julho 2010


Acabo de tomar ciência de mais um duro golpe descerrado pelo presidente Lula e seus asseclas contra a vida e a dignidade humanas:

Através da Secretaria de Políticas para as Mulheres, encabeçada pela Ministra Nilcéia Freire, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acaba de assinar um documento, no âmbito do direito internacional, que propõe para todos os governos da América Latina, inclusive o Brasil, a completa legalização do aborto.

O documento foi aprovado na sexta feira, dia 16 de julho de 2010, em Brasília, por ocasião da conclusão da XIª Conferencia Regional sobre a Mulher da América Latina e Caribe, promovida pela CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe da ONU) em conjunto com a Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo Lula, e realizada em Brasília entre 12 e 16 de julho de 2010.

O texto final do documento exorta os governos da América Latina a legalizarem o aborto quando pede para:

“PROMOVER A SAÚDE INTEGRAL E OS DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS DAS MULHERES, REVISANDO AS LEIS QUE PREVÊEM MEDIDAS PUNITIVAS CONTRA AS MULHERES QUE TENHAM COMETIDO ABORTOS, E GARANTINDO A REALIZAÇÃO DO ABORTO EM CONDIÇÕES SEGURAS NOS CASOS AUTORIZADOS POR LEI”.

Lamentável.

Mais detalhes: leia o post completo publicado no Veritatis Blog

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O texto abaixo circulou em uma lista de emails da qual eu participo. A tradução portuguesa do texto foi originalmente publicada por nesta página. Não obstante seja um pouco extenso para alguns, é uma leitura magnífica saída da pena de um filósofo católico de uma inteligência brilhante [vide lateral do blog: fiz questão de colocar uma citação dele sobre “ortodoxia”, no livro homônimo de sua autoria]. Penso que a pergunta “por que sou católico?” deveria sempre permear os nossos pensamentos. Ter clareza da nossa identidade leva-nos a não adulterar a Fé da Igreja que, por graça divina, recebemos. Boa leitura!

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A dificuldade em explicar “Por que eu sou Católico” é que há dez mil razões para isso, todas se resumindo a uma única: o catolicismo é verdadeiro. Eu poderia preencher todo o meu espaço com sentenças separadas, todas começando com as palavras, “É a única coisa que …” Como, por exemplo, (1) É a única coisa que previne um pecado de se tornar um segredo. (2) É a única coisa em que o superior não pode ser superior; no sentido da arrogância e do desdém. (3) É a única coisa que liberta o homem da escravidão degradante de ser sempre criança. (4) É a única coisa que fala como se fosse a verdade; como se fosse um mensageiro real se recusando a alterar a verdadeira mensagem. (5) É o único tipo de cristianismo que realmente contém todo tipo de homem; mesmo o respeitável. (6) É a única grande tentativa de mudar o mundo desde dentro; usando a vontade e não as leis; etc.

Ou posso tratar o assunto de forma pessoal e descrever minha própria conversão; acontece que tenho uma forte impressão de que esse método faz a coisa parecer muito menor do que realmente é. Homens muito melhores, em muito maior número, se converteram a religiões muito piores. Preferiria tentar dizer, aqui, coisas a respeito da Igreja Católica que não se podem dizer mesmo sobre suas mais respeitáveis rivais. Em resumo, diria apenas que a Igreja Católica é católica. Preferiria tentar sugerir que ela não é somente maior que eu, mas maior que qualquer coisa no mundo; que ela é realmente maior que o mundo. Mas, como neste pequeno espaço, disponho apenas de uma pequena seção, abordarei sua função como guardiã da verdade.

Outro dia, um conhecido escritor, muito bem informado em outros assuntos, disse que a Igreja Católica é uma eterna inimiga das novas idéias. Provavelmente não ocorreu a ele que sua própria observação não é exatamente uma nova idéia. É uma daquelas noções que os católicos têm de refutar continuamente, porque é uma idéia muito antiga. Na realidade, aqueles que reclamam que o catolicismo não diz nada novo, raramente pensam que seja necessário dizer alguma coisa nova sobre o catolicismo. De fato, o estudo real da História mostrará que isso é curiosamente contrário aos fatos. Na medida em que as idéias são realmente idéias, e na medida em que tais idéias são novas, os católicos têm sofrido continuamente por apoiarem-nas quando elas são realmente novas; quando elas eram muito novas para encontrar alguém que as apoiasse. O católico foi não só o pioneiro na área, mas o único; e até hoje não houve ninguém que compreendesse o que se tinha descoberto lá.

Assim, por exemplo, quase duzentos anos antes da Declaração de Independência e da Revolução Francesa, numa era devotada ao orgulho e ao louvor aos príncipes, o Cardeal Bellarmine e Suarez, o Espanhol, formularam lucidamente toda a teoria da democracia real. Mas naquela era do Direito Divino, eles somente produziram a impressão de serem jesuítas sofisticados e sanguinários, se insinuando com adagas para assassinarem os reis. Então, novamente, os casuístas das escolas católicas disseram tudo o que pode ser dito e que constam de nossas peças e romances atuais, duzentos anos antes de eles serem escritos. Eles disseram que há sim problemas de conduta moral, mas eles tiveram a infelicidade de dizê-lo muito cedo, cedo de dois séculos. Num tempo de extraordinário fanatismo e de uma vituperação livre e fácil, eles foram simplesmente chamados de mentirosos e trapaceiros por terem sido psicólogos antes da psicologia se tornar moda. Seria fácil dar inúmeros outros exemplos, e citar o caso de idéias que são ainda muito novas para serem compreendidas. Há passagens da Encíclica do Papa Leão sobre o trabalho [conhecida como Rerum Novarum, publicada em 1891] que somente agora estão começando a ser usadas como sugestões para movimentos sociais muito mais novos do que o socialismo. E quando o Sr. Belloc escreveu a respeito do Estado Servil, ele estava apresentando uma teoria econômica tão original que quase ninguém ainda percebeu do que se trata. E então, quando os católicos apresentam objeções, seu protesto será facilmente explicado pelo conhecido fato de que católicos nunca se preocupam com idéias novas.

Contudo, o homem que fez essa observação sobre os católicos quis dizer algo; e é justo fazê-lo compreender muito mais claramente o que ele próprio disse. O que ele quis dizer é que, no mundo moderno, a Igreja Católica é, de fato, uma inimiga de muitas modas influentes; muitas delas ainda se dizem novas, apesar de algumas delas começarem a se tornar um pouco decadentes. Em outras palavras, na medida em que diz que a Igreja freqüentemente ataca o que o mundo, em cada era, apóia, ele está perfeitamente certo. A Igreja sempre se coloca contra a moda passageira do mundo; e ela tem experiência suficiente para saber quão rapidamente as modas passam. Mas para entender exatamente o que está envolvido, é necessário tomarmos um ponto de vista mais amplo e considerar a natureza última das idéias em questão, considerar, por assim dizer, a idéia da idéia.

Nove dentre dez do que chamamos novas idéias são simplesmente erros antigos. A Igreja Católica tem como uma de suas principais funções prevenir que os indivíduos comentam esses velhos erros; de cometê-los repetidamente, como eles fariam se deixados livres. A verdade sobre a atitude católica frente à heresia, ou como alguns diriam, frente à liberdade, pode ser mais bem expressa utilizando-se a metáfora de um mapa. A Igreja Católica possui uma espécie de mapa da mente que parece um labirinto, mas que é, de fato, um guia para o labirinto. Ele foi compilado a partir de um conhecimento que, mesmo se considerado humano, não tem nenhum paralelo humano.

Não há nenhum outro caso de uma instituição inteligente e contínua que tenha pensado sobre o pensamento por dois mil anos. Sua experiência cobre naturalmente quase todas as experiências; e especialmente quase todos os erros. O resultado é um mapa no qual todas as ruas sem saída e as estradas ruins estão claramente marcadas, todos os caminhos que se mostraram sem valor pela melhor de todas as evidências: a evidência daqueles que os percorreram.

Nesse mapa da mente, os erros são marcados como exceções. A maior parte dele consiste de playgrounds e alegres campos de caça, onde a mente pode ter tanta liberdade quanto queira; sem se esquecer de inúmeros campos de batalha intelectual em que a batalha está eternamente aberta e indefinida. Mas o mapa definitivamente se responsabiliza por fazer certas estradas se dirigirem ao nada ou à destruição, a um muro ou ao precipício. Assim, ele evita que os homens percam repetidamente seu tempo ou suas vidas em caminhos sabidamente fúteis ou desastrosos, e que podem atrair viajantes novamente no futuro. A Igreja se faz responsável por alertar seu povo contra eles; e disso a questão real depende. Ela dogmaticamente defende a humanidade de seus piores inimigos, daqueles grisalhos, horríveis e devoradores monstros dos velhos erros. Agora, todas essas falsas questões têm uma maneira de parecer novas em folha, especialmente para uma geração nova em folha. Suas primeiras afirmações soam inofensivas e plausíveis. Darei apenas dois exemplos. Soa inofensivo dizer, como muitos dos modernos dizem: “As ações só são erradas se são más para a sociedade.” Siga essa sugestão e, cedo ou tarde, você terá a desumanidade de uma colméia ou de uma cidade pagã, o estabelecimento da escravidão como o meio mais barato ou mais direto de produção, a tortura dos escravos pois, afinal, o indivíduo não é nada para o Estado, a declaração de que um homem inocente deve morrer pelo povo, como fizeram os assassinos de Cristo. Então, talvez, voltaremos às definições da Igreja Católica e descobriremos que a Igreja, ao mesmo tempo que diz que é nossa tarefa trabalhar para a sociedade, também diz outras coisas que proíbem a injustiça individual. Ou novamente, soa muito piedoso dizer, “Nosso conflito moral deve terminar com a vitória do espiritual sobre o material.” Siga essa sugestão e você terminará com a loucura dos maniqueus, dizendo que um suicídio é bom porque é um sacrifício, que a perversão sexual é boa porque não produz vida, que o demônio fez o sol e a lua porque eles são materiais. Então, você pode começar a adivinhar a razão de o cristianismo insistir que há espíritos maus e bons; e que a matéria também pode ser sagrada, como na Encarnação ou na Missa, no sacramento do casamento e na ressurreição da carne.

Não há nenhuma outra mente institucional no mundo que está pronta a evitar que as mentes errem. O policial chega tarde, quando ele tentar evitar que os homens cometam erros. O médico chega tarde, pois ele apenas chega para examinar o louco, não para aconselhar o homem são a como não enlouquecer. E todas as outras seitas e escolas são inadequadas a esse propósito. E isso não é porque elas possam não conter uma verdade, mas precisamente porque cada uma delas contém uma verdade; e estão contentes por conter uma verdade. Nenhuma delas pretende conter a verdade. A Igreja não está simplesmente armada contra as heresias do passado ou mesmo do presente, mas igualmente contra aquelas do futuro, que podem estar em exata oposição com as do presente. O catolicismo não é ritualismo; ele poderá estar lutando, no futuro, contra algum tipo de exagero ritualístico supersticioso e idólatra. O catolicismo não é ascetismo; ele, repetidamente no passado, reprimiu os exageros fanáticos e cruéis do ascetismo. O catolicismo não é mero misticismo; ele está agora mesmo defendendo a razão humana contra o mero misticismo dos pragmatistas. Assim, quando o mundo era puritano, no século XVII, a Igreja era acusada de exagerar a caridade a ponto da sofisticação, por fazer tudo fácil pela negligência confessional. Agora que o mundo não é puritano mas pagão, é a Igreja que está protestando contra a negligência da vestimenta e das maneiras pagãs. Ela está fazendo o que os puritanos desejariam fazer, quando isso fosse realmente desejável. Com toda a probabilidade, o melhor do protestantismo somente sobreviverá no catolicismo; e, nesse sentido, todos os católicos serão ainda puritanos quando todos os puritanos forem pagãos.

Assim, por exemplo, o catolicismo, num sentido pouco compreendido, fica fora de uma briga como aquela do darwinismo em Dayton. Ele fica fora porque permanece, em tudo, em torno dela, como uma casa que abarca duas peças de mobília que não combinam. Não é nada sectário dizer que ele está antes, depois e além de todas as coisas, em todas as direções. Ele é imparcial na briga entre fundamentalistas e a teoria da Origem das Espécies, porque ele se funda numa origem anterior àquela Origem; porque ele é mais fundamental que o Fundamentalismo. Ele sabe de onde veio a Bíblia. Ele também sabe aonde vão as teorias da Evolução. Ele sabe que houve muitos outros evangelhos além dos Quatro Evangelhos e que eles foram eliminados somente pela autoridade da Igreja Católica. Ele sabe que há muitas outras teorias da evolução além da de Darwin; e que a última será muito provavelmente eliminada pela ciência mais recente. Ele não aceita, convencionalmente, as conclusões da ciência, pela simples razão de que a ciência ainda não chegou a uma conclusão. Concluir é se calar; e o homem de ciência dificilmente se calará. Ele não acredita, convencionalmente, no que a Bíblia diz, pela simples razão de que a Bíblia não diz nada. Você não pode colocar um livro no banco das testemunhas e perguntar o que ele quer dizer. A própria controvérsia fundamentalista se destrói a si mesma. A Bíblia por si mesma não pode ser a base do acordo quando ela é a causa do desacordo; não pode ser a base comum dos cristãos quando alguns a tomam alegoricamente e outros literalmente. O católico se refere a algo que pode dizer alguma coisa, para a mente viva, consistente e contínua da qual tenho falado; a mais alta consciência do homem guiado por Deus.

Cresce a cada momento, para nós, a necessidade moral por tal mente imortal. Devemos ter alguma coisa que suportará os quatro cantos do mundo, enquanto fazemos nossos experimentos sociais ou construímos nossas Utopias. Por exemplo, devemos ter um acordo final, pelo menos em nome do truísmo da irmandade dos homens, que resista a alguma reação da brutalidade humana. Nada é mais provável, no momento presente, que a corrupção do governo representativo solte os ricos de todas as amarras e que eles pisoteiem todas as tradições com o mero orgulho pagão. Devemos ter todos os truísmos, em todos os lugares, reconhecidos como verdadeiros. Devemos evitar a mera reação e a temerosa repetição de velhos erros. Devemos fazer o mundo intelectual seguro para a democracia. Mas na condição da moderna anarquia mental, nem um nem outro ideal está seguro. Tal como os protestantes recorreram à Bíblia contra os padres e não perceberam que a Bíblia também podia ser questionada, assim também os republicanos recorreram ao povo contra os reis e não perceberam que o povo também podia ser desafiado. Não há fim para a dissolução das idéias, para a destruição de todos os testes da verdade, situação tornada possível desde que os homens abandonaram a tentativa de manter uma Verdade central e civilizada, de conter todas as verdades e identificar e refutar todos os erros. Desde então, cada grupo tem tomado uma verdade por vez e gastado tempo em torná-la uma mentira. Não temos tido nada, exceto movimentos; ou em outras palavras, monomanias. Mas a Igreja não é um movimento e sim um lugar de encontro, um lugar de encontro para todas as verdades do mundo.

Disponível em inglês em Why I am a Catholic?

Atentar contra um indefeso é sempre uma covardia…

E como, infelizmente, o essencial é invisível aos olhos de muitos…

Não corra o risco de apoiar mais um covarde…


Não conhecia este site com pequenas cartas de Madre Teresa de Calcutá. Vi, li, achei interessante, replico.

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19 de julho de 1997

Meu caro padre Sebastian e todos vós, irmãos,

Agradeçamos a Deus por seu amor por todos nós. Rezemos para que, com sua bênção e sua ajuda, possamos continuar a amá-Lo e a servi-Lo nos pobres. Rezemos especialmente a Nossa Senhora, para que seja uma Mãe para cada um dos Missionários e das Missionárias da Caridade. Continuai a rezar por mim.

Deus vos abençoe.

M. Teresa, M.C.

* Esta foi a última saudação escrita por Madre Teresa a padre Sebastian. Madre Teresa morreu em 5 de setembro de 1997

I – Dilmaborto – by Wagner Moura

No Dia Sim Dia Também vale a pena ler o post intitulado Dilmaborto. O vídeo que compõe a matéria do Wagner é bastante interessante! Como ele mesmo disse “o vídeo polêmico tem tudo para virar hit” 😉

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II – Missa “Crioula”

Você conhece a Missa Crioula? Não? Ocorre pelas bandas do Sul do Brasil. Clique aqui e veja uma demonstração de inculturação…

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III – “Nós não podemos tolerar erros litúrgicos” – D. Malcolm Ranjith

Contundente e equilibrada a declaração do Arcebispo de Colombo por ocasião da abertura do Ano da Eucaristia, proclamado por ele mesmo naquela arquidiocese. Destaco:

Please abide by its stipulations faithfully without trying to implement personal views and opinions. Those wishing to do things as they wish make themselves like God himself, and that is self-idolatry […] We cannot tolerate liturgical errors.[…] At the same time the Ars Celebrandi required from us require that we think seriously about Mass vestments, altar linen, altar vessels and the liturgical vesture for various liturgical ministries. Let the Year of the holy Eucharist be an occasion to improve all such aspects of our celebration.

Fonte: Rorate Coeli

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IV – Democracia, Minorias, Gayzismo, Argentina, Leis, etc.

Muito boa a entrevista realizada por Zenit com o advogado argentino Guilherme Cartasso, diretor geral da Fundação Latina de Cultura, presidente do movimento eclesial Fundar, professor e diretor do Departamento de Extensão da Faculdade de Direito da UCA, membro do Departamento de Pastoral Universitária da Conferência Episcopal Argentina. O Dr. Cartasso falou sobre a recente aprovação do casamento sexual na Argentina. A matéria traz também dados da ação verdadeiramente estrondosa da sociedade civil neste país: 524 mil pessoas assinaram o pedido de não-aprovação do “casamento” entre homossexuais, 200 mil foram às ruas manifestar-se contra esta lei gayzista. Estupendo! Não deixem de ler a entrevista!

Quem acha que o clima de ataques e acusações à Igreja arrefeceu um pouco nos últimos dias está redondamente enganado. A Igreja continua pagando o preço da má-fama e da imoralidade de ALGUNS clérigos. Por conta disso, abundam ofensas graves à Fé Católica, sátiras das mais diversas, e matérias completamente tendenciosas [e injustas para com a esmagadora maioria dos sacerdotes católicos – que vivem fielmente o seu celibato].

A última destas reportagens, no estilo “Roberto Cabrini”, foi feita pela revista italiana Panorama [vide capa abaixo].



A respeito desta matéria na Panorama, diz o site da Revista Veja diz:

Baseada em um mês de investigação com câmeras escondidas, uma longa reportagem expõe três religiosos sob o título “As Noitadas dos Padres Gays”. Há fotos dos padres em clubes e a capa da revista mostra um homem de batina, segurando um rosário, com as unhas pintadas de rosa.

Embora eu tenha achado na internet o site da citada revista, bem como um blog conexo, acho desnecessário reproduzir aqui o que está disponível lá. As cenas de vídeo, bem como as fotografias que foram tiradas, são bastante fortes. Realmente chocantes. [Dói no coração ver o padre que momentos antes compartilhara o leito com outro homem paramentar-se logo em seguida para celebrar o Santo Sacrifício da Missa…]

“E por que choca?” – perguntei-me hoje. Por causa da incoerência.

A incoerência – ou vida dupla, ou falsidade, como queiram chamar – realmente nos choca. Sobretudo a nós, cristãos, dos quais – como ensinaram os Santos Padres – se espera unidade de vida. Espera-se que as nossas palavras correspondam às nossas obras, e que as nossas obras manifestem aquilo que anunciamos. Nada menos que isso. E aí está a grande luta da vida cristã: uma luta por coerência.

“Mas uma sociedade que faz apologia do sexo livre e do homossexualismo pode exigir coerência, fidelidade ou retidão de quem quer que seja?” – perguntei-me em seguida. “Sim, pode” – respondi para mim mesmo. A sociedade – mesmo estando afundada em pecado e sendo amante da luxúria – ainda se choca com esses casos de infidelidade sacerdotal. Só agora me dou conta de que isso é bom. É ótimo, na verdade. É prova de que a Moral realmente transcende o tempo e as culturas, e supera a letra da Lei. É prova de que o homem tem gravado dentro de si as leis eternas e imutáveis que devem pautar, reger, a conduta humana. O clamor por coerência aponta para um mínimo de bom senso moral.

Frise-se (i): a revista Panorama, na realidade, em nenhum momento quis incentivar, muito menos exigir, a fidelidade ao celibato. Na visão dela, o ideal é que a Igreja possa “acolher” esses padres gays de modo a permitir que eles assumam sua “opção” sexual e, assim, oficializar a sua vida dupla. A proposta dela [inaceitável, é claro] é a de que homossexuais possam ser admitidos ao sacerdócio. Como para a Igreja essa argumentação “não cola”, eles acabam “chutando o pau da barraca” e lançando mão de ofensas gratuitas e injustas.

Os inimigos da Igreja não são bobos: ultrajam-na publicamente para pô-La em descrédito perante todos, para enfraquecê-La, para desmerecer a validade de Seu posicionamento em matéria de Moral. Embalde tentam calar-Lhe a voz. Não sabem eles que a voz que lhes oprime a consciência – e os leva, muitas vezes, a querer fugir de si mesmos – é a do próprio Deus. Não sabem eles que, ainda que a voz cale, a Palavra não passa… Não sabem eles que a consciência (aquele “morcego” de que falara Augusto dos Anjos) habita os nichos silenciosos do coração, onde ressoa só – e somente só – a Voz do Deus Altíssimo.

Frise-se (ii): de muito mau gosto, e profundamente ofensiva à piedade católica, é a capa da revista. O uso que se deu ao Rosário da Virgem Maria, colocado-o entre mãos másculas com unhas pintadas de rosa, fere o sentimento religioso dos católicos em todo o mundo. Retratação já!

E Deus segue tirando dos males que advêm à Sua Igreja os bens de que necessita o homem. Assim, dos ultrajes que a Esposa de Cristo tem sofrido, Deus sabe tirar os últimos resquícios de moral que existem no coração enlameado desta “geração má e adúltera” [Mt 12,39].

[Na sequência de publicações do livro “O Inferno existe”, de autoria do Padre André Beltrami, SDB, trago-lhes o quinto capítulo desta obra, publicada em 1897].

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CAPÍTULO V

Eu não creio em nada

– Eu não creio em nada, dizia-me duma feita um dêsses doutores da impiedade, com empáfia.

– Como? Vós não credes em nada? repliquei. Então não credes na existência da América, da Oceania…

– Oh! Certamente que sim; queria dizer, não creio em nenhuma coisa sobrenatural.

– Mas, porque credes na existência da América e da Oceania, que nunca vistes?

– Tem graça! Creio porque o afirmam os geógrafos e muitas pessoas que perlustraram essas regiões.

– E se credes na existência de coisas que nunca vistes, só porque o dizem os homens, porque não credes na existência do inferno, do juízo, revelada pela palavra infalível de Deus, confirmada pela razão e proclamada pela voz de todos os povos?

O livre pensador deu de ombros e não soube responder; mas, nem por isso se converteu. Custava-lhe tanto deixar sua vida desregrada e praticar a virtude!

Como são dignos de compaixão êsses libertinos! Pretendem destruir o inferno, negando-lhe a existência; mas, quem nega uma coisa não consegue eliminá-la. Se eu negasse a existência da América ou da África, não conseguiria riscá-las da face do globo, mas subsistiriam, não obstante minha negação. Negai, negai quanto quiserdes a existência do inferno, que apesar disso o inferno continuará a existir e a queimar as suas vítimas, e um dia se abrirá para vós e vos sepultará naquelas chamas, se vos não corrigirdes de vossas desordens. A vossa fanfarrice e a vossa negação estulta não apagarão certamente aqueles ardores sempiternos, ao contrário, servirão para os aumentar e fazer-vos afundar mais naquele abismo. Quanto mais vos obstinardes na infidelidade e na negação do inferno, tanto mais acumulareis pecados e culpas para expiar na eterna prisão.

Uma ocasião, um infeliz, a quem se meteu na cabeça que não havia mais cárcere, nem tribunal, começou a roubar e praticar iniquidades. Avisado várias vezes pelos parentes e amigos, e ameaçado de prisão, replicava sempre que não havia mais cárcere nem tribunal.

Sabeis o que aconteceu? o que já se esperava: dois policiais o prendem; é processado e condenado às galés por tôda a vida.

Eis aí a história de todos os ímpios; abandonam-se aos vícios, acariciam as paixões, cometem pecados e mais pecados, dizendo que tudo acaba com a morte e, no entanto, caem no eterno abismo. E Santa Tereza viu que caíam em grande número, como flócos de neve em dias de inverno!

Monsenhor Ségur conta um fato bastante curioso, acontecido na escola militar de S. Ciro, nos últimos anos da Restauração.

O Padre Rigolot, capelão do estabelecimento, prègava um retiro espiritual aos alunos, que se reuniam por isso tôdas as tardes na capela, antes de subir ao dormitório. Uma das tardes, em que o bom do padre falara do inferno, terminada a função, tomou a lanterna e se retirou para o seu aposento; e quando abria a porta do quarto, percebeu que o chamava alguém que o seguia pela escada. Era um velho capitão de bigode grisalho e de maneiras pouco gentis.

– Desculpe, sr. Padre, lhe falou com ar de zombaria; V. R. fez-nos agora pouco um magnífico discurso sôbre o inferno. Mas se esqueceu de nos dizer se lá nós seremos cozidos, assados ou fritos. Poderia dizer-me?

O capelão, percebendo que se tratava de um zoilo, fitou-o sériamente, e depois enfiando-lhe sob o nariz a lanterna que trazia, respondeu com tôda a calma:

– Haveis de ver, sr. capitão.

Dito isto, fechou a porta; sem poder refrear o riso pela figura ridícula daquele estróina.

Não pensou mais nisso, mas daí por diante notou que o capitão fugia dêle.

Entretanto, veio a revolução de julho e extintas as capelanias militares, o Arcebispo de París nomeou o Padre Rigolot para outro cargo, não menos importante.

Passados quase vinte anos, o venerando sacerdote entretinha-se com os amigos numa tertúlia, quando um velho de bigode, branco, fazendo-se encontradiço, cumprimentou-o e perguntou se era o Padre Rigolot, ex-capelão da escola de S. Ciro. Obtida resposta afirmativa:

– Oh! Senhor padre, diz-lhe comovido o velho militar, permita-me que lhe aperte a mão e que exprima o meu reconhecimento; o senhor me salvou.

– Eu?! de que modo?

– Oh! não me conhece mais? Não se lembra do ocorrido naquela noite, que um capitão, instrutor da escola, a propósito de seu discurso sôbre o inferno, lhe fez uma pergunta estúpida e V. R., pondo-lhe a lanterna sob o nariz respondeu: – “Haveis de ver, capitão?” Aquele capitão sou eu; sabia que desde aquela ocasião suas palavras não me saíram mais da mente, como não me abandonou mais o pensamento que eu devia ir para o inferno. Lutei contra mim mesmo por dez anos; ao cabo dos quais, rendi-me a Deus, confessei-me e agora tornei-me cristão e cristão à militar, isto é, franco, sem respeito humano. A V. R. sou devedor de tanta ventura e folgo muito de poder encontrá-lo para manifestar-lhe o meu reconhecimento.

O Padre Bach, na vida de S. Francisco de Jerônimo, narra a triste sorte duma mulher incrédula que zombava do inferno e dos novíssimos. O fato não deixa nenhuma dúvida, pois foi juridicamente provado no processo de canonização do santo, e atestado com juramento por muitas testemunhas oculares.

No ano de 1707, S. Francisco de Jerônimo prègava, como de costume, nos arrabaldes de Nápoles, falando sôbre o inferno e os terríveis castigos reservados aos pecadores obstinados. Uma mulher insolente, morava na redondeza, aborrecida com aqueles sermões, que lhe acordavam no coração amargos remorsos, procurou molestá-lo com chascos e gritos, desde a janela de sua casa; uma vez, o santo lhe disse: – Ai de ti, filha, se resistes à graça! não passarão oito dias, sem que Deus te castigue.

A desaforada mulher não se perturbou por aquela ameaça e continuou a com suas más intenções. Passaram-se oito dias, e o santo foi prègar de novo perto daquela casa, mas desta vez as janelas estavam fachadas e ninguém o importunava. Os vizinhos que ouviam consternados lhe disseram que Catarina (tal era o nome daquela péssima mulher) tinha morrido de improviso, pouco antes.

– Morreu? disse o servo de Deus; pois bem, agora nos diga de que valeu zombar do inferno; vamos perguntar-lhe.

Os ouvintes sentiram que essas palavras o santo as pronunciara com inspiração, e por isso todos esperaram um milagre. Acompanhado da multidão subiu à sala, convertida em câmara ardente, e após breve oração, descobriu o rosto da morta e:

– Catarina, gritou, diz-nos onde estás!

A esta ordem, a defunta ergue a cabeça, abre os olhos, toma côr o seu rosto, e em atitude de horrível desespêro, profere com voz lúgubre estas palavras:

– No inferno! eu estou no inferno!

Imediatamente cai e volta ao estado de frio cadáver.

Eu estava presente ao fato, afirma uma das testemunhas que depuseram no tribunal apostólico, mas não saberia explicar a impressão que causou em mim e nos circunstantes; ainda hoje, passando perto daquela casa e olhando a tal janela, fico muito impressionado. Quando vejo aquela funesta moradia, parece-me ouvir a lúgubre voz: – No inferno! eu estou no inferno!

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