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Cheguei há pouco do cinema da Fundação Joaquim Nabuco.  Fui assistir a “Homens e Deuses” (no original francês: “Des hommes et des dieux”, de Xavier Beauvois), um filme da academia francesa que me foi recomendado por muitos amigos – de cujo bom gosto, eu não tenho dúvidas -, e que tem recebido elogios mil por parte de “cinéfilos profissionais”. Não tenham receiam de ler este post porque eu não pretendo ser desagradável contando o final do filme, nem quaisquer detalhes que lhes furtem a emoção causada pela surpresa 😉 Ninguém merece um comentarista “dedo-duro”.

Em linhas gerais, posso dizer que o filme é espetacular. Trata da vida de um grupo de monges cistercienses de origem francesa em um vilarejo da Argélia. Estes religiosos são obrigados – pela situação política e militar da região – a conviver com a violência perpetrada por terroristas muçulmanos, e combatida de modo também violento pelo exército argelino. Antes que alguém pergunte: sim, o filme é baseado em fatos reais.

É interessante notar, desde o início do filme, como o papel deste pequeno grupo de homens (apenas 8!) foi importante para aquela vila da Argélia. Perseguidos por governistas e por terroristas, estes homens contavam apenas com um apoio e com um estímulo: o apoio vinha de Deus; e o estímulo, do povo – muçulmano! – que já não mais se imaginava sem a companhia e a colaboração que aqueles homens de hábito prestavam aos que deles necessitavam. O povo, apesar de não professar a mesma fé que eles, os queria por perto. Afinal, eles haviam ajudado a construir aquele vilarejo. Ao perceber isto em determinada cena do filme, lembrei-me imediatamente do trabalho do Dr. Thomas E. Woods, que mostra como a Igreja construiu a civilização ocidental moderna. Ouso ir além do trabalho do Dr. Thomas, dizendo que sim, ainda hoje, a Igreja continua a construir civilizações. E embora haja críticas ácidas por parte daqueles que estão fora da Igreja (e que, nas mais das vezes, nada fazem em prol de quem quer que seja), as pessoas simples – reais beneficiárias da ação da Igreja – reconhecem o quanto o trabalho dos cristãos é importante, valioso e, nalguns casos, insubstituível. Como diz a célebre Carta a Diogneto, “o que é a alma no corpo, são os cristãos no mundo”.

Ao contrário do que se pode pensar em um primeiro momento, a película não enseja dar aos monges um aspecto de “santos de altar”: eles são apresentados com os seus medos, as suas dificuldades, as suas dúvidas e impaciências. Os monges aparecem exercendo aquela santidade na vida cotidiana, da qual tanto falou São Josemaria Escrivá. Em meio às tarefas de cada dia (como arar a terra, semear, coletar mel das abelhas, ir à feira, rezar juntos, etc) podia-se vislumbra a vida simples – mas jamais medíocre! -, e profundamente evangélica, que estes homens levaram. Gostei particularmente disso: o que se retratou em “Homens e Deuses” não foi uma visão romantizada do martírio, não foi uma santidade de panegíricos, não foi um heroísmo fabricado. Não. O realismo desta obra não é poético, não é artístico, não é fictício. É apenas transparente, desiludido, sincero.

Antes que os “vigilantes do preconceito” me inquiram, digo logo:  não há neste filme nenhum vestígio de preconceito para com o Islã. Deixa-se claro, por uma questão de justiça, que a brutalidade de alguns atos decorre dos excessos cometidos por alguns muçulmanos. Fica igualmente evidente, contudo, que estes ‘alguns’, lamentavelmente, conseguem causar danos enormes.

Ademais, como não falar que salta aos olhos a noção de fraternidade destes monges! A unidade deles na oração, a busca pelo silêncio [e pela companhia dos irmãos, quando acham por bem buscá-la], a intimidade com Deus, o bom humor apesar das dificuldades, a coragem, a fidelidade, o dom de si: tudo isso eles vivenciam com uma naturalidade admirável. Em alguns momentos tiveram que tomar decisões difíceis, é verdade. Mas a lucidez das opções que fizeram era fruto da luz de Cristo – que neles resplandecia de maneira particularíssima. Também isto chama a atenção no filme.

Bem, talvez eu já tenha falado demais. Por isso vou encerrando por aqui. Os que tiverem a oportunidade de assistir a este filme, façam-no sem demora e sem receio. Aqueles que não puderem vê-lo na tela grande das salas de cinema, onde ele ainda esteja sendo exibido, busquem por outros meios ter acesso a esta magnífica obra da sétima arte. Aos que estão em Recife, sugiro que confiram os horários das sessões no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco clicando aqui. O filme, só para lhes motivar mais a assistir, ganhou o Prêmio do Júri Ecumênico do Festival de Cannes, em 2010 🙂

Como eu já havia replicado aqui, o IPCO organizou uma palestra com o bispo de Guarulhos, S. Excª Revmª, D. Luiz Gonzaga Bergonzini, sobre “a cultura da vida contra a cultura da morte”. A palestra aconteceu no Colégio e Faculdade São Bento, em São Paulo, e foi transmitida ao vivo pela internet. A qualidade do trabalho feito pelo pessoal do IPCO no que tange à transmissão ao vivo pela internet é digna de menção: realmente excelente!

Um amigo me indicou o link do Justin.tv – através do qual pude assistir à palestra e ainda participar de um chat direto com a equipe que fez a cobertura do evento. Foi desse chat que surgiram algumas das perguntas feitas a D. Bergonzini ao final do seu pronunciamento.

A palestra estava marcada para iniciar às 19h30min. Entretanto, eu só comecei a assistir às 19h50min. Com um sotaque paulista bem carregado, mas com voz firme e clara, o Leão de Guarulhos fez uma magnífica alocução, da qual penso que valha realmente à pena ressaltar alguns pontos.

Antes de mais nada, registre-se que alguns nomes de relevo no panorama da defesa da vida e da família no Brasil estavam presentes à palestra de D. Bergonzini: a Drª Alice Teixeira, médica, doutora em biologia molecular, e professora do Departamento de Biofísica na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); o coronel e deputado federal pelo estado de São Paulo, Paes de Lira; o professor Felipe Néri, um dos diretores do Colégio e Faculdade  São Bento e ativista pró-vida; e muitos outros nomes importantes que têm se empenhado em talhar a cultura da vida no Brasil em oposição à cultura da morte que tenta se instalar no seio da nossa sociedade. Alguns movimentos, comunidades e outros organismos da Igreja também se fizeram presentes no evento. A Comunidade Católica Greco-Melquita Theotokos, por exemplo, estava lá; assim como – é óbvio – representantes do Instituto Plínio Correia de Oliveira e do Movimento Brasil sem Aborto. Diversos seminaristas, padres e religiosos também marcaram presença.

Após uma breve reflexão sobre o “dar a César, o que é de César; e a Deus, o que é de Deus” (cf.) – passagem que foi tema do apelo que o insigne prelado dirigiu aos padres, religiosos e fiéis da diocese de Guarulhos, quando das eleições presidenciais de 2010 – D. Bergonzini fez uma importante reflexão sobre o sentido da política. Ele recordou que o conceito de “política”, em si mesmo, está vinculado à “promoção do bem comum”. Este é o sentido autêntico de “fazer política”. Isto, porém – recordou ele – nada tem a ver com política partidária, a qual almeja simplesmente o bem do partido por meio da divulgação de suas ideias e defesa de seus interesses. Com voz firme, falou: “Como cidadão, tenho o direito de fazer política. Como bispo, tenho o dever de fazer política. O chefe do nosso partido é Jesus Cristo e a nossa lei é o Evangelho!”.

Um pouco de leve, o bispo teceu críticas à presidente Dilma Rousseff a qual, no interregno de tempo entre o primeiro e o segundo turnos das eleições de 2010, esteve na Basílica de Aparecida mas não soube fazer direito o sinal da cruz, nem muito menos rezar com o terço que lhe fora dado… Justas e merecidas as críticas do bispo a alguém que por pura manobra política tentou pateticamente manifestar uma religiosidade que nunca teve, nem tem.

O bispo tratou ainda de estupro, excomunhão decorrente de realização, participação ou colaboração com a prática do aborto, bem como de uma porção de temas correlatos e transversais a estes assuntos. Muito oportuna foi a distinção por ele feita entre “gravidez indesejada” (aquela que é decorrente de uma relação sexual não consentida por uma das partes) e “gravidez inesperada” (decorrente de uma relação sexual consentida, mas inconseqüente, isto é, uma relação na qual o prazer era a finalidade única e absoluta, de modo que negligenciou-se os efeitos naturais que podem decorrer do ato sexual). O bispo apresentou uma estatística segundo a qual 80% das mulheres estupradas que engravidam não desejam abortar.

Recordando o recolhimento ilegal dos folhetos assinados pelos bispos do regional Sul 1 da CNBB por ocasião das eleições presidenciais do ano passado. D. Bergonzini disse: “Se eu não tivesse colocado o nome da Dilma, [os folhetos] não teriam surtido o efeito que surtiram. É preciso mostrar onde está a verdade e onde está o erro. Por isso resolvi dar nome aos bois”. Reafirmando a declaração que já havia feito na entrevista  concedida à Valor Econômico [a qual foi publicada no Fratres in Unum] D. Bergonizini afirma categoricamente: “não tenho partido político”.

Falando em CNBB, para a infelicidade de alguns colegialistas-corporativistas-ceenebebistas, D. Luiz Gonzaga reiterou que o múnus de ensinar [que compete, de maneira especial e mais grave aos bispos em particular] implica lecionar para os fieis não apenas a fé, mas tudo aquilo que se relaciona com ela: “A CNBB não tem autoridade sobre um bispo diocesano”, disse ele, ajuntando que ela é apenas um órgão subsidiário de consulta e esclarecimentos. Lamentou que alguns presbíteros, religiosos, e mesmo irmãos no episcopado não concordem com “opinião” dele. E, com franqueza, admitiu não saber o que tais pessoas dirão a Deus a este respeito no dia do Juízo… Para o ódio dos relativistas, S. Excª. disse: “Politicamente correto é ‘sim, sim; não, não’. Não existem meias-verdades, como não existe algo que seja branco e preto ao mesmo tempo”.

Terminada a alocução de D. Bergonzini, abriu-se espaço para as perguntas que os presentes haviam feito e entregue à organização do evento. Também os internautas puderam elaborar questões e enviar via chat para o bispo responder. Não fiz nenhuma pergunta. Mas mandei uma mensagem de apoio representando os fieis da arquidiocese de Olinda e Recife a manifestando a nossa proximidade a este tão grande sucessor dos apóstolos. A breve mensagem foi lida e os aplausos soaram no auditório quando lido o nome de D. José Cardoso Sobrinho, arcebispo emérito da nossa arquidiocese e ardoroso defensor da Vida.

D. Bergonzini respondeu à perguntas sobre o PLC 122/06, sobre o laicismo do Estado e sobre uma série de temas complexos que, doa a quem doer, precisam ser abordados uma vez que estão “no olho do furacão” em termos de defesa da vida e da família no Brasil. O prelado esquivou-se, muito prudentemente, de entrar em detalhes sobre a omissão da CNBB em algumas discussões de relevo no plano nacional.

A palestra encerrou-se com a ave-maria e a benção dada por S. Excª Revmª D. Luiz Gonzaga Bergonzini. Após isso, todos [exceto nós, que estávamos do lado de cá da tela] participaram de um coffee breake oferecido pela organização do evento.

p.s.: Em breve,quando o vídeo estiver no Youtube, farei questão de reproduzi-lo aqui na íntegra.

 

Hoje eu recebi um e-mail que – a julgar pelo título – pensei se tratar de mais uma dessas leviandades que circulam na internet e que caem de pára-quedas na nossa caixa de entrada. O título da mensagem era: “Igreja Católica aceita livro psicografado de D. Hélder Câmara”. Incrédulo em relação à manchete estapafúrdia, pus-me a vasculhar se a tal obra “psicografada” existia mesmo. E, para minha surpresa, ela existe:

Aliás, embora eu não saiba precisar de quando é a primeira edição, vi que este livro já está no mercado há pelo menos 2 anos. Contudo, dado que algumas pessoas ainda andam confusas por causa dele, creio que seja válido tecer alguns comentários. Façamo-lo.

Segundo o e-mail – que recebi de um amigo – o resumo da história é o seguinte:

 […] foi lançado no mercado cultural um livro mediúnico trazendo as reflexões de um padre depois da morte, atribuído, justamente, ao Espírito Dom Helder Câmara, bispo católico, arcebispo emérito de Olinda e Recife, desencarnado no dia 28 de agosto de 1999, em Recife (PE).

O livro psicografado pelo médium Carlos Pereira, da Sociedade Espírita Ermance Dufaux, de Belo Horizonte, causou muita surpresa no meio espírita e grande polêmica entre os católicos. O que causou mais espanto entre todos foi a participação de Marcelo Barros, monge beneditino e teólogo, que durante nove anos foi secretário de Dom Helder Câmara, para a relação ecumênica com as igrejas cristãs e as outras religiões.

E o e-mail continua. Não o transcreverei completamente aqui porque, além de extenso, julgo que seja desnecessário divulgar os excertos – para lá de toscos – da infeliz obra. Ainda segundo o e-mail que recebi, em algumas passagens do livro – por exemplo – D. Hélder afirma, através do médium Carlos Pereira, que a Igreja Católica cedo ou tarde teria que admitir a comunicação entre os mortos; reporta, ainda, que teve – em vida – algumas “experiências íntimas espirituais”; e conta que são muitos os padres que desejam se comunicar com o mundo dos vivos através da chamada “escrita mediúnica”. Bobagens mil… Bem, prescindindo destes detalhes inúteis e absurdos, passemos a comentar algumas coisas que, a meu ver, devem ficar bem claras em meio a toda essa história maluca:

i) Além de Marcelo Barros (que com esta sua atitude em nada me surpreende dado o seu histórico de desserviço à Igreja), outras figuras são mencionadas como sendo “pessoas ligadas à Igreja Católica”. São elas: o filósofo e teólogo, Inácio Strieder; e a historiadora Jordana Gonçalves Leão. Você não os conhece? Nem eu! Menos mal: se são pouco conhecidos, presume-se que causarão pouco escândalo.

ii) Marcelo Barros não representa a voz da Igreja. Nem da Igreja particular de Olinda e Recife (cujo Pastor é o Exmo. Revmo. D. Antônio Fernando Saburido) e muito menos da Igreja Universal, cujo governo foi confiado ao Sumo Pontífice, o Papa Bento XVI, gloriosamente reinante. Lamentavelmente, a voz de Marcelo Barros quase sempre ressoa em sentido contrário a tudo o que a Igreja anuncia e defende. Ele faz parte daquela tríade satânica apelidada de “BBB” (Frei Betto, Leonardo Boff e Marcelo Barros) cujo único objetivo parece ser o de minar a Igreja por dentro, como lobos em pele de cordeiro. Aliás, há algum tempo o arcebispo, D. Saburido, havia confiado a Barros a responsabilidade pela comissão arquidiocesana para o ecumenismo e o diálogo inter-religioso (!). Em uma rápida pesquisa no site da AOR, vi que – ao que parece – ele não ocupa mais esse cargo, tendo sido nomeado para o seu lugar o Fr. Tito Figuerôa, OC. Deo gratias!

 

iii) O magistério da Igreja é bastante claro com relação a inaceitabilidade da doutrina espírita – por total incompatibilidade com a fé cristã. Diz o Catecismo da Igreja Católica (grifos meus):

O espiritismo implica freqüentemente práticas de adivinhação ou de magia. Por isso a Igreja adverte os fiéis a evitá-lo (Parágrafo 2117)

§1013 A morte é o fim da peregrinação terrestre do homem, do tempo de graça e de misericórdia que Deus lhe oferece para realizar sua vida terrestre segundo o projeto divino e para decidir seu destino último. Quando tiver terminado o único curso de nossa vida terrestre, não voltaremos mais a outras vidas terrestres. “Os homens devem morrer uma só vez” (Hb 9,27). Não existe “reencarnação” depois da morte (Parágrafo 1013).

Portanto, atenção! Se forem à alguma dessas livrarias que se dizem católicas – do tipo Paulus, Paulinas, et catervae encontrarem essa obra (sim, a insensatez das livrarias e editoras é tamanha que elas são capazes de colocar na prateleira este tipo de fábula), não se iludam: trata-se de obra de cunho espírita e portanto: falsa, não cristã e anti-católica.

Para saber mais sobre a incompatibilidade da doutrina espírita com a doutrina católica, leia isto e assista isso.

"Antes te houvessem roto na batalha, que servires a um povo de mortalha!"

Daqui a 2 semanas (para ser mais exato: no dia 26 de junho) ocorrerá a 15ª Parada Gay de São PauloO R7 publicou esta semana a seguinte manchete: “Parada Gay vai comemorar 15 anos em São Paulo com valsa para 1 milhão de casais homossexuais”. A Parada (bizarra de per si) deste ano pretende “causar impacto”  com dois tipos de atitude:

I) A promoção do esdrúxulo;

Promover o esdrúxulo (i.e.: algo escandalosamente inusitado) é muito comum entre os ativistas gays. O desejo de ser sempre diferente, segundo todos os psicólogos não-gayzistas, configura uma enorme carência afetiva. É a marca registrada desse pessoal. Dessa vez, a “escolha diferente” foi idealizada com a pretensão de bater o recorde do “maior número de casais gays dançando valsa” (!). Eu, sinceramente, não quis nem investigar de quem era o recorde anterior (se é que existe)…

Em 1913, o imperador alemão Guilherme II proibiu que os seus oficiais dançassem tango. Oxalá a nossa ditadora, a Dilma, tivesse a coragem de proibir que os oficias da indecência bailassem ao som de um outro alemão, Richard Strauss, o compositor de Danúbio Azul, que foi a valsa escolhida pela organização da Parada.

II) A afronta aos cristãos.

Pasmem, senhores: o tema da Parada este ano é “Amai-vos uns aos outros: basta de homofobia!”. Aplicar o princípio fundamental do Evangelho, pervertendo o seu sentido, para sedimentar as convicções imorais e amorais da ideologia gay é calhordice sem limites. Essa malfadada tentativa de “catequese” causou polêmica até entre as próprias lideranças do movimento gayzista (!). Alguns desses líderes acham que não “pega bem” usar os termos do inimigo para defender a própria causa. Um sujeito chamado Caio Varela, ativista LGBT e assessor parlamentar, chega ao ponto de dizer:

“Que equívoco! A maior Parada do mundo cede a este apelo religioso que tanto destrói a sociedade. Precisamos de revolução e não de contenção, de atos pudicos! F***-se o cristianismo! Tomemos a rua para exigir direitos. Não quero que nenhum hipócrita homofóbico venha a me amar. Amor está ligado ao privado. Uma nação não garante direitos aos seus cidadãos por amor. 14 anos de luta pra isso? Dessa Parada, eu estou fora!”. 

Uma declaração emblemática, eu diria. Primeiro ele destaca que esse “apelo religioso” ( o “amai-vos uns aos outros”) **destrói a sociedade**. Depois ele manda o cristianismo às favas com os termos chulos que, provavelmente, advêm daquilo que está dentro dele mesmo. Afinal, a boca fala daquilo que o coração está cheio ( cf. Lc, 6, 45) . E, por fim, mas não menos importante, ele anuncia a base do catecismo gayzista: “Amor está ligado ao privado”, diz ele.  Eu acho ótimo quando algum estúpido imprudente faz este tipo de declaração: não é necessário explicar nada. Tudo está dito de maneira muito clara e, portanto, sem as suavizações que fazem com que muitos queiram tornar aceitável o que, por si mesmo, é inaceitável.

Isto posto, passemos agora a um outro tipo de reflexão (mais “encarnada“,  diriam os TL’s): segundo a própria matéria do R7, o custo do evento está estimado em cerca de 2,2 milhões de reais. Sinta só como alguns zeros fazem diferença: R$2.200.000,00. Percebeu o quanto é caro?  Pior: 1 milhão (R$ 1.000.000,00) deve sair dos cofres municipais. Dir-me-ão os capitalistas: mas o turismo gay (digo, LGBT) vai gerar muito mais que isso. É verdade. Permitam-me, entretanto, fazer apenas alguns questionamentos: é lícito ganhar dinheiro promovendo a imoralidade? A prostituição dos valores não é tão grave (ou até mais grave) que a do próprio corpo? E para quem irá o lucro da Parada? Para os mendigos que vivem jogados na ruas e praças da capital paulista? Para tentar recuperar os drogados que frequentam a Cracolândia? Será?

Fica a reflexão.

Vejam só como uma coisa leva à outra…

Não sei por que cargas d’água mas o “pedido de demissão” do PTralha Antonio Palocci parece ter conferido a ele uma auréola de retidão, ombridade, e tudo o mais que nele inexiste em ato. De repente, o Tio Patinhos do PT se travestiu de São Dimas, o “Bom Ladrão”. É Brasil, relevemos. Bem, lendo algumas coisas sobre este assunto, deparo-me – sem querer – com um tweet da Marta Suplicy (a atual madrinha da ideologia gayzista no Senado) lamentando a saída do companheiro:

Esta mesma cantiga de lamento já havia sido cantada pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão, na Nota Oficial publicada no site do partido poucos minutos antes do tweet da ministra. Acontece que, como disse no início deste post, uma coisa leva à outra… Enquanto eu navegava pelo perfil da ministra, o Twitter me sugeriu seguir um perfil correlato chamado SomosLGBT. Até aí, nada demais. Quem é que não sabe que a ministra gosta de uma sopa de letrinhas? Curioso como sou, fui ver o tal perfil gayzista. E eis que me deparo com a seguinte notícia (que foi um tweet de SomosLGBT): TCU vai verificar possível desperdício com kit anti-homofobia. A manchete havia sido publicada originalmente no Terra.

Ora, ora, em um primeiro momento eu disse a mim mesmo: “até que enfim alguém reconheceu que é um enorme desperdício de dinheiro público confeccionar e distribuir esta porcaria de kit anti-homofobia!”. Mas, não era bem isso… Ao continuar a leitura da notícia, dei-me conta de que, para o TCU, desperdício é ter elaborado o material e não distribuir (!). É como se dissessem: “agora que a coisa (os kits) já está feita, suspender a distribuição é jogar na lata do lixo os recursos empregados quando da produção do material”.

Do ponto de vista estritamente financeiro, de fato o Tribunal de Contas da União tem razão: gastar uma nota com algo que não vai ter mais serventia alguma é, sim, desperdiçar. Contudo, indo um pouco além do aspecto financeiro, é possível perceber como a **visão de mundo** dos cristãos difere da perspectiva da sociedade contemporânea. Como a nossa cartilha de valores e princípios é diferente da moral social hodierna! Enquanto nós, cristãos, damos graças a Deus pelas nossas crianças terem sido privadas desse catecismo imoral e maquiavélico que seria distribuído nas escolas, outros lamentam o prejuízo pouco sem perceber o lucro que dele extraímos.

Sim, eu sei: não cabe ao TCU analisar o conteúdo dos kits, nem avaliar a conveniência de distribui-los como política pública educacional. Todavia, é incrível que apenas os cristãos (e uns poucos “gatos-pingados” de outros credos) sejam capazes de enxergar que mais importante – e mais preocupante! – que o desperdício de dinheiro é o desperdícios de valores, de princípios.

Rezemos, com a firme esperança que também é própria dos que creem no Cristo, para que o Tribunal de Contas possa realmente ajudar a caçar e capturar os inconsequentes que colaboraram na elaboração irresponsável dos malfadados kits anti-homofobia (ou seriam kits heterofóbicos?…).

Um breve comentário:

Eu, sinceramente, não sei como é que em um post de apenas de dez linhas (e escritas pela metade!) alguém consegue ser agnóstico, sentimentalista, falso e piegas [muito piegas!]. Tudo ao mesmo tempo! Estou falando do Harry Potter da terceira idade, o escritor Paulo Coelho, que na sua coluna no G1 escreveu o seguinte:

Não adianta pedir explicações sobre Deus; você pode escutar palavras muito bonitas, mas, no fundo, são palavras vazias. Da mesma maneira que você pode ler toda uma enciclopédia sobre o amor, e não saber o que é amar.

Diz o mestre:

“Ninguém vai conseguir provar que Deus existe ou que não existe”.

Certas coisas na vida foram feitas para serem experimentadas – nunca explicadas.

O amor é uma destas coisas. Deus – que é amor – também é.

A fé é uma experiência infantil, naquele sentido mágico que Jesus nos ensinou: “é das crianças o Reino dos Céus”.

Deus nunca vai entrar por sua cabeça. A porta que Ele usa é o seu coração.

Não viu nada demais? Acha que eu estou exagerando?  Rapaz, olha direitinho:

I) “Ninguém vai conseguir provar que Deus existe ou que não existe”.  Isso é agnosticismo. São Tomás de Aquino nos legou pelo menos 5 vias através das quais é possível chegar ao conhecimento da existência de Deus. Ou seja: filosoficamente é possível, sim, provar a existência de Deus.

II) “Deus nunca vai entrar por sua cabeça. A porta que Ele usa é o seu coração”. Meigo, não? Mas isso é sentimentalismo puro e barato. Crer é um ato de inteligência e não de emoção!

III) “A fé é uma experiência infantil, naquele sentido mágico que Jesus nos ensinou: ‘é das crianças o Reino dos Céus'”. Tenho uma ligeira impressão de que ele, ao escrever essa frase, pensou mais no “sentido mágico” do que “no Reino dos Céus”… Paulo Coelho cita o Evangelho com a mesma desenvoltura com que citaria o trecho de um grimório do mítico Merlim… É falsidade “pra mais de metro”!

IV) A “pieguice” eu creio que não seja necessário justificar. Até porque a “pieguice” deriva do sentimentalismo – como fica bem claro através desta definição da palavra ‘piegas‘: “[…] Que ou quem é ridiculamente sentimental”. Ora, ele foi piegas do começo ao fim neste post. Argh!

Bom, Para o Bruxo-Mor deste país escrever posts desta natureza só há duas explicações possíveis:

       i) Ele estava atarefado por demais no preparo de alguma poção mágica de modo que não conseguiu pensar antes de escrever;

       ii) Um espírito de preguiça apoderou-se dele e, como ele gostou de estar possuído, o máximo que deu para escrever foi isso aí.

E aí? Em qual das alternativas acima você vota? Pode apostar nas duas 😉

Acabo de receber em minha casa uma carta remetida pela Comunidade Obra de Maria contendo propaganda eleitoreira de dois “irmãos cristãos, católicos praticantes” que são candidatos à Assembléia Legislativa e à Câmara Federal. São eles: Terezinha Nunes e Josenildo Sinésio, respectivamente. Além dos “santinhos” dos políticos nada santinhos veio um cartaz pedindo expressamente o voto em favor dessas duas figuras. Fiz questão de scannear o cartaz e postá-lo aqui. Vejam e leiam. Em seguida, farei os comentários que acho pertinentes:

A Obra de Maria mente descaradamente quando diz que “a Igreja [com “i” maiúsculo mesmo!], aliada a diversos movimentos, rezou, pensou e escolheu (!)” dois defensores da Doutrina Social da Igreja [que seriam Josenildo e Terezinha]. Mentira estrondosa! A Igreja não tem candidatos, a Arquidiocese de Olinda e Recife também não o tem! Será possível que mesmo quando uma coisa é repetida ad nauseam não entra na cabeça de algumas pessoas?

A Igreja não “rezou” para discernir que candidato apoiar coisíssima nenhuma. Tem-se coisas mais importantes pelo que rezar. Por que rezar pelas intenções de Gilberto se podemos rezar pelas do Santo Padre? Além disso, a Igreja  jamais “pensou” em dar apoio a qualquer candidato. A menos que “Igreja” no cartaz seja figura de linguagem para se referir à Obra de Maria…  E, por fim, a Igreja não fez “escolha” de nenhum candidato em detrimento de outro[s]. Desafio: quem achar a ata de eleição de Josenildo e Terezinha na chancelaria de qualquer diocese ou arquidiocese ganha um doce.

A Obra de Maria pode apoiar candidatos em seu próprio nome? Sim, por certo. Mas não têm o direito de usar o nome da Igreja para fazê-lo. Não pode porque a Igreja não autoriza que se faça. Além do que, é uma tremenda imprudência [para não dizer burrice] uma instituição qualquer dar apoio ostensivo a um candidato. Por quê? Porque se, depois de eleito, ele fizer alguma bobagem grande, serão automaticamente jogadas na lama a reputação dele e a de todos quantos mendigaram votos em seu favor. É uma questão de lógica.

Mas, não contente com a bobagem que disse logo na segunda e terceira linhas da propaganda, a Obra de Maria encerrou chamando os candidatos de “verdadeiros representantes da igreja” [agora com “i” minúsculo, mas nem por isso menos errado].

Bem, durante muito tempo acreditei que atitudes como essa eram fruto de ignorância ou até de ingenuidade. Cogitei a possibilidade de algumas pessoas não conhecerem a claríssima instrução da Igreja acerca do não-apoio a quem quer que seja que exerça atividade política-partidária. Hoje em dia não consigo mais vislumbrar essa interpretação excessivamente benedicente. É malícia mesmo. É jogo político sujo da pior espécie – porque finge estar do lado da Igreja, mas contraria despudoradamente a Sua Autoridade.

A respeito do “Fé e Compromisso” registre-se o seguinte: esse grupo surgiu aqui ainda na época em que nos pastoreava S. Excª Revma., D. José Cardoso Sobrinho. Eu, pessoalmente, nunca fui a nenhuma de suas reuniões, mas – pelas informações que recebi de integrantes – surgiu inicialmente com um bom propósito: o de reunir um grupo que pudesse discutir a relação entre fé e política e, na medida do possível, atuar para fazer conhecer a Doutrina Social da Igreja. Entretanto, com o passar do tempo, o Fé e Compromisso parece ter servido de degrau e de palanque para estes dois candidatos…

No caso do apoio ao Sr. Josenildo Sinésio, há um agravante: ele pertence ao Partido dos Trabalhadores – o qual, como é público e notório, é institucionalmente a favor da causa abortista. Registre-se, também, que eu solicitei há algum tempo uma entrevista junto à assessoria de imprensa deste candidato e não obtive sucesso. O e-mail não foi sequer respondido. Terá sido receio de perguntas capciosas que eu certamente faria?… Terá sido o medo de dar a cara à tapa aos católicos que acessam este blog?… Não. Deve ter sido tempo. É sempre a melhor desculpa. Só fico curioso porque não falta tempo para participar de tudo quanto é evento organizado pela Obra de Maria e posar de bom moço para a multidão de carismáticos que a Obra de Maria atrai… Uma outra coisa importante que eu não posso esquecer de falar é que, no ano passado, estive no Gabinete do Josenildo, na Câmara dos Vereadores, acompanhado da Drª Dolly Guimarães. Firmamos com ele o compromisso de estabelecer naquela Casa, formalmente, um Frente Parlamentar Pró-Vida. Entretanto, foi um outro vereador – o Aerto Luna (PRP) – que propôs a criação dessa Frente agora em agosto p.p. Terá sido medo de repreensão por parte das lideranças do PT?…  Nunca saberemos.

Há algum tempo, um amigo comentou essa coisa de “voto é coisa séria”. Voto sério para esse pessoal são “palavras ao vento, palavras apenas…”

O Eto, co-fundador da Canção Nova, deve ter caído de gaiato nessa história toda. Influenciado pela estreita relação entre as duas comunidades, e confiando na sensatez [inexistente] da Obra de Maria, é possível que ele nem tenha conhecimento da propaganda eleitoreira feito com o uso de sua imagem. Rezo para que assim o seja. Porque se ele sabia, a coisa é mais grave ainda: serão duas comunidades, com “alto poder de fogo” sobre os fiéis, insuflando neles uma propaganda que não se coaduna com a orientação da Igreja a este respeito.

Oxalá a Virgem Santíssima, ao contrário do que foi pedido na última linha do cartaz, nos defenda da grande burrada que é votar anestesiado por uma propaganda falaciosa. É pena que o site da Obra de Maria não tenha um e-mail para que os católicos enviem os seus protestos. Na aba “contatos”, todavia, há um formulário eletrônico que permite a comunicação com assessoria de comunicação da comunidade. Escrevam. Reclamem contra a insensatez [para não dizer má-fé…] da Obra de Maria.

Ah, e pelo amor de Deus não me venham com essa história de que a perseguição “confirma” a escolha dos dois fulanos. Depois que fazem a besteira, querem sair como mártires? Na-na-ni-na-não.

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