009


 

 Fonte: Zenit

Discurso pronunciado por Sua Santidade, o papa Bento XVI, durante o ângelus de ontem (29).

 

                Queridos irmãos e irmãs!

                Este domingo iniciamos, pela graça de Deus, um novo Ano Litúrgico, que se abre naturalmente com o Advento, tempo de preparação ao nascimento do Senhor. O Concílio Vaticano II, na constituição sobre a liturgia, afirma que a Igreja “distribui todo o mistério de Cristo pelo correr do ano, da Encarnação e Nascimento à Ascensão, ao Pentecostes, à expectativa da feliz esperança e da vinda do Senhor”. “Com esta recordação dos mistérios da Redenção, a Igreja oferece aos fiéis as riquezas das obras e merecimentos do seu Senhor, a ponto de os tornar como que presentes a todo o tempo, para que os fiéis, em contato com eles, se encham de graça” (Sacrosantum Concilium, 102). O Concílio insiste no fato de que o centro da liturgia é Cristo, como o sol em torno do qual, como os planetas, circulam a Bem-aventurada Virgem Maria –a mais próxima– e os mártires e outros santos, que “cantam hoje a Deus no céu o louvor perfeito e intercedem por nós” (Ibidem, 104).

                Esta é a realidade do Ano Litúrgico, por assim dizer, “partindo do lado de Deus”. E partindo do lado –digamos– do homem, da história e da sociedade? Que importância pode ter? A resposta sugere propriamente o caminho do Advento, que hoje empreendemos. O mundo contemporâneo necessita sobretudo de esperança: necessitam dela as populações em vias de desenvolvimento, mas também as economicamente desenvolvidas. Cada vez mais advertimos que nos encontramos em um mesmo barco e devemos nos salvar todos juntos. Sobretudo nos damos conta vendo cair tantas falsas seguranças, de que necessitamos de uma esperança confiável, e esta se encontra apenas em Cristo, quem, como diz a Carta aos Hebreus, “é o mesmo ontem, hoje e sempre” (13, 8). O Senhor Jesus veio no passado, vem no presente e virá no futuro. Ele abraça todas as dimensões do tempo, porque morreu e ressuscitou, é “o Vivo” e, compartilhando nossa precariedade humana, permanece para sempre e nos oferece a própria estabilidade de Deus. É “carne” como nós e é “rocha” como Deus. Quem deseja a liberdade, a justiça e a paz pode voltar-se a levantar e alçar a cabeça, porque em Cristo a libertação está próxima (cf. Lc 21,28) –como lemos no Evangelho de hoje. Podemos portanto afirmar que Jesus Cristo não só olha os cristãos, mas todos os homens, porque Ele, que é o centro da fé, é também o fundamento da esperança. É a esperança que todo ser humano necessita constantemente.

               Queridos irmãos e irmãs, a Virgem Maria encarna plenamente a humanidade que vive na esperança baseada na fé no Deus vivo. Ela é a Virgem do Advento: está bem enraizada no presente, no “hoje” da salvação; em seu coração recolhe todas as promessas passadas, e se estendem ao cumprimento futuro. Introduzamo-nos em sua escola, para entrar de verdade neste tempo de graça e acolher, com alegria e responsabilidade, a vinda de Deus a nossa história pessoal e social.

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              Num mundo cercado de injustiças é comum que – com o passar do tempo – as pessoas se acostumem a iniqüidade e não mais se achem no dever de lutar por justiça. É comum, inclusive, que coisas que sempre foram tratados como injustas, passem a ser tratadas como justas. É comum, mas não correto.

              No Brasil, o comodismo e a apatia com relação à justiça se agravam devido ao bom e velho [mais velho do que bom] “jeitinho brasileiro”. O “jeitinho” é uma maneira sutil (não sei se inteligente) de burlar os trâmites legais e regimentais da sociedade.

               Nesse contexto, infelizmente, alguns sacerdotes e bispos tem contribuído para instituir a confusão na cabeça das pessoas no que tange à formação de uma consciência justa, ao entendimento do conceito de justiça e a vivência desta virtude tão excelsa e cara ao coração de Deus. Neste sentido, um dos problemas que enfrentamos é a visão reducionista – que domina hoje a mentalidade do nosso clero – que faz com que o conceito [macro] de justiça seja resumido à sua dimensão social. Justiça acaba se confundindo com justiça social. É por causa disso que há clérigos apoiando a ação injusta e insana do Movimento Sem-Terra. A balança deles é totalmente parcial: pende ao lado dos pobres, afinal, dizem eles, “fizemos ‘opção preferencial’ por eles”. Essa visão, entretanto, é completamente equivocada. Justiça é eqüidade. Ela consiste exatamente em os pratos da balança estarem equilibrados…

               Outra contribuição extremamente negativa é essa visão demasiado espiritualista acerca da pessoa de Deus. Há quem ache que Deus é amor – e só. Há quem ache que Deus é misericórdia – e só. Ora, Deus é amor e misericórdia, sim; mas também é justiça. Viver uma vida afundado, até o pescoço, no pecado e não buscar conversão com a desculpa de que “Deus é misericórdia e sabe que eu sou fraco” é – no mínimo – imprudente.

            Recordemos o que nos diz o Catecismo da Igreja Católica acerca da justiça:

            §1807 A justiça é a virtude moral que consiste na vontade constante e firme de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido.  A justiça para com Deus chama-se “virtude de religião”. Para com os homens, ela nos dispõe a respeitar os direitos de cada um e a estabelecer nas relações humanas a harmonia que promove a equidade em prol das pessoas e do bem comum. O homem justo, muitas vezes mencionado nas Escrituras, distingue-se pela correção habitual de seus pensamentos e pela retidão de sua conduta para com o próximo. “Não favoreças o pobre, nem prestigies o poderoso. Julga o próximo conforme a justiça” (Lv 19,15). “Senhores, dai aos vossos servos o justo e eqüitativo, sabendo que vós tendes um Senhor no céu” (Cl 4,1).

              Ressalte-se, ainda, que o Compêndio de Doutrina Social da Igreja elenca a justiça entre os valores fundamentais da vida social. Isto significa que – sem este fundamento – a sociedade desmorona. Vejamos mais atentamente o que diz o Compêndio sobre esse valor fundamental:

             A justiça é um valor, que acompanha o exercício da correspondente virtude moral cardeal. Segundo a sua formulação mais clássica, «ela consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido». Do ponto de vista subjetivo a justiça se traduz na atitude determinada pela vontade de reconhecer o outro como pessoa, ao passo que, do ponto de vista objetivo, essa constitui o critério determinante da moralidade no âmbito inter-subjetivo e social.

              O Magistério social evoca a respeito das formas clássicas da justiça: a comutativa, a distributiva, a legal. Um relevo cada vez maior no Magistério tem adquirido a justiça social, que representa um verdadeiro e próprio desenvolvimento da justiça geral, reguladora das relações sociais com base no critério da observância da lei. A justiça social, exigência conexa com a questão social, que hoje se manifesta em uma dimensão mundial, diz respeito aos aspectos sociais, políticos e econômicos e, sobretudo, à dimensão estrutural dos problemas e das respectivas soluções. [Compêndio da Doutrina Social da Igreja, § 201]

             É importante que nos recordemos dos ensinamentos da Igreja para não corrermos o risco de adotar desapercebidamente a visão – maluca e herética – de “justiça” que o mundo prega. Não podemos nos acomodar e deixar de fazer a nossa parte sendo justos e colaborando como podemos com construção de um mundo mais justo [que é composto por *pessoas e instituições justas]. Sobre o dever de justiça, que é comum a todos, diz o Catecismo:

              §1916 A participação de todos na realização do bem comum implica, como todo dever ético, uma conversão sempre renovada dos parceiros sociais. A fraude e outros subterfúgios pelos quais alguns escapam às malhas da lei e às prescrições do dever social devem ser firmemente condenados, por serem incompatíveis com as exigências da justiça. É necessário ocupar-se do florescimento das instituições que possam melhorar as condições da vida humana.

             Ser justo, porém, tem um custo. E alto. “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus” [Mt 5] É fácil e cômodo para a sociedade civil exigir que os magistrados e demais colaboradores do poder judiciário ajam com retidão e trabalhem cada vez mais pela justiça. Mas sem cada um fazer a sua parte fica um pouco difícil. Têmis é um ídolo e, como todo o ídolo, não tem força… Se não colaborarmos, ela nada fará.

 

 

              A cantora católica Kelly Patrícia – fundadora da Comunidade Hesed – musicou um poema de São João da Cruz. É uma verdadeira lição de espiritualidade. “Nega aos teus desejos e encontrarás o que deseja o teu coração”. Ah, se o mundo entendesse isso!…

 

“O que Deus pretende é fazer-nos deuses por participação
Sendo-O Ele por natureza
Como fogo que converte tudo em fogo
O que Deus pretende é fazer-nos deuses

Deixa-te ensinar, deixa-te mandar, deixa-te sujeitar.
Deixa-te ensinar, deixa-te mandar e desprezar
E serás prefeita.

Nega aos teus desejos e encontrarás o que deseja teu coração.
Põe amorosa atenção em Deus,
Sem desejo de querer sentir ou entender
Coisa particular a respeito dEle.

Aprende a amar como Deus quer ser amado
E deixa a tua condição
O demônio teme a alma unida a Deus
Como ao próprio Deus”.

           Domingo passado (22), durante uma palestra, ouvi uma história muito semelhante à do relato abaixo.  Três dias depois, recebo um e-mail com a narrativa do mesmo “causo”. Achei isso curioso e resolvi compartilhar o conteúdo. A moral da história parece se tornar mais vinculante quando parte de um fato verídico… 😉

 

Eu participei da Missa por você

Este é um caso verídico. O testemunho de um filho sobre um fato acontecido com seu pai há muitos anos – fato que teve influência fundamental na vida daquele filho.

Por Padre Stanislaus SS.CC.

 
“Um dia, muitos anos atrás, em uma pequena cidade do Luxemburgo, um Capitão dos Guardas Florestais achava-se entretido em animada conversa com o açougueiro, quando uma mulher idosa entrou no açougue. O açougueiro interrompeu a conversa para indagar da velha senhora o que ela desejava. A mulher explicou-lhe que havia ido até ali para conseguir um pequeno pedaço de carne, mas que não tinha dinheiro para pagar. O capitão estava achando muito divertido o diálogo entre a pobre mulher e o açougueiro: – Apenas um pequeno pedaço de carne, mas quanto você vai pagar por ele?

– Desculpe-me, eu não tenho dinheiro, mas eu assistirei à missa por você, em sua intenção. Ambos, o açougueiro e o Capitão, eram bons homens, mas muito indiferentes no que se referia à religião e, então, imediatamente, começaram a troçar da resposta da velhinha. Tudo bem, disse-lhe o açougueiro, você vai assistir à missa por mim e, quando você voltar, eu lhe darei tanta carne quanto a missa pesar, quanto ela valer.

A mulher saiu, assistiu à missa e retomou. Ela se aproximou do balcão e o açougueiro, ao vê-la, disse-lhe: Tudo bem, agora vamos ver. Ele tomou um pedaço de papel e nele escreveu: EU ASSISTI A MISSA POR VOCÊ. O açougueiro, então, colocou o papel em um dos pratos da balança e, no outro, depositou um osso pequeno e fino, mas nada aconteceu. Em seguida ele trocou o osso por um pedaço de carne, porém o papel continuou a pesar mais. Os dois homens começaram a se sentir envergonhados com a sua zombaria, mas continuaram com a brincadeira. Um grande pedaço de carne foi, então, colocado na balança, mas o papel manteve-se mais pesado. Exasperado, o açougueiro examinou toda a balança, mas ela estava perfeita.O que você quer, minha boa mulher? Perguntou o açougueiro. Precisarei dar a você uma perna inteira de carneiro? Enquanto falava, colocou a grande perna de carneiro na balança, mas o papel em muito superou o peso da carne. Então, uma peça ainda maior de carne foi colocada naquele prato, mas novamente, o peso permaneceu no lado do papel.
Aquilo impressionou tanto o açougueiro que ele converteu-se no mesmo instante e prometeu oferecer à mulher, dali por diante, a sua ração diária de carne. No que concerne ao Capitão, ele deixou o açougue transformado e tornou-se um ardente freqüentador da missa diária. Dois de seus filhos ordenaram-se sacerdote s, um deles como jesuíta, o outro como padre do Sagrado coração. E Padre Stanislaus termina o seu testemunho dizendo: “Eu sou aquele Religioso do sagrado Coração e o Capitão era meu pai”.Desde aquele instante, o Capitão passou a assistir à Santa Missa diariamente e seus filhos foram educados seguindo o seu exemplo. Mais tarde quando seus filhos tornaram-se sacerdotes, ele os advertiu, para que celebrassem a Missa corretamente e todos os dias e para que nunca perdessem o Sacrifício da Missa por alguma falta pessoal”  

 

               Um absurdo completo! Quem noticiou foi o Fratres in Unum.

 

Missa Discoteca

Missa Discoteca

Persiste o escândalo de Viena. Missa Discoteca celebrada por bispo auxiliar.

 

O escândalo de Viena se aprofunda cada vez mais. Depois da celebração da “Missa Jovem” pelo próprio Cardeal Arcebispo, agora é a vez do senhor bispo auxiliar implementar a “Missa Discoteca”. Não bastassem os absurdos litúrgicos, chega-nos a notícia de que o senhor Cardeal visitará Medjurgorge.

(Kreuz.net, Viena) Em 8 de novembro, o bispo auxiliar Stephan Turnovszky presidiu uma Missa-Discoteca em Viena. A ocasião ocorreu na localidade de Großengersdorf, a vinte quilômetros ao norte de Viena. As Missas-Discotecas vienenses são celebradas sob o título de “Find Fight Follow” (Encontre, Lute, Siga). Provavelmente, com pão pita. Geralmente, se consagra o pão pita durante as Missas-Discotecas da arquidiocese de Viena.

Contudo, a organização desses eventos há muito tempo tem evitado a publicação de fotos da celebração eucarística. Obviamente, o Cardeal Arcebispo responsável, Christoph Schönborn, deseja que os grandes escândalos ocorram em segredo. Não obstante, é provável que o Mons. Turnovszky, seguindo o modelo de seu arcebispo, tenha consagrado um pão pita.

A Missa-Discoteca é um sacrilégio

O lema da recente Missa-Discoteca era “um caminho”. Supostamente, umas mil pessoas devem ter comparecido à Missa. A Arquidiocese de Viena constrange os jovens a participarem de uma Missa-Discoteca pelo menos uma vez antes de receberem o sacramento do Crisma. Uma equipe de preparação escreveu o texto da missa em uma suposta “linguagem  apropriada aos jovens”, conforme informou o sítio da Arquidiocese em Viena  ‘Stephanscom.at’.

Leitura Cômica

Durante as Missas-Discotecas os conteúdos da Bíblia são supostamente  transformados para ficarem “modernos”. Um exemplo disso seria a leitura como algo cômico. As “vozes distintas” da Missa teriam sido apoiadas através de efeitos luminosos e sonoros. Segundo informações do sítio da arquidiocese de Viena, o bispo auxiliar Turnovszky, presidiu a Missa juntamente com o diretor espiritual dos jovens do vicariato, Markus Beranek, e a senhorita Judith Faber (15). No meio da Missa, quatro jovens confabularam sobre becos sem saída experimentados no âmbito pessoal. A próxima Missa-Discoteca será celebrada no final de novembro. Seu lema será “Me dá”.                                                                                             .

Muito divertida

Desde a ocorrência da Missa, ao todo, quatorze pessoas escreveram um comentário entusiasmado no livro de visitas do sítio ‘Find Fight Follow’. Anita (17) se alegra pelos “efeitos luminosos espetaculares e pela decoração”. Stefan T. (22) achou a Missa “muito divertida”. Markus Hofbauer (15) se alegrou pela “Missa fff maneira”. A sigla ‘fff’ refere-se ao lema do evento “Find Fight Follow” (Encontre, Lute, Siga).

Moni (16) ficou “de alguma maneira decepcionada”. A percussão teria se sobressaído bastante: “E o conteúdo não me agradou muito. Eu tava esperando por uma ‘Ação’ tipicamente fff.” Anni (35) ficou impressionada com a Missa: “Certa vez foi bem diferente”.

O diretor espiritual dos jovens, padre Helmut Scheer (46) elogiou os participantes. A assistente dos leigos no altar, a senhorita Judith Faber, teria se posicionado “na linha de frente” de sua senhora.

 

Cristo Rei do Universo

Cristo Rei do Universo

               Hoje a Igreja celebra a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo – Rei do Universo. O Diretor Geral do Movimento Regnum Christi – Pe. Álvaro Corcuera, LC –  escreveu, então, uma carta aos membros de Movimento. Embora dirigida a um grupo específico, penso que a carta seja de grande utilidade a todos aqueles que – de um modo ou de outro – contribuem para que o Reino de Cristo se estenda por toda a terra. Avante, caríssimos! Viva Cristo Rei!

 

P. Álvaro Corcuera, L.C.: En la Iglesia y para la Iglesia

 

 

El P. Álvaro Corcuera, L.C., director general de la Legión de Cristo y del Regnum Christi, nos presenta la siguiente carta con motivo de la solemnidad litúrgica de Cristo Rey, fecha en que el Movimiento celebra también el día del Regnum Christi. A carta segue no original [em espanhol] para proveito espiritual de todos.

 

¡Venga tu Reino!

 

Roma, 20 de noviembre de 2009

A los miembros y a los amigos del Regnum Christi

con ocasión de la solemnidad de Cristo Rey

Muy estimados en Jesucristo:

 

Como ya es tradición en el Regnum Christi, aprovecho esta oportunidad para hacerme presente en medio de ustedes y sus familias en esta solemnidad, en la que buscamos proclamar que Cristo es verdaderamente rey de nuestras vidas y de nuestros hogares. Es hermoso ver en cada lugar con cuánta generosidad cada uno de ustedes se entrega a la misión de hacer crecer este reino de Cristo.

Frecuentemente repetimos a Dios, desde el fondo de nuestro corazón, la invocación «¡Venga tu Reino!» Lo pedimos porque sabemos que es un don de Dios, más que un objetivo que podamos alcanzar por nuestras propias fuerzas. Es algo que nos supera, pero también somos conscientes de que Él ha querido contar con nuestra colaboración y ha formado su Iglesia, germen y comienzo de  su Reino en la tierra, como instrumento y camino para lograr este anhelo de su amor (cf. Lumen gentium, n. 5; Catecismo de la Iglesia católica, nn. 768-769). Es en este marco donde tiene sentido nuestra existencia y nuestra misión como miembros del Regnum Christi.

El reinado de Cristo no es una realidad abstracta o que se quede en las nubes. Decía Juan Pablo II que «la Iglesia está efectiva y concretamente al servicio del Reino. Lo está, ante todo, mediante el anuncio que llama a la conversión; éste es el primer y fundamental servicio a la venida del Reino en las personas y en la sociedad humana» (Redemptoris missio, n. 20). Si Cristo nos está llamando a instaurar su Reino en esta tierra, podemos preguntarnos dónde y cómo tenemos que hacerlo. Ya sabemos que el lugar por el cual debemos comenzar es por nuestra propia vida: lograr que Cristo reine en nuestro corazón. A fin de cuentas, este Reino es Cristo mismo que se hace presente en medio de los hombres. No es algo que nosotros hacemos sino una realidad ya presente a la cual nos abrimos.

Pero el señorío de Cristo no debe quedar reducido a nuestro corazón. Los cristianos estamos llamados a ser verdaderas antorchas del amor de Cristo que transmitan a cada ser humano la luz de la fe y de la esperanza que Él nos ha regalado. «Instaurar el Reino de Cristo», por tanto, debe significar para cada uno de nosotros ayudar a quienes están a nuestro lado a que se abran a Cristo y dejen obrar a su gracia. El mejor apostolado consistirá en imitarlo a Él y permitir que tome posesión de nuestros pensamientos, palabras y obras. Necesitamos pedir el don de ver todos los acontecimientos desde Él y de hablar siempre con sus palabras, como nos enseña san Pablo: «lo que digáis sea bueno, constructivo y oportuno» (Ef 4, 29); que todas nuestras obras sean gotas de amor que llenen de paz al prójimo: «sed buenos, comprensivos, perdonándoos unos a otros como Dios os perdonó en Cristo» (Ef 4, 32); que seamos instrumentos del amor de Dios a los hombres, porque «Dios es amor» (1Jn 4, 8).

Queremos vivir esta fecha con espíritu de reparación y de humildad, unidos a Cristo Rey, que es rico en misericordia. Quiero aprovechar esta carta para pedir nuevamente sincero perdón a todas las personas que hayan sufrido o estén sufriendo por los hechos tan dolorosos que hemos vivido. Dios nos invita a vivir este período intensificando la vida de oración, los actos de caridad y el espíritu de penitencia, para unirnos más a Jesucristo y a nuestros hermanos los hombres.

Nos dice el Manual del Miembro del Regnum Christi que la única razón de ser del Movimiento «estriba en servir a la Iglesia y a sus Pastores, y, desde la Iglesia y a partir de la misión sobrenatural y humana de la Iglesia, servir a los hombres» (n. 11). Y más adelante nos recuerda: «Nuestro servicio a la Iglesia y a la sociedad consiste en formar apóstoles que construyan la civilización de la justicia y el amor cristianos» (n. 42). Todos nuestros apostolados, todas nuestras actividades, toda nuestra vida debe estar orientada a este servicio. Si perdemos de vista este aspecto, estaríamos perdiendo la orientación fundamental que debe tener el Movimiento Regnum Christi. Queremos continuar y contemplar agradecidos la acción de Cristo en la Iglesia. San Juan Eudes escribía: «Por esto San Pablo dice que Cristo halla su plenitud en la Iglesia y que todos nosotros contribuimos a su edificación y a la medida de Cristo en su plenitud» (Del tratado de San Juan Eudes, sobre el reino de Jesús. Parte 3,4: Opera omnia 1). De esta manera vamos completando en nuestra carne lo que le falta a la Pasión de Cristo en su cuerpo, que es la Iglesia.

La Iglesia, cuerpo místico de Cristo, es uno de los amores fundamentales del miembro del Movimiento (cf. MMRC nn. 79-87). Este amor deriva de nuestro amor a Cristo. San Pablo nos enseña que «Cristo amó  a la Iglesia y se entregó a sí mismo por ella» (Ef 5, 26). Del mismo modo nosotros estamos llamados a profesar y testimoniar con nuestro actuar un amor semejante por ella. Gracias a Dios, la Legión de Cristo y el Regnum Christi pueden ofrecer ya muchas actividades y apostolados que buscan servir a nuestra Madre, pero sobre todo sus miembros se esfuerzan por servirla con su propio testimonio, su tiempo y sus talentos, de forma desinteresada. Sabemos que en todo momento somos instrumentos, canales, puentes para que los demás lleguen a Él. Dios nos invita a seguirlo por el camino de la humildad y de la pureza de intención, imitando con su gracia el testimonio de San Juan Bautista: «conviene que Él crezca, y yo disminuya» (Jn 3, 30).

Los invito a que en este año sacerdotal, cada miembro del Regnum Christi destaque por su sentido de Iglesia. Se puede decir que aquí encontramos nuestra definición como cristianos comprometidos al servicio de Cristo. Cuánto bien podemos realizar poniendo todo nuestro empeño e iniciativa apostólica al servicio de la comunidad eclesial local, de acuerdo con las directrices de los obispos y párrocos (cf. MMRC nn. 83 y 443).

Que todos nuestros esfuerzos estén orientados a la transformación de los corazones; a que las almas vuelvan a Cristo y a su Cuerpo Místico por medio de los sacramentos. El miembro del Movimiento se debe a la Iglesia y su apostolado debe consistir en edificarla para que pueda abrazar a más personas: «Por la Iglesia y en la Iglesia recibimos la fe en Cristo, los sacramentos que nos comunican la gracia, y la plena verdad sobre Dios y sobre sus designios de salvación. Cristo mismo se nos da por medio de la Iglesia» (MMRC n. 152).

Lo fundamental es, como seguramente hemos hablado con Jesucristo en el Sagrario, adquirir una confianza ilimitada en Dios ante una misión tan grande y tan hermosa. No estamos solos. Nos llena de esperanza leer las palabras que Dios dirigió a muchos de sus elegidos y enviados para preparar su Reino; saber que Dios está con nosotros, como estuvo con Abraham (cf. Gn 21, 22), con Isaac (cf. Gn 26, 24), con Jacob (cf. Gn 28, 15), con Moisés (cf. Ex 3, 12), con Josué (cf. Jos 1, 5), con Gedeón (cf. Jc 6, 16). Así se lo aseguró también al rey David (cf. 1R 11, 38), al profeta Isaías (cf. Is 41, 10), a Jeremías (cf. Jr 1, 8). Todos ellos eran hombres, conscientes de sus propias limitaciones y de su condición humana. Sin embargo, supieron abrir su corazón a la acción de Dios. Recibieron una vocación que humanamente hablando los superaba, y procedieron siempre con la seguridad de que todo provenía de Dios. Así también nosotros descubrimos que Cristo es el Amigo fiel de nuestras almas. Nos acompaña siempre y nos dirige como palabra viva la promesa que hizo a sus apóstoles tras su Resurrección: «Yo estaré con vosotros día tras día, hasta el fin del mundo» (Mt 28, 20). Cristo siempre nos sorprenderá con su bondad infinita, y ahí, en nuestra condición humana, Él realizará los milagros de su amor.

No estamos solos porque Él nunca nos deja. No estamos solos porque el Regnum Christi no es una realidad aislada. Somos parte de la gran familia de Dios en la que la variedad y belleza de estos caminos nos enriquece y nos alienta a todos. Nuestro movimiento es sólo una de tantas realidades que Dios ha suscitado en la Iglesia, como camino que nos ayuda a vivir nuestro compromiso bautismal. Y así como valoramos mucho y agradecemos a Dios la riqueza del carisma que nos ha regalado para ponerlo al servicio de la Iglesia, apreciamos también como un don de Dios a las demás fuerzas vivas de la Iglesia, en las que contemplamos tan claramente la acción continua del Espíritu Santo. No estamos solos porque contamos con la guía de nuestros pastores, los obispos, que son verdaderos padres que Cristo nos da, como sucesores de sus Apóstoles, para enseñarnos, gobernarnos y santificarnos. Nos sostiene el ejemplo y la ayuda de muchos sacerdotes santos y el testimonio de muchos hermanos en la fe, con quienes formamos la comunidad de los creyentes.

Sigamos rezando unos por otros para que vivamos cada día amando más a nuestra Iglesia Católica y a todas las personas que constituyen su cuerpo. Gracias de corazón por su entrega generosa y desinteresada al servicio del Reino de Cristo; estoy seguro de que Dios no es indiferente a lo que todos ustedes hacen cada día por anunciar el Evangelio. En este día de Cristo Rey nos encomendamos también de modo especial a María, espejo de la Iglesia, para que contemplándola a ella, comprendamos la grandeza de nuestra vocación. Que, como en Caná, nuestra vida consista en «hacer lo que Él nos diga» (cf. Jn 2, 5).

Quedo de ustedes, afmo. en Cristo,

Álvaro Corcuera, L.C.

             A velha pergunta das crianças respondida num contexto cristão.

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