A Igreja, já há algum tempo, voltou-se [algumas vezes com preocupação] para o desenvolvimento dos meios de comunicação social. Entre outras coisas, a Santa Madre Igreja tem recordado aos comunicadores [tanto “amadores” quanto profissionais] a importância de cultivar [e guiar-se de acordo com] princípios éticos no exercício da atividade de comunicação. Bem assim, a Igreja lhes tem alertado quanto à urgência de fazer com que os veículos de comunicação sejam autênticos transmissores da verdade. Ética e Verdade são os pontos–chave do discurso eclesiástico sobre os mass media.

              Vale recordar que a própria Igreja nunca temeu adentrar neste universo da comunicação para explorá-lo, examiná-lo e extrair dele o [muito] que há de bom. Neste sentido é que foram criados a Rádio Vaticana, o L’ Osservatore Romano, e outros meios de divulgação e propagação da Fé a todas as gentes. Em certo sentido, os meios de comunicação contribuem para a realização da atividade missionária da Igreja.   

             Bom, fiz questão de introduzir este post desta maneira para contextualizar bem a matéria que Zenit publicou na sua edição de hoje. Foi noticiada a criação do “primeiro diretório global em linha dos meios de comunicação católicos” O diretório foi chamado de Inter Mirifica em referência ao Decreto promulgado pelo Concílio Vaticano II sobre os meios de Comunicação Social .

              O lançamento aconteceu durante o Mutirão Latino-americano e Caribenho de Comunicação (MUTICOM), realizado na PUC do Rio Grande do Sul. Dom Claudio Maria Celli, presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, na conferência em que apresentou o Inter Mirifica, disse que “somos chamados a ser sal e luz, a promover uma cultura de respeito, diálogo e amizade”. O prelado também recordou que “os blogs e as redes sociais são espaços de encontro e difusão muito importantes”.

             O Inter Mirifica contará com colaboradores para a formação de seu banco de dados. Eu já me cadastrei como colaborador e estou aguardando a aprovação da solicitação. 😉 Segundo a mensagem que se segue ao cadastramento, se o meu pedido for aceito, eu poderei “criar novos registros de contatos de Mídias Católicas e enviar informações para atualizar o Diretório de Mídias Católicas”. Em outras palavras: vou poder contribuir indicando veículos de comunicação [sites, blogs, jornais, revistas, etc.] que, no meu entender, sejam autenticamente católicos. A idéia me parece boa. Por isso recomendo que os colegas blogueiros e proprietários de sites católicos também requeiram a sua inscrição como colaboradores do Diretório. Confesso que tenho receio de que este espaço acabe servindo à divulgção de veículos de formação e informação pseudo-católicos… Mas vejamos. É cedo para pensar nisso. Sejamos esperançosos. 😉

             Para finalizar gostaria de citar, de modo breve, o ensinamento de dois pontífices acerca dos mass media. Os chefes da Igreja nos falam da transposição dos limites temporais e espaciais [que é bastante verificável se pensarmos no alcance da internet], do “requisito moral fundamental” da comunicação, e da relação entre “liberdade e comunicação”:

             Em 7 de Maio de 1967, por ocasião do 1º Dia mundial das Comunicações Sociais, o Sua Santidade, o papa Paulo VI, pronunciou-se nestes termos:

 “Graças a essas maravilhosas técnicas, a convivência humana assumiu dimensões novas: o tempo e o espaço foram superados, e o homem tornou-se um cidadão do mundo, co-participante e testemunha dos acontecimentos mais distantes e das vicissitudes de toda a humanidade. Como disse o Concílio, “podemos falar de uma verdadeira transformação social e cultural, que tem os seus reflexos também na vida religiosa” (Gaudium et spes, Introdução): para esta transformação contribuíram positivamente os meios de comunicação social e, às vezes, de forma determinante, enquanto se esperam novos e surpreendentes progressos, como a próxima ligação em escala mundial das estações transmissoras da televisão, por meio dos satélites artificiais.

 Em tudo isto vemos delinear-se e agir um admirável desígnio de Deus providente, que abre à inteligência humana sempre novos caminhos para o seu aperfeiçoamento e para a consecução do fim último do homem”.

 

              O papa João Paulo II, na sua Mensagem para o 37º Dia Mundial das Comunicações Sociais, também fez considerações muito oportunas:

 “O requisito moral fundamental de toda a comunicação é o respeito pela verdade e o seu serviço. A liberdade de procurar e de dizer a verdade é essencial para a comunicação humana, não apenas no que se refere aos fatos e às informações mas também, e de maneira especial, no que diz respeito à natureza e ao destino da pessoa humana, à sociedade, ao bem comum e ao nosso relacionamento com Deus. Os mass media têm uma responsabilidade iniludível neste sentido, uma vez que constituem o foro moderno em que as ideias são compartilhadas e as pessoas podem crescer em compreensão mútua e em solidariedade”.

             E acrescentou:

“A liberdade é uma condição prévia para a paz verdadeira, assim como um dos seus frutos mais preciosos. Os mass media servem a liberdade, quando servem a verdade: e impedem a liberdade, na medida em que se separam da verdade, difundindo falsidades ou criando um clima de reação emotiva malsã diante dos acontecimentos. Somente se tiverem acesso livre às informações verdadeiras e suficientes, é que as pessoas poderão procurar o bem comum e considerar as autoridades públicas responsáveis”.

 

 

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[Fonte: ACI Digital]

Homilia do Santo Padre

Abertura da Porta Santa na Basílica de Santa Maria Maior

 

1° de Janeiro de 2000

Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus

XXXIII Jornada Mundial da Paz

1. “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho. Ele nasceu de uma mulher” (Gl 4, 4).

Ontem à tarde detivemo-nos para meditar sobre o significado destas palavras de Paulo, tiradas da Carta aos Gálatas, e perguntamo-nos em que consiste a “plenitude dos tempos” de que ele fala, em relação aos processos que assinalam o caminho do homem ao longo da história. O momento que estamos a viver é mais denso de significado do que nunca:  à meia-noite o ano de 1999 entrou no passado, cedeu o caminho a um novo ano. Eis-nos agora, desde há poucas horas, no ano 2000!

O que isto significa para nós? Começa-se a escrever outra página da história. Ontem à tarde dirigimos o nosso olhar para o passado, para o modo como era o mundo quando iniciava o segundo milênio. Hoje, dando início ao ano 2000, não podemos deixar de nos interrogar acerca do futuro:  que direção tomará a grande família humana nesta nova etapa da própria história?

2. Tendo em conta um novo ano que começa, a hodierna liturgia formula a todos os homens de boa vontade os votos com as seguintes palavras:  “Javé te mostre o seu rosto e te conceda a paz!” (Nm 6, 26).

O Senhor te conceda a paz! Eis os bons votos que a Igreja apresenta à inteira humanidade, no primeiro dia do ano novo, consagrado à celebração do Dia Mundial da Paz. Na Mensagem para essa Jornada recordei algumas condições e urgências, em vista de consolidar o caminho da paz a nível internacional. Um caminho infelizmente sempre ameaçado, como no-lo recordam os dolorosos eventos que várias vezes assinalaram a história do século XX. Por isso devemos, hoje mais do que nunca, desejar a paz em nome de Deus:  o Senhor te conceda a paz!

Neste momento, penso no encontro de oração pela paz que, em Outubro de 1986, viu reunidos em Assis os representantes das principais religiões do mundo. Estávamos ainda no período da chamada “guerra fria”:  reunidos, rezamos para esconjurar a grave ameaça de um conflito que parecia incumbir sobre a humanidade. Num certo sentido, demos voz à prece de todos e Deus acolheu a súplica dos seus filhos. Embora tenhamos testemunhado o início de perigosos conflitos locais e regionais, foi-nos contudo poupado o grande conflito mundial que se anunciava no horizonte. Eis por que, ao cruzarmos o limiar do novo milênio, nos apresentamos reciprocamente com maior consciência os bons votos de paz:  Javé te mostre o seu rosto. Ano 2000 que vens ao nosso encontro, Cristo te conceda a paz!

3. “A plenitude dos tempos!”. São Paulo afirma que esta “plenitude” se realizou quando Deus “enviou o seu Filho. Ele nasceu de uma mulher” (Gl 4, 4). Hoje, oito dias depois da Natividade, primeiro dia do ano novo, evocamos de maneira especial a “Mulher” de que o Apóstolo fala, a Mãe de Deus. Ao dar à luz o Filho eterno do Pai, Maria contribuiu para a obtenção da plenitude dos tempos; contribuiu de forma singular para fazer com que o tempo humano alcançasse a medida da sua plenitude na Encarnação do Verbo.

Neste dia tão significativo, tive a alegria de abrir a Porta Santa nesta veneranda Basílica Liberiana, a primeira no Ocidente dedicada à Virgem Mãe de Cristo. A uma semana do solene rito realizado na Basílica de São Pedro, hoje é como se as comunidades eclesiais de todas as nações e continentes se reunissem idealmente aqui, sob o olhar da Mãe, para cruzar a soleira da Porta Santa que é Cristo.

Efectivamente é a Ela, Mãe de Cristo e da Igreja, que desejamos confiar o Ano Santo há pouco iniciado, a fim de que proteja e encorage o caminho de quantos se fazem peregrinos neste tempo de graça e de misericórdia (cf. Incarnationis mysterium, 14).

4. A Liturgia da hodierna solenidade possui um carácter profundamente mariano, não obstante nos textos bíblicos isto se manifeste de forma bastante sóbria. O trecho do evangelista Lucas como que resume aquilo que escutamos na noite de Natal. Ali narra-se que os pastores foram a Belém e encontraram Maria e José, e o Menino na manjedoura. Depois de O terem visto, referiram aquilo que lhes tinha sido dito acerca d’Ele. E todos se admiraram ao ouvirem a narração dos pastores. “Maria, porém, conservava todos estes factos e meditava sobre eles no seu coração” (Lc 2, 19).

Vale a pena deter-se nesta frase que exprime um aspecto admirável da maternidade de Maria. Num certo sentido, o inteiro ano litúrgico segue as pegadas desta maternidade, a começar pela Solenidade da Anunciação, a 25 de Março, precisamente nove meses antes da Natividade. No dia da Anunciação, Maria ouviu as palavras do anjo:  “Eis que vais ficar grávida, terás um Filho e dar-lhe-ás o nome de Jesus… O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso, o Santo que vai nascer de ti será chamado Filho de Deus” (Lc 1, 31.35). E respondeu:  “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Ibid., v. 38).

Maria concebeu por obra do Espírito Santo. Como todas as mães, trouxe no próprio seio Aquele que só Ela sabia que se tratava do Filho unigênito de Deus. Deu-O à luz na noite de Belém. Assim tiveram início a vida terrena do Filho de Deus e a sua missão de salvação na história do mundo.

5. “Maria… conservava todos estes factos e meditava sobre eles no seu coração”. Como se surpreender que a Mãe de Deus se recordasse de tudo isto de modo singular, ou melhor, único?

Cada mãe possui uma análoga consciência do início de uma nova vida nela. A história de cada homem está inscrita em primeiro lugar no coração da própria mãe. Não admira que a mesma coisa se tenha verificado em relação à vicissitude terrena do Filho de Deus.

“Maria… conservava todos estes factos e meditava sobre eles no seu coração”.

Hoje, primeiro dia do ano novo, no início de um novo ano deste novo milênio, a Igreja evoca esta experiência interior da Mãe de Deus. Fá-lo não só meditando os eventos de Belém, de Nazaré e de Jerusalém, ou seja, as várias etapas da existência terrena do Redentor, mas também considerando tudo aquilo que a sua vida, morte e ressurreição suscitaram na história do homem.
Maria esteve presente com os Apóstolos no dia do Pentecostes, participando diretamente no nascimento da Igreja. Desde então, a sua maternidade acompanha a história da humanidade redimida, o caminho da grande família humana, destinatária da obra da Redenção.

No início do ano 2000, enquanto progredimos no tempo jubilar, confiamos nesta tua “recordação” materna, ó Maria! Colocamo-nos neste singular itinerário da história da salvação, que se conserva vivo no teu coração de Mãe de Deus. Confiamos a ti os dias do novo ano, o futuro da Igreja, da humanidade e do universo inteiro.

Maria, Mãe de Deus, Rainha da Paz, vigia sobre nós!

Maria, Salus Populi Romani, roga por nós! Amém!

[Trechos de uma locução do Venerável João Paulo II, de feliz memória, durante o Jubileu dos Bispos, em Roma (2000). Os grifos são meus. Notem que todo o comentário de Sua Santidade se dá num contexto de busca da própria santidade do bispo, bem como do esforço pela santificação dos fiéis. Nenhuma menção ao “dever” do bispo de lutar por justiça social, de fazer politicagem, nem de atuar como comentarista econômico… Ah, se todos os bispos ouvissem o sucessor de Pedro…]

 

[…] Podemos experimentar juntos toda a consolação da verdade enunciada por Santo Agostinho:  “Para vós, sou bispo; convosco, sou cristão. O primeiro é o nome de um cargo assumido; o segundo, de uma graça. Aquele é o nome de um perigo; este, de salvação” (Sermão 340, 1:  PL 38, 1483). São palavras fortes!

Caríssimos Irmãos no Episcopado, como pessoas sacramentalmente configuradas com Cristo, Pastor e Esposo da Igreja, somos chamados a “reviver” nos nossos pensamentos, sentimentos e opções o amor e a abnegação total de Jesus Cristo pela sua Igreja.

O Apóstolo indica de forma luminosa a finalidade suprema do dilexit Ecclesiam:  “Cristo amou a Igreja e entregou-Se por ela… e santificou-a” (Ef 5, 25-26). Assim é também o nosso múnus episcopal:  ele está ao serviço da santidade da Igreja.

Cada uma das nossas actividades pastorais tem como objectivo último a santificação dos fiéis, a começar pelos sacerdotes, nossos directos colaboradores. Por conseguinte, deve ter em vista suscitar neles o compromisso de responder ao chamamento do Senhor com prontidão e generosidade. E não é acaso o nosso próprio testemunho de santidade pessoal o apelo mais credível e mais persuasivo que os leigos e o clero têm direito a esperar no seu caminho rumo à santidade? Proclamou-se o Jubileu precisamente para “suscitar em cada fiel um verdadeiro anseio de santidade” (Tertio millennio adveniente, 42).

É necessário redescobrir aquilo que o Concílio Vaticano II diz sobre a vocação universal à santidade. Não é por acaso que o Concílio se dirige em primeiro lugar aos Bispos, recordando que devem “desempenhar o seu ministério santamente e com entusiasmo, com humildade e fortaleza; assim, encontrarão nele um magnífico meio da santificação própria” (Lumen gentium, 41). Como se vê, é a imagem de uma santidade que cresce ao lado do ministério, mas através do mesmo ministério. Uma santidade que se desenvolve como caridade pastoral, encontrando o seu paradigma em Cristo Bom Pastor e impelindo cada pastor a tornar-se o “modelo da grei” (cf. 1 Pd 5, 3).

5. Esta caridade pastoral deve vivificar os tria munera em que se articula o nosso ministério. Em primeiro lugar o munus docendi, ou seja, o serviço do ensino. Quando relemos os Actos dos Apóstolos, ficamos impressionados perante o fervor com que o primeiro núcleo apostólico semeava a mãos-cheias, com a força do Espírito, a semente da Palavra. Devemos encontrar de novo o entusiasmo pentecostal do anúncio. Em um mundo que, através dos mass media, conhece uma espécie de inflação das palavras, o verbo do Apóstolo só pode distinguir-se e progredir apresentando-se, com toda a luminosidade evangélica, como palavra repleta de vida. Não tenhamos medo de anunciar o Evangelho, “opportune et importune” (2 Tm 4, 2).

Sobretudo hoje, no meio de muitas vozes discordantes que criam confusão e perplexidade na mente dos fiéis, o Bispo tem a grave responsabilidade de esclarecer. O anúncio do Evangelho é o acto de amor mais excelso em relação ao homem, à sua liberdade e à sua sede de felicidade. Através da Liturgia, fonte e ápice da vida eclesial (cf. Sacrosanctum concilium, 10), esta mesma caridade torna-se sinal, celebração e acção orante. Aqui, o dilexit Ecclesiam de Cristo faz-se memória viva e presença eficaz. Nesta obra, mais que em qualquer outra, o papel do Bispo delineia-se como munus sanctificandi, ministério de santificação, graças à presença operosa d’Aquele que é o Santo por excelência.

Enfim, a caridade do Bispo deve brilhar no vasto âmbito da orientação pastoral:  no munus regendi. Exige-se muito de nós. Em tudo devemos trabalhar “como bons pastores que conhecem as suas ovelhas e por elas são conhecidos, como verdadeiros pais que se distinguem pelo espírito de amor e solicitude por todos” (Christus Dominus, 16).

Beatificação de João Paulo II – Nas palavras do Cardeal Stanislaw Dziwisz – que foi secretário do papa Wojtyla durante 40 anos – o ponta-pé inicial para o processo de beatificação do venerável predecessor de Bento XVI “depende do Papa”. Já há um milagre a atribuído a João Paulo II. Contudo, antes de passar a analise da veracidade do milagre, a Igreja deve pronunciar-se sobre a “heroicidade das virtudes” dele. Ainda há muitos passos a serem dados, e o processo segue segundo a na velocidade de Roma… [que, nesse sentido, se assemelha à leniência da justiça brasileira]. Contudo, é preciso que seja assim. É mais prudente, é mais sensato, é mais sábio. Enquanto isso, rezemos!

           

Casados por três horas – O caso é inusitado: A juíza Maria Luíza Póvoa Cruz, da 3ª Vara de Família de Goiânia (GO), anulou ontem (17) o casamento realizado por E.T.F e M.A.D. Eles ficaram casados por apenas três horas, quando descobriram ‘incompatibilidade durante a ocasião do enlace’”.  A notícia é curta. Recomendo que leiam na íntegra. Dos males o menor: se não houve consumação, então não houve casamento. E se não houve casamento, não houve divórcio. Pergunto, sinceramente, aos moralistas de plantão: o “enlace” [acho que a melhor definição para isso seria a de uma “tentativa” de relação sexual], nesse caso, constitui então um pecado de fornicação?

Atente-se para o fato de que, no fim da matéria, é dito que o “órgão máximo” da religião [católica] concedeu a anulação do matrimônio. Na verdade, deve ter sido concedida [pelo Tribunal Eclesiástico Diocesano, e não pelo “órgão máximo” da Igreja – que seria a Santa Sé] uma declaração de nulidade matrimonial. Lembrem-se: Anular não é o mesmo que decretar a nulidade!

 

 

O texto abaixo chegou a mim através de um amigo que, por sua vez, o obteve de um padre legionário de Cristo. Chamou-me muito a atenção o que diz esta psiquiatra acerca dos jovens norte-americanos (que não devem ser muito diferentes dos nossos jovens…). Não traduzi, como sempre, por falta de tempo. Mas creio que, aos que lêem português, o espanhol seja um idioma inteligível. 😉

 

 

Jóvenes sin criterio, jóvenes sin salud

 

Comité Independiente SinSida

Lunes, 16 de noviembre de 2009

La psiquiatra estadounidense Miriam Grossman acaba de publicar “You’re Teaching My Child What?”, un libro en el que describe el panorama actual de la educación sexual que se imparte en las escuelas de Estados Unidos.

Resumimos una entrevista a la autora para “eReview” (9-09-2009), publicación del Institute of Marriage and Family Canada.
”No podía hacer mucho por ellos. Eran jóvenes que estaban muy bien informados y que se preocupaban activamente por su salud. Cuidaban la alimentación, hacían ejercicio, evitaban fumar y tantas cosas. Pero en el terreno de la sexualidad asumían todo tipo de riesgos. Así que empecé a preguntarles sobre la educación sexual que recibían en clase”.

Tras ejercer durante 12 años como psiquiatra en la UCLA (University of California, Los Ángeles), Grossman comprobó el desconcierto con que se mueven la mayoría de los jóvenes en el ámbito de la sexualidad. Ella misma se sintió frustrada al ver cómo, paciente tras paciente, se repetían los mismos errores que terminaban en enfermedades de transmisión sexual, trastornos emocionales e incluso infertilidad.

A partir de estos testimonios, Grossman llegó a la conclusión de que los jóvenes estaban prácticamente desprotegidos. Éste fue el título de su primer libro: “Unprotected: A Campus Psychiatric Reveals How Political Correctness in Her Profession Harms Every Student”. En el que ahora acaba de publicar analiza el material pedagógico que utilizan los alumnos: páginas webs, libros, folletos, guías, videos…

Lo primero que sorprendió a Grossman es la falta de conocimiento sobre los fundamentos del desarrollo evolutivo de niños y jóvenes, así como de los últimos descubrimientos de la neurobiología.

“Los profesores de educación sexual insisten en que los adolescentes tienen, al igual que los adultos, la madurez suficiente para tomar decisiones responsables. El problema, añaden, está en que les falta la información suficiente y no utilizan preservativos”.


“De manera que la propuesta de estos ‘expertos’ para reducir las enfermedades de transmisión sexual y el número de embarazos adolescentes es: más información y más condones. Pero las investigaciones recientes de la neuropsicología no respaldan esta postura. Ahora sabemos que las malas decisiones de los adolescentes proceden no de la falta de información sino de la falta de criterio. Y sólo hay una cosa que cura esto: el tiempo”.

Otro dato básico que omiten la mayoría de los manuales sobre educación sexual es la mayor vulnerabilidad biológica de las chicas a las enfermedades de transmisión sexual. Tampoco se dice a los chicos que el sexo oral suele ir asociado al cáncer de garganta. “No hace falta repetir que se trata de una información de vida o muerte; ocultar estas cosas es el colmo de la irresponsabilidad”.

En lugar de informar sobre los riesgos, algunas organizaciones estadounidenses como Planned Parenthood o SIECUS (Sexuality Information and Education Council of the US) “se limitan a repetir que la adolescencia es el tiempo idóneo para explorar nuevas prácticas sexuales, o que los niños tienen derecho a expresar su sexualidad en cualquiera de las formas que se les ocurra”.

Para Grossman, “este mensaje promueve el libertinaje sexual, no la salud sexual. Es pura ideología, no ciencia. Y cuando el libertinaje sexual pasa a primer plano, la salud sexual se resiente. Ahí están, para demostrarlo, las alarmantes cifras de Estados Unidos sobre enfermedades de transmisión sexual, infecciones por VIH, embarazos adolescentes y abortos”.

El enfoque ideológico de la educación sexual se observa también en el papel que los educadores atribuyen a los padres. Grossman dice que en este punto hay mucha doblez: “Cuando los educadores hablan ante los medios o en los materiales destinados a los padres, siempre destacan que la educación sexual empieza en casa y que los papás son los principales educadores en este terreno. Sin embargo, los materiales didácticos que utilizan los niños trasmiten un mensaje muy diferente”.

“El 90 por ciento de los padres quiere que sus hijos retrasen las relaciones sexuales, y confían en que quienes imparten la educación sexual les van a ayudar a reforzar ese mensaje. Hay organizaciones como SIECUS que se comprometen a difundirlo, pero luego no lo hacen”.

Aunque la situación que describe Grossman es bastante cruda, su libro también transmite esperanza. “La buena noticia es que todos estos problemas de salud sexual pueden ser evitados en el 100 por ciento de los casos. Los padres pueden hacer mucho por sus hijos.

Cada vez más, sabemos que los hijos se sienten muy influidos por los valores y las expectativas de sus papás. En el libro recojo numerosos estudios que demuestran el efecto positivo que tiene en los hijos un estilo educativo que sabe combinar la comprensión con la autoridad”.

           

            A Notícia:

             A ACI noticiou as recentes – e importantíssimas – modificações no que diz respeito ao poder de um bispo de reduzir um padre ao estado laical. Entre os principais esclarecimentos prestados pelo arcebispo D. Mauro Piacenza, secretário da Congregação para Clero e, conseqüentemente, colaborador de D. Cardeal Cláudio Hummes, destaco:

 

            As mudanças autorizadas pelo Papa Bento XVI permitirão aos bispos proceder com a redução ao estado laical nos casos não contemplados pelo direito canônico, como quando um sacerdote deixa o ministério por vontade própria, informa a seu bispo e cedo ou tarde solicita ao bispo a dispensa do compromisso do celibato.

            Outro caso é quando um sacerdote deixa o sacerdócio sem informar o bispo, contrai matrimônio civil e tem filhos, e não está interessado em solucionar sua situação canônica.

            “Nesses casos, pelo bem da Igreja e seu próprio bem”, explicou D. Piacenza, “o poder (de um bispo) para dar uma dispensa a um sacerdote se solicita como um ato de caridade, especialmente se tiver filhos, já que as crianças têm direito a um pai em boa posição com a Igreja”.  “Nestes casos, é o bispo quem deve tomar a iniciativa”, acrescentou o Arcebispo.

            Entretanto, esclareceu que não há nada “automático”, não há “automatismo no momento ou nos casos, cada caso deve ser examinado com cuidado e rigorosamente”.

             (…)

             Segundo a nova normativa, os bispos podem iniciar o procedimento para declarar a perda de estado clerical daqueles sacerdotes que “procuraram o matrimônio, inclusive só os direitos civis”, e que, depois da devida advertência não mudaram, e os sacerdotes “culpados de graves pecados públicos contra o sexto mandamento”.

             Finalmente, recordou que “celibato sacerdotal é um dom que a Igreja recebeu e quer preservar, mais convencida que nunca de que é bom para ela e o mundo”.

            

             Recomendação (1ª):      

            Uma conversa descontraída: assim foi a entrevista, realizada e publicada pela equipe de Zenit, com o bispo de Garanhuns (PE), D. Fernando Guimarães. Sua Excelência foi professor de língua portuguesa do papa João Paulo II! Entre as perguntas feitas por Zenit à D. Fernando, duas me chamaram a atenção:

 

– (…) o Papa dedicava muita atenção à realidade que visitava?

 

– Dom Fernando Guimarães: Sim. Isso me impressionou muito. Lembro-me de um episódio. Estávamos vindo do sul do Brasil para o nordeste –visitamos naquela viagem o país inteiro, do norte ao sul– e me lembro que fizemos uma escala técnica em Sergipe, porque o embaixador do Brasil junto à Santa Sé naquela época era natural de lá. Quando estávamos já com o avião baixando para aterrissar, eu recebi um aviso do monsenhor Stanislaw, dizendo que o Papa me chamava para ir a sua cabina.

            O Papa me disse: “Fernando, eu percebo que as casas dos pobres daqui não são iguais às que a gente viu no sul. Quais são as diferenças?” Do avião ele viu os mucambos do nordeste. No sul ele tinha visto as pequenas casas de madeira. Ele estava vendo pela primeira as casas de barro e de teto de palha. O Papa queria que eu explicasse como é que o pobre nordestino vivia. Eu, sendo nordestino, expliquei para ele. Até o pouso eu pude falar da situação de pobreza no nordeste. João Paulo II tinha uma sensibilidade enorme. Depois, no momento de fazer o pequeno discurso, ele saiu com umas improvisações. Disse: “Senhor, o teu povo passa fome”. Isso não estava no texto oficial. Era a reação dele à realidade que enxergava com os próprios olhos.

             – O Papa foi ágil em aprender o português?

             – Dom Fernando Guimarães: Sim. (…) No encontro privativo com os bispos, ao final da visita (a primeira viagem apostólica do papa ao Brasil, em 1980), tinham preparado que alguns bispos falassem, o que não estava previsto no programa. O Papa não tinha nenhum texto preparado para essa ocasião. Foram cinco ou seis intervenções em que os bispos manifestaram suas preocupações e anseios, com temas precisos e delicados. Eu estava no fundo da sala, ao lado de monsenhor Stanislaw, e indiquei que o Papa respondesse em algum idioma que ele dominava bem, como o espanhol, o francês, ou mesmo o italiano, que quase todos os bispos compreendem bem, dada a delicadeza dos temas.

            O Papa tinha pedido ao início papel e lápis para fazer anotações. Quando terminaram as intervenções, João Paulo II se levantou e disse em português: “os senhores vão compreender que eu não tenho condições de responder neste momento, mas, por favor, me dêem os textos por escrito que eu vou estudar com calma em Roma e darei as respostas. No entanto…” E aí começou, em português, uma reflexão séria, teológica, pastoral. Ponto por ponto, ele falou pouco mais de 20 minutos, sem um texto escrito. Apesar de vários ‘italianismos’ na estrutura, que não foram propriamente erros, se ele cometeu nesse tempo uns quatro ou cinco erros de português, isso foi muito. Erros que não atrapalharam em nada a compreensão do que ele estava dizendo. Quando ele terminou de falar, eu, do fundo da sala, pensava comigo: “meu Deus, estou vendo a realidade do Espírito Santo”.

 

            Recomendação (2ª):

             Um padre, chamado Inácio José, publicou um EXCELENTE artigo sobre a Teologia da Prosperidade. Foi a Catolicanet quem publicou. A primeira coisa que me chamou a atenção nesse artigo foi o título: “A herética teologia da prosperidade”. Até quem enfim alguém que põe os pontos nos is, alguém que dá nome aos bois! Heresia é heresia e ponto. Não se tem que ficar arrumando meio-termo com medo de constranger e desejo de exercer o “politicamente correto”.

            Aos que não sabem a Teologia da Prosperidade é o princípio da ganância protestante. É a institucionalização da barganha com Deus: “este mês eu dou 10% do meu dinheiro a Deus, e isso fará com que Deus me dê 110% no próximo mês” (ou seja: Deus me quer rico como o Tio Patinhas…); “A doença é obra do demônio. Logo, basta que eu me liberte dele, que ficarei curado” (Deus me quer sempre saudável, imortal como Peter Pan); etc. O raciocínio é sempre o mesmo: “Deus resolve tudo. Sofrer é para otários”. O problema dessa “teologia” – e o que a faz se tornar incompatível com a Doutrina Católica – é que a provação, a purificação pela via do sofrimento, a confiança filial (e não interesseira) na misericórdia de Deus, e o exercício da paciência na adversidade, passam longe da vivência cristã.

            Esta horrenda tese protestante foi, com maestria, combatida pelo Padre Inácio.  A ele os meus parabéns pela coragem, pela intrepidez, no anúncio do evangelho!

Recomendo fortemente a leitura deste artigo, na íntegra!

           

            Nota:

             Faz alguns dias, mas como eu ainda não havia publicado, aqui vai: a Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou a seguinte “Nota de dor e pesar aos parentes dos desaparecidos do vôo 447”:

         “A salvação dos justos vem do Senhor, é ele seu refúgio no tempo da desgraça” (Sl 36,39).

            Profundamente consternada, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil–CNBB manifesta sua dor e pesar pelas vítimas do acidente com o vôo 447 da companhia aérea Air France, ocorrido no domingo, 31 de maio. Com seus familiares e amigos, choramos o passamento de forma trágica e inesperada destes irmãos e irmãs, que confiamos a Deus a fim de que sejam acolhidos no seu Reino.

            Nesta hora em que o país é tomado de comoção por tão grande tragédia, conforte-nos a esperança que nasce da fé cristã. Consolem-nos as palavras do próprio Cristo que, solidário à dor e ao sofrimento de seu povo, nos convida a repousar nele nossa confiança: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso. Pois meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11, 28.30).

            Às autoridades competentes fazemos forte apelo para que apurem as causas de tão grave acidente e envidem todos os esforços possíveis para que tragédias como esta não se repitam. É mister, ainda, que aos familiares das vítimas seja garantida toda a assistência de que necessitarem. 

            Conclamamos toda a Igreja a se unir em preces ao Deus da vida em favor das vítimas do vôo 447 e que seus familiares encontrem em nossa solidariedade a força que os ajudará a superar as marcas deixadas por esta catástrofe.

Brasília, 3 de junho de 2009

 

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB