março 2010


Caros leitores,

Cometi um erro quanto à programação das postagens dos dias 29, 30 e 31 de março – motivo pelo qual os posts que eu intentava publicar nestes dias, não vieram ao ar. Peço desculpas pelo ocorrido.

Em Cristo,

Gustavo Souza

Autor deste blog

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“Por que não padre?” Para estímulo das vocações sacerdotais! 😉 O arranjo musical é simplesmente ESPETACULAR!

Caros leitores,


No período de 28 a 31 de Março, estarei em São Paulo, viajando a trabalho [se fosse o fim de semana passado, eu poderia ter ido à Marcha da Cidadania pela Vida… Droga!]. Durante este período atualizações estão programadas. Volto a postar na quinta-feira [01/04] – por ocasião do meu natalício 😉

Grande abraço!

Gustavo Souza

Autor deste blog

Verdadeira pérola do Youtube! Escrito em inglês, mas compreensível aos que entendem “basicamente” o idioma 😉

Convite: lançamento do selo Zilda Arns

Convite: lançamento do selo Zilda Arns

[Reproduzo abaixo, integralmente, o texto de um e-mail que recebi do Matheus Cajaíba, autor do Jornada Cristã. O tema do artigo que o Matheus indicou embora seja, no meu entender, da mais alta relevância,  vem sendo tratado com “panos mornos” – quando não com indiferença por entidades de “proteção dos direitos dos índios”. Abortismo, paganismo, ignorância, seja-lá-o-que for, nada justifica a morte de uma criança inocente. Se calarmos, falarão as pedras. Antes que eu esqueça: dêem um desconto às “imprecisões” doutrinárias contidas no 2º parágrafo].


A ESTRANHA TEORIA DO HOMICÍDIO QUE NÃO ENVOLVE MORTE

Marcia Suzuki

Conselheira de ATINI – VOZ PELA VIDA

www.atini.org

Alguns antropólogos e missionários brasileiros estão defendendo o indefensável. Através de trabalhos acadêmicos revestidos em roupagem de tolerância cultural, eles estão tentando disseminar uma teoria no mínimo racista. A teoria de que para certassociedades humanas certas crianças não precisariam ser enxergadas como seres humanos. Nestas sociedades, matar essascrianças não envolveria morte, apenas “interdição” de um processo de construção de um ser humano. Mesmo que essa criança já tenha 2, 5 ou 10 anos de idade.

Deixe-me explicar melhor. Em qualquer sociedade, a criança precisa passar por certos rituais de socialização. Em muitos lugares do Brazil, a criança é considerada pagã se não passar pelo batismo católico. Ela precisa passar por esse ritual religioso para ser promovida a “gente” e ter acesso à vida eterna. Mais tarde, ela terá que passar por outro ritual, que comemora o fato dela ter sobrevivido ao período mais vulnerável, que é o primeiro ano de vida. A festa de um aninho é um ritual muito importante na socialização da criança. Alguns anos mais tarde ela vai frequentar a escola e vai passar pelo difícil processo de alfabetização. A primeira festinha de formatura, a da classe de alfabetização, é uma celebração da construção dessa pessoinha na sociedade. Nestas sociedades, só a pessoa alfabetizada pode ter esperança de vir a ser funcional. E assim vai. Ela vai passar por um longo processo de “pessoalização”, até se tornar uma pessoa plena em sua sociedade.

Esse processo de socialização é normal e acontece em qualquer sociedade humana. As sociedades diferem apenas na definição dos estágios e na forma como a passagem de um estágio para outro é ritualizada.

Pois é. Esses antropólogos e missionários estão defendendo a teoria de que, para algumas sociedades, o “ser ainda em construção” poderá ser morto e o fato não deve ser percebido como morte. Repetindo – caso a “coisa” venha a ser assassinada nesse período, o processo não envolverá morte. Não é possível se matar uma coisa que não é gente. Para estes estudiosos, enterrar viva uma criança que ainda não esteja completamente socializada não envolveria morte.

Esse relativismo é racista por não se aplicar universalmente. Estes estudiosos não aplicam esta equação às crianças deles. Ou seja, aquelas nascidas nas grandes cidades, mas que não foram plenamente socializadas (como crianças de rua, bastardas ou deficientes mentais). Essa equação racista só se aplicaria àquelas crianças nascidas na floresta, filhas de pais e mães indígenas. Racismo revestido com um verniz de correção política e tolerância cultural.

Niawi

Niawi - enterrado vivo aos 5 anos

Foto: Niawi, menino indígena enterrado vivo no Amazonas aos 5 anos de idade, por não conseguir aprender a andar. Seus pais eram contra o sacrifício e se suicidaram antes.

Tristemente, o maior defensor desta teoria é um líder católico, um missionário. Segundo ele “O infanticídio, para nós, é crime se houver morte. O aborto, talvez, seja mais próximo dessa prática dos índios, já que essa não mata um ser humano, mas sim, interdita a constituição do ser humano”, afirma.” i

Uma antropóloga da UNB, concorda. “Uma criança indígena quando nasce não é uma pessoa. Ela passará por um longo processo de pessoalização para que adquira um nome e, assim, o status de ‘pessoa’. Portanto, os raríssimos casos de neonatos que não são inseridos na vida social da comunidade não podem ser descritos e tratados como uma morte, pois não é. Infanticídio, então, nunca”.” ii

Mais triste ainda é que esta antropóloga alega ser consultora da UNICEF, tendo sido escolhida para elaborar um relatório sobre a questão do infanticídio nas comunidades indígenas brasileiras iii. Como é que a UNICEF, que tem a tarefa defender os direitos universais das crianças, e que reconhece a vulnerabilidade das crianças indígenas vi, escolheria uma antropóloga com esse perfil para fazer o relatório? Acredito que eles não saibam que sua consultora defende o direito de algumas sociedades humanas de “interditar” crianças ainda não plenamente socializadas. v

O papel da UNICEF deveria ser o de ouvir o grito de socorro dos inúmeros pais e mães indígenas dissidentes, grito este já fartamente documentado pelas próprias organizações indígenas e ONG’s indigenistas vi.

A UNICEF deveria ouvir a voz de homens como Tabata Kuikuro, o cacique indígena xinguano que preferiu abandonar a vida na tribo do que permitir a morte de seus filhos. Segurando seus gêmeos sobreviventes no colo, em um lugar seguro longe da aldeia, ele comenta emocionado:

“Olha prá eles, eles são gente, não são bicho, são meus filhos. Como é que eu poderia deixar matar?” vii

Para esses indígenas, criança é criança e morte é morte. Simples assim.


[i] http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=347765

[ii] idem

[iii] Marianna Holanda fez essa declaração em palestra que ministrou em novembro de 2009 no auditório da UNIDESC , em Brasília.

[iv] Segundo relatório da UNICEF, as crianças indígenas são hoje as crianças mais vulneráveis do planeta. “Indigenous children are among the most vulnerable and marginalized groups in the world and global action is urgently needed to protect their survival and their rights, says a new report from UNICEF Innocenti Research Centre in Florence.”

[v] Em algumas sociedades, crianças não socializadas seriam gêmeos, filhos de mãe solteira, de viúvas ou de relações incestuosas, crianças com deficiência física ou mental grave ou moderada, etc. A dita “interdição” do processo pode ocorrer em várias idades, tendo sido registrada com crianças de até 10 anos de idade, entre os Mayoruna, no Amazonas. Marianna defende essa “interdição” em dissertação intitulada “Quem são os humanos dos direitos?” Estudo contesta criminalização do infanticídio indígena

[vi] www.quebrandoosilencio.blog.br www.atini.org www.movimentoindigenaafavordavida.blogspot.com http://vimeo.com/1406660carta aberta contra o infanticídio indígena

[vii] Trecho de depoimento do documentário “Quebrando o Silêncio”, dirigido pela jornalista indígena Sandra Terena. Odocumentário está disponível no link www.quebrandoosilencio.blog.br


A SABEDORIA DA CRUZ

FRANCISCO FAUS

A LOUCURA DA CRUZ

A DOR QUE SORRI

Nunca me esquecerei de um pequeno episódio da vida real, que pode ser contado em poucas linhas. Faz bastantes anos, alguém visitou no hospital um colega de trabalho, jovem, atacado por uma doença incurável e muito dolorosa. Mesmo sem poder disfarçar algum trejeito de dor, o doente sorria sempre, estava alegre e falava de maneira serena e otimista, de tal modo que confortava e reanimava os que o iam visitar. Comentou-lhe o amigo:

– Fico contente de ver que os médicos conseguiram aliviar um pouco a sua dor…

– Não conseguiram – respondeu o outro com simplicidade –. Mas eu rezo sempre, e digo a Deus: Sofro porque me dói, sorrio porque Te amo.

Esta frase tão breve parece-me que encerra uma sabedoria mais profunda –sabedoria da cruz – do que as páginas de muitos livros. E é preciso reconhecer que há livros excelentes que abordam com seriedade e altura o sentido humano e cristão do sofrimento; em horas em que as dores físicas ou morais apertam, podem trazer-nos luz e consolo. Mas, se queremos aprender a fundo a ciência da cruz, creio que só existem duas cátedras que no-la podem ensinar, na prática, e metê-la no coração: a cátedra da experiência cristã – da própria e da alheia, sobretudo a dos santos – e a cátedra divina da Sagrada Escritura, da Palavra de Deus.

O QUE JÓ APRENDEU

Jó é o máximo sofredor do Antigo Testamento. Desde o começo do Livro de Jó, aparece-nos como um homem de fé forte e integridade de conduta. A dor abate-se sobre ele como uma montanha que desaba: perde todos os filhos e todos os bens, perde a saúde e a honra, fica como um mendigo leproso que apodrece solitário no monturo.

E qual foi a reação de Jó? Não foi uma. Foram duas, uma após a outra.

A primeira foi a reação de um autêntico adorador de Deus, de um homem de fé inabalável, que nos deixa boquiabertos: O Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor […]. Aceitamos a felicidade da mão de Deus; não devemos também aceitar a infelicidade? (Jó 1, 21 e 2, 10).

A segunda reação foi a própria de um homem sincero, acostumado a falar com Deus de coração aberto. Reduzido a um trapo, Jó recebe a visita de três amigos, penalizados, aos quais se une depois um quarto. Todos eles tentam “explicar-lhe” com muitos argumentos o porquê da avalanche brutal dos seus sofrimentos, interpretando-os fundamentalmente como um ato de justiça de Deus, que estaria assim punindo Jó por culpas que ele não percebeu ou não reconhece. Assumem, assim, a função de “advogados defensores de Deus”, um papel que o Senhor Deus não lhes havia confiado.

Diante dessa interpretação simplista e distorcida, Jó se insurge: revolta-se, brada, prorrompe em lamentos dilacerantes, increpa Deus e convoca-o para “discutir” com ele; seus gritos chegam a raiar a blasfêmia. Mas, na realidade, são os brados sinceros e agoniados de um homem de fé absoluta, que não entende o que está acontecendo. Jó crê em Deus acima de tudo no mundo, e não pode imaginar que Ele seja injusto e o castigue como se fosse culpado por crimes que não cometeu. Os amigos escandalizam-se da sua fala. Mas Jó insiste. E, no fim, quando a discussão atinge o clímax, Deus em pessoa intervém. E o que faz o Senhor? Depois de repreender Jó pelos seus excessos verbais, dá-lhe razão, concorda commeu servo Jó e indigna-se contra os amigos sabichões, que se metem a dar lições sobre o que não sabem.

Com palavras faiscantes de poesia, Deus mostra a Jó e aos amigos indiscretos quão longe estão de compreender os planos da sabedoria, da justiça e da bondade de Deus:

Onde estavas quando lancei os fundamentos da terra? […]

Quem fechou com portas o mar,

quando brotou do seio maternal,

quando lhe dei as nuvens por vestimenta

e o enfaixava com névoas tenebrosas? […]

Algum dia na vida deste ordens à manhã?

(Jó 38, 4 e segs.)

Indicaste à aurora o seu lugar?

Também Jesus teve que desfazer certa vez as interpretações erradas que os seus Apóstolos faziam sobre o sofrimento. São João conta-nos uma cena que presenciou em Jerusalém: Caminhando, viu Jesus um cego de nascença. Os seus discípulos indagaram dele: – Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus respondeu: – Nem este pecou, nem seus pais, mas foi assim para que nele se manifestassem as obras de Deus. Logo a seguir, fez o milagre de abrir os olhos àquele homem (Jo 8, 1-7).

A primeira coisa que os discípulos pensaram foi que o sofrimento era um castigo, como os amigos de Jó. Nós também. Aparece um sofrimento inesperado, uma doença, um revés, e logo nos queixamos: “Por que Deus faz isto comigo? Por que me castiga? Eu não mereço este sofrimento!”

Sempre que pensamos assim, não entendemos que, em muitíssimos casos, a dor, nesta terra, não é um castigo de Deus, mas tem outra finalidade, mais profunda, divina e positiva: É para que se manifestem as obras de Deus. Os caminhos de Deus não são os nossos caminhos: Meus pensamentos não são os vossos (Is 55, 8). Nós partimos do preconceito de que a dor é um mal e só pode ser castigo, e Deus não pensa assim.

Sim, a dor tem um papel misterioso e altíssimo nos planos divinos, é algo que ultrapassa de longe os esquemas mentais e as perspectivas dos humanos. Foi por isso que Deus deu razão a Jó, o homem reto que não aceitava explicações baratas nem lógicas surradas. Jó acabou percebendo o que Deus queria dizer, e por isso calou-se, pôs a mão na boca, e reconheceu: Falei, sem compreendê-las, maravilhas que me superam e que não conheço (Jó 39, 34 e 42, 3).

Em matéria de dor, a atitude mais sábia é a de Jó: calar-se, ser humilde e ouvir a Deus.

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