Família


[Após um São João espetacular na Capital Mundial do Forró, Caruaru, volto à minha terra e à esta nossa arena virtual!]

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Sem muita surpresa, li neste site algumas pinceladas sobre como foi a mais recente Parada Gay na cidade de São Paulo. Antes mesmo de ela acontecer, eu já havia feito algumas críticas aqui com relação à temática escolhida para a Parada. A organização do evento utilizou “170 cartazes distribuídos em postes com 12 modelos masculinos seminus com a mensagem: ‘Nem Santo Te Protege’ e ‘Use Camisinha'”.  A matéria diz, ainda:

O cardeal D. Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, classificou o uso das imagens como “ofensivo, debochado e desrespeitoso” e que “ofende profundamente o sentimento da Igreja Católica”.

“Isso ofende profundamente, fere os sentimentos religiosos do povo. O uso debochado da imagem dos santos é ofensivo e desrespeitoso que nós desaprovamos”, disse ele na entrevista da Globo.

Embora o Cardeal Scherer tenha se pronunciado, lamentavelmente não houve por parte da CNBB uma declaração de repúdio (ou coisa que o valha) a despeito dos ultrajes perpetrados pelos gayzistas. E talvez ela nem se pronuncie. Sobre o código florestal, porém, já há uma nota oficial no site da conferência…  Sem comentários.

Enquanto isso, o Júlio Severo divulgou um vídeo produzido pelo Gay Mor do Brasil, Luiz Mott. Neste vídeo – que, em virtude das imagens profundamente indecentes eu não tive coragem de reproduzir aqui, mas que pode ser acessado clicando neste link do youtube -, Mott aparece ao lado da estátua de um menino completamente nu e começa a discorrer sobre as funções e a utilidade dos museus eróticos (!). Tenho que concordar com o Júlio: diante desse vídeo (e de outros textos escritos pela pena do decano do movimento gayzista) é difícil acreditar que esse sujeito não é, além de gay, pedófilo.

E, por falar em pedofilia, a mídia está tentando manipular as declarações legítimas e verdadeiras da deputada Myrian Rios. O Portal Terra enunciou: “Em vídeo, Myrian Rios diz que babá poderia ser pedófila”. A deputada discursou na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) sobre a PEC 23, dizendo:

“Digamos que eu tenha duas meninas em casa e contrate uma babá que mostra que sua orientação sexual é ser lésbica. Se a minha orientação sexual for contrária e eu quiser demiti-la, eu não posso. O direito que a babá tem de querer ser lésbica, é o mesmo que eu tenho de não querer ela na minha casa. Vou ter que manter a babá em casa e sabe Deus até se ela não vai cometer pedofilia contra elas. E eu não vou poder fazer nada”.

“Se eu contrato um motorista homossexual, e ele tentar, de uma maneira ou outra, bolinar meu filho, eu não posso demiti-lo. Eu quero a lei para demitir, sim, para mostrar que minha orientação sexual é outra”.

“Não sou preconceituosa e não discrimino, mas preciso ter o direito de não querer um homossexual como meu empregado, eventualmente.”

Ora, do ponto de vista lógico, dizer que um homossexual **pode** ser também um pedófilo, não significa dizer que ele o **é** efetivamente. Portanto, da mesma forma que qualquer heterossexual é, **em potência**, um pedófilo (já que é teoricamente capaz de cometer um ato de pedofilia), assim também um homossexual tem a **possibilidade** de cometer tais ilícitos. Se considerarmos que o homossexualismo é um comportamento doentio – porque trai a natureza -, e que está profundamente enraizado em questões de ordem psicológica, com muito mais razão se poderia afirmar que alguém que já adquiriu um grave distúrbio (o do homossexualismo) poderia desenvolver uma outra patologia (a pedofilia). Está, portanto, certíssima a deputada. Não passa de alarde sem causa o que alguns meios de comunicação estão fazendo com as declarações dadas pela mesma.

 

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Como eu já havia replicado aqui, o IPCO organizou uma palestra com o bispo de Guarulhos, S. Excª Revmª, D. Luiz Gonzaga Bergonzini, sobre “a cultura da vida contra a cultura da morte”. A palestra aconteceu no Colégio e Faculdade São Bento, em São Paulo, e foi transmitida ao vivo pela internet. A qualidade do trabalho feito pelo pessoal do IPCO no que tange à transmissão ao vivo pela internet é digna de menção: realmente excelente!

Um amigo me indicou o link do Justin.tv – através do qual pude assistir à palestra e ainda participar de um chat direto com a equipe que fez a cobertura do evento. Foi desse chat que surgiram algumas das perguntas feitas a D. Bergonzini ao final do seu pronunciamento.

A palestra estava marcada para iniciar às 19h30min. Entretanto, eu só comecei a assistir às 19h50min. Com um sotaque paulista bem carregado, mas com voz firme e clara, o Leão de Guarulhos fez uma magnífica alocução, da qual penso que valha realmente à pena ressaltar alguns pontos.

Antes de mais nada, registre-se que alguns nomes de relevo no panorama da defesa da vida e da família no Brasil estavam presentes à palestra de D. Bergonzini: a Drª Alice Teixeira, médica, doutora em biologia molecular, e professora do Departamento de Biofísica na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); o coronel e deputado federal pelo estado de São Paulo, Paes de Lira; o professor Felipe Néri, um dos diretores do Colégio e Faculdade  São Bento e ativista pró-vida; e muitos outros nomes importantes que têm se empenhado em talhar a cultura da vida no Brasil em oposição à cultura da morte que tenta se instalar no seio da nossa sociedade. Alguns movimentos, comunidades e outros organismos da Igreja também se fizeram presentes no evento. A Comunidade Católica Greco-Melquita Theotokos, por exemplo, estava lá; assim como – é óbvio – representantes do Instituto Plínio Correia de Oliveira e do Movimento Brasil sem Aborto. Diversos seminaristas, padres e religiosos também marcaram presença.

Após uma breve reflexão sobre o “dar a César, o que é de César; e a Deus, o que é de Deus” (cf.) – passagem que foi tema do apelo que o insigne prelado dirigiu aos padres, religiosos e fiéis da diocese de Guarulhos, quando das eleições presidenciais de 2010 – D. Bergonzini fez uma importante reflexão sobre o sentido da política. Ele recordou que o conceito de “política”, em si mesmo, está vinculado à “promoção do bem comum”. Este é o sentido autêntico de “fazer política”. Isto, porém – recordou ele – nada tem a ver com política partidária, a qual almeja simplesmente o bem do partido por meio da divulgação de suas ideias e defesa de seus interesses. Com voz firme, falou: “Como cidadão, tenho o direito de fazer política. Como bispo, tenho o dever de fazer política. O chefe do nosso partido é Jesus Cristo e a nossa lei é o Evangelho!”.

Um pouco de leve, o bispo teceu críticas à presidente Dilma Rousseff a qual, no interregno de tempo entre o primeiro e o segundo turnos das eleições de 2010, esteve na Basílica de Aparecida mas não soube fazer direito o sinal da cruz, nem muito menos rezar com o terço que lhe fora dado… Justas e merecidas as críticas do bispo a alguém que por pura manobra política tentou pateticamente manifestar uma religiosidade que nunca teve, nem tem.

O bispo tratou ainda de estupro, excomunhão decorrente de realização, participação ou colaboração com a prática do aborto, bem como de uma porção de temas correlatos e transversais a estes assuntos. Muito oportuna foi a distinção por ele feita entre “gravidez indesejada” (aquela que é decorrente de uma relação sexual não consentida por uma das partes) e “gravidez inesperada” (decorrente de uma relação sexual consentida, mas inconseqüente, isto é, uma relação na qual o prazer era a finalidade única e absoluta, de modo que negligenciou-se os efeitos naturais que podem decorrer do ato sexual). O bispo apresentou uma estatística segundo a qual 80% das mulheres estupradas que engravidam não desejam abortar.

Recordando o recolhimento ilegal dos folhetos assinados pelos bispos do regional Sul 1 da CNBB por ocasião das eleições presidenciais do ano passado. D. Bergonzini disse: “Se eu não tivesse colocado o nome da Dilma, [os folhetos] não teriam surtido o efeito que surtiram. É preciso mostrar onde está a verdade e onde está o erro. Por isso resolvi dar nome aos bois”. Reafirmando a declaração que já havia feito na entrevista  concedida à Valor Econômico [a qual foi publicada no Fratres in Unum] D. Bergonizini afirma categoricamente: “não tenho partido político”.

Falando em CNBB, para a infelicidade de alguns colegialistas-corporativistas-ceenebebistas, D. Luiz Gonzaga reiterou que o múnus de ensinar [que compete, de maneira especial e mais grave aos bispos em particular] implica lecionar para os fieis não apenas a fé, mas tudo aquilo que se relaciona com ela: “A CNBB não tem autoridade sobre um bispo diocesano”, disse ele, ajuntando que ela é apenas um órgão subsidiário de consulta e esclarecimentos. Lamentou que alguns presbíteros, religiosos, e mesmo irmãos no episcopado não concordem com “opinião” dele. E, com franqueza, admitiu não saber o que tais pessoas dirão a Deus a este respeito no dia do Juízo… Para o ódio dos relativistas, S. Excª. disse: “Politicamente correto é ‘sim, sim; não, não’. Não existem meias-verdades, como não existe algo que seja branco e preto ao mesmo tempo”.

Terminada a alocução de D. Bergonzini, abriu-se espaço para as perguntas que os presentes haviam feito e entregue à organização do evento. Também os internautas puderam elaborar questões e enviar via chat para o bispo responder. Não fiz nenhuma pergunta. Mas mandei uma mensagem de apoio representando os fieis da arquidiocese de Olinda e Recife a manifestando a nossa proximidade a este tão grande sucessor dos apóstolos. A breve mensagem foi lida e os aplausos soaram no auditório quando lido o nome de D. José Cardoso Sobrinho, arcebispo emérito da nossa arquidiocese e ardoroso defensor da Vida.

D. Bergonzini respondeu à perguntas sobre o PLC 122/06, sobre o laicismo do Estado e sobre uma série de temas complexos que, doa a quem doer, precisam ser abordados uma vez que estão “no olho do furacão” em termos de defesa da vida e da família no Brasil. O prelado esquivou-se, muito prudentemente, de entrar em detalhes sobre a omissão da CNBB em algumas discussões de relevo no plano nacional.

A palestra encerrou-se com a ave-maria e a benção dada por S. Excª Revmª D. Luiz Gonzaga Bergonzini. Após isso, todos [exceto nós, que estávamos do lado de cá da tela] participaram de um coffee breake oferecido pela organização do evento.

p.s.: Em breve,quando o vídeo estiver no Youtube, farei questão de reproduzi-lo aqui na íntegra.

 

Aproveitando que o presidente do Pró-vida  de Anápolis, Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz, está em Recife, trago um artigo de sua autoria – recentemente publicado na página da associação na internet – que eu vi no Sou conservador sim, e daí?

 

PDC 224/11: uma medida extrema
(a tentativa do Congresso de sustar a “união homossexual” do STF)

 

Diante da decisão inaudita do Supremo Tribunal Federal de reformar a Constituição a fim de reconhecer a união estável entre duas pessoas do mesmo sexo (05/05/2011), o jurista Ives Gandra da Silva Martins propõe uma solução:

 Se o Congresso Nacional tivesse coragem, poderia anular tal decisão, baseado no artigo 49, inciso XI, da CF, que lhe permite sustar qualquer invasão de seus poderes por outro poder, contando, inclusive, com a garantia das Forças Armadas (artigo 142 “caput”) para garantir-se nas funções usurpadas, se solicitar esse auxílio[1].

 De fato, diz a Constituição Federal que “é da competência exclusiva do Congresso Nacional zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros Poderes” (art. 49, XI, CF). Quando o Executivo invadir a competência do Congresso, cabe a este “sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa” (art. 49, V, CF), o que se faz por um decreto legislativo. A Carta Magna não fala explicitamente da sustação de atos do Poder Judiciário, mas é possível uma interpretação analógica.

O deputado João Campos (PSDB/GO) levou a sério a sugestão e apresentou em 25/05/2011 o Projeto de Decreto Legislativo 224 de 2011 (PDC 224/2011) que “susta a aplicação da decisão do Supremo Tribunal Federal proferida na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4277 e Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 132, que reconhece a entidade familiar da união entre pessoas do mesmo sexo”. Ao todo, 51 deputados  assinaram a proposição.

Lamentavelmente, em 07/06/2011, o presidente da Câmara Marco Maia (PT/RS) devolveu a proposição ao autor por considerá-la “evidentemente inconstitucional”[2]. Dessa decisão, cabe, porém, um recurso ao plenário. Podemos usar o Disque Câmara (0800 619 619) para solicitar aos deputados de nosso Estado que apoiem o PDC 224/2011.

Anápolis, 13 de junho de 2011.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Presidente do Pró-Vida de Anápolis.


[1] http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2011/05/18/a-corte-constitucional-francesa-e-o-homossexualismo/

[2] Art. 137, § 1º, II, b, Regimento Interno da Câmara dos Deputados.

 

Saiu uma matéria no Repórter de Cristo, ontem [16], sobre duas pastoras protestantes, lésbicas, que pretendem ir à Parada Gay que acontecerá no fim deste mês, em São Paulo.  Percebam: não fosse a esperança uma característica peculiaríssima dos cristãos, poder-se-ia dizer que, de fato, “o mundo está perdido”…  Heresia, sodomia e hipocrisia: tudo junto em um par de mulheres.

As “pastoras” chamam-se Lanna Holder e Rosania Rocha. Poucas coisas são tão engraçadas quanto ver a tal Lanna Holder pregando sobre o nepotismo dentro das próprias seitas protestantes: o vídeo postado no youtube é, simplesmente, cômico. O site dela não fica atrás: lá vendem-se CD’s, DVD’s e… canecas do ministério!

Mas, não obstante a existência e atuação dessa “pastora” e da sua “companheira” possa parecer hilária, há algo de muito triste nisso tudo: o fato de algumas pessoas prostituírem a verdade para fazer da religião uma atividade mercantil é simplesmente lastimável. É deprimente que os interesses egoístas de uma pessoa levem-na não apenas a mergulhar de cabeça no erro e no pecado, mas também a induzir e conduzir outras tantas almas ingênuas consigo. Quando vemos essas duas figuras afirmarem que a homossexualidade “não é opção, é definitivamente uma orientação” dá raiva. A covardia que fez com que elas se curvassem aos seus desejos, agora as impulsiona a admitir a inclinação pecaminosa que têm como sendo um imperativo da natureza.

É triste ver pessoas carentes de atenção serem atraídas à igreja-loja dessa dupla. É deplorável que as consciências estejam a tal ponto adormecidas que não se perceba mais a gravidade de afrontar à lei de Deus. É de fazer chorar e tremer o fato de que o dom do temor de Deus está rarefeito na nossa sociedade: não porque Deus não o queira conceder, mas por que as pessoas não estão dispostos a recebê-lo.

Se for verdade que famílias frequentam a Comunidade Cidade de Refúgio [a igrejola fundada pela dupla de lésbicas], é indignante que certos pais tenham tenham sido atingidos pela cultura gayzista em tal medida que já não sabem mais discernir quais valores e princípios devem ser transmitidos aos seus filhos. Aviltando a sua própria dignidade de famílias, esses pais acabam comprometendo a formação de seus filhos e confundindo a cabeça de seus próprios pupilos [dado que em casa as crianças veem os pais, heterossexuais, e na  “igreja” veem os pares de gays postos em condição de igualdade].

Lamentável é que em duas semanas o público frequentador dessa igreja tenha mais dobrado (!). Mas, como diria, o saudoso papa Leão XIII: rerum novarum cupidi [a sede de inovações]… Rezemos!

Para vós, caros leitores recifenses, isto não é um convite, mas sim uma INTIMAÇÃO! Como eu não consegui transformar o cartaz abaixo (que chegou a mim na forma .pdf) em um arquivo de  imagem legível, seguem os dados do convite para o evento (que, aliás, já haviam sido publicados no Deus lo vult!):

Convite

O Presidente e os demais diretores do Círculo Católico de Pernambuco convidam seus Sócios, Colaboradores, Religiosos, Líderes Pró Vida e Amigos para participarem do Encontro com o Padre Luis Carlos Lodi da Cruz; Líder do Pro Vida de Anápolis-GO. A ser realizado nos dias 18 (sábado) e 19 (domingo) de junho de 2011. No horário de 8 h as 17 h no Auditório Alfredo Álvares de Carvalho, situado na Rua do Riachuelo, 105, 10° andar- Boa Vista- Recife- PE.

O quê: Círculo de palestras com o padre Lodi
Onde: Edifício Círculo Católico, Recife/PE
Quando: 18 de junho (manhã e tarde, com intervalo para almoço) e 19 de junho (manhã)
Horário: 8:00 às 17:00 (sábado) e 8:00 às +/- 12:00 (domingo)

O Brasil caminha, sem sombra de dúvida, para uma ditadura de esquerda. Não bastando a facilitação do divórcio, o legislativo agora se depara com um lei em que o Estado visa ensinar aos pais como educar seus próprios filhos:  refiro-me ao Projeto de Lei 2.654/03, que ficou popularmente conhecido como “Lei da Palmada”. O Projeto – que reforma o Estatuto da Criança e do Adolescente e, também, partes do Código Civil – foi encaminhado ao Congresso Nacional e encontra-se na pauta da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

A “Lei da Palmada” é uma demonstração claríssima de que o Estado deseja fazer com que os seus tentáculos alcancem realidades que não lhe dizem respeito. A ingerência estatal em assuntos que deveriam ficar restritos ao âmbito familiar fere o clássico Princípio da Subsidiariedade (tão caro e fundamental para a Doutrina Social da Igreja). Neste sentido, são muito oportunas as palavras do papa Leão XIII, na Encíclica Rerum Novarum:

Assim como a sociedade civil, a família […] é uma sociedade propriamente dita, com a sua autoridade e o seu governo paterno, é por isso que sempre indubitavelmente na esfera que lhe determina o seu fim imediato, ela goza, para a escolha e uso de tudo o que exigem a sua conservação e o exercício duma justa independência, de direitos pelo menos iguais aos da sociedade civil. Pelo menos iguais, dizemos Nós, porque a sociedade doméstica tem sobre a sociedade civil uma prioridade lógica e uma prioridade real, de que participam necessariamente os seus direitos e os seus deveres. E se os indivíduos e as famílias, entrando na sociedade, nela achassem, em vez de apoio, um obstáculo, em vez de protecção, uma diminuição dos seus direitos, dentro em pouco a sociedade seria mais para se evitar do que para se procurar.

Querer, pois, que o poder civil invada arbitraria-mente o santuário da família, é um erro grave e funesto. Certamente, se existe algures uma família que se encontre numa situação desesperada, e que faça esforços vãos para sair dela, é justo que, em tais extremos, o poder público venha em seu auxílio, porque cada família é um membro da sociedade. Da mesma forma, se existe um lar doméstico que seja teatro de graves violações dos direitos mútuos, que o poder público intervenha para restituir a cada um os seus direitos. Não é isto usurpar as atribuições dos cidadãos, mas fortalecer os seus direitos, protegê-los e defendê-los como convém. Todavia, a acção daqueles que presidem ao governo público não deve ir mais além; a natureza proíbe-lhes ultrapassar esses limites. A autoridade paterna não pode ser abolida, nem absorvida pelo Estado, porque ela tem uma origem comum com a vida humana. «Os filhos são alguma coisa de seu pai»; são de certa forma uma extensão da sua pessoa, e, para falar com justiça, não é imediatamente por si que eles se agregam e se incorporam na sociedade civil, mas por intermédio da sociedade doméstica em que nasceram. Porque os «filhos são naturalmente alguma coisa de seu pai… devem ficar sob a tutela dos pais até que tenham adquirido o livre arbítrio» (4). Assim, substituindo a providência partena pela providência do Estado, os socialistas vão contra a justiça natural e quebram os laços da família.

Não obstante as palavras do Sucessor de Pedro tenham sido bem claras, gostaria de fazer aqui algumas considerações sobre esta relação entre Estado e Família – no que concerne à propositura desta tal “Lei da Palmada”.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (curiosamente abreviado de ECA) já prevê punições bem severas (se comparadas ao padrão tupiniquim) para pais descontrolados que querem fazer de seus filhos saco de pancadas. O artigo 129 do ECA, por exemplo, enuncia as medidas aplicáveis aos pais ou responsáveis, entre as quais estão a “advertência” [inciso VII], a “perda da guarda” [inciso VIII], a “destituição da tutela” [inciso IX], a “suspensão ou destituição do poder familiar” (antigo “poder pátrio”) [inciso X], etc. O artigo 130 diz que “verificada a hipótese de maus-tratos, opressão ou abuso sexual impostos pelos pais ou responsável, a autoridade judiciária poderá determinar, como medida cautelar, o afastamento do agressor da moradia comum(grifos meus). Ora, isto posto, parece-me injustificada a tese do deputado Erci de Moraes (PPS) que afirmou que “a lei da palmada veio para fortalecer o Estatuto”. Se o ECA já é claro sobre a punição de agressores, qual a necessidade de editar mais uma norma a respeito da mesma matéria? Será que o ócio do legislativo é tal que ele agora está cunhando normas só para mandar que se obedeçam às já existentes?

Saindo um pouco da esfera do Direito, virão os seguidores apaixonados de Paulo Freire dizer que “bater não é a solução”. Ok. Concordo. Entretanto, não está em discussão a “eficácia” da palmada enquanto método educacional. A questão é mais profunda: o Estado está usurpando a autoridade dos pais, e a usurpação de autoridade é uma das principais características de uma ditadura! Se bem percebermos, é o Estado que está querendo dizer aos pais qual é o melhor e o pior método de educar os filhos! Que pedagogo apoiaria tal medida?

Outros dirão: há pais que “exageram na dose”, de tal maneira que uma palmada acaba se convertendo em espancamento. Ok. Também concordo. Mas o que garante que a aprovação desta lei fará “desaparecer” esse tipo de pais? Acaso se está pensando que multiplicar leis resolverá o problema dos desequilibrados? Ademais, por que estes “exagerados” não poderiam simplesmente ser enquadrados nos artigos do Código Penal que tipificam e punem atos de violência, nas suas diversas modalidades, agravantes e qualificadoras?

Há, ainda, o problema da geração [desnecessária] de mais demandas judiciais – decorrentes da reivindicação do “direito de não-apanhar”. Com isso, o judiciário – já abarrotado de pendências – ganhará mais alguns volumes para as suas estantes já superlotadas de processos…

Sem contar com a possibilidade de que filhos “mais esclarecidos” passem a usar a lei como instrumento para chantagear os pais: “se você me der um tapa, te mando para a cadeia”. Uma lei que ajuda a formar filhos rebeldes! Não é fantástico? Aos que acham que eu estou sendo exagerado, peço que reflitam com vagar sobre o seguinte trecho – extraído do malfadado PL 2.654/03: “Cabe ao Estado […] introduzir no currículo do ensino básico e médio um tema transversal referente aos direitos da criança nos moldes dos Parâmetros Curriculares Nacionais”. É isso mesmo, caros pais e responsáveis: o Estado ensinará os seus filhos e pupilos a revoltar-se contra a opressora hierarquia familiar, contra as medidas arbitrárias que vocês – “soberbamente” – lhes impõem.

Por fim, aos que argumentam que a lei foi motivada por bons propósitos, contra-argumento com o célebre, e veraz, adágio proveniente da sabedoria popular: “De boas intenções o inferno está cheio”…

Esta lei, portanto, representa um desserviço à família. Aliás, é perceptível que o atual governo intenta destruir a instituição familiar e, para isso, está executando, paulatinamente, um plano macabro cuja inspiração é, com toda certeza, satânica. Um passo nessa direção foi a facilitação do processo de dissolução civil da sociedade conjugal. É bem verdade que, no Brasil, foi uma ditadura de direita que introduziu a figura do divórcio, por meio da Lei 6.515, de 26 de Dezembro de 1977 (ou seja, durante o governo do General Ernesto Geisel). Mas é sintomático que a esquerda esquizofrênica que hoje manda no Brasil tenha ampliado o alcance dessa lei. Ressalte-se que o “divórcio a qualquer custo” sempre foi uma bandeira da esquerda. Portanto, tanto a flexibilização da Lei do Divórcio quanto a “reforma” proposta pela Lei da Palmada são demonstrações inequívocas do desejo comunista de transformar o Brasil em um Estado Totalitário. O Estado “xereta”, intrometido, quer, na realidade, matar dois coelhos em uma só caixa d’água: o primeiro coelho é a destruição da instituição familiar [que representa um obstáculo ideológico ao desenvolvimento de seus projetos megalomaníacos]; e o segundo é o estímulo à subversão nas camadas mais basilares da sociedade [para, depois, bem aos modos comunistas, subjugar a sociedade mediante o emprego da força e exercício do autoritarismo. Tudo isso com a desculpa de estar “restabelecendo a ordem”]. Se estes não forem os reais motivos para proposituras legais desta natureza, eu – sinceramente – não consigo encontrar razões que as “justifiquem”.

Desnecessária, inócua, desmedida, absurda, infeliz e injusta. É isso que a “Lei da Palmada” é. E adivinhem de quem foi a ideia? Da deputada federal Maria do Rosário, que “coincidentemente” pertence ao PT do Rio Grande do Sul… Não é implicância, não. É só mais uma constatação…

Leia também: Reinaldo Azevedo comenta o “projeto da palmada”.

Belíssima oração! Encaminhem aos seus casais conhecidos!

Fonte: Igreja Doméstica

Catholic Marriage

Catholic Marriage

ORAÇÃO DO CASAL


Senhor, faz com que compartilhemos a vida como
verdadeiro casal, esposo e esposa.


Que saibamos dar um ao outro o que temos de melhor em nós, no corpo e no espírito;
que nos aceitemos e nos amemos como somos,
com as riquezas e limitações que temos.


Cresçamos juntos, sendo caminho um para o outro;
saibamos carregar o fardo um do outro,
encorajando-nos a crescer sempre no mútuo amor.


Sejamos tudo um para o outro: os nossos melhores
pensamentos, as nossas melhores acções, o nosso melhor
tempo e as nossas melhores atenções.


Encontremos um no outro a melhor companhia. Senhor, o
amor que vivemos seja a grande experiência do Teu amor.


Cresça, Senhor, em nós a mútua admiração e atracção, a
ponto de nos tornarmos um só: no pensar, no agir e no
conviver.


Para que isto aconteça, estejas Tu entre nós. Seremos,
então, eternos enamorados.


Que assim seja!

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