Arcebispo Emérito de Olinda e Recife
Carta de D. José Cardoso Sobrinho

Fonte: “Nascer é um Direito” (http://nascereumdireito.blogspot.com/2009/12/carta-de-dom-jose-cardoso-sobrinho.html)

Anúncios

            Para os que não tiveram acesso ou oportunidade de ler, reproduzo aqui um artigo de autoria do Prof. José Luiz Delgado, publicado no Jornal do Commercio há dois dias (01/09). A meu ver, o texto de Delgado expõe de maneira muito feliz quais as principais “forças atuantes” na Arquidiocese de Olinda e Recife, e quais as suas reais motivações. Leiam:

 

 Via dolorosa

Publicado em 01.09.2009

José Luiz Delgado

jlmdelgado@terra.com.br

 

             Do livro que Elcias Ferreira da Costa acaba de publicar, D. José Cardoso – a vitória da fé, o mínimo a dizer é que é impressionante. Pelo conjunto de informações que apresenta. Pela vasta, quase absolutamente completa, documentação. E mais ainda: como retrato dolorido da página que estivemos a viver nesta Arquidiocese de Olinda e Recife.

            Tensões, divergências, fricções terão sido talvez constantes na história da Igreja. Basta lembrar a crise do modernismo, condenado por sucessivos papas, sobretudo Pio IX e Pio X. Um modernismo latente teria sido contido, nos tempos de Pio XII, pela sabedoria e pela nitidez do grande papa. Pode ser que alguma coisa das tendências reprimidas se tenha soltado durante o formidável e recente Concílio. Em decorrência do qual, muitas “aberturas” se verificaram, e até chegaram a cardeal alguns dos teólogos antes “suspeitos”. Mas as tensões e divergências continuaram, falando-se, numa má terminologia, de divisão entre “progressistas” e “conservadores”.

            Em nenhum outro lugar, porém, as fricções terão atingido os extremos a que chegaram entre nós. Elcias Ferreira da Costa dá, desses extremos, a descrição exata, com documentos, escândalos, absurdos, que tanto horrorizaram o pequenino povo fiel. Leigos ilustres agredindo o bispo? Órgãos oficiais diocesanos voltando-se contra seu próprio superior? Até sacerdotes, pastores, detratando o pastor, no entanto aprovado por Roma? Insubordinando-se contra o arcebispo legítimo? Inventando uma igreja “nascida das bases”, de tal sorte que só valeriam – na Igreja católica?? – as opções tomadas por assembléias populares? O quadro, trágico, dantesco, evidencia somente o grau de decomposição do senso católico e do sentimento religioso que se instalou na arquidiocese antes do governo do bispo que acaba de se aposentar, após 24 anos de heroísmo e martírio.

            Quadro, é claro, instalado aqui à sombra de dom Helder, mas à revelia de dom Helder. Não era, de forma alguma lição de dom Helder, mas foi infelizmente a mentalidade que se engendrou sob seu pastoreio. Veja-se episódio ao mesmo tempo edificante e expressivo da alma católica do famoso arcebispo, que leio numa de suas circulares conciliares. Não saindo vitorioso certo ponto de vista, numa das primeiras votações do Concílio, seus defensores ficaram cabisbaixos e arrasados. E assim continuavam, ao se reunirem em seguida, quando justamente dom Helder levantou o ânimo de todos provocando-os com indagação esplendidamente católica: “Que história é esta de proclamar que o Espírito Santo dirige o Concílio só quando tudo corre do nosso agrado?” Essa docilidade a Deus, e, portanto, à Igreja, era a marca do ser mais profundo de Dom Helder – jamais a subversão que se alojou aqui e iria explodir contra o seu sucessor.

            Se dom Cardoso tiver conseguido conter, ou ao menos substancialmente reduzir, aquela mentalidade de autonomia, de desconhecimento e até afronta à autoridade diocesana, não apenas de eventuais divergências silenciosas e respeitosas, mas agressões virulentas, primeiro pressões para revogar as determinações do bispo, depois acintes e injúrias para afastá-lo da diocese, – se Dom Cardoso tiver conseguido recompor o catolicismo nestas terras, terá aplainado magnificamente o caminho para que Dom Fernando possa exercer o seu múnus episcopal da forma tranquila e feliz como todos esperamos. Ou seja, no autêntico espírito de Dom Helder, que nunca foi o de achar que a Igreja só estaria certa quando adotasse minhas opiniões e meus caprichos individuais.

  

» José Luiz Delgado é professor universitário

Caríssimos,

Publiquei na página “Encontros” (localizada na barra lateral deste blog) o áudio de uma entrevista que me foi concedida por um dos membros do Movimento Igreja Nova. É curiosa a postura deles… Vão lá. Ouçam e comentem!

  

            Curioso e intrometido – como sempre – lá estou eu na cerimônia na qual D. Antônio Fernando Saburido, OSB, tomou posse como Arcebispo de Olinda e Recife, sucedendo a D. José Cardoso Sobrinho, O.Carm., até então administrador apostólico e doravante Arcebispo emérito. Eu estava lá como fiel desta arquidiocese (e, portanto, súdito de D. Fernando), mas também como blogueiro para tentar cobrir – catolicamente – a íntegra deste grande acontecimento da vida da Arquidiocese. Então, vamos aos fatos:

 

            Por volta das 14 horas chego eu a Igreja da Madre de Deus. Esta portentosa Igreja – recém reformada e reaberta ao público – foi o local escolhido para acolher o clero, a imprensa, as autoridades civis e os enxeridos (eu) durante a cerimônia de posse. Esta cerimônia, é bom que se registre desde já, não tem caráter litúrgico, mas apenas administrativo e protocolar. Apesar disso, tem a sua beleza e simbolismo próprios.

            Na parte exterior da Igreja, fiéis [não tão penetras quanto eu ;)] queriam a todo custo entrar para assistir à cerimônia. Infelizmente a maioria não pôde ingressar no recinto porque a prioridade era acomodar o clero (tanto o clero local como o vindo das dioceses sufragâneas e de outras localidades), ceder um espaço para os equipamentos da imprensa (já que estes ocupam mais espaço que os repórteres em si) e reservar os lugares das autoridades civis e militares (mesmo que algumas dessas nunca aparecem na Igreja, num momento como esses também eles merecem uma colher-de-chá).

            Dentro da Madre de Deus uma verdadeira salada de hábitos: havia religioso de tudo quanto era congregação: Redentoristas, Dehonianos, Franciscanos (tanto conventuais como capuchinhos), Carmelitas (confrades de D. José), Beneditinos (confrades de D. Fernando), Salesianos, Oblatos de Maria Imaculada, Jesuítas, etc. Isso sem contar com os inúmeros padres diocesanos que, com suas batinas pretas, circulavam pelo interior da Igreja revendo os amigos sacerdotes e aproveitando para pôr a conversa em dia. Também estavam presentes os arautos do evangelho, diversas congregações religiosas femininas, algumas “novas comunidades” (com destaque para a Comunidade Shalom e para a Obra de Maria – esta última representada na pessoa de seu fundador Gilberto Gomes Barbosa) e também aquelas três comunidades que – em virtude do hábito que usam – sempre me deixam confuso (nunca sei quem é quem): a Toca de Assis, a Comunidade Caminho e a Arca de Maria. Enfim, todo mundo estava lá… Inclusive o pessoal da “Igreja Nova” – que teve a audácia de levar um boneco gigante de D. Hélder e posiciona-lo na frente da Igreja da Madre de Deus. Fizeram isto com uma dupla intenção: a de sempre (afrontar D. José e tentar colocá-lo em contraposição a D. Hélder) e a mais recente (exprimir o seu desejo de que D. Fernando se torne um novo D. Hélder). Pense num povinho petulante!

            Ao chegar, cada padre se paramentava e – se ia ajudar a distribuir a Sagrada Comunhão durante a missa – recebia um folheto com recomendações e orientações sobre como proceder durante a distribuição da comunhão aos fiéis. À equipe de liturgia, diga-se de passagem, nota dez em organização.

            Pude identificar – não sem a ajuda de alguns padres amigos – algumas figuras ilustres e curiosas que eu só conhecia de nome e por foto, entre as quais destaco duas: D. Clemente Isnard (o homem responsável pela implementação da reforma litúrgica no Brasil) e D. Dimas Lara Barbosa (secretário geral da CNBB).  Daria um doce para ter “dois dedin de prosa” com eles… mas, infelizmente, não foi possível.

            Entre as autoridades civis estavam: o governador do Estado de Pernambuco, Eduardo Campos; o governador do Estado do Ceará, Cid Gomes; o senador Marco Maciel; o prefeito da cidade do Recife, João da Costa; o vereador Josenildo Sinésio, entre outros.

            As autoridades militares não foram citadas nominalmente, mas a julgar pelos uniformes, fizeram-se presentes representantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.

            A ordem de chegada das três figuras centrais da cerimônia foi a seguinte: primeiro D. José, depois D. Lorenzo, e por último – como era esperado – D. Fernando. Com Pe. Josenildo, OMI, fazendo os comentários da cerimônia (depois também na Missa ele foi o comentarista), entraram, os três, na Igreja ao som de “Vós sois meu Pastor, ó Senhor / Nada me faltará se me conduzis”, cantada pelo Coral Boa Vista – sob a regência do famoso Pe. Sílvio Milanez.

            Pe. Paulo Sérgio e Pe. Maurício Diniz atuaram como cerimoniários.

            Significativo, bonito e profundo foi o gesto de adoração feito quando chegaram ao presbitério D. Lorenzo, D. José e D. Fernando: ali, de joelhos, se colocam inteiramente nas mãos de Deus; ali, diante de Quem os chamou, tomam consciência da grandeza e da responsabilidade que assumiram perante a Igreja e perante o povo de Deus; ali, diante do Sacrário, adoram Aquele que é a razão de suas vidas e, portanto, a motivação da caminhada. Três bispos, três preces, três homens.

            Começaram então os pronunciamentos. Os principais podem ser ouvidos num link no final deste post. Apenas, gostaria de destacar que:

 

            Pe. Moisés Ferreira de Lima, como secretário do Colégio de Consultores da AOR, foi encarregado de apresentar ao Colégio de Consultores a bula papal com a nomeação de D. Fernando Saburido como Arcebispo Metropolitano de Olinda e Recife. Após a apresentação da bula Pe. Moisés leu o texto deste mesmo documento para todos os presentes. Detalhe: a bula foi lida primeiro em latim, depois em português.

            Mons. Edvaldo Bezerra da Silva, foi incumbido da tarefa de – em nome do clero local – dizer algumas palavras de acolhida ao novo arcebispo.  Com o estilo dos “jesuítas de outrora”, Mons. Edvaldo abrilhantou a cerimônia esbanjando latim, dizendo o essencial com graça e verdade, e concluindo de forma brilhante o seu discurso com as seguintes palavras: “Ao senhor, D. Fernando, quero dizer apenas três palavras: parabéns, preces e palmas”. A esta discreta admoestação a assembléia não resistiu e, de fato, aplaudiu – tanto o novo arcebispo, quanto o velho monsenhor.

           

            Após os pronunciamentos iniciais, outro gesto significativo e tradicional marcou o desenrolar da cerimônia: a entrega do Báculo (que outrora pertenceu ao Servo de Deus D. Vital) a D. Fernando Saburido. D. Lorenzo e D. José fizeram-lhe o repasse do Santo Cajado. O novo arcebispo beijo com grande devoção o Báculo – símbolo do múnus episcopal – e o empunhou pela primeira vez como Metropolita de Olinda e Recife. Em seguida, foi conduzido pelo Núncio Apostólico até a cátedra donde há de governar os mais de 1 milhão de católicos espalhados nas 100 paróquias desta Arquidiocese. Se o Báculo é pesado, mais pesada é a responsabilidade a ele vinculada…

            Enfim, por ora é só o que tenho a comentar. Estou física e mentalmente cansado.

            Jorge deve escrever, no Deus lo vult! com mais maestria, detalhes e poesia que eu algo sobre estes mesmo acontecimentos. Acompanhem!

 

            A título de curiosidade: tentei entrevistar ainda o Pe. Reinaldo, ex-pároco da Matriz da Soledade. Ele, porém, se recusou. Eu já havia notado que ele estava meio arredio. Seria medo de falar bobagem (como ele, muitas vezes, fez)? Talvez. É compreensível. Depois de, durante uma missa, ter desrespeitado profundamente D. José, Pe. Reinaldo sumiu da arquidiocese com a promessa de que voltaria tão logo D. José “passasse”… A cerimônia de posse do novo Arcebispo foi, portanto, a ocasião oportuna escolhida pelo Revmo. Pe. Reinaldo para retornar e, assim, cumprir a sua promessa.  Voltou com uma mansidão e prudência nunca antes vistas fazendo-se passar por clérigo obediente. Ele deve ter esperanças – como tantos outros que foram afastados por D. José – de que D. Fernando os acolha de volta. Espero em Deus que isso não aconteça sem, pelo menos, uma cerimônia de retratação pública. Na verdade, eu sou mais ousado: espero que Nosso Senhor cumpra sua promessa de esmagar os inimigos da Igreja, espero que São Miguel Arcanjo e todo o exército celeste… Bom, deixa pra lá. 

            Ao final da cerimônia, o chanceler da Arquidiocese, Pe. Cícero Ferreira de Paula, leu a Ata da Posse – com o resumo dos acontecimentos.

 

            Aqui neste link podem ser encontrados os principais pronunciamentos da cerimônia de posse: a alocução inicial de D. José, a leitura da bula papal com a nomeação de D. Fernando e as palavras de D. Lorenzo Baldiseri, Núncio Apostólico no Brasil.

             Clique aqui para fazer o download da 1ª homilia (apenas o áudio) de D. Antônio Fernando Saburido, OSB, como Arcebispo Metropolitano de Olinda e Recife.

             Na página principal da Arquidiocese, seção de notícias, pode-se também encontrar a narrativa – ainda com cara de esboço – dos principais momentos da cerimônia de posse.

             Creio que foi alguém da diocese de Sobral, CE, que há pouco mais de uma semana, postou no Youtube este vídeo – feito em homenagem a D. Fernando Saburido. É um vídeo simples, curto e bem interessante – porque mescla momentos da atuação de D. Fernando como bispo de Sobral, com antigas fotos de Sua Excelência.

             Aqui neste link do Youtube é possível assistir a uma matéria – produzida pela TV Caiçara, de Sobral – sobre a nomeação de D. Fernando Saburido para esta nossa Arquidiocese de Olinda e Recife.

        

            Creio que ainda hoje, ou talvez amanhã, eu poste a três entrevistas que, com a graça de Deus consegui fazer: com Pe. Maurício Roberto Diniz Sousa (pároco de Moreno e cerimoniário da posse de D. Fernando), Mons. Romeu da Fonte (ex-vigário geral de D. José), e D. Antônio Muniz, O. Carm. (arcebispo de Maceió). Fotos também virão a posteriori. Me aguardem 😉

             Foi com imensa alegria que recebi a notícia de ter sido condecorado com a recepção do “Selo Dom José de Ortodoxia Católica” (vide lateral). A premiação – que partiu do Apostolado Veritatis Splendor – tem por objetivo destacar, entre os diversos blogs que compõem a blogosfera católica, aqueles que promoveram sobremaneira a “defesa da fé católica, não abrindo mão de o fazer mesmo em face de críticas”.

            A referência a D. José Cardoso Sobrinho decorre do exemplo de ortodoxia que S. Excª Revmª nos deu durante todo o tempo em que ocupou a cátedra de Olinda e Recife. A defesa intransigente da Verdade e da Fé – não obstante as inúmeras oposições e incompreensões – foi sempre a marca deste ilustre sucessor dos apóstolos.

            A idéia do Veritatis é que trimestralmente se possa fazer a indicação de outros blogs que primem por esta ortodoxia da Fé. Inicialmente, receberam a premiação: Wagner Moura (com O Possível e o Extraordinário), Jorge Ferraz (com o Deus lo vult!), e eu, com o Exsurge. Ao longo do tempo, porém, a idéia é que o número de blogs considerados ortodoxos aumente. Para isso, faz-se necessário que os internautas encaminhem sugestões indicando outros blogs à recepção do Selo.

            Registro, enfim, minha gratidão à equipe do Veritatis Splendor e reforço meu pedido de oração em favor da minha pessoa e do meu apostolado através do blog. Que Deus lhe pague e nos abençoe a todos! 

 

 

            No último dia 1º de Agosto ocorreu, na Matriz da Imbiribeira, em Recife, o encerramento da festa de São Cristóvão, co-padroeiro daquela paróquia. A convite do pároco – Pe. Nildo Leal de Sá – D. José Cardoso Sobrinho, O. Carm., presidiu a Solene Eucaristia que marcou a conclusão da festa. Entretanto, além de participar da celebração eucarística, os paroquianos (liderados por Padre Nildo), prestaram um “fervoroso preito de gratidão” à S. Excª. Revmª. Foi uma forma de despedir-se daquele que por mais de 24 anos esteve à frente da Arquidiocese de Olinda e Recife. Gentilmente me foi encaminhado o belíssimo texto do discurso que Pe. Nildo proferiu em homenagem a D. José. Ei-lo:

 

Bonum certamen certavi,

cursum consumavi,

fidem servavi”

 -Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé – (2 Tm 4,6)

 

Excelência Reverendíssima,

 

             Ao se encerrar solenemente a festa de São Cristóvão, co-padroeiro desta paróquia da Imbiribeira, nesta Santa Missa na qual se renovou, de forma incruenta, o Sacrifício Redentor da Cruz, quero, em meu próprio nome e no de todos os meus paroquianos, prestar a V. Excia. um fervoroso preito de gratidão, devoção filial e afeto, não só pelo fato de V. Excia. ter vindo celebrar a Divina Liturgia nesta festa patronal, mas, também, por ser esta uma celebração de despedida, tendo em vista que, dentro de duas semanas, V. Excia. estará entregando ao seu sucessor a cura pastoral desta Arquidiocese.

              As palavras do Apóstolo, a pouco citadas, parecem-me descrever um perfeito retrato destes mais de 24 anos em que V. Excia. esteve à frente da Arquidiocese de Olinda e Recife.

 

I. “Bonum certamen certavi…”

 

              De fato, quantas batalhas foram travadas ao longo desses anos…. Quantos ataques, injúrias e calúnias a V. Excia. Mas se tratou de um bom combate: o combate pela fé verdadeira, o combate para preservar os bons costumes, para formar um bom clero, para confirmar a todos na fé apostólica, para manter a unidade e a comunhão afetiva e efetiva com o Santo Padre, o Papa, Vigário de Cristo na terra. Em poucos palavras, o bom combate para guardar a fé católica, a fé da nossa Santa Igreja, sem a qual ninguém pode agradar a Deus e se salvar!

                Foi, certamente, um duro combate, mas frutuoso, porque ajudou-nos a todos a entender que, acima de tudo, o bispo, como pastor, deve buscar sempre cumprir a lei suprema da Igreja, que é a salvação das almas, ainda que isto implique incompreensões,   desafetos, perseguições. V. Excia. ensinou-nos que não se pode fugir à luta, porque os cristãos, e sobretudo os sacerdotes, são, ontologicamente, outros Cristos, que lutam, que combatem para salvar-se e salvar os outros da tirania do demônio e do pecado e alcançar o céu.

              Creio que as palavras ditas por Nosso Senhor, na noite da Quinta-feira Santa, dirigidas especialmente àqueles a quem Ele acabara de ordenar como os primeiros sacerdotes, foram de consolação para V. Excia nos momentos mais difíceis de sua espinhosa missão: “No mundo tereis muitas tribulações. Mas tende coragem: Eu venci o mundo” (Jo 16,33).

           “Ego vici mundum”… Sim, V. Excia. sai vitorioso como o Cristo Crucificado, como São Cristóvão, como os Santos Apóstolos e os mártires de todos os tempos, como o seu mais ilustre predecessor no sólio olindense, o glorioso Dom Vital. Aos olhos do mundo parecem ter sido derrotados, mas empunham a palma da vitória.

  

II. “Cursum consumavi…”

            

            Dom José, V. Excia. encerra a missão como Pastor desta Igreja Particular. Parte para um merecido repouso. Deixará saudades e frutos que, certamente, serão saboreados ainda daqui há muitos anos. Creio que esta nova etapa na vida de V. Excia. ainda será de grande proveito para muitos, por muito tempo. V. Excia. deixa de ser o Arcebispo Metropolitano de Olinda e Recife, mas continuará a ser padre e bispo, “in aeternum”. A nossa paróquia lhe agradece pela especial atenção dedicada a ela, ao criá-la há quase onze anos, e ao estar sempre presente conosco ao longo de todos esses anos, e deseja-lhe muitas felicidades.

 

III. “Fidem servavi”

 

               Excelência, “in obsequio Iesu Christi” (em obediência a Jesus Cristo) e por causa dessa obediência, a chama da fé resplandece em sua alma apostólica e ilumina a todos nós. Não é exagero de retórica: no céu, V. Excia. terá, certamente, um lugar privilegiado no coro dos confessores da fé  e dos mártires. Espontaneamente, vêm-me à mente as palavras de Nosso Senhor a São Pedro: “Simão, Simão, Satanás te pediu para joeirar-te como o trigo. Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça”. (Lc 22,31-32).

              As portas do inferno se escancararam contra V. Excia., de todos os lados, mas encontraram uma casa, ou melhor, uma fortaleza construída na rocha. A sua fé brilha, invicta. “Vicit Leo de Tribu Iuda”: Venceu o Leão da tribo de Judá. A vitória foi alcançada. V. Excia. guardou a fé, e essa fé venceu os seus inimigos, os inimigos de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Sua Santa Igreja Católica.

              Parabéns e obrigado, Dom José, amado pai e pastor! 

 

Recife, 10 de agosto de 2009

             Primeiro: O Wagner Moura indicou uma lista de “cinco trabalhos de D. José”. Penso que já temos a comprovação das virtudes heróicas…;)

 

            Segundo: Zenit publicou esta matéria sobre a questão das Testemunhas de Jeová e a rejeição do sangue. Trago aqui apenas o “caput” da notícia. Mas recomendo fortemente que – a título de instrução doutrinária – seja lido o parecer bíblico do Dr. Vicente Jana Vera. Depois de ler, duvido que alguém ainda se pergunte por que os membros desta seita rejeitam sangue.

 

Por Vicente Jara Vera

 

MADRI, domingo, 2 de agosto de 2009 (ZENIT.org).- Uma mulher de 61 anos, testemunha de Jeová, faleceu no sábado passado em Sevilha (Espanha), após ter sofrido um acidente de carro, porque em um documento de vontades antecipadas, rejeitava receber qualquer tipo de transfusão sanguínea devido às suas convicções religiosas.

Está baseada na Bíblia a proibição de comer ou receber sangue, inclusive por transfusão, ou de qualquer outra forma? A esta questão responde nesta análise Vicente Jara Vera, membro da Rede Ibero-americana de Estudo das Seitas (RIES), diretor do programa “Conheça as seitas”, emitido quinzenalmente pela Rádio Maria na Espanha.

 

             Terceiro: O Fratres in Unum publicou uma entrevista muito interessante com Dom Fellay, Superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. O bispo tem posições, eu diria, bastante temperamentais. Suas respostas são diretas e claras. Vale a pena ler na íntegra. Eis alguns trechos:

 

(…)

Q: O senhor considera que no Vaticano haja uma sensibilidade excessiva com relação às expectativas do mundo judeu, sobre o ‘caso Williamson’, bem como sobre a oração de sexta-feira santa?

R: Sim, eu acho. Eu mesmo fico embaraçado – exceto com o que aconteceu no caso de Dom Williamson – quando vejo judeus que se ocupam dos assuntos da Igreja Católica. Não é a sua religião. Deixem-nos em paz. São questões que dizem respeito à Igreja Católica. Se nós queremos rezar pelos judeus, rezaremos pelos judeus no modo que quisermos. Não sei se eles rezam por nós, mas diria que é um problema deles.

(…)

Q: E sobre o Concílio, o senhor aceitará fazer concessões a Roma?

R: Não devemos fazer qualquer concessão sobre o Concílio. Não tenho nenhuma intenção de fazer concessões. A verdade não suporta concessões. Não queremos um compromisso, queremos clareza sobre o Concílio.

(…)

Q: L’Osservatore Romano falou de Calvino, Michael Jackson, Harry Potter, Oscar Wilde. O que o senhor acha?

R: Eu me pergunto: é realmente o papel do L’Osservatore Romano se ocupar destas coisas?  Esta é uma primeira pergunta. E a segunda pergunta é: Aquilo que diz sobre essas pessoas é realmente a coisa justa? Tenho um olhar bastante crítico sobre estas apresentações.

(…)

Q: O que pensa de Bento XVI?

R: É uma pessoa íntegra, que toma a situação e a vida da Igreja muito seriamente.