julho 2009


           

            Detesto ter que admitir que há, na Igreja, um conflito entre a mentalidade tradicionalista e a progressista. Na verdade, com esses dois grupos, em si, não há problemas. O problema é o excesso. O problema resume-se aos rad-trads e aos modernistas. Ambas as mentalidades são nocivas, porque extremistas. Sabiamente diziam os Santos Padres: Virtus in medio (“a virtude está no meio”). Pena que muitas pessoas não buscam este equilíbrio. Tradicionalistas exagerados,  por não serem sensíveis às mudanças do mundo, tornam-se alienados:  passam a achar que a realidade é puramente filosófica e não material; arvoram-se em censores da Santa Sé como se todo documento ou publicação da Igreja devesse passar pelo crivo de suas análises. Pobres rad-trad’s! Por outro lado, progressistas exagerados acham que a Igreja “precisa se adaptar” ao tempo presente; acabam se conformando (se amoldando) ao mundo; acabam achando que as questões de fé podem ser decididas “democraticamente”; acabam caindo na heresia e no relativismo; acabam, enfim, aderindo ao modernismo (que é ateísmo disfarçado) e, não raro, cometem o pecado de apostasia. Pobres modernistas!

              Mais que defender os verdadeiros tradicionalistas, bem como os verdadeiros progressistas, quero aqui defender a virtude da Prudência: virtude esta que nos ajuda a conservar em nós o que é bom e a progredir no conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. É ela – a Prudência – que nos permite viver um catolicismo sadio e equilibrado, isto é, desprovido de excessos (quaisquer que sejam eles). Creio que assim pensem os prudentes:

             Não somos inimigos do Concílio Vaticano II. Os rad-trad’s é que o são! Consideramo-lo válido e útil. Como válidos e úteis foram os Concílios de Trento,  de Nicéia, de Éfeso, etc. Todos tiveram a sua importância. Não significa que uns sejam melhores que outros. Quem pensa assim são os modernistas! Eles acham que o Vaticano II é ponto de partida para tudo – como se fosse mais que os concílios anteriores; pior: é como se o Vaticano II revogasse os anteriores! Isto nós não aceitamos. A Suprema Autoridade da Igreja que redigiu e aprovou a Lumen Gentium, por ex., é a mesma que compôs cada um dos anátemas do Concílio de Trento. Ambas as coisas são válidas e não contraditórias. 

            Quando chamamos o padre de “Reverendíssimo”, o bispo de “Excelência”, os Cardeais de “Eminência” e o Santo Padre de “Santidade” não estamos querendo, simplesmente, fazer “discurso bonito” para impressionar, muito menos adular ninguém. Estamos apenas tratando-os como merecem; em plena conformidade com a dignidade e a responsabilidade que assumiram como servos do Deus Altíssimo. Agir com o devido decoro é uma questão de educação. Quem age e fala sem a mínima noção de respeito ou é modernista ou é rad-trad! Como fautores do processo de laicização do clero e clericalização do laicato, dispensam o tratamento devido aos autênticos ministros de Deus.

            Quando gostamos de ver os padres vestidos de batina, não estamos dizendo que a eles seja proibido usar outro tipo de veste. Não estamos querendo que assumam e conservem uma aparência que não corresponde à sua vida de sacerdote. Sabemos que a batina não é sinal de ostentação, mas de pertença a Deus. Sabemos que “o hábito não faz o monge, mas o distingue de longe”. Cremos firmemente na boa intenção dos sacerdotes que usam batina, isto é, acreditamos que usar uma batina não significa usar uma máscara: o padre que usa as vestes clericais não está, necessariamente, querendo com elas esconder uma vida de pecado. O problema é que nós somos mais ousados: queremos padres santos e de batina (por que não?)!

            Quando preferimos receber a comunhão diretamente na boca não estamos discordando de que ela possa ser distribuída na mão dos fiéis. A autoridade da Igreja assim o permitiu e declarou e nós acatamos tal decisão. Nós não achamos que a boca (muitas vezes maledicente e impura) é mais digna que a mão para receber Nosso Senhor. A questão não é essa. Não estamos olhando a coisa sob a ótica da nossa dignidade, mas da dignidade d’Ele! Sabemos que nem a boca, nem a mão, nem parte alguma do nosso corpo é digna de receber o Santíssimo Corpo do Filho de Deus. Apenas achamos (dentro do campo das discordâncias legítimas) que a atitude mais reverente para receber a Sagrada Comunhão é, como fizeram um sem-número de santos, diretamente na boca e, se possível, de joelhos. Que mal há nisso? Donde procede que, com tal atitude, queiramos demonstrar que somos mais piedosos que outros?

            Não somos “rubricistas”. Ao contrário dos rad-trad’s. Não somos dotados de um preciosismo literário que só enxerga a letra e não o espírito dela. Pelo contrário – queremos mais! – queremos que a letra e o espírito unam-se numa mesma finalidade: o louvor de Deus Onipotente. Buscamos obedecer à Igreja. Ao contrário dos modernistas, que – na sua jactância – acham que são mais que a Esposa de Cristo, e, por isso, têm o direito de sair por aí compondo ou editando orações eucarísticas (por ex.) a seu bel-prazer, desde que se mantenha o “espírito da letra”.  Não fazemos acomchambrado litúrgico para justificar os nossos excessos, nem tampouco rejeitamos o Missal de Paulo VI. Aceitamos tudo tal e qual a Igreja nos coloca.

            Não somos “espiritualóides”. Sabemos que a fé não é pregada a anjos (que são só espírito), mas a homens – de carne e osso. Não é porque falamos em “almas” que a nossa pregação é “desencarnada”. Os modernistas é que – refugiando-se numa linguagem sentimentalista – querem fazer com que a emoção sobrepuje a razão. Querem dar mais importância às experiências espirituais que às experiências de vida e de fé. Esquecem-se eles de que “a Fé e a Razão constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade (Fides et Ratio).  Esquecem-se eles da argüição de Nosso Senhor no Evangelho: “Que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida?” (Mc 8, 36). Esquecem-se eles de que São João Bosco não tinha como lema “dai-me almas (com corpos)”, mas simplesmente “dai-me almas”. Sabemos que é impossível que uma alma amiga de Deus seja humanamente desequilibrada: quem está perto de Deus consegue driblar toda e qualquer situação fática de ordem material. Mas também não pensamos como os rad-trad’s que muitas vezes, num acesso de estoicismo, querem arrancar dos homens o componente emocional: as paixões, as emoções, etc. Sabemos que os sentimentos fazem parte de nós, mas devemos discernir bem quais são eles, bem como dominar os que podem nos conduzir à perdição.

            Não nos sentimos “donos da Verdade”. Muito pelo contrário: sabemos que a custódia da Verdade é de responsabilidade da Igreja Católica Apostólica Romana, nossa Mãe, aos pés de quem desejamos aprender cada vez mais. Quem pensa diferente ou é modernista ou é rad-trad! Eles, com a sua teologia barata, querem superar a Sã Doutrina. Preferimos seguir os pronunciamentos do Santo Padre e do Magistério Autêntico da Igreja a aderir à teologia barata de um “Zé ninguém“. As ideologias passam; o ensino catequético da Igreja, porém, permanece.

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 Zenit publicou :

 “Perda do estado clerical do Pe. Vlasic não é juízo sobre Medjugorje” – Declara o procurador geral da Ordem dos Franciscanos

 

Por Jesús Colina

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 29 de julho de 2009

 

            A aceitação por parte de Bento XVI da perda do estado clerical do Pe.Tomislav Vlasic não constitui um juízo sobre os testemunhos de aparições de Maria em Medjugorje, declara o procurador geral da Ordem dos Irmãos Menores(Franciscanos).

            O Pe. Francesco Bravi informou nesta quarta-feira a ZENIT que a medida não foi imposta pela Santa Sé, mas aconteceu em resposta ao pedido apresentado pelo até agora sacerdote franciscano de ser dispensado não só do celibato sacerdotal, mas também dos votos religiosos.

            “Ele o pediu”, explica Pe. Bravi, sublinhando que, ainda que seja verdade que Vlasic era vice-pároco de Medjugorje quando aconteceram os primeiros testemunhos destas aparições, que estão sendo analisadas pela Santa Sé, viveu mais de duas décadas na Itália.

            Era religioso da província franciscana de São Bernardino de Sena (Áquila) e havia fundado a comunidade “Kraljice mira potsuno Tvoji – po Mariji k Isusu” (Rainha da Paz, todos teus – a Jesus por Maria –).

            Vlasic pediu à Santa Sé para ser dispensado das obrigações próprias do ministério sacerdotal, declara esta fonte, porque não quer aceitar as sanções que lhe havia imposto a Congregação para a Doutrina da Fé com um decreto (protocolo 144/1985) de 25 de janeiro de 2008, assinado pelo cardeal William Levada e pelo arcebispo Angelo Amato, respectivamente presidente e secretário da Congregação.

            No decreto, que foi divulgado por Dom Ratko Peric, bispo de Mostar-Duvno, a diocese na qual se encontra Medjugorje, por encargo da própria Congregação vaticana, explicava que as sanções se impuseram diante das acusações contra o sacerdote recebidas “por difusão de doutrina duvidosa, manipulação de consciências, misticismo suspeito, desobediência a ordens legítimas e cargos *contra sextum*” (ou seja, contra o sexto mandamento).

            O decreto estabelecia cinco sanções, entre elas a obrigação de permanecer em uma casa da Ordem Franciscana da região de Lombardia (Itália), determinada pelo ministro geral da Ordem, Pe. José R. Carballo, e a proibição de manter toda relação com a comunidade Rainha da Paz e com seus membros.

            O decreto proibia que o então sacerdote mantivesse assuntos ou negócios sem permissão escrita do ministro geral da Ordem e estabelecia a obrigação de haver um curso de formação teológico-espiritual, reconhecido pela Congregação, que devia avaliar os resultados, e uma solene profissão de fé.

            Por último, proibia “o exercício da atenção de almas, a pregação, as intervenções públicas” e lhe negava a faculdade de confessar “até o cumprimento dos termos descritos”.

            O Pe. Bravi informa a Zenit que o sacerdote não reconheceu as acusações que lhe foram dirigidas e que por este motivo tampouco aceitou as sanções. Diante desta rejeição, pediu para ser dispensado do exercício de seu ministério sacerdotal e de sua condição de religioso.

            Ao mesmo tempo, o sacerdote recebeu a proibição absoluta de exercer qualquer forma de apostolado, assim como fazer declarações, em especial sobre Medjugorje.

            O Pe. Vlasic teve um papel importante no início dos relatos das aparições de Maria referidos pelos seis jovens da região da Bósnia-Herzegóvina em 1981, pois trabalhava nessa paróquia, ainda que não era o pároco. Em 1985, contudo, mudou-se para a Itália.

            Fez publicamente e por escrito interpretações dos mesmos, mas em algumas ocasiões  foi contradito pelos videntes.

            Por exemplo, afirmou que a comunidade que ele fundou, Rainha da Paz, nasceu por expresso desejo de Nossa Senhora, algo que a vidente Marija Pavlovic negou em uma carta enviada à Santa Sé.

            O bispo de Mostar se declarou publicamente contra os testemunhos das aparições de Medjugorje, mas o dossiê está sendo estudado agora na Congregação para a Doutrina da Fé.

            No livro publicado pelo cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado de Bento XVI e antigo secretário dessa Congregação vaticana, “A última vidente de Fátima” (*La Esfera de los Libros*, 09/10/2007), o prelado afirma que “as declarações do bispo de Mostar refletem uma opinião pessoal, não são um juízo definitivo e oficial da Igreja. Tudo se deve remeter à declaração dos bispos da antiga Iugoslávia em Zara, de 10 de abril de 1991, que deixa a porta aberta para futuras investigações. A verificação, portanto, deve seguir adiante. Enquanto isso, estão permitidas as peregrinações privadas com um acompanhamento pastoral dos fiéis. De fato, todos os peregrinos católicos podem ir a Medjugorje, lugar de culto mariano, onde há possibilidade de expressar-se com todas as formas devocionais”.

            Uma das irmãs mais antigas, espectadora diária dos atos de Madre Teresa, testemunha a enorme fé que tinha na Eucaristia:

 

“A Madre recebia diariamente a Sagrada Comunhão com enorme devoção. E se acontecesse de uma segunda Missa ser celebrada na Casa Mãe em determinado dia, tentava sempre assistir, mesmo que estivesse muito ocupada. Escutava-a dizer em tais ocasiões: ‘Que bonito é receber Jesus duas vezes hoje’. A profunda reverência que a Madre tinha pelo Santíssimo Sacramento era um sinal da fé profunda que tinha na Presença Real de Jesus sob as aparências, gestos com genuflexões – até com ambos os joelhos na presença do Santíssimo Sacramento exposto, mesmo quando já estava bem idosa – as suas posturas tais como ajoelhar-se e juntar as mãos, a preferência por receber a Sagrada Comunhão na boca, tudo isso são provas da fé que tinha na Eucaristia”.

Fonte: Madre Teresa – Venha, seja minha luz!  Pg. 220. Rio de Janeiro. Tomás Nelson Brasil, 2008. Autor: Brian Kolodiejchuk.

 

            Ontem, conversando com sacerdotes amigos, Jorge Ferraz e eu soubemos da publicação do livro Vitória da Fé.  A obra, concebida pelo Prof. Dr. Elcias Ferreira da Costa (membro do Círculo Católico de Pernambuco), reúne uma série de relatos históricos (jornais, cartas e afins) desde a época de D. Hélder Câmara até os dias de hoje. O livro, perpassando os principais fatos e pessoas que compõem a história desta – tão conturbada – Arquidiocese de Olinda e Recife, demonstra como a trajetória de D. José como Arcebispo foi, de fato, vitoriosa.

            Não posso dizer muita coisa a respeito do livro porque ainda não o adquiri [coisa que farei hoje sem falta ;)]. Contudo, não me contentei em indicar-lhes tão precioso trabalho. Como comentávamos ontem, há muitas pessoas que ouvem apenas um eco distorcido do passado sem saber como as coisas realmente aconteceram; sem saber, pelo menos, como as pessoas que vivenciaram situações passadas encaravam e entendiam os acontecimentos. É, portanto, muito oportuno que o Dr. Elcias nos desvele (com fundamentação jornalística) o mistério que envolve a história desta Arquidiocese.

            O livro encontra-se à venda na Flor do Carmelo (ao lado da Basílica de Nossa Senhora do Carmo). Não tenho conhecimento se ele já se encontra em outras livrarias do Recife.

Vaticano preparado para enfrentar a Gripe A

            O diretor dos serviços de saúde e higiene do Estado do Vaticano, Giovanni Rocchi, revelou que estão a ser tomadas as medidas consideradas necessárias para fazer face à pandemia da Gripe A-H1N1, mas recusou qualquer tipo de “alarmismo”.

            De momento, diz este responsável, não está previsto qualquer procedimento para evitar ajuntamentos de pessoas, como acontece com as habituais audiências gerais de quarta-feira ou nas celebrações litúrgicas.

            Segundo Giovanni Rocchi, isto não significa “olhar com ligeireza para a pandemia” nem exclui, em absoluto, que o Vaticano possa “decidir em consciência suspender provisoriamente acontecimentos de massa”, se chegarem indicações da OMS nesse sentido e forem adotados na Itália “determinados procedimentos” face às mesmas.

            Em declarações à edição deste sábado do jornal “L’Osservatore Romano”, Rocchi assegura que o Vaticano fará sempre uma “observação séria, atenta e equilibrada dos dados que chegarem da Organização Mundial de Saúde”, estando já a preparar o habitual plano de vacinação, para o outono.

            Neste sentido, é excluída de momento qualquer forma particular de atuação imediata para além da observação de quantos chegam ao Vaticano, após viagens a países de risco, e apresentam sinais de gripe.

            “Preparamo-nos, como há mais de uma década, para o habitual ciclo de vacinação previsto para o início da estação do inverno. Inclui todos os habitantes do Vaticano”, diz o diretor. O número de vacinados é de mais de mil pessoas, entre funcionários e seus familiares.

            Rocchi assegura que “assim que estiver disponível a vacina específica para a Gripe A” será proposto à administração do Estado da Cidade do Vaticano um segundo ciclo de vacinação, que se poderia multiplicar.

            O diretor dos serviços de saúde e higiene do Estado do Vaticano admite que conta com a chegada do H1N1 no outono, dada a “dimensão pandêmica” da gripe em causa, mas frisa que esta preocupação não pode levar a descurar a atenção às outras estirpes. “É nossa missão assegurar a saúde, para além do Papa e dos seus colaboradores mais diretos, a todos os que são indispensáveis para o funcionamento e a segurança do Estado”, indica.

            Não acreditando que a vacina de Gripe A esteja disponível antes do fim do ano, Giovanni Rocchi adianta que o Vaticano se prepara para “eventuais procedimentos para cobrir, em segurança, o período de espera do fornecimento das vacinas pedidas”.

Fonte: http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=273456

              Mulheres, sei que se emocionarão. Podem chorar, fiquem à vontade.   Homens, larguem mão de ser machistas e chorem com elas. Atentem, também, para a música e cuidado: há imagens bastante fortes no vídeo.  No mais, bom fim de semana! Deus nos abençoe a todos!

           

            Eu já havia mencionado o nome desta senhora aqui quando o Jornal do Commercio noticiou que ela concedera parecer favorável à interrupção da gestação em casos de fetos anencéfalos. Parece que, infelizmente, a atuação desastrosa dela não se resumiu a isto…

 

Deborah Duprat

Deborah Duprat

 

             “A passagem de Deborah Duprat pela chefia da Procuradoria-Geral da República foi meteórica e intensa. Em 22 dias como procuradora-geral, ela desengavetou ação sobre aborto de anencéfalos e ajuizou outros processos polêmicos no Supremo Tribunal Federal sobre a Marcha da Maconha, grilagem na Amazônia e união civil entre homossexuais. A depender da vontade dela, o Supremo será palco de debates históricos nos próximos meses sobre questões enraizadas – e nem sempre discutidas – pela sociedade brasileira. Não bastasse isso tudo, Deborah Duprat, de quebra, entrou para a história: foi a primeira mulher a comandar a PGR.

            Mas todo esse desempenho, por vezes apressado, tem um preço. Ela assumiu a PGR em 29 de junho e, três dias depois, sacou da manga uma inflamável Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental para que o STF reconheça a união estável de pessoas do mesmo sexo, inclusive com pedido de liminar. A ADPF 178 foi proposta como um passo à frente de uma outra ação mais antiga, cujo parecer da AGU delimitava o alcance da medida ao Rio de Janeiro.

            A ADPF de Deborah Duprat, no entanto, foi um tropeço. Seis dias depois da ADPF, a procuradora-geral interina tomou um puxão de orelha do presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, que pediu que a ação fosse mais específica. No despacho, Gilmar Mendes disse que não estavam claros quais seriam os atos do poder público contrários aos preceitos fundamentais citados na ADPF. Resultado: no dia da posse do novo procurador-geral, Roberto Gurgel, ela teve de ver a ação ser reautuada pelo STF. Gilmar Mendes transformou o processo em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4.277).

 Contra todos

             Nesses 22 dias na PGR, a atuação mais ousada de Deborah Duprat talvez tenha sido no parecer favorável ao aborto de anencéfalos. Além da discussão extremamente complicada, uma vez que mistura saúde pública com crença religiosa, a questão é delicada dentro da PGR. Isso porque o principal defensor da proibição do aborto é Cláudio Fonteles, ex-procurador-geral da República e primeiro nomeado a partir da eleição da categoria.

            Fonteles foi o antecessor e principal apoiador de Antonio Fernando de Souza, procurador-geral que, há três meses, recebeu a missão de fazer o parecer da PGR sobre o aborto. Antonio Fernando, por sua vez, foi determinante na apertada eleição de Roberto Gurgel, que assumiu na quarta-feira (22/7) – daí o lastro da influência de Fonteles nos corredores da PGR até hoje.

            Contrariando a posição do respeitado Fonteles, um notório defensor da doutrina católica, Deborah Duprat se adiantou e apresentou o parecer da PGR. Para ela, quem deve decidir sobre o aborto de feto sem cérebro é a mãe e não o Estado, nem a igreja. Ela aproveitou a brecha como procuradora-geral interina e esse entendimento agora é, oficialmente, a posição da PGR. “A antecipação terapêutica do parto na anencefalia constitui exercício de direito fundamental da gestante. A escolha sobre o que fazer, nesta difícil situação, tem de competir à gestante, e não ao Estado. A este, cabe apenas garantir os meios materiais necessários para que a vontade livre da mulher possa ser cumprida, num ou noutro sentido”, diz o parecer.

            A procuradora também foi contra o governo. Deborah Duprat questionou a Medida Provisória 458/09, sobre a regularização fundiária da Amazônia. Assim como havia sustentado a oposição durante as votações no Congresso, Deborah Duprat disse que artigos da lei convertida favorecem os grileiros. “O Supremo deve declarar que o aproveitamento racional e adequado, aludido no preceito em questão, envolve também o dever de não provocar qualquer tipo de desmatamento irregular na área regularizada, bem como o de também recuperar as lesões ambientais causadas pelo ocupante ou por seus antecessores antes da regularização fundiária”. Para isso, a PGR entrou com uma ADI.

 Maconha e transexuais

             A defesa dos gays e do aborto foram apenas alguns dos tantos atos polêmicos de Deborah Duprat. No último dia à frente da PGR, por exemplo, entrou com uma ADPF e ADI para que o STF dê a palavra final sobre a licitude das manifestações favoráveis à legalização das drogas, em especial a Marcha da Maconha. O evento teve de ser cancelado em diversos estados, em razão de decisões judiciais que classificaram a marcha como apologia às drogas.

Para ela, defender a legalização da maconha é um exercício da liberdade de expressão. “O fato de uma ideia ser considerada errada ou mesmo perniciosa pelas autoridades públicas de plantão não é fundamento bastante para justificar que a sua veiculação seja proibida. A liberdade de expressão não protege apenas as ideias aceitas pela maioria, mas também — e sobretudo — aquelas tidas como absurdas e até perigosas. Trata-se, em suma, de um instituto contramajoritário, da minoria”, sustentou.

            No mesmo dia que Deborah Duprat apoiou a Marcha da Maconha, ela também apresentou a ADI 4.275. Dessa vez, em defesa dos transexuais. “Impor a uma pessoa a manutenção de um nome em descompasso com a sua identidade é, a um só tempo, atentatório à sua dignidade e comprometedor de sua interlocução com terceiros, nos espaços públicos e privados”, afirmou. Por isso, ela quer que o Supremo garanta o direito de transexuais trocarem de nome mesmo sem operação.

 Ações a granel

             Deborah Duprat se movimentou para que o STF dê o entendimento definitivo sobre os benefícios aos contribuintes inadimplentes. Foi contra também restrições aos militares para o acesso à Justiça e criticou, ainda, a resolução do Conselho Nacional do Ministério Público para regulamentar os pedidos de grampos telefônicos. Em nome da liberdade artística, entrou com ação contra a regulamentação da profissão de música.

            A procuradora-geral interina pediu ainda a inconstitucionalidade de lei paulista que cria regras para o uso de cão-guia. A lei obriga que o proprietário ou instrutor do cão seja filiado à Federação Internacional de Cães-guia, “em evidente ofensa aos direitos de livre associação”, segundo ela. Outra ADPF foi apresentada para que o conceito de pessoa com deficiência do ordenamento jurídico brasileiro seja o mesmo de convenções internacionais, cuja interpretação é mais genérica. Na ação, a PGR afirma que a lei brasileira é restritiva e denega benefícios de prestação continuada a um número significativo de pessoas que têm deficiência e vivem em condições de absoluta penúria.

            Ainda é cedo para medir, de fato, o alcance dos 22 dias de Deborah Duprat. Mas a primeira procuradora-geral mulher já ganhou um prêmio pela atuação. O atual procurador-geral Roberto Gurgel, eleito pela maioria da categoria, nomeou Deborah Duprat vice-procuradora-geral. O cargo é promissor. Pode ter sido só coincidência, mas Gurgel e Antonio Fernando, antes de terem sido eleitos para chefiar a PGR, ocuparam o cargo de vice”.

 

Fonte: http://www.conjur.com.br/2009-jul-23/22-dias-duprat-colocou-pgr-favor-gays-aborto-marcha-maconha

 

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