Discordâncias


               [Muito oportuno e bem escrito].

                Fonte: http://www.padrehenrique.com/index.php/artigos/278-sofismas

             “Sofisma”, segundo o Aurélio, é um “argumento aparentemente válido, mas, na realidade, não conclusivo, e que supõe má-fé por parte de quem o apresenta”; “argumento falso formulado de propósito para induzir outrem a erro”; “engano, logro, burla, tapeação”. Permita-me, paciente leitor(a), apresentar-lhe três sofismas bem fresquinhos.

         *Sofisma 1*

           Na polêmica em torno das experiências com células-tronco a custo do assassinato de embriões humanos, muito se disse contra a Igreja. O mesmo dir-se-á quando o Governo Lula tentar aprovar o aborto no Brasil (a questão das células-tronco foi apenas um ensaio). Mete-se a ripa na Igreja também quando esta se coloca de modo crítico quanto ao reconhecimento civil da união entre homossexuais como sendo um “casamento”. Acusou-se essa bruxa velha de medieval, obscurantista e de querer impor seus pontos de vista reacionários aos não-católicos e não-crentes. Pura lorota. A Igreja não está querendo impor nada a ninguém nem é contra ninguém. A questão é de outra ordem.

           Todas essas questões polêmicas são de ordem moral e dizem respeito ao modo como uma sociedade humana se compreende, se articula e delineia o seu futuro. Aqui estão envolvidas questões seríssimas: Que é a vida humana? Quando se inicia? Qual a sua dignidade? Quanto vale? Quem, quando e como deve protegê-la? Qual o sentido do sofrimento e da dor? Que é a família? Qual a sua função? Sobre quais valores se assenta? Qual a relação entre a família e o conjunto da sociedade? Qual o papel da família na geração e educação dos seres humanos, membros de uma sociedade e portadores de uma dignidade e de direitos inalienáveis?

           Note-se não se trata simplesmente de moral cristã, mas de uma ética que envolve qualquer ser humano decente e qualquer sociedade humana que deseje manter o mínimo de dignidade e responsabilidade quanto ao seu futuro. Ninguém pode ficar isento de tentar dar respostas a essas questões. E são questões que marcarão o destino e a qualidade de toda a nossa sociedade.

           Ora, a Igreja é portadora de uma mensagem, aquela de Jesus Cristo. Essa mensagem contém fortíssimas implicações morais às quais ela não pode renunciar sem ser infiel ao seu Senhor. É verdade que os cristãos não podem e não devem impor sua moral ao conjunto da sociedade, mas podem e devem manifestar-se e procurar fazer-se ouvir na busca da construção de uma ética civil, ou seja, um mínimo ético comum à grande maioria da sociedade.

           Em que se basearia tal ética? Na busca de auscultar a consciência, no respeito pelo mais fraco, na afirmação do valor inalienável da vida humana, na renúncia ao utilitarismo como critério último de ação e avaliação, na busca honesta da superação de um subjetivismo descomprometido com o bem comum e com o interesse da coletividade. São alguns critérios.

           Os nossos deputados, brincando de deus, aprovaram os experimentos que matarão embriões humanos. A Igreja continuará afirmando que não concorda. Não impõe seu parecer, mas dialoga e explica seus motivos. É seu direito e seu dever. Quem não gostar dela, paciência. Mas ninguém tem o direito de calá-la. É questão de ser fiel ao Cristo, não de ser popular ou agradar à maioria…

             *Sofisma 2*

           O Fantástico, da Rede Globo, mostrou, no Domingo passado, uma pesquisa ampla para convencer que a Igreja não tem o apoio da Igreja. Explico-me: a Igreja oficial estaria sozinha na defesa de seus retrógrados princípios morais. A grande maioria dos católicos é a favor do aborto, dos preservativos, das relações pré-matrimoniais, da pesquisa com células-tronco
embrionárias, do “casamento gay”. É a hierarquia que é quadrada e obscurantista. Eis o que a Globo quis passar.

           Convém recordar que a verdade não é questão de maioria. Para os cristãos, a Verdade é Cristo e vive-se na Verdade quando se vive o seu Evangelho. Ora, não é o Cristo que deve se converter ao mundo, mas o mundo que se deve abrir ao Evangelho. Quando Jesus disse ser o Pão da vida, a grande maioria dos discípulos o abandonou. Mas, o Senhor não fez pesquisa de opinião para mudar sua doutrina. Muito pelo contrário: “Vós também quereis ir embora?”

           Além do mais, católico não é quem diz que é católico. Católico é aquele que, com humildade e esforço, procura deixar seu pensamento mundano para abraçar o pensamento de  Cristo. O católico é aquele que vai à Missa aos domingos, que se esforça para viver o Evangelho, que se engaja na vida da comunidade dos irmãos em Cristo e que crê que a Igreja é conduzida pelo Espírito do Cristo ressuscitado. Esses católicos não são da turma que o Fantástico entrevistou, católicos de certidão de batismo, de missa de sétimo dia e de formatura. Porque a Igreja não é dona, mas serva da Verdade, porque não possui a Verdade, mas é por ela possuída, não voltará atrás por temor de pesquisas de opinião. Ela, nossa Mãe católica, somente deve ter medo de uma coisa: de ser infiel ao seu Senhor! Se a Globo – como a Veja, a IstoÉ, a Época e cia – pretendeu pressionar ou intimidar a Igreja, perdeu tempo, verbo e dinheiro…

              *Sofisma 3*

               Após a aprovação da pesquisa que matará embriões humanos, uma “cientista” afirmou, triunfante, no Jornal Nacional: “Saímos da Idade Média para a era tecnológica!” Com tristeza, podemos constatar o seguinte: essa senhora não sabe um dedo de história! A Idade Média não é o que ela insinuou. Não é Idade das trevas, não é Idade contrária à razão, não é Idade contrária ao progresso. Somente os estúpidos, com vocação para papagaio – eterno repetidores do que não sabem – podem afirmar isso. Ainda com tristeza constatamos a ilusão de pensar que entramos, de salto, na era tecnológica porque vamos pesquisar assassinando vidas humanas. Os meios de comunicação têm criado um mito em torno das promessas das células-tronco embrionárias.
              Vamos ver o que a dura realidade mostrará… Pena que à custa de vidas inocentes… Mas, o mais triste mesmo, é essa “cientista” considerar um progresso louvável sacrificar vidas humanas. Pobre civilização, a nossa, construída sobre tais valores.

 

A Universidade Bandeirante (Uniban) está sendo execrada publicamente por ter banido do seu corpo discente a estudante Geisy Villa Nova Arruda. A Universidade alega que a aluna portou-se de maneira inadequada, provocando os demais alunos, ao usar vestimenta curta demais.

Eu não entendo o motivo de tanto alarde em torna de uma atitude tomada por uma instituição autônoma, em plena consonância com o regimento interno, e com o objetivo – tão nobre – de estabelecer padrões de moralidade. Ora, ninguém é obrigado a tolerar – com silêncio e apatia – a depravação e a imoralidade.

O discurso em “defesa” da indefensável atitude de Geisy baseia-se na questão da diversidade, do respeito, etc. Ora, porque a senhora Geisy – que tem uma noção de moralidade bem exótica (se é que tem) – não respeitou os demais estudantes que se incomodavam com o seu modo de vestir? Por que ela não se preocupou com em tolerar a opinião dos “retrógrados, falso-moralistas”, que não concordavam com o comportamento dela e de sua indumentária nada comportada? Se estamos numa democracia (seja isso bom ou ruim), por que a maioria teria que se curvar perante a atitude de uma única pessoa que destoa de todas as demais alunas daquela instituição?

A Uniban tornou oficial a expulsão de Geisy por meio de uma nota (disponível aqui).

A UNE brandiu invocando a ira de Manoela Lisboa sobre a direção da universidade. Como sempre as notas da UNE são dignas de riso. A reportagem da  Globo diz:

Para a UNE, o caso mostra a “opressão que as mulheres sofrem cotidianamente, ao serem consideradas mercadoria e tratadas como se estivessem sempre disponíveis para cantadas e para o sexo”. A entidade também pede punição para os estudantes envolvidos no episódio.

E mais:

Somos Mulheres e não Mercadoria! 

Ora, será que a Srª Geisy foi tratada como mercadoria, ou se ofereceu como mercadoria? Será que a mentalidade de que a mulher é um “produto disponível” não está sendo disseminada exatamente por pessoas que agem como a Srª Geisy, isto é, expondo-se como carne no açougue?

Na verdade, eu não sei por que ainda me espanto com esse tipo de notícia e com o repúdio da sociedade “à moral e aos bons costumes”. No mundo é assim: a imoralidade ganha espaço e é defendida com unhas e dentes; ao passo que a decência é taxada de “moralismo” e repudiada como se fosse uma prostituta entre as virtudes… Incoerência sem igual!

              [Clique nos títulos para ler a notícia relacionada a cada “subpost”]

 

              Um testemunho  

 

              A atriz hollywoodiana Sharon Stone, protagonista do filme Instinto Selvagem revela que o aborto é um “trauma que simplesmente não se pode superar”.  Sharon foi, por duas vezes, vítima de aborto espontâneo.

 

                O inesperado e o óbvio 

 

               O inesperado

                Obama recebeu o Nobel da Paz. E eu fico aqui me perguntando quais são os critérios utilizados para a concessão desse tipo de prêmio… Uma coisa é certa: os componentes políticos são determinantes na escolha do agraciado.

                Como um homem que defende publicamente a aplicação de políticas abortivas [i.e.: a institucionalização da matança de inocentes] pode ser contemplado com o Nobel da Paz? Decretar a morte de quem não tem culpa alguma é atitude pacificadora, que confere nobreza e honrarias? Ou será que esqueceram esse “detalhe” ao analisar o curriculum do presidente norte-americano? Será que a premiação faz parte da Obamania que se alastra pelo mundo afora?

                Bom, o que realmente me surpreendeu – e que talvez tenha sido a primeira verdade proferida pelo atual presidente dos EUA – foi a declaração: “Para ser honesto, acredito que não mereço”. Perfeito! Enfim, um ponto para você Obama!

              O óbvio

              Se por um lado a premiação de Obamaborto foi inesperada, o comunicado de Pe. Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, seguiu na linha de besteirol que, já há algum tempo o reverendíssimo decidiu adotar. Disse ele: “a atribuição do prêmio [Nobel da Paz] a Obama é saudada com aprecio no Vaticano à luz do esforço demonstrado pelo Presidente pela promoção da paz no campo internacional e em particular também recentemente a favor do desarmamento nuclear”.  

              Era óbvio que viria da parte de Pe. Lombardi uma declaração com esse teor: falsa e puramente diplomática. Como o Vaticano pode “apreciar” tal premiação diante do perfil anti-católico que Obama apresenta? Pobre Papa: quanto colaboradores insensatos o rodeiam!

 

              “Deus é confiável?” – um Legionário de Cristo responde

 

              Uma entrevista interessantíssima foi publicada por Zenit. Trata-se de um diálogo com “Pe. Thomas D. Williams, LC, autor do livro Can God Be Trusted? Finding Faith in Trouble Times, recém-lançado nos Estados Unidos”. O título da matéria de Zenit é provocativo: “Deus é confiável?”. A entrevista nos permite ter uma breve noção de uma espiritualidade apropriada [e bastante necessária] a estes tempos de infidelidade em que vivemos. Confiram!

 

I

Há um “importantíssimo” projeto de lei que está deixando escoteiros- ambientalistas-protetores dos bichanos em polvorosa: trata-se do PL 4548/98. Esse projeto – que alteraria o art. 32 da Lei de Crimes Ambientais (9605/98) – institucionalizaria a animalesca violência contra os animais domésticos e domesticados. A turma do Rei Leão [ativistas da causa animal] é, obviamente, contrária à aprovação do projeto. Eles defendem que, se o seu gato que não quer tomar banho, você deve deixá-lo em paz e não bater nele [mesmo que ele fique fedendo]. Nada de tapas como incentivo à higienização. Afinal, os animais têm direito à proteção da sua integridade física.

Fala sério! Tenho horror a esse tipo de PL – totalmente inócuo. Meu Deus, será que as pessoas não percebem que há coisas muito mais importantes com o que se preocupar? Veja-se, por exemplo, as justificativas para a necessidade de proteção à criança:

  • Crianças não-nascidas estão sendo despedaçadas diariamente através de cruéis procedimentos abortivos e ninguém faz nada;
  • Crianças nascidas – mas ainda pequeninas – todos os dias são abandonadas em orfanatos [deixadas à míngua pela família e pelo Estado] e ninguém faz nada;
  • Crianças nascidas [e já bem crescidas] sofrem constantemente maus tratos – dentro das próprias unidades de recuperação de menores – e ninguém faz nada.

Agora me digam sinceramente: não é melhor resolver estas questões antes de se ocupar com o maldito gato fedido que não quer tomar banho?

Acho que não demorará muito para que editem uma lei obrigando as pessoas a adotar o estilo de vida vegetariano [já que é uma grande violência matar a pobre vaquinha para tirar-lhe a picanha]. Francamente! Abaixo brócolis, viva a maminha!

 

II

Para quem não assistiu ainda, aqui está um trecho – certamente o mais polêmico – da entrevista que S. Eminência Reverendíssima , o cardeal D. Odilo Pedro Scherer – Arcebispo de São Paulo – concedeu, na terça-feira (06), ao Programa do Jô. Em geral, gosto de Jô Soares. Mas cada dia me impressiono mais com a capacidade que ele tem de fazer perguntas imbecis. Sobretudo quando entrevista clérigos. Pior: me impressiono ainda mais com as respostas que alguns ministros da Igreja dão…

 

III

Inspirada nas palavras do Papa Bento XVI – que, recentemente, definiu a adoração como sendo, “no seu sentido mais profundo, um abraço a Jesus” – a AIS reuniu [em forma de livro] uma coletânea de testemunhos de vidas que se  destacaram na oração e entrega pela santificação dos sacerdotes”. A idéia é estimular a adoração pelas vocações. O livro está sendo distribuído gratuitamente, mas a campanha é válida apenas para Portugal.

             Parece que alguns não leram os argumentos de Jorge em favor da comunhão na boca. É uma pena… A mim, particularmente, parece muito mais sensato comungar na boca. Alguns bispos dos Brasil, porém, pensam de modo diverso. Sagrada e legítima discordância 😉

Recomendação de evitar abraços e mãos dadas durante missas divide fiéis

 

            Dom Pedro Luiz Stringhini, responsável pela região episcopal Belém, mandou uma carta na terça-feira (21) aos padres das 63 paróquias e 140 comunidades da Zona Leste de São Paulo aconselhando mudanças nas missas por causa da doença. São três recomendações: “pedir que os fiéis recebam a comunhão na mão”, “não fazer o convite ao abraço da paz, passando diretamente ao ‘Cordeiro de Deus’” e “não convidar os fiéis a darem as mãos na oração do Pai Nosso”. 

            Não é uma medida alarmista, é uma precaução sanitária. É um ajuste dentro da missa para não precisar suprimir as celebrações”, afirmou o bispo ao G1. A assessoria da arquidiocese disse que o cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, voltará de uma viagem nesta quinta-feira (23) e decidirá sobre eventuais indicações por causa da doença. Enquanto isso, os bispos responsáveis pelas regiões podem adotar medidas específicas.

            Dom Nelson Westrupp, bispo da diocese de Santo André, fez as mesmas recomendações para os padres e diáconos de 95 paróquias de sete municípios: Santo André, São Bernardo do Campo, Mauá, São Caetano do Sul, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. “Eu julguei necessário porque a vida é um dom de Deus e temos a obrigação de cuidar do outro, de sua saúde”, afirmou. Um e-mail com as indicações foi enviado às paróquias na segunda-feira (20).

              “Sexualidade é uma questão de escolha”, “todos somos livres para decidir o que fazer”, “cada um tem direito de fazer a opção sexual”.

             Não agüento mais ouvir esse blá-blá-blá gayzista. É um conjunto de argumentos falaciosos montado meticulosamente com o intuito de implantar a ditadura cor-de-rosa na sociedade light (ou seria dark?…) em que vivemos. Refutemos:

             “Sexualidade é uma questão de escolha

             Mas não é mesmo. De jeito nenhum. É, sim, uma questão de identidade e de responsabilidade. Não se pode, de repente, acordar com o sexo trocado (a menos que você seja Tony Ramos ou Glória Pires e esteja atuando em mais uma edição da trama “Se eu fosse você”…). Já comentei aqui no blog e repito: não se pode decidir entre ser homem e ser mulher. A gente nasce homem ou mulher.

 

            “Todos somos livres para decidir o que fazer”:

            Não se confunda liberdade com livre arbítrio. Todos os seres humanos têm livre arbítrio; já liberdade é privilégio dos que obedecem a Deus. O livre arbítrio é a capacidade de decidir os rumos da própria vida; a faculdade de, conforme a inteligência, agir deste ou daquele modo. Quando a decisão que se toma é boa (ou pelo bem) pode-se dizer que se agiu com liberdade; quando, porém, se toma uma decisão que contraria a vontade de Deus, está-se agindo em favor do mal; neste caso, o livre arbítrio conduziu não à liberdade, mas à libertinagem. Em resumo: podemos escolher entre a porta estreita e a larga. Temos capacidade de discernir entre uma e outra. Entretanto, é preciso saber que a porta estreita conduzirá à liberdade; e a larga, à libertinagem (que nada mais é que uma deturpação da vontade).

 

            “Cada um tem direito de fazer a opção sexual”:

            Note-se que, ao tratar do livre arbítrio usei a palavra “capacidade” e não “direito”. Isto porque nem sempre temos direito de decidir os rumos da própria vida. Por exemplo: eu tenho a capacidade de bater na minha mãe. Afinal, eu posso decidir o que fazer, tenho braços e pernas (que me servirão como armas para bater), e tenho acesso à minha mãe. Portanto, basta que eu tome coragem para lhe dar umas bofetadas. Ok? Ok. Mas isso significa que eu tenho direito de agir assim? Significa que está correto e é justo proceder desta forma? Claro que não! Logo, ter a capacidade de decidir entre agir desta ou daquela forma não significa ter o direito de realizar aquilo que, em mente, se resolveu.

 

            A mim é impossível não protestar, também, contra essa cultura de permissividade que tem sido disseminada pela mídia no que se refere ao papel dos pais com relação à “orientação” sexual dada aos seus filhos. Parece muito bonito ver os pais dizerem aos filhos: “olha, meu filho, desde que você esteja feliz qualquer escolha é válida”, “se você está satisfeito com a vida que leva, eu também estou”. Acontece que o argumento da “felicidade” é completamente inócuo. A felicidade consiste em fazer a vontade de Deus: “Fora de vós não há felicidade” (Sl 15,2). Não há nenhuma possibilidade de o homem encontrar a realização de si, a plenitude de sua vida, longe do seu Criador. Além disso, esse tipo de conselho dado pelos pais constitui omissão. Não intrometer-se, nesses casos, é omitir-se. Imaginem: numa bela manhã de sol, a criança acorda e diz aos pais: “não vou à escola hoje”. Ao que os pais respondem: “tudo bem, filhinho. Se é assim que você quer, que seja. Se você está feliz e satisfeito com esta sua opção, então eu o apóio”. Tem cabimento? Óbvio que não. Cabe aos pais explicar aos filhos, na medida de seu entendimento, a importância de ir à escola, a necessidade de se dedicar aos estudos, etc. Cabe-lhes persuadir os filhos (e até coagi-los, se preciso for). O papel dos pais neste caso é discernir e apontar para o caminho reto e bom. Precisam ser parciais, precisam ter opinião clara, precisam fazer juízo de valor de acordo com as suas convicções. Não podem simplesmente deixar os filhos fazerem o que querem e bem entendem. Claro que, em última instância, sobretudo dependendo da idade dos filhos, é mais difícil de convencê-los e ganhá-los para o bem. Mas, nos casos em que os filhos decidem agir em contraposição à moral cristã, cabe aos pais cristãos o dever de dizer: “se você quer, vá em frente. Mas fique sabendo que eu não concordo. Fique sabendo que desagrada a Deus e, portanto, eu não apóio”. Essa é a postura que Deus espera dos pais. Não aquela postura omissa que a mídia ensina a adotar.

 

             O Jornal L’Osservatore Romano tem causado muitas decepções nos últimos tempos. Depois de publicarem aquele infeliz artigo de D. Rino Fisichella – em que o presidente da Pontifícia Academia para a Vida criticava a atitude de D. José Cardoso Sobrinho pela atuação no caso do aborto da menina de Alagoinha –, o jornal, completando a série de publicações trágicas, teceu um elogio a João Calvino, o herege que criou uma igreja à sua imagem e semelhança – os calvinistas.  Muitos sites fizeram questão de registrar esse elogio: entre eles, este e este.

            O artigo foi publicado dentro do contexto dos 500 anos do nascimento do protestante francês João Calvino (Jean Calvin, 1509-1564). O L’Osservatore Romano aplicou a Calvino o título de “um cristão” que deixou “marca profunda na face da terra”. De fato, tendo a concordar com o jornal no que se refere à marca (eu diria, ferida…) deixada por Calvino.

            Segundo o jornal, “dois homens tiveram a força de mudar o destino europeu: Jean-Jacques Rousseau que transformou (com suas idéias) o século XIX e o XX, e Calvino, ainda mais”.

            Como frisou a Rádio Vaticano, o artigo publicado no L’Osservatore Romano no sustenta que “a organização calvinista é uma genial criação”, que soube “resistir a todas as mudanças e revoluções da modernidade” graças a sua “superioridade e eficácia, comparada ao rígido autoritarismo do mundo luterano”.

            Agora, vejam quem era Calvino:

            Calvino nasceu no dia 10 de julho de 1509, na Picardia, norte da França e morreu em Genebra no dia 27 de maio de 1564.

            Em 1533, tornou-se adversário da Igreja Católica e condenou, assim como Lutero, o poder do Papa e dos concílios, assim como a confissão.

            Sua obra-prima, “L’Institution de la religion chrétienne” (1536), A Instituição da Religião Cristã, preconiza um protestantismo rigoroso.

            Vítima das perseguições aos protestantes na França, fugiu para Genebra em 1536, onde faleceu em 1564. Genebra havia se tornado, definitivamente, um centro do protestantismo europeu.

            Pergunto: dá para acreditar que elogiaram um sujeito desses? Acho que o Pe. Federico Lombardi, SJ, diretor da Sala da Imprensa da Santa Sé, surtou!

 

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