Há exatos 40 anos começava a história da relação nada amigável entre a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (à época, ainda em gérmen) e o Novus Ordo (a missa segundo as rubricas do papa Paulo VI). Grifos meus.

Em 10 de Junho de 1971, Mons. Lefebvre, conjuntamente com o claustro do Seminário São Pio X de Ecône (Suíça), manifesta a sua recusa de adoção do Novus Ordo da Missa, do qual tinham afirmado os Cardeais Ottaviani (à época Prefeito do Santo Ofício) e Bacci, em carta dirigida a Paulo VI: «o Novus Ordo Missae (…) afasta-se de maneira impressionante, no conjunto e nos detalhes, da teologia católica da Santa Missa, tal como foi formulada na XXIII Sessão do Concílio de Trento.» (25 de Setembro de 1969).  [Fonte: FSSPX – Brasil]

 

O tempo passou – e está passando – e a briga continua…

Está no site da Folha [com grifos meus]:

Tribunal condena bispo britânico a pagar R$ 23.500 por negar Holocausto

Um tribunal alemão condenou nesta sexta-feira o bispo católico britânico Richard Williamson a pagar uma multa de 10.000 euros (cerca de R$ 23.570) por negar o Holocausto.

O tribunal de Ratisbona (sul da Alemanha) condenou o bispo à revelia por incitação ao ódio racial por causa das declarações que fez a um canal de TV sueco em janeiro de 2009.

[…]

D. Williamson não negou o holocausto enquanto acontecimento histórico. Ele afirmou, na verdade, que não concordava com as proporções do holocausto – divulgadas em estatísticas “oficiais”. É inteiramente diferente. À guisa de esclarecimento, ainda, eu gostaria imensamente que alguém me explicasse o que é exatamente “incitação ao ódio racial”. A meu ver, o pronunciamento de D. Williamson de forma nenhuma instigou quem quer que seja a odiar os judeus. Custa-me crer que o bispo da Fraternidade São Pio X quisesse reinventar o holocausto promovendo o anti-semitismo.

A reportagem me fez recordar as palavras de Nosso Senhor, no Evangelho: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois são semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos mortos e de toda a imundícia” [Mateus 23,7]. É impressionante como a sociedade é hipócrita! Ora, todos os dias alguém dá declarações absurdas e inverídicas à imprensa e ninguém é punido, nem execrado publicamente como D. Williamson está sendo. Abortistas lançam estatísticas falsas sobre a mortalidade materna durante o parto e nem por isso são punidos; teólogos heréticos, como o suíço Hans Küng, falam bobagem à vontade e ninguém os submete à ignomínia; jornalistas maliciosos fazem acusações falsas e insinuações tendenciosas e ninguém diz nada; historiadores mentirosos ensinam a história como eles gostariam que ela tivesse acontecido e nem por isso são vilipendiados como mereciam [aliás, que saudade daquela distinção que a língua portuguesa outrora fazia entre “estória” e “história”…].

Agora eu pergunto: quantos, dos padres e bispos “sem-noção” que já escreveram bobagens muito mais danosas à imagem [e até à Fé da Igreja], pediram publicamente perdão pelo constrangimento que causaram? Quantas vezes Frei Betto, Marcelo Barros, Dom Pedro Casaldáliga, Dom Clemente Isnard e tantos outros que – costumeiramente – fazem a verborragia de suas ideias pediram perdão ao Santo Padre ou a quem quer que tenham ofendido?

Fique bem claro que eu não estou assumindo a defesa do posicionamento de D. Williamson. Apenas estou dizendo que a sociedade, mesmo a que está dentro da Igreja, é relapsa e condescendente com tanta coisa inadmissível que é dita publicamente e, no entanto, age com rigor implacável para condenar um bispo da Igreja Católica. Penso que se D. Williamson ofendeu a comunidade judaica – ou quem quer que seja – ele já teve a sua punição: fez um pedido público de perdão pelo “constrangimento” que causou; foi expulso da Argentina; reduzido ao silêncio no seio da comunidade religiosa em que vive. Enfim, já não basta? Como certa vez eu comentava com um amigo: “o que querem mais? Que ele saia e se autoflagele em praça pública pelo dano que causou?”.

Ademais, D. Williamson – até onde me consta – ainda tem direitos. Se fosse algum insensato falando bobagens ofensivas à Igreja, em um piscar de olhos seriam reivindicados todos os direitos para respaldar as declarações non sense. Ora, onde está o direito à liberdade de expressão de D. Williamson? Onde está o direito dele à livre manifestação de opinião? Onde está a liberdade de consciência dele? O sacerdócio lhe priva de tais direitos? Ou será que o fato de ser membro de uma fraternidade “integrista” o faz perder essas benesses do Direito?

Pelo jeito, ser hipócrita é fácil. Difícil é ser padre.

I – Discussões entre Roma e a FSSPX

 

Para quem está acompanhando o andamento das conversações entre Roma e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, vale a pena ler uma recente entrevista – publicada no Fratres in Unum – concedida por Dom Bernard Fellay, superior geral da FSSPX.

 

II – Um alerta: a difamação de Georg Ratzinger

 

A BBC Brasil publicou esta matéria sobre a investigação de abusos cometidos contra menores por parte de sacerdotes na Holanda. Algo semelhante já havia saído no Jornal da Globo. Mas, atenção! O Oblatvs já havia denunciado a campanha difamatória que se está instaurando contra o irmão do Papa, Pe. Georg Ratzinger. É preciso estar atento e ler as entrelinhas das notícias porque alguns inimigos da Igreja – que nunca gostaram da eleição do papa “inquisidor”- usam este tipo de artimanha para atingir o Servo dos servos de Deus. É, portanto, bastante salutar ler em Zenit a abordagem que o Padre Federico Lombardi, S.J., “porta-voz” da Santa Sé, apresentou sobre os casos de abuso sexual envolvendo membros do clero.

 

III – Movimento Graal

 

Você conhece o Movimento Graal? Não? Eu também não conhecia. Descobri-o por acaso por causa de uma entrevista     postada na Agência Ecclesia. A descrição do movimento que encontrei neste site me cheirou a enxofre, digo, à Teologia da Libertação… Vejam:

O Movimento do Graal é uma organização Internacional de Mulheres que trabalha na busca comprometida com a transformação do mundo em uma comunidade de justiça e Paz. Fundado na Holanda em 1921, é um movimento ecumênico, cultural e social, presente hoje em 17 países, com status consultivo no Conselho Econômico e Social da ONU desde 1998. Está presente no Brasil desde a década de 40. Tendo como base de ação a educação popular, atua por meio de programas e projetos sociais em comunidades urbanas e rurais, na transformação das relações sociais entre homens e mulheres.

 

IV – Oração do Cardeal Ruini

 

Na XV Jornada Mundial da Juventude, ocorrida no Ano Santo de 2000, o Cardeal Camillo Ruini foi convidado a fazer a reflexão da Via Sacra, no coliseu de Roma. Naquela ocasião ele escreveu esta bela oração, da qual destaco:

Senhor, abri a nossa inteligência, orientai e revigorai a nossa vontade e liberdade, para podermos compreender que a vossa cruz é a suprema dádiva do amor de Deus Pai, a perfeita expressão da vossa obediência e liberdade, o lugar mais misterioso de todos, o mais terrível mas também o mais consolador, no qual a bondade e a misericórdia de Deus se encontram com a malícia do nosso coração, com a interminável história do pecado, do sofrimento e da morte.

Contra todas as dúvidas, perplexidades e hesitações que atormentam a nossa alma e fazem incerto o nosso caminho, tornai-nos capazes, Senhor Jesus, de ver e de admirar a fecundidade inexaurível da vossa cruz, as flores e os frutos de santidade, de amor, de liberdade, de justiça e de paz que nasceram e amadureceram ao longo destes dois mil anos de cristianismo.

Sim, Senhor Jesus, Vós respeitais até ao fim a nossa liberdade frágil, e assim o pecado continua a abundar, mas a vossa graça é superabundante, é mais vigorosa e mais fecunda de bem. Foi assim que aconteceu, Senhor Jesus, com todos os Mártires que derramaram o próprio sangue à vossa semelhança, com todos os Santos e Santas que souberam amar com o vosso mesmo amor.

Amém!

             Primeiro: O Wagner Moura indicou uma lista de “cinco trabalhos de D. José”. Penso que já temos a comprovação das virtudes heróicas…;)

 

            Segundo: Zenit publicou esta matéria sobre a questão das Testemunhas de Jeová e a rejeição do sangue. Trago aqui apenas o “caput” da notícia. Mas recomendo fortemente que – a título de instrução doutrinária – seja lido o parecer bíblico do Dr. Vicente Jana Vera. Depois de ler, duvido que alguém ainda se pergunte por que os membros desta seita rejeitam sangue.

 

Por Vicente Jara Vera

 

MADRI, domingo, 2 de agosto de 2009 (ZENIT.org).- Uma mulher de 61 anos, testemunha de Jeová, faleceu no sábado passado em Sevilha (Espanha), após ter sofrido um acidente de carro, porque em um documento de vontades antecipadas, rejeitava receber qualquer tipo de transfusão sanguínea devido às suas convicções religiosas.

Está baseada na Bíblia a proibição de comer ou receber sangue, inclusive por transfusão, ou de qualquer outra forma? A esta questão responde nesta análise Vicente Jara Vera, membro da Rede Ibero-americana de Estudo das Seitas (RIES), diretor do programa “Conheça as seitas”, emitido quinzenalmente pela Rádio Maria na Espanha.

 

             Terceiro: O Fratres in Unum publicou uma entrevista muito interessante com Dom Fellay, Superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. O bispo tem posições, eu diria, bastante temperamentais. Suas respostas são diretas e claras. Vale a pena ler na íntegra. Eis alguns trechos:

 

(…)

Q: O senhor considera que no Vaticano haja uma sensibilidade excessiva com relação às expectativas do mundo judeu, sobre o ‘caso Williamson’, bem como sobre a oração de sexta-feira santa?

R: Sim, eu acho. Eu mesmo fico embaraçado – exceto com o que aconteceu no caso de Dom Williamson – quando vejo judeus que se ocupam dos assuntos da Igreja Católica. Não é a sua religião. Deixem-nos em paz. São questões que dizem respeito à Igreja Católica. Se nós queremos rezar pelos judeus, rezaremos pelos judeus no modo que quisermos. Não sei se eles rezam por nós, mas diria que é um problema deles.

(…)

Q: E sobre o Concílio, o senhor aceitará fazer concessões a Roma?

R: Não devemos fazer qualquer concessão sobre o Concílio. Não tenho nenhuma intenção de fazer concessões. A verdade não suporta concessões. Não queremos um compromisso, queremos clareza sobre o Concílio.

(…)

Q: L’Osservatore Romano falou de Calvino, Michael Jackson, Harry Potter, Oscar Wilde. O que o senhor acha?

R: Eu me pergunto: é realmente o papel do L’Osservatore Romano se ocupar destas coisas?  Esta é uma primeira pergunta. E a segunda pergunta é: Aquilo que diz sobre essas pessoas é realmente a coisa justa? Tenho um olhar bastante crítico sobre estas apresentações.

(…)

Q: O que pensa de Bento XVI?

R: É uma pessoa íntegra, que toma a situação e a vida da Igreja muito seriamente.

            A meu ver, a entrevista abaixo, publicada pelo Fratres in Unum, ainda vai dar o que falar nos meios tradicionalistas…

Cardeal Walter Kasper: “A atitude da FSSPX não é católica”

Excertos de entrevista concedida pelo Cardeal Walter Kasper a RP Online:

A FSSPX, que atualmente está na boca do povo, justifica a sua ação como atos emergenciais contra o enfraquecimento da Fé. Será que essa afirmação não é um exagero?

Kasper: Eu até posso compartilhar da análise dos sintomas de deficiência, embora eu não veja as coisas tão negras como a FSSPX. Todavia, não posso pensar de modo algum que um grupo vindo da desobediência possa renovar a Igreja. Você tem que ler o que alguns membros da FSSPX disseram sobre João Paulo II, sobre o Papa atual, inclusive sobre mim – são coisas inacreditáveis.

Os líderes da SSPX são insolentes?

Kasper: A julgar pela atitude deles uma renovação da Igreja é impossível. A atitude da FSSPX também não é católica. Não é possível que indivíduos determinem o que é doutrina Católica. A FSSPX segue basicamente um princípio protestante. Eles se arrojam ao Magistério sobre o Magistério e querem dizer de maneira vinculante o que pertence ou não à tradição eclesiástica.

Seriam esses casos perdidos?

Kasper: Em todo caso, eles não representam um grande perigo para a Igreja. Devemos tentar discutir com eles a fim de obter unidade. Porém, a FSSPX deve refletir sobre o gesto magnânimo do Papa. Na verdade, até agora, não vejo nenhum sinal de reflexão por parte deles. A Igreja Católica não entende a Tradição como a FSSPX, ou seja, de maneira congelada no tempo anterior ao Concílio. Somos uma Igreja viva.

 CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 8 de julho de 2009 (ZENIT).- Publicamos a carta apostólica de Bento XVI, em forma de “motu proprio”, “Ecclesiae unitatem“, sobre a Comissão Pontifícia “Ecclesia Dei”.

 MOTU PROPRIO DATAE

BENEDICTUS PP. XVI

            1. A tarefa de custodiar a unidade da Igreja, com a solicitude de oferecer a todos a ajuda para responder de forma oportuna a esta vocação da graça divina, corresponde em particular ao Sucessor do Apóstolo Pedro, que é perpétuo e visível fundamento da unidade seja dos bispos ou dos fiéis. A prioridade suprema e fundamental da Igreja em todos os tempos, de levar os homens até o encontro com Deus, deve favorecer-se mediante o compromisso de alcançar o testemunho comum de fé de todos os cristãos.

            2. Em fidelidade a esse mandato, depois do ato com o qual o arcebispo Marcel Lefebvre, a 30 de junho de 1988, conferiu ilicitamente a ordenação episcopal a quatro sacerdotes, o Papa João Paulo II, de venerada memória, instituiu, a 2 de julho de 1988, a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, com a tarefa de colaborar com os bispos, os dicastérios da Cúria Romana e os ambientes interessados, com o objetivo de facilitar a plena comunhão eclesial dos sacerdotes, seminaristas, comunidades ou simples religiosos e religiosas, ligados até então, de várias formas, à Fraternidade fundada por Monsenhor Lefebvre, que desejam permanecer unidos ao Sucessor de Pedro na Igreja Católica, conservando suas tradições espirituais e litúrgicas à luz do Protocolo firmado a 5 de maio anterior pelo cardeal Ratzinger e Monsenhor Lefebvre.

            3. Na mesma linha, aderindo fielmente à própria tarefa de servir à comunhão universal da Igreja também em sua manifestação visível e fazendo todos os esforços possíveis para que todos os que sentem realmente o desejo de unidade possam permanecer nela ou reencontrá-la, ampliei e atualizei, com o Motu Proprio “Summorum Pontificum”, a indicação geral contida no Motu Proprio “Ecclesia Dei”, sobre a possibilidade de utilizar o Missale Romanum de 1962, através de normas mais precisas e detalhadas.

            4. No mesmo espírito e com o mesmo compromisso de favorecer a superação de qualquer fratura e divisão na Igreja e de curar uma ferida sentida cada vez com mais dor no tecido eclesial, retirei a excomunhão dos quatro bispos ordenados ilicitamente por Monsenhor Lefebvre. Com essa decisão, quis eliminar um impedimento que poderia prejudicar a abertura de uma porta ao diálogo e convidar assim os bispos e a Fraternidade São Pio X a reencontrar o caminho para a plena comunhão com a Igreja. Como expliquei na Carta aos Bispos católicos de 10 de março passado, o levantamento da excomunhão foi uma medida no âmbito da disciplina eclesiástica para liberar as pessoas do peso de consciência que representava a censura eclesiástica mais grave. Mas as questões doutrinais, obviamente, permanecem e, até que não se esclareçam, a Fraternidade não tem um estatuto canônico na Igreja e seus ministros não podem exercer de forma legítima nenhum ministério.

            5. Dado que os problemas que se devem abordar agora com a Fraternidade são de natureza essencialmente doutrinal, decidi, vinte e um anos depois do Motu Proprio “Ecclesia Dei” e de acordo com o que tinha pensado fazer, reorganizar a estrutura da Comissão “Ecclesia Dei”, ligando-a estreitamente com a Congregação para a Doutrina da Fé.

            6. A Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei” terá, portanto, a seguinte configuração:

a) O Presidente da Comissão é o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé;

b) A Comissão tem seu próprio organograma composto pelo Secretário e os Oficiais;

c) A tarefa do Presidente, ajudado pelo Secretário, será expor os casos principais e as questões de caráter doutrinal para o estudo e discernimento das instâncias ordinárias da Congregação para a Doutrina da Fé, além de submeter os resultados à disposição superior do Sumo Pontífice.

            7. Com esta decisão, quis, em particular, demonstrar solicitude paterna para a Fraternidade São Pio X, com a finalidade de reencontrar a plena comunhão com a Igreja.

            Peço a todos que rezem sem descanso ao Senhor pela intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, “ut unum sint“.

            Dado em Roma, em São Pedro, dia 2 de julho de 2009, quinto ano de nosso Pontificado.

BENEDICTUS PP. XVI

           

            De fato, a Deus nada é impossível. Digo isto porque eu, pessoalmente, achava que a situação da Fraternidade Sacerdotal São Pio X jamais se resolveria.

            Aos que não sabem do que se trata, farei um breve histórico do caso:

            Em 30 de Junho de 1988, o Arcebispo Marcel Lefebvre procedeu à sagração episcopal de 4 sacerdotes sem a autorização de Roma. De acordo com o direito canônico, estes 4 sacerdotes, bem como o bispo que conduziu a ordenação (D. Marcel Lefebvre), estão automaticamente fora da comunhão com a Igreja (é o que se chama Excomunhão Latie Sententiae). A respeito disto o Vaticano fez a seguinte declaração:

            “Em si mesmo, tal ato foi uma desobediência ao Romano Pontífice em matéria gravíssima e de importância capital para a unidade da Igreja, como é a ordenação dos bispos, mediante a qual é mantida sacramentalmente a sucessão apostólica. Por isso, tal desobediência – que traz consigo uma rejeição prática do Primado romano – constitui um ato cismático. Ao realizar tal ato, não obstante a advertência formal que Ihes foi enviada pelo Prefeito da Congregação para os Bispos no passado dia 17 de Junho, Mons. Lefebvre e os sacerdotes Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta, incorreram na grave pena da excomunhão prevista pela disciplina eclesiástica (…) Não se pode permanecer fiel à Tradição rompendo o vinculo eclesial com aquele a quem o próprio Cristo, na pessoa do Apostolo Pedro, confiou o ministério da unidade na sua Igreja”.

            E advertiu aos fiéis que, porventura, apoiassem a atitude e o movimento de Mons. Lefebvre:

 

            “Ninguém deve ignorar que a adesão formal ao cisma constitui grave ofensa a Deus e comporta a excomunhão estabelecida pelo Direito da Igreja”.

 

            A origem da rebeldia de Monsenhor Lefebvre estava ligada a uma não aceitação do Concílio Vaticano II, bem como da reforma litúrgica por ele proposta.

 

            No Fratres in Unum encontra-se o texto integral do decreto, tão esperado, que cancela a censura a de excomunhão imposta àqueles bispos, que manifestaram seu desejo de voltar à comunhão plena com o Romano Pontífice. Com alegria, publico-o:

 

DECRETO DA CONGREGAÇÃO PARA OS BISPOS

            Com carta de 15 de Dezembro de 2008 endereçada a Sua Eminência o Sr. Cardeal Dario Castrillón Hoyos, Presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, Mons. Bernard Fellay, também em nome dos outros três bispos consagrados em 30 de Junho de 1988, solicitava novamente a remoção da excomunhão latae sententiae formalmente declarada por Decreto do Prefeito desta Congregação para os Bispos em data de 1° de Julho de 1988. Na mencionada carta, Mosenhor Fellay afirma, entre outras coisas: “Estamos sempre firmemente determinados na vontade de permanecer católicos e de colocar todas as nossas forças a serviço da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Igreja Católica Romana. Nós aceitamos os seus ensinamentos com ânimo filial. Acreditamos firmemente no Primado de Pedro e em suas prerrogativas, e por isso nos faz sofrer tanto a situação atual”.

            Sua Santidade Bento XVI – paternamente sensível ao desconforto espiritual manifestado por pelos interessados por causa da sanção de excomunhão, e confiando no compromisso expresso por eles na cidade carta de não poupar esforço algum para aprofundar as questões ainda abertas em necessárias conversações com as Autoridades da santa Sé, e poder assim chegar rapidamente a uma plena e satisfatória solução do problema existente em princípio, decidiu reconsiderar a situação canônica dos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta, relativa a sua sagração episcopal.

            Este ato expressa o desejado de consolidar as relações recíprocas de confiança, intensificar e fazer mais estáveis as relações da Fraternidade São Pio X com a Sé Apostólica. Este dom de paz, ao término das celebrações do Natal, aspira também a ser um sinal para promover a unidade na caridade da Igreja universal, e por seu meio, retirar o escândalo da divisão.

            Desejando que este passo seja seguido sem demoras da plena comunhão com a Igreja de toda a Fraternidade São Pio X, em testemunho de uma verdadeira fidelidade e de um verdadeiro reconhecimento do Magistério e da autoridade do Papa através da prova da unidade visível.

            Conforme as faculdades que me foram expressamente concedida pelo Santo Padre, Bento XVI, em virtude do presente Decreto, cancelo aos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfons de Galarreta a censura de excomunhão latiae sententiae declarada por esta Congregação em 1 de julho de 1988 e declaro privado de efeitos jurídicos a partir do dia de hoje o Decreto então publicado.

Roma, Sagrada Congregação para os Bispos, 21 de janeiro de 2009.

Cardeal Giovanni Batista Re
Prefeito da Sagrada Congregação para os Bispos

COMUNICADO DA SALA DE IMPRENSA DA SANTA SÉ

            O Santo Padre, depois de um processo de diálogo entre a Sé Apostólica e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, representada pelo seu Superior Geral, S.E. Mons. Bernard Fellay, acolheu o pedido formulado novamente por esse Prelado em uma carta de 15 de Dezembro de 2008, também em nome dos outros três bispos da Fraternidade, S.E. Mons. Bernard Tissier de Mallerais, S.E. Mons. Richard Williamson e S.E. Mons. Alfonso del Gallareta, de revogar a excomunhão em que incorreram vinte anos atrás.

            Por causa, realmente, da consagração episcopal feita, em data de 30 de junho de 1988, por S.E. Mons. Marcel Lefebvre, sem mandato pontifício, os quatro mencionados prelados incorreram em excomunhão latiae sententiae, formalmente declarada pela Congregação para os Bispos, em data de 1 de Julho de 1988.

            S.E. Mons. Bernard Fellay, na citada missiva, manifestava claramente ao Santo Padre que: “Estamos sempre firmemente determinados na vontade de permanecer católicos e de colocar todas as nossas forças a serviço da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a Igreja Católica Romana. Aceitamos os seus ensinamentos com ânimo filial. Acreditamos firmemente no Primado de Pedro e em suas prerrogativas, e por isso nos faz sofrer tanto a situação atual”.

            Sua Santidade Bento XVI, que tem acompanhado desde o início este processo, sempre procurou recompor o rompimento com a Fraternidade, também se encontrou pessoalmente com S.E. Mons. Bernard Fellay em 29 de agosto de 2005. Naquela ocasião, o Sumo Pontífice manifestou a vontade de proceder por graus e em prazo razoável em tal caminho e agora, benignamente, com solicitude pastoral e paterna misericórdia, mediante decreto da Congregação para os Bispos de 21 de Janeiro de 2009, revoga a excomunhão que pesava sobre os mencionados prelados. O Santo Padre foi inspirado nessa decisão na esperança que se chegue em breve à completa reconciliação e à plena comunhão.

 

Ut Omnes unum sint (Que todos sejam um)!