Fonte: Zenit

Discurso pronunciado por Sua Santidade, o papa Bento XVI, durante o ângelus de ontem (29).

 

                Queridos irmãos e irmãs!

                Este domingo iniciamos, pela graça de Deus, um novo Ano Litúrgico, que se abre naturalmente com o Advento, tempo de preparação ao nascimento do Senhor. O Concílio Vaticano II, na constituição sobre a liturgia, afirma que a Igreja “distribui todo o mistério de Cristo pelo correr do ano, da Encarnação e Nascimento à Ascensão, ao Pentecostes, à expectativa da feliz esperança e da vinda do Senhor”. “Com esta recordação dos mistérios da Redenção, a Igreja oferece aos fiéis as riquezas das obras e merecimentos do seu Senhor, a ponto de os tornar como que presentes a todo o tempo, para que os fiéis, em contato com eles, se encham de graça” (Sacrosantum Concilium, 102). O Concílio insiste no fato de que o centro da liturgia é Cristo, como o sol em torno do qual, como os planetas, circulam a Bem-aventurada Virgem Maria –a mais próxima– e os mártires e outros santos, que “cantam hoje a Deus no céu o louvor perfeito e intercedem por nós” (Ibidem, 104).

                Esta é a realidade do Ano Litúrgico, por assim dizer, “partindo do lado de Deus”. E partindo do lado –digamos– do homem, da história e da sociedade? Que importância pode ter? A resposta sugere propriamente o caminho do Advento, que hoje empreendemos. O mundo contemporâneo necessita sobretudo de esperança: necessitam dela as populações em vias de desenvolvimento, mas também as economicamente desenvolvidas. Cada vez mais advertimos que nos encontramos em um mesmo barco e devemos nos salvar todos juntos. Sobretudo nos damos conta vendo cair tantas falsas seguranças, de que necessitamos de uma esperança confiável, e esta se encontra apenas em Cristo, quem, como diz a Carta aos Hebreus, “é o mesmo ontem, hoje e sempre” (13, 8). O Senhor Jesus veio no passado, vem no presente e virá no futuro. Ele abraça todas as dimensões do tempo, porque morreu e ressuscitou, é “o Vivo” e, compartilhando nossa precariedade humana, permanece para sempre e nos oferece a própria estabilidade de Deus. É “carne” como nós e é “rocha” como Deus. Quem deseja a liberdade, a justiça e a paz pode voltar-se a levantar e alçar a cabeça, porque em Cristo a libertação está próxima (cf. Lc 21,28) –como lemos no Evangelho de hoje. Podemos portanto afirmar que Jesus Cristo não só olha os cristãos, mas todos os homens, porque Ele, que é o centro da fé, é também o fundamento da esperança. É a esperança que todo ser humano necessita constantemente.

               Queridos irmãos e irmãs, a Virgem Maria encarna plenamente a humanidade que vive na esperança baseada na fé no Deus vivo. Ela é a Virgem do Advento: está bem enraizada no presente, no “hoje” da salvação; em seu coração recolhe todas as promessas passadas, e se estendem ao cumprimento futuro. Introduzamo-nos em sua escola, para entrar de verdade neste tempo de graça e acolher, com alegria e responsabilidade, a vinda de Deus a nossa história pessoal e social.

            Hoje quero abordar a Esperança – como continuação da série Virtudes.

            Assim como a , a Esperança é classificada pela Doutrina como uma virtude teologal. Portanto, ela tem origem sobrenatural, é infundida por Deus na alma e não pertence ao rol das virtudes humanas (ou morais).

            Encontrei neste site uma belíssima exposição sobre a “razão de ser” da virtude da Esperança. Um dos trechos mais instrutivos do texto é este:

 

            “Sabemos que a Fé nos traz um conhecimento certo de Deus. Mas este conhecimento é obscuro, ou seja, conhecemos a Deus mas não podemos ainda vê-Lo. Sabemos também que a virtude da Caridade nos traz o verdadeiro amor de Deus, que esse amor já é um começo da vida eterna, e que no céu, esse amor será eterno e nos encherá de uma alegria e felicidade extrema. Mas sabemos também o quanto é difícil manter nossas almas longe do pecado, como nós abandonamos a Deus com facilidade, perdendo o seu amor. Por isso, poderia surgir em nós uma dúvida sobre nossas possibilidades de alcançar o céu e a vida eterna. Se essa dúvida fosse muito forte, nós desanimaríamos no combate contra nossas imperfeições e contra nossos pecados.

            É justamente por isso que Deus nos dá a virtude da Esperança. Com ela sabemos que Deus nunca deixará de nos ajudar com suas graças e por isso estaremos sempre prontos para lutar contra as tentações e contra nossos pecados. Estaremos sempre prontos a pedir perdão no confessionário, pois temos certeza que Deus nos perdoará e nos trará novas forças para não mais pecar. Com isso fica claro que nossa vida de virtudes nos ajuda a conquistar o céu, pois quando praticamos o bem e fugimos do mal, recebemos a recompensa de Deus”.

 

            Do Dicionário Bíblico constante na Bíblia Clerus, extraímos que:

 

            “No AT Deus é a essência, meta final e garantia da esperança (Sl 130,5-7) do indivíduo (71,5) e do povo em geral (Jr 14,8 Jr 17,13). Espera-se no poder do braço do Senhor (Is 51,5), do qual vem a salvação (Gn 49,18). Espera-se a vinda da glória do Senhor (At 1,11 1Ts 4,13-5,11), a conversão de Israel e das nações, a nova aliança baseada no perdão dos pecados (Eclo 2,11; Mt 18,11; Hb 2,17; Hb 4,16 2Pd 3,9).

             Apesar de sua história cheia de contradições e infidelidades, Israel conservou a esperança na graça divina (Os 12,7; Jr 29,11; Jr 31,17; Is 40,31). Foram os profetas que ergueram a bandeira da esperança nos momentos críticos da história, apontando a renovação dos tempos messiânicos (Os 2; Is 40-66; Ez 36-37).

             No NT a salvação prometida torna-se de certo modo já presente pela fé: a justificação, a filiação divina, o dom do Espírito e o novo Israel, composto de judeus e pagãos convertidos a Cristo. Por isso muda também o conteúdo e a motivação da esperança. A esperança do cristão é uma “viva esperança” (1Pd 1,3), que liberta do temor da morte (Ef 2,12 1Ts 4,13), pois ela está unida ao amor (1Co 13,13) e à fé em Cristo. O cristão espera a salvação (1Ts 5,8), a justiça (Gl 5,5), a ressurreição (1Co 15), a vida eterna (Tt 1,2; Tt 3,7), a visão de Deus e sua glória (Rm 5,2). Sua esperança é alegre e corajosa (Rm 12,12 1Ts 5,8), pois está firmemente ancorada em Cristo” (Hb 6,18s).

 

            O Novo Catecismo da Igreja Católica define Esperança em dois momentos, a saber:

 

            §1817 A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo. “Continuemos a afirmar nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa” (Hb 10,23). “Este Espírito que ele ricamente derramou sobre nós, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que fôssemos justificados por sua graça e nos tornássemos herdeiros da esperança da vida eterna” (Tt 3,6-7).

            §2090 Quando Deus se revela e chama o homem, este não pode responder plenamente ao amor divino por suas próprias forças. Deve esperar que Deus lhe dê a capacidade de corresponder a este amor e de agir de acordo com os mandamentos da caridade. A esperança é o aguardar confiante da bênção divina e da visão beatifica de Deus; é também o temor de ofender c amor de Deus e de provocar o castigo.

 

            E, citando Santa Teresinha, continua o CIC (§1821):

             […]

            “Espera, ó minha alma, espera. Ignoras o dia e a hora. Vigia cuidadosamente, tudo passa com rapidez, ainda que tua impaciência torne duvidoso o que é certo, e longo um tempo bem curto. Considera que, quanto mais pelejares, mais provarás o amor que tens a teu Deus e mais te alegrarás um dia com teu Bem-Amado numa felicidade e num êxtase que não poderão jamais terminar”.

 

            Uma diferença essencial entre a compreensão católica e a protestante acerca da Esperança é a questão da salvação. Os protestantes acham que basta erguer o braço e confessar Cristo como senhor e, com isto, granjearão o Reino dos Céus para si. Acaso não ouviram Nosso Senhor dizer: “nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’ será salvo”? (Mt 1,7) No fundo o problema é que os protestantes não compreendem que a graça de Deus é, sim, conferida aos homens. Mas, para que se esta graça se torne eficaz, é preciso que haja correspondência a ela. Cristo, ao morrer na cruz, deu aos homens a possibilidade de salvar-se: ofereceu a todos a Misericórdia Divina (objetivamente falando). Contudo, os méritos de Sua paixão e Morte só serão aplicados àqueles que corresponderem à graça da Redenção por meio de uma vida virtuosa. É aí que a salvação objetiva se torna subjetiva: quando o sujeito a assume (na prática). Em outras palavras: só alcançará o Paraíso quem colaborar com o desejo salvífico de Deus Pai obedecendo aos mandamentos e buscando estar sempre em estado de graça. Como nós, católicos, não sabemos se estamos fazendo isto a contento, esperamos que a Misericórdia de Deus considere os nossos esforços. Os protestantes, pelo contrário, não esperam nada: porque, afinal, eles têm certeza de que estão no caminho certo; julgam ter alcançado a perfeição ao “aceitar Jesus”. Se houvesse um selo ISO para aqueles que atingiram a excelência em santidade, eles – os protestantes – andariam com uma plaquetinha nas costas na qual estaria escrito: “já ganhei!”. Argh! É muita pretensão. A virtude da esperança, tal como ensina a Igreja, não é de maneira nenhuma presunçosa.

            Uma outra diferença – bastante curiosa – entre a Doutrina da Igreja e a tese protestante está refletida na maneira como católicos e protestantes buscam a prosperidade. O católico reza a Deus – fonte de todos os dons – que lhe conceda seus favores e, se lhe aprouver, dê-lhe prosperidade. O católico espera que Deus atenda as suas preces, mas compreende, aceita e considera a possibilidade de que aquele pedido não esteja em conformidade com a vontade soberana de Deus. O protestante, porém, está seguro de que Deus lhe garantirá a prosperidade (que para ele é abundância de bens e riquezas). É como se Deus fosse escravo de seus desejos. Os protestantes acham que, se cumprirem suas obrigações para com Deus, Deus terá que cumprir [aquilo que eles julgam ser] Suas obrigações para com os Seus fiéis dizimistas. Isso está errado. Isto é querer barganhar com Deus. É querer brincar de “toma lá, dá cá” com o Criador de todas as coisas.

            A Esperança, para a Igreja, transcende este mundo. Em virtude disto, podemos afirmar que não queremos apenas uma nova terra: desejamos e “esperamos novos céus e nova terra” (2 Pd 3,13). Esperamos não só contar com os favores e graças do alto aqui neste mundo, mas também (e principalmente!) alcançar o Céu, nossa cara Pátria. O fim último da Esperança cristã é a salvação eterna, é desfrutar da Visão Beatífica e da Presença Santíssima de Deus. Assim sendo, no céu, os bem-aventurados não carecem mais desta virtude: eles já não esperam porque (enfim!) alcançaram. “O Esperado” agora se encontra diante deles!

 

            Em consonância com o que comentei nos dois parágrafos acima aquele site que mencionei no início deste artigo, comenta:

 

            “Existem dois tipos de pecados contra a virtude da Esperança: a presunção e o desespero.

            A presunção consiste em acharmos que podemos possuir a Deus, tanto pela graça (na vida terrena) quanto na vida eterna, sem a ajuda de Deus. Isso acontece muito em pessoas que levam uma vida longe de Deus, sem corrigir seus pecados, sem confissão e comunhão, e que acham que, apesar disso, Deus lhes dará a salvação.

            O desespero consiste em achar que nunca poderemos alcançar a vida eterna, ou que Deus nunca nos perdoará dos nossos pecados. Isso acontece com freqüência em pessoas que passam por muitos sofrimentos e não têm confiança no socorro de Deus. Quando sofremos muito, devemos nos voltar para Deus na oração, com firme certeza da ajuda de Deus que, infinitamente misericordioso, nos ajudará a nos levantar da queda do pecado”.

 

           Uma grande inimiga da Esperança é a impaciência. A tendência ao imediatismo – tão presente no mundo moderno – arrefece a nossa Esperança. Aqui no Nordeste é muito comum ouvir as pessoas repetirem um antigo ditado segundo o qual “quem não tem paciência, não se salva”. A mim parece muito sensata tal colocação. O cristão deve saber esperar o tempo de Deus. E, já que estamos na seara dos ditos populares, lembrei-me de um que o meu pai sempre repete: “as coisas só acontecem de acordo com o rígido e sábio calendário do Todo-Poderoso”. Nesse caso, a voz do povo é a voz de Deus porque a Escritura diz: “Existe um tempo para cada coisa, para tudo há um momento debaixo do céu”. [Ecl 1,3] 😉

            Rezemos um ato de Esperança:

            Meu Deus, espero com firme confiança, que me concederás, pelo mérito de Jesus Cristo, tua graça neste mundo e a felicidade eterna no outro, porque assim o prometeste e sempre és fiel a tuas promessas.

 

            “Spera in Deo, quoniam adhuc confitébor illi: salutáre vultus mei, et Deus meus” (“Espera em Deus, que uma vez mais o quero enaltecer, a Ele, salvação minha e meu Deus”) – Extraído das rubricas para celebração da Missa segundo a sua forma extraordinária.

            “Que venha Obama ao encontro de nossas esperanças, tais como o fim da agressão ao Iraque e do bloqueio a Cuba” (Frei Betto neste artigo).

 

            “A eleição de Obama parece possuir algo de providencial, como se fora um gesto da compaixão divina para com a humanidade. Vivemos tempos dramáticos com grandes crises: a ecológica, a climática, a alimentar, a energética e a econômica. O arsenal conceptual e pratico disponível não oferece condições para forjar uma saída libertadora. Precisamos de uma mudança, de um novo horizonte utópico, de coragem para inventar novos caminhos. Faz-se necessário uma figura carismática que inspire confiança, segurança e serenidade para enfrentar estes cataclismos e galvanizar as pessoas para um novo ensaio de convivência, um modo diferente de arquitetar a economia e de montar um tipo de globalização pluripolar que respeite as diferenças e possa incluir a todos num mesmo destino juntamente com a Casa Comum, a Terra.
Barack Obama preenche estas exigências de carisma. Se for realmente profunda, a esperança criará seu caminho por entre os escolhos e as ruínas da velha ordem”. (Leonardo Boff. Disponível
aqui).

 

            Bom, era de se esperar que essas duas figuras se manifestassem sobre a eleição de Osama. Perdão, Obama. O que me impressionou, porém, no comentário destes dois ícones da Teologia da Libertinagem no Brasil foi o emprego que eles deram à palavra esperança. Tratando da política abortiva que Obama pretende implementar, William Murat questionou o que se pode esperar de alguém que se propõe a ceifar a vida de milhões de inocentes. Obama vai abortar o futuro dos Estados Unidos da América! Como se pode esperar algo bom dele?

            Posto isso, quero aqui fazer uma pequena reflexão sobre a Esperança Cristã.

 

            “A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo. ‘Continuemos a afirmar nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa’ (Hb 10,23). ‘Este Espírito que ele ricamente derramou sobre nós, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que fôssemos justificados por sua graça e nos tornás­semos herdeiros da esperança da vida eterna’ (Tt 3,6-7)” (CIC 1817).

 

            Primeiro: é preciso perceber que a esperança é uma virtude. Não é o mesmo que uma simples expectativa construída a partir de um cenário aparentemente promissor. O cristão espera contra toda a esperança (Rm 4,18). Espera quando ninguém mais espera. Espera mesmo quando o túnel é escuro e não se consegue enxergar nenhuma luz ao fim dele.

            Segundo: o Reino dos céus é o fim último da nossa esperança. Ao contrário do que pensa Libertino Boff, resolver a crise “ecológica, climática, alimentar, energética e econômica” não é a finalidade que vai satisfazer os nossos anseios.

            Terceiro: A esperança cristã se baseia na confiança. Não se pode esperar algo bom de alguém que inspira desconfiança. Só Cristo – que é fiel às suas promessas – é capaz de fazer jus a confiança n’Ele depositada. Spes autem non confundit (A esperança não engana. Rm 5,5).

 

Uma outra definição do catecismo, diz:

 

            “A esperança é o aguardar confiante da bênção divina e da visão beatifica de Deus; é também o temor de ofender o amor de Deus e de provocar o castigo” (CIC 2090).

 

            A respeito desta declaração é importante perceber que o temor de ofender a Deus e de provocar Sua Ira, é também sinal de esperança. Quem espera dias melhores, quem espera novos céus e nova terra (2Pd 3,13), faz por onde não ofender ao Senhor. Quem quer participar do banquete divino terá que usar a veste da esperança, do contrário não participará (Mt 22, 2-14).

            Por fim, quero colocar um trecho belíssimo da Encíclica Spe Salvi, de Sua Santidade, o Papa Bento XVI:

 

            O homem, na sucessão dos dias, tem muitas esperanças – menores ou maiores – distintas nos diversos períodos da sua vida. Às vezes pode parecer que uma destas esperanças o satisfaça totalmente, sem ter necessidade de outras. Na juventude, pode ser a esperança do grande e fagueiro amor; a esperança de uma certa posição na profissão, deste ou daquele sucesso determinante para o resto da vida. Mas quando estas esperanças se realizam, resulta com clareza que na realidade, isso não era a totalidade. Torna-se evidente que o homem necessita de uma esperança que vá mais além. Vê-se que só algo de infinito lhe pode bastar, algo que será sempre mais do que aquilo que ele alguma vez possa alcançar (…) Precisamos das esperanças – menores ou maiores – que, dia após dia, nos mantêm a caminho. Mas, sem a grande esperança que deve superar tudo o resto, aquelas não bastam. Esta grande esperança só pode ser Deus, que abraça o universo e nos pode propor e dar aquilo que, sozinhos, não podemos conseguir” (nº. 30-31).

 

            Nossa esperança é Deus. Obama é ilusão.