novembro 2008


 

             

 

 

            Recebi este vídeo por e-mail numa lista da qual participo. O texto do vídeo é o seguinte: “Será que eu não posso decidir o que fazer com o meu corpo? Aborto: porque toda mulher tem de ser capaz de decidir sobre o que é importante”. Quero aqui fazer eco ao apelo: A Record não merece a nossa audiência pois vai de encontro aos nossos valores mais caros. Já que a ela faz apologia ao aborto, promovamos um boicote a ela deixando de sintonizá-la. Divulguem!

Em outra conferência do congresso, mons. Maurizio Calipari, sacerdote italiano membro da PAV, explicou três aspectos do «dinamismo de avaliação» a respeito dos possíveis meios de tratamento médico de doentes graves.

            Há a avaliação dos fatores objetivos, responsabilidade da equipe médica; a avaliação dos fatores subjetivos, por parte do paciente ou seu responsável; e o juízo de síntese, que é «uma decisão moralmente adequada e operativa, prática».

            «A avaliação objetiva considera os elementos de caráter técnico e médico. É medida com os instrumentos técnicos disponíveis e feita pela equipe médica, sendo sua tarefa específica», explicou.

            O segundo ponto diz respeito ao paciente ou seu responsável legítimo, que deve avaliar se há fatores que ele considera extraordinários no tratamento que lhe é disponibilizado.
Primeiramente, a equipe médica «avalia se o emprego do meio é proporcionado ou desproporcionado», ou seja, «se é adequado ao objetivo médico». Depois, o paciente deve analisar as condições de «ordinariedade e extraordinariedade».

            Já o juízo de síntese, na adequação das considerações do campo médico e do paciente, dirá se os meios de tratamento são «obrigatórios, opcionais ou ilícitos».

 

 

            O trecho acima faz parte de uma matéria publicada em Zenit semana passada. Uma amiga pediu-me para comentá-la. Aí vai.

            Encontrei na Wikipédia as definições de ortotanásia e distanásia. Julguei-as bastante razoáveis, e é delas que quero partir:

 

            Ortotanásia é o termo utilizado pelos médicos para definir a morte natural, sem interferência da ciência, permitindo ao paciente morte digna, sem sofrimento, deixando a evolução e percurso da doença. Portanto, evitam-se métodos extraordinários de suporte vida em pacientes irrecuperáveis e que já foram submetidos a suporte avançado de vida. A persistência terapêutica em paciente irrecuperável pode estar associada à distanásia, considerada morte com sofrimento (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ortotanásia).

 

            Note-se que mesmo numa definição “não-religiosa” fala-se em “métodos extraordinários” e em “morte digna”. A respeito do suporte avançado de vida, mencionado no parágrafo acima, encontrei o seguinte:

            As medidas terapêuticas ou farmacológicas utilizadas, por exemplo, em paradas cardiorespiratórias, são classificadas, de acordo com as suas evidências científicas comprovadas, em:

Classe I – efetivamente útil;

Classe II – aceitável de eficácia incerta e pode ser controverso;

Classe IIa – aceitável, provavelmente útil;

Classe IIb – aceitável, possivelmente útil (provavelmente não é danoso);

Classe III – não indicado (sem base científica que a suporte, pode ser prejudicial).

(fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Suporte_Avan%C3%A7ado_de_Vida)

            Para quem não é da área de saúde, pode soar estranho falar em “tratamentos desproporcionados”, ou em “métodos extraordinários”; para os profissionais do ramo, porém, essa distinção é de fácil percepção. A categorização acima descrita nos permite visualizar o que são os tratamentos opcionais. Por exemplo, eu certamente me submeteria a um tratamento da classe I, mas talvez não me sujeitasse a um da classe III.

            O que se quer evitar é que o paciente sirva de cobaia para os médicos. Isso é moralmente inaceitável. Como também é inadmissível que alguém morra por inanição (como foi o caso da americana Terry Schiavo, que morreu por não estar sendo alimentada!). Os cuidados básicos devem ser ministrados. Eles são a parte obrigatória, inegável e inegociável do tratamento. Entre eles podemos citar alimentação e higienização.         

            Já no que se refere a tratamentos ilícitos, creio que podemos citar os casos em que médicos recomendam o aborto como procedimento terapêutico. Na maioria das vezes, há outras possibilidades de remediar o problema. Neste caso, usar o aborto – ainda que como meio – seria ilícito. A ligadura de trompas, supostamente “com fins terapêuticos”, é também, em muitos casos, moralmente ilícita. A dificuldade maior de se lidar com questões de ordem moral é que elas são cheias de nuances, devendo, por isso, ser tratadas caso a caso, de preferência com o auxílio de um Bispo.

 

             

 

 

 

 

 

            Quem acompanha os blog’s, sites e agências de notícias do mundo católico deve ter percebido que já há algum tempo o cientista do século XVI, Galileu Galilei, tem sido tema de inúmeros artigos e matérias. Mesmo quando não é o mote da reportagem, Galileu sempre é citado para fazer referência a alguém que foi perseguido pela Igreja porque “professava uma verdade diferente das verdades da fé”. A história é sempre a mesma: “pobre Galileu, maldita Igreja”. Entre o que foi publicado recentemente podemos citar:

 

  • Foi anunciado que, em 2009, Galileu ganhará uma estátua nos jardins Vaticanos. Isto foi dito como se a Igreja estivesse se “retratando” com o cientista.
  • Depois, o Eminentíssimo Cardeal Carlo Maria Martini fez uma declaração, no mínimo infeliz, dizendo que a Igreja não pode reincidir no “erro” que cometeu com Galileu. O purpurado falava disso para aludir à importância de uma abertura ao diálogo com a ciência, com a cultura e com a sociedade em geral. Segundo o Cardeal, essa não houve essa abertura por parte daqueles que julgaram o processo aberto pela Igreja contra Galileu Galilei.
  • Na seqüência, numa matéria publicada na Veja no dia 04 de junho de 2008 – a respeito do julgamento do uso de células tronco embrionárias em pesquisas no Brasil – um dos ministros do STF, Celso de Mello, fez a seguinte declaração: “Não vamos incidir no mesmo erro que o tribunal do Santo Ofício, que constrangeu Galileu Galilei, que tinha informações cientificamente corretas, mas incompatíveis com a Bíblia”.
  • Depois, com voz forte, tal qual arauto da verdade, o Santo Padre, o Papa Bento XVI, declarou, diante do físico inglês Stephen Hawking: “Não há oposição entre o entendimento pela fé e a prova da ciência empírica (…) Galileu viu a natureza como um livro cujo autor é Deus”.
  • Por fim, a Agência Ecclesia publicou, em 26/11/2008, que o Vaticano vai publicar as atas do processo de Galileu. Segundo a agência de notícias portuguesa “o processo da Inquisição contra Galileu foi concluído efetivamente com uma sentença de condenação, a qual nunca foi assinada pelo Papa e sobre a qual houve um grave desacordo entre os Cardeais”.

 

            A imagem, amplamente propalada na mídia anti-católica, de que o cientista italiano foi condenado pela Inquisição por defender que o sol era o centro do Universo e não a Terra é uma grande bobagem! É isso que mostra Joaquim Blessmann num excelente artigo publicado integralmente no site da Editora Quadrante. O artigo intitula-se: o Caso Galileu. Como não pretendo aqui (e mesmo que quisesse não teria conhecimento suficiente) analisar os detalhes que envolvem a figura do italiano Galileu Galilei, recomendo com muita ênfase a leitura do artigo de Blessmann. De forma pontual e embasada, o autor aprofunda toda a problemática que gira em torno de Galileu, desmentindo todas as invenções daqueles que não querem outra coisa senão atacar a Igreja, e esclarecendo o pensamento do cientista e da Igreja. Vale a pena conferir!

 

 

Galileu Galilei

Galileu Galilei

 

 

Duas notícias me deixaram estarrecido esta manhã. A primeira é a seguinte:


Casal quer adotar bebê que comprou

Publicado em 27.11.2008

O casal holandês que comprou um bebê belga pela internet anunciou ontem que quer ficar com a criança e adotá-la legalmente, em entrevista publicada pelo jornal De Telegraaf. “Queremos que fique conosco legalmente o quanto antes. Contratamos um advogado”, declarou Gideon S. “Não podemos prescindir de um bebê como este”, afirmou, acrescentando que o casal não comprou o bebê e sim pagou uma indenização à mãe pelos meses que não pôde trabalhar e os gastos de hospital. A notícia gerou ao mesmo tempo comoção e preocupação, depois da descoberta de que a prática não contraria a Constituição belga. O anúncio foi publicado em um site em 16 de março pela futura mãe, de 24 anos. O bebê foi entregue ao casal logo após o nascimento (http://jc.uol.com.br/jornal/2008/11/27/not_309316.php)

 

 

E a segunda é esta:

 

Britânico fez filhas reféns sexuais durante 25 anos

Publicado em 27.11.2008

LONDRES – Um britânico foi condenado anteontem à prisão perpétua por ter estuprado suas duas filhas inúmeras vezes durante 25 anos. O homem de 56 anos abusou constantemente delas a partir de 1981, quando elas tinham 10 e 8 anos, engravidando as meninas 19 vezes. O juiz do tribunal de Sheffield, no norte da Inglaterra, que o condenou disse que se trata do “pior” caso que já viu em toda sua carreira.

O homem admitiu 25 estupros e quatro agressões sexuais às filhas. A mais velha ficou grávida sete vezes. Ela tem dois filhos e perdeu dois, que morreram durante o parto. Os demais foram abortados. A caçula ficou grávida 12 vezes e tem cinco filhos. (http://jc.uol.com.br/jornal/2008/11/27/not_309314.php)

 

            No primeiro caso, o casal se acha proprietário do bebê. A discussão legal gira em torno de posse e propriedade. Como se a criança fosse um bem qualquer. O bebê foi “comercializado” pela internet, sob a bênção da Carta Magna da Bélgica. É trágico. Mas por que o compraram? Por vaidade? Para chamar a atenção? Para suprir a esterilidade de um dos cônjuges? Para ajudar financeiramente a mãe desesperada que pôs o filho à venda? Não sei. Pode ter sido um misto de todos estes motivos. Mas nenhum destes justifica que se lide com a vida humana como se fosse batatas num banco de feira. Que pensará esta criança quando crescer e se der conta de que a sua fama mundial se deve ao fato de ter sido adquirida?

            No segundo caso, o do britânico, o homem queria as garotas para satisfazer os seus apetites sexuais. E só. Pedófilo, autor de incesto, agressor, promotor do aborto… Meu Deus! Como essas meninas vão, a partir de agora, conduzir suas vidas? Terão elas a coragem de casar-se? Como chamarão a Deus de “Pai” se a referência paterna delas é a pior possível? Quanto tempo estas garotas perderam de suas vidas? 25 anos é tempo demais!

            Perguntei-me, após ler estas reportagens, o que havia de comum (se é que havia) entre elas. Cheguei à conclusão de que o ponto que as liga chama-se mercantilização do ser humano, utilitarismo decorrente de depravação moral. Urge uma reforma moral. Não só da lei, mas do ser humano. É preciso (re)formar a moral do homem. Ou então casos como esses vão se tornar cada vez mais comuns a ponto de que nos acostumemos, nos adaptemos a eles. Acabaremos por banalizar o crime. Aí então, o caos será a ordem “natural” das coisas.

 

 

            Recebi um vídeo muito interessante por e-mail. Foi uma reportagem do Jornal da Globo mostrando que, ao fim da vida, o italiano Gramsci se converteu ao catolicismo. O vídeo é curto, mas traz detalhes interessantes. Eis o link (infelizmente o WordPress não permite que eu poste diretamente vídeos que não são do Youtube nem do Google Vídeos):

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM916814-7823-GRAMSCI+DE+COMUNISTA+A+CATOLICO+NA+HORA+DA+MORTE,00.html

            Confiram!

 

         Nem pensei que tão breve o pessoal da Canção Nova fosse me responder. Mas, viva! Não fui ignorado! Parabéns a eles pela presteza na resposta ao e-mail.

Só não comemoro mais porque a resposta não foi exatamente a que eu queria. Ei-la:

Ola Sr Gustavo,
A paz de Jesus e o amor de Maria!!!
Primeiramente lhe agradeco, por entrar em contato conosco.
Em relacao aos Estatutos, e um documento interno da Comunidade Cancao Nova (grifo meu).

      Essa foi a negação oficial, porque dada pela própria assessoria de comunicação da Comunidade Canção Nova, dos estatutos. Que pena! Mas, não desisti. Se só os membros da comunidade têm acesso ao estatuto, vamos à caça deles! 😉

 

 

 

            Ontem briguei feio. Não uma briga do tipo corpo a corpo. Briguei via internet. Foi melhor, porque assim os hematomas não ficam visíveis. O ring foi o chat da Canção Nova. Os adversários, mais de 20 carismáticos enfurecidos com as minhas “heresias”.  

            O caso foi o seguinte: após vasculhar todo o site da comunidade sem encontrar uma única linha do texto do estatuto – o famigerado estatuto aprovado recentemente por Roma –, decidi entrar no chat para ver se alguém o possuía ou, pelo menos, saberia indicar onde encontrá-lo.

            A minha motivação era a seguinte: há alguns blog’s questionando a não divulgação deste texto. Há até quem insinue que os estatutos não existem! Pessoalmente, eu não duvido que eles [os estatutos] existam. Para mim, é óbvio que a Igreja não aprovou um “texto fantasma”. Além disso, creio que não haveria tanta propaganda do reconhecimento ad experimentum, se a Canção Nova não tivesse, de fato, obtido esta “confirmação” de Roma. O que me incomoda, entretanto, é que o conteúdo do material enviado à Cúria Romana não tenha vindo a público. Entrei no chat, portanto, para conseguir este material. Pretendia, depois, divulgá-lo e, assim, acabar com as desconfianças – a meu ver, infundadas – de quem desafia a Canção Nova a apresentar o tal estatuto.

            Parece-me, contudo, que não é costume das novas comunidades divulgar os seus estatutos. Consultei o site de algumas comunidades (esta, esta e esta outra) e não encontrei nem estatuto nem regra de vida de nenhuma delas. Apenas no site da Comunidade Shalom encontrei trechos do estatuto.

 Incoerentemente, há uma fraternidade (uma espécie de associação de novas comunidades) fundada em abril deste ano (2008), da qual Monsenhor Jonas Abib é membro, que divulgou o texto completo de sua constituição. As Congregações Religiosas sempre divulgam. Por exemplo: encontrei (aqui) a Regra dos capuchinhos; e (aqui) a da Congregação dos sacerdotes do Coração de Jesus. Por que, então, as novas comunidades mantém isto em segredo? E depois é a Opus Deis que é cheia de segredinhos…

            Mas fui ingênuo ao expor isso no chat. Impressionei-me com alguns carismáticos. Pareceu-me que a experiência deles com os carismas se resume a orar em línguas. O primeiro entre os carismas – a Caridade – ficou um tanto quanto esquecido. Talvez não tenham “oficina” deste carisma… Recebi pontapés de todos os lados porque estava buscando uma coisa que era “privativa dos membros”. Começaram a dizer que eu era desses que só faz criticar. Que eu não faria um décimo do trabalho que a Canção Nova faz. Que eu era um tradicionalista maluco (fiquei muito honrado com o emprego do termo tradicionalista). E, por fim, concluíram, arremataram a meu respeito: “você deve ser amigo do Padre Pinto (aquele da Bahia)”. Nessa hora não me agüentei e ri. Alegrei-me e exultei com tamanha acusação tosca.

            Mas a coisa ficou feia mesmo quando eu tentei justificar-me dizendo que havia comunidades (note-se: eu não disse que era o caso da Canção Nova) que tiveram os seus estatutos aprovados porque apresentaram um estatuto muito diferente da realidade vivida na comunidade. Que algumas comunidades seguramente jamais teriam obtido o reconhecimento pontifício se tivessem se mostrado como eram. Referi-me a abusos litúrgicos, a práticas sensacionalistas, a uma pregação muito afeiçoada a teologia da prosperidade (de origem protestante), a desvios doutrinários, etc… Enfim, disse que algumas comunidades (e aí, sim, inclui a Canção Nova) seguramente eram um desejo de Deus; mas, inegavelmente, precisavam ser lapidadas em muitos pontos. É precisamente por este motivo que a Igreja concede a aprovação ad experimentum, isto é, por um tempo de experiência durante o qual se vai amadurecer e aprofundar o carisma da comunidade ou congregação. Se o chat fosse moderado, nessa hora eu teria sido expulso.

            No site da canção nova, inclusive, encontrei um pregador fazendo uma afirmação até então desconhecida por mim (está mal escrito, mas acho que dá para entender o que ele quis dizer):

 

            “O estatuto deve ser sempre escrito de uma maneira genérica, e não pode ser muito detalhado. É preciso de um outro livro que vai ajudar na vivencia do estatuto, que são chamados de diretório ou cartilha, que trazem as normas mais detalhadas e que não precisa ser aprovada na igreja, este livro vai auxiliar na vivência do estatuto na vida da comunidade. Livros que levam a comunidade ao propósito de santidade” (grifos meus).

 

            Ou seja: tem uma parte que precisa ser aprovada pela Igreja (estatutos), e outra que não precisa (diretório). Mas nenhuma das duas foi publicada! Agora é questão de honra: tenho que ter acesso a pelo menos uma dessas duas coisas. Estou ferido, mas não desisti da batalha. Escrevi um e-mail para o Fale Conosco do site da CN. Vamos ver se me ignoram ou se me respondem. Depois, volto a dar notícias da minha saga em busca do secreto estatuto da Comunidade do Padre Jonas.

           

 

 

 

 

 

 

 

Próxima Página »