Monsenhor Guido Pozzo, secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, concedeu uma longa e interessantíssima entrevista ao site Nouvelles de France. Até o momento, infelizmente, eu não consegui encontrar uma tradução completa dessa entrevista em língua portuguesa. O Fratres in Unum publicou apenas parte dela, com base em um post do Rorate Caeli. Para os que não o conhecem, Monsenhor Pozzo é – talvez – o homem mais importante dentro da Ecclesia Dei (que recentemente foi integrada à Congregação para a Doutrina da Fé e, portanto, responde à Sua Eminência, o Cardeal William Levada). Em virtude do cargo que desempenha, ele tem informações bastante privilegiadas sobre as demandas, querelas, e discussões envolvendo tradicionalistas católicos (tanto os “radicias” quanto os “moderados”). Foi ele, por exemplo, que assinou – em nome da comissão da qual é secretário – uma carta de esclarecimento sobre a participação das mulheres no serviço da Missa Antiga.

Pois bem. Pus-me a ler a tal entrevista em francês (mesmo o meu francês não sendo uma coisas que se diga: “ó, minha nossa, fantastique!”) e três perguntas me chamaram a atenção. Abaixo apresento uma tradução é livre – libérrima, na verdade – que eu mesmo fiz. Havendo melhores termos em português para expressar a ideia do original em língua francesa não hesitem em agregar nos comments 😉

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Pourquoi ce succès de la messe de saint Pie V chez les jeunes catholiques ?

Je pense que le recueillement intérieur, le sens de la messe comme sacrifice est particulièrement valorisé par la forme extraordinaire. C’est ce qui explique en partie l’augmentation du nombre de fidèles qui la réclament.

Tradução: Por que o sucesso da missa de São Pio V entre os jovens católicos?

Eu penso que o recolhimento interior, o sentido da missa como sacrifício é particularmente valorizado pela forma extraordinária. É o que explica em parte o aumento do número de fiéis que a requerem.

Savez-vous si le Pape est satisfait de l’application du Motu Proprio ?

La Commission pontificale Ecclesia Dei tient le Saint-Père constamment informé sur l’évolution de l’application du Motu Proprio et sur la croissance de sa réception, malgré les difficultés d’application que nous constatons ici ou là.

Tradução: O senhor sabe se o Papa está satisfeito com a aplicação do Motu Proprio?

A Pontifícia Comissão Ecclesia Dei tem informado o Santo Padre constantemente sobre a evolução da aplicação do Motu Proprio e sobre o crescimento da sua recepção, malgrado as dificuldades de implementação que nós constatamos aqui e acolá.

Quelles sont concrètement les difficultés d’application que vous rencontrez ?

Il y a encore des résistances de la part de certains évêques et membres du clergé qui ne rendent pas assez accessible la messe tridentine.

Tradução: Quais são concretamente as dificuldades de aplicação que o senhor tem encontrado?

Ainda há resistência da parte de certos bispos e membros do clero que não fizeram o suficiente para tornar acessível a missa tridentina.

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 É, meus amigos, “résistances, résistances”…

Eu havia noticiado aqui a interrupção da celebração da Missa Tridentina em Recife. Muitos sites, nacionais e internacionais, também divulgaram a lamentável notícia. Por decisão pessoal e unilateral, o Padre Nildo Leal de Sá – que celebrava há alguns anos a Missa neste rito para mais de uma centena de fiéis, na Paróquia de São Sebastião e São Cristóvão, Imbiribeira – comunicou, no domingo passado, que não mais tornaria a atualizar o Santo Sacrifício de Nosso Senhor segundo as antigas rubricas.

Diante disto, os fiéis – como era de se esperar – não só se entristeceram, como recorreram à S. Excª Revmª, D. Fernando Saburido, para que ele restabelecesse a também chamada Missa Gregoriana nesta gloriosa Arquidiocese de Olinda e Recife. O fato é: D. Vital certamente intercedeu em nosso favor! Explico: O Arcebispo, na manhã de ontem, ouviu um grupo representativo dos fiéis adeptos do Rito Antigo e garantiu-lhes que a Santa Missa continuaria a ser celebrada de acordo com as rubricas do Missal de 1962. Comprometeu-se, ainda, em convencer Pe. Nildo a continuar celebrando para estes fiéis.

Registre-se que Padre Nildo já é, para este grupo de católicos, além de um sacerdote exemplar, um pastor, um guia, um pai espiritual e um magnífico confessor. Estimamos-lhe mais do que ele imagina. E é por esta razão que aguardamos, ansiosos, que ele corresponda à solicitação de D. Fernando aceitando voltar a celebrar para nós.

Quanto ao nosso Arcebispo Metropolita, resta-nos agradecer-lhe de todo coração! Aos seus pés nos pusemos, rogando-lhe abrigo e amparo contra os inimigos da Tradição e contra amantes do modernismo (que tanto nos caluniaram e ofenderam). Ele, por sua vez, não se furtou e nos deu guarida! E agora, sob o seu báculo, continuaremos a vivenciar o Ofício Divino segundo o Sagrado Rito que santificou a tantos nestes dois milênios de Fé Cristã!

É sob o olhar compassivo de D. Fernando que assistiremos ao Santo Sacrifício rezando, inclusive, pelo seu pastoreio. É sobre os ombros de S. Excª que nos apoiaremos para galgar os degraus do céu; e é nele que nos refugiaremos para não ser atingidos pelos dardos inflamados do Maligno (que, muita vezes, infelizmente, se encontra instalado dentro da própria Casa de Deus).

Obrigado, D. Fernando! Coragem, Pe. Nildo!


p.s.: Jorge comentou com mais detalhes a audiência com o arcebispo e publicou uma foto do encontro. Confiram. O Salvem a Liturgia! também noticiou.

Diante dos últimos acontecimentos do “mundo tradicionalista recifense”, me parece oportuno publicar este vídeo que o Fabiano Rolim (o mesmo que me enviou a carta de retratação da Hyundai) teve a gentileza de traduzir, legendar e me encaminhar sobre a Missa Tridentina.  Vejam só:

Ao Rolim, agradeço de coração!

Onze de Julho de 2010. Foi o dia escolhido por Padre Nildo Leal de Sá para celebrar para os fiéis, pela última vez, a Santa Missa segundo a Forma Extraordinária do Rito Romano. Alegando “razões pessoais”, Pe. Nildo leu – ao fim da celebração – um comunicado no qual informava que não mais celebraria nenhum sacramento segundo as rubricas de 1962. Foi muito triste. Eu estava lá. Mulheres choravam desconsoladas, os homens – confusos – ficaram emudecidos por alguns instantes sem saber como reagir diante de uma notícia tão surpreendente. Os sinos repicavam à hora do Ângelus, mas o seu ressoar parecia mais triste. O côro cantava a Salve Regina pedindo à Boa Mãe que volvesse para nós o Seu olhar, terno e compassivo, neste momento em que não entendíamos porque Padre Nildo decidiu nos privar do Tesouro da Missa Tridentina. As palavras do Fratres in Unum começam a fazer sentido… Como também parecem fazer sentido as palavras do Salmo 42, rezado no início da Santa Missa:

Júdica me, Deus, et discérne causam meam de gente non sancta: ab hómine iníquo, et dolóso érue me.

Fazei-me justiça, ó Deus, e tomai a defesa da minha causa contra gente desapiedada; do homem iníquo e fraudaulento livrai-me, Senhor.


Ontem eu conversava com dois amigos sobre a carta que Dom Antônio de Castro Mayer, que foi bispo de Campos (RJ), enviou ao papa Paulo VI antes da entrada em vigor da chamada “Missa Nova”. A carta, escrita em 1969, revela a “angústia de consciência” de D. Antônio em usar o novo Missal, e se assemelha – se bem que muito menos detalhada – à celebre intervenção dos Cardeais Ottaviani e Bacci (que, aliás, segundo o Fratres in Unum, está para ser republicada). Bem, fiz uma rápida busca na internet e encontrei a missiva que o então bispo de Campos enviou ao Romano Pontífice. Leiam:

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Jornal  ONTEM HOJE SEMPRE

Campos, janeiro-março de 2000

CARTA AO PAPA PAULO VI

Uma das primeiras reações contrárias à Missa Nova de Paulo VI, 12 de setembro de 1969. Carta inédita do Bispo Diocesano de Campos, Dom Antonio de Castro Mayer ao papa Paulo VI, antes da entrada em vigor do novo rito da Missa. Anexas à carta enviava também ao Papa “Considerações sobre o Novus Ordo Missae”.  Este precioso documento foi recentemente encontrado nos arquivos de Dom Antonio.

Campos, 12 de setembro de 1969

Beatíssimo Padre,

Tendo examinado atentamente o “Novus Ordo Missae”, a entrar em vigor no próximo dia 30 de novembro, depois de muito rezar e refletir, julguei de meu dever, como sacerdote e como bispo, apresentar a Vossa Santidade, minha angústia de consciência, e formular, com a piedade e confiança filiais que devo ao Vigário de Jesus Cristo, uma súplica.

O ‘Novus Ordo Missae”, pelas omissões e mutações que introduz no Ordinário da Missa, e por muitas de suas normas gerais que indicam o conceito e a natureza do novo Missal, em pontos essenciais, não exprime, como deveria, a Teologia do Santo Sacrifício da Eucaristia, estabelecida pelo Sacrossanto Concílio de Trento, na sessão XXII. Fato que a simples catequese não consegue contrabalançar. Em anexo, junto as razões que, a meu ver, justificam esta conclusão.

Os motivos de ordem pastoral que, eventualmente, poderiam ser alegados a favor da nova estrutura da Missa, primeiro, não podem chegar ao ponto de deixar no olvido os argumentos de ordem dogmática que militam em sentido contrário; depois, não parecem procedentes. As mudanças que preparam o “Novus Ordo” não contribuíram para aumentar a Fé e a piedade dos fiéis. Pelo contrário, deixaram-nos apreensivos, apreensão que o “Novus Ordo” aumentou; porquanto, abonou a idéia de que nada há de imutável na Santa Igreja, nem mesmo o Sacrossanto Sacrifício da Missa.

Além disso, como saliento nas folhas juntas, o “Novus Ordo” não só não afervora, senão que extenua a fé nas verdades centrais da vida católica, como a presença Real de Jesus na SS. Eucaristia, a realidade do Sacrifício propiciatório, o sacerdócio hierárquico.

Cumpro, assim, um imperioso dever de consciência, suplicando, humilde e respeitosamente, a Vossa Santidade, se digne, por um ato positivo que elimine qualquer dúvida, autorizar-nos a continuar no uso do “Ordo Missae” de S. Pio V, cuja eficácia na dilatação da Santa Igreja, e no afervoramento de sacerdotes e fiéis, é lembrada, com tanta unção, por Vossa Santidade.

Estou certo que a Paterna Benevolência de Vossa Santidade não deixará de afastar as perplexidades que me angustiam o coração de sacerdote e bispo.

Prostrado aos pés de Vossa Santidade, com humilde obediência e filial piedade, imploro a Bênção Apostólica.

a) + Antonio de Castro Mayer

Bispo de Campos (Brasil)

Considerações sobre o “Novus Ordo Missae”

Documento endereçado por Dom Antonio de Castro Mayer ao Papa Paulo VI sobre a Nova Missa, 12 de setembro de 1969

O novo “Ordo Missae” consta de normas gerais do texto do Ordinário da Missa. Umas e outro propõem uma nova Missa que não atende, suficientemente, às definições do Concílio de Trento a respeito, e constitui, por isso mesmo, grave perigo para a integridade e pureza da Fé Católica. Examinamos aqui, apenas, alguns pontos, que, nos parece, evidenciam o que afirmamos.

1. Noção de Misssa. – No n. 7 o Novo “Ordo” dá uma como que definição da Missa: “Cena dominica sive Missa est sacra synaxis seu congregatio populi Dei in unum convenientis, sacerdote praeside, ad memoriale Domini celebrandum. Quare de sactae ecclesiae locali congregatione eminenter valet promissio Christi: “Ubi sunt duo vel tres congregati in nomine meo, ibi sum in medio eorum (Mat. 18)”. [A Ceia do Senhor ou Missa é a sagrada assembléia ou reunião do povo de Deus, sob a presidência do sacerdote, para celebrar o memorial do Senhor. Por isso, a respeito desta reunião da santa igreja local vale a promessa de Cristo: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estarei no meio deles” (Mat. 18).

Nesta definição, a) Insiste-se na Missa como ceia. Aliás, esta conceituação de Missa, ocorre com freqüência, em todo o decurso das normas gerais (cfr. nº 8, 48, 55d, 56, etc.). Parece mesmo que a intenção do novo “Ordo Missae” é inculcar este aspecto da Missa. O que é feito com detrimento do outro, essencial, isto é, que a Missa é um sacrifício. De fato, b) na quase definição de Missa do nº 7, não se declara o caráter de sacrifício da Missa, como, c) não se salienta o caráter sacramental do sacerdote que o distingue dos fiéis. Além disso, d) nada diz do valor intrínseco da Missa independente da presença da assembléia. Antes, faz supor que não há Missa sem a “congregatio populi” [reunião do povo], pois é a “congregatio” que define a Missa. Enfim, e) o texto deixa uma confusão entre a Presença real e a presença espiritual, porquanto aplica à Missa o texto de S. Mateus, no qual se trata apenas da presença espiritual.

O equívoco entre a Presença real e a presença espiritual, notado no nº 7, é confirmado pelo que diz o nº 8, que divide a Missa em “mesa da palavra” e “mesa do Corpo do Senhor”, e igualmente oculta o caráter de sacrifício que é principal na Missa, pois que a ceia não passa de uma conseqüência, como se pode deduzir do cân. 3 da ses. XXII do Concílio de Trento.

Observamos que os dois textos do Vaticano II, alegados na nota, não justificam a noção de Missa proposta no texto. Observamos ainda que algumas expressões, mais ou menos incidentes, nas quais ocorrem afirmações como esta que no altar “sacrificium crucis sub signis sacramentalibus praesens efficitur” (n. 259) [Torna-se presente o sacrifício da cruz sob sinais sacramentais,] não são suficientes para dissipar um conceito equívoco, inculcado ao se descrever a Missa (n. 7) e em muitos outros lugares das normas gerais.

2. Finalidade da Missa. A Missa é sacrifício de louvor à SS. Trindade. Tal finalidade não aparece, de modo explícito, no Novo “Ordo”. Pelo contrário, o que, na Missa de S. Pio V, salientava esse fim do Sacrifício, foi supresso no Novo “Ordo”. Assim, as orações: “Suscipe, Sancta Trinitas…” do Ofertório, a final “Placeat, tibi, Sancta Trinitas…”; assim, igualmente o Prefácio da SS. Trindade deixou de ser o Prefácio do Domingo, Dia do Senhor.

Além de “Sacrificium laudis SS. Trinitatis”, a Missa é Sacrifício propiciatório. Sobre esse caráter, contra os erros dos protestantes, insiste muito o Tridentino (cap. I e cân 3). Tal finalidade não aparece explícita no Novo “Ordo”. Aqui e acolá ocorre uma ou outra expressão que se poderia entender como envolvendo esse conceito. Jamais ele aparece sem sombra de dúvida. E ele está ausente quando as normas declaram a finalidade da Missa (n. 54). De fato, não é suficiente para atender à Teologia da Missa estabelecida pelo Tridentino, afirmar que esta colima a “santificação”. Não é claro que este conceito envolva necessariamente o outro, de propiciação. Além disso, a intenção propiciatória bem indicada na Missa de São Pio V, desaparece na nova Missa. De fato, as orações do Ofertório, “Suscipe Sancte Pater…”, “Offerimus, Tibi…” e a da benção da água: “Deus qui humanae substantiae… reformasti…” foram substituídas por outras que nada dizem de propiciação. Inculcam mais o sentido de banquete espiritual “panis vitae” [pão da vida], “potus spiritualis” [bebida espiritual].

3. Essência do Sacrifício. – A essência do Sacrifício da Missa está na repetição do que fez Jesus na última ceia; não na mera narração, ainda que acompanhada de gestos. Assim, advertem os moralistas que não basta relatar historicamente o que Jesus fez. É necessário pronunciar as palavras da consagração com intenção de repetir o que Jesus realizou, porquanto o sacerdote, ao celebrar, representa Jesus Cristo, opera “in persona Christi”. No novo “Ordo” não se toma em consideração semelhante precisão, no entanto, essencial. Pelo contrário, ao passo que sublinha a parte narrativa, nada diz da parte propriamente sacrifical. Assim, ao expor a Prece eucarística fala de “narratio institutionis” (n. 54 d) [narração da instituição]; de maneira que as expressões “Ecclesia memoriam ipsius Christi agit” [A Igreja faz a memória do próprio Cristo] e a outra do final da consagração: “Hoc facite in meam commemorationem” [fazei isto em minha memória] têm o sentido indicado pela explanação dada anteriormente nas normas gerais (n. 54 d). Observamos que a frase final da consagração, “Haec quotiescumque feceritis, in mei memoriam facietis” [todas as vezes que fizerdes isto, fazei-o em minha memória] era muito mais expressiva para dizer que, na Missa, repetia-se a ação de Jesus Cristo. – Acresce que a introdução, entre as palavras essenciais da consagração, das expressões: “Accipite et manducate ex hoc omnes” [Tomai e comei dele todos], e “Accipite et bibite ex eo omnes” [Tomai e bebei dele todos] levam a parte narrativa dentro do mesmo ato sacrifical. De maneira que, na Missa de S. Pio V, o texto e os gestos orientavam, naturalmente, o sacerdote para a ação sacrifical propiciatória, quase impunham a intenção ao sacerdote que celebrava. E assim, a “lex supplicandi” [lei da oração] se conformava perfeitamente à “lex credendi” [lei da fé]. Não se pode dizer o mesmo do novo “Ordo Missae”. No entanto, dada a gravidade da ação, e mais os tempos modernos excessivamente trepidantes, e dadas ainda as condições psicológicas das novas gerações, o “Ordo Missae” deveria facilitar o celebrante a ter presente a intenção necessária para realizar válida e condignamente o ato do Santo Sacrifício.

4. Presença Real. O Sacrifício da Missa está intimamente ligado à presença real de Jesus Cristo na SS. Eucaristia. Essa é conseqüência daquela. Na transubstanciação opera-se a mudança da substância do pão e do vinho no Corpo e Sangue do Salvador, e realiza-se o sacrifício. Como conseqüência, permanece no altar a vítima perene. A Hóstia do Sacrifício, que permanece, passado o ato sacrifical. O Novo “Ordo”, desde a definição da Missa (n. 7) deixa pairar uma ambigüidade sobre a presença real, mais ou menos confundida com a presença meramente espiritual, na oração de dois ou três congregados no nome de Jesus. Depois, a supressão de quase todas as genuflexões – maneira tradicional de adorar entre os latinos – a ação de graças sentado, a possibilidade de celebração sem a pedra d’ara, em simples mesa, a equiparação do manjar eucarístico com o manjar espiritual, tudo é de molde a obscurecer a fé na Presença real. – A última consideração sobre a equiparação entre o manjar eucarístico e o manjar espiritual, deixa no ar a idéia de que a Presença de Jesus na SS. Eucaristia está no uso, como acontece com a palavra de Deus. E daí a resvalar para o erro dos luteranos não é tão difícil, especialmente numa sociedade pouco dada à reflexão de ordem transcendente. Igual conclusão é favorecida pela função do altar: é ele apenas a mesa, onde não há, normalmente, lugar para o Sacrário, onde habitualmente se conserva a Vítima do Sacrifício. Também a disciplina no sentido de levar os fiéis a comungarem da mesma hóstia que o celebrante, de si, cria a idéia de que, acabado o sacrifício, não há mais lugar para a sagrada reserva. Assim, toda a disposição do Novo “Ordo Missae” não só não afervora a fé na presença real, senão que a diminui.

5. Sacerdócio hierárquico. Define o Tridentino que Jesus instituiu os apóstolos sacerdotes para que eles e outros sacerdotes, seus sucessores, oferecessem seu Corpo e Sangue (cân, 2, ses. 22). De maneira que a realização do Sacrifício da Missa é ato que exige a consagração sacerdotal. Por outro lado, o mesmo Concílio de Trento condena a tese protestante que faz de todos os cristãos sacerdotes do Novo Testamento. Vê-se, pois que, segundo a fé, só o sacerdote hierárquico é capaz de realizar o Sacrifício da Nova Lei. Esta verdade é diluída no Novo “Ordo Missae”. Neste “Ordo” a Missa é mais do povo do que do sacerdote. É também do sacerdote, porque este faz parte da multidão. Não aparece como o mediador “ex hominibus assumptus in iis quae sunt ad Deum” [tomado dentre os homens para aquelas coisas que se referem a Deus], inferior a Jesus Cristo e superior aos fiéis, como diz S. Roberto Belarmino. Ele não é o juiz que absolve. É simplesmente o irmão que preside.

Outras observações poderíamos fazer que confirmariam o que acima dizemos. Julgamos, no entanto, que as questões apontadas bastam para mostrar que o novo “Ordo Missae” não se ajusta à Teologia da Missa, estabelecida de modo definitivo pelo Concílio de Trento, e por isso, constitui um grave perigo para a pureza da Fé.

(As traduções, entre colchetes, são do jornal Ontem Hoje e Sempre).

“Cristo salva” – entrevista do Pe. Laguerie

Maria Carolina Abe,
Folha de São Paulo

 

A retomada da missa tradicional, com partes rezadas em latim e o padre de costas para o público, atrairá mais fiéis para a Igreja Católica. Ao menos é o que afirma o padre francês Philippe Laguérie, que conversou com a Folha na quarta-feira, em São Paulo.

Se as missas fossem feitas no modo tradicional, as igrejas estariam cheias. Toda vez que a liturgia é deteriorada, as igrejas se esvaziam“, diz Laguérie, nomeado pelo Vaticano como fundador e superior geral do Instituto Bom Pastor.

O órgão foi criado pelo papa Bento 16 em setembro do ano passado, com sede na Arquidiocese de Bordeaux, na França. No início deste mês, o Vaticano divulgou um “Motu Proprio” -documento que o papa escreve por iniciativa própria, e não como resposta a uma solicitação- assinado por Bento 16 que facilita aos padres de todo o mundo celebrarem a missa tradicional, baseada na liturgia estabelecida pelo papa João 23, em 1962.

Essa missa tradicional (ou tridentina) era rezada antes das mudanças feitas pelo Concílio Vaticano 2ø (1962-65), que introduziu a nova forma de celebrar a missa, com a possibilidade de uso do idioma local.

A missa tradicional em latim nunca foi oficialmente suspensa, mais caiu em desuso. Em 1982, João Paulo 2ø decretou que, para rezá-la, seria necessário pedir permissão ao bispo da diocese.

Leia a seguir entrevista com o padre Philippe Laguérie.



FOLHA – A retomada da missa tradicional causou grande repercussão devido a um trecho em que cita os judeus. Como avalia a polêmica?


PHILIPPE LAGUÉRIE – Na missa propriamente dita, essa que é celebrada todos os dias, não há nada, nenhuma referência aos judeus. Existia uma referência aos judeus na liturgia da Sexta-feira Santa, que não é uma missa. Reclamava-se de um texto que falava dos “pérfidos judeus“, mas ele foi suprimido pelo papa João 23, justamente a missa que o papa acaba de ressuscitar. Então, essa é uma falsa questão.

FOLHA – Mas a liturgia da Sexta-feira Santa ainda mantém a afirmação de que os judeus necessitam ser esclarecidos sobre Jesus Cristo [“Oremos pelos judeus, para que Deus retire o véu que cobre seus corações e lhes faça conhecer nosso senhor Jesus Cristo”].


LAGUÉRIE – Certamente, eles têm de ser esclarecidos sobre a divindade de Jesus Cristo. Pede-se que os judeus, os muçulmanos, os infiéis de maneira geral sejam esclarecidos sobre Jesus Cristo. Fala-se de 15 categorias de pessoas -os catecúmenos, os hereges, os cismáticos, os pagãos-, pede-se a todos que conheçam a luz de Cristo. Pede-se até que sejam esclarecidos o papa, os bispos e todo o clero a respeito da divindade de Cristo, que conheçam a luz de Cristo. Então, não há nenhuma referência especial aos judeus.

FOLHA – Na terça passada, o Vaticano publicou outro documento, que traz a idéia de superioridade da Igreja Católica sobre as demais igrejas cristãs, ao afirmar que a igreja de Cristo é a Igreja Católica. O sr. pode esclarecer esse ponto?


LAGUÉRIE – O que o papa diz no documento é que a afirmação do Concílio de que “a Igreja Católica subsiste na igreja de Cristo” significa “a Igreja Católica é a igreja de Cristo” ainda com mais força. Não só diz que a Igreja Católica é a igreja de Cristo atualmente mas que sempre o foi, desde o início. Além disso, o papa define quem a Igreja Católica reconhece como igreja. Ele admite que se chamem de igrejas as ortodoxas, porque elas conservaram o sacerdócio, a sucessão apostólica [o fato de os padres serem ordenados uns pelos outros] e a missa católica.  Embora possam ser chamadas de igreja, não são igrejas de Cristo, porque não têm a comunhão com Roma, condição essencial para ser igreja de Cristo. Porém o papa não reconhece o nome de igreja a todos os movimentos surgidos da Reforma protestante, porque eles não têm a doutrina católica. Não é o objetivo do documento estabelecer um “hit parade” das igrejas, dizer qual é a melhor, mas definir quem é igreja ou não segundo o Vaticano.

FOLHA – Como será tomada a decisão de rezar a missa tradicional?

LAGUÉRIE – Existe a liberdade de qualquer padre decidir rezar a missa antiga. Ele pode receber fiéis para assistir à missa, mas continua sendo uma missa privada [missa que o padre reza por iniciativa própria e que não pertence à programação oficial da igreja, mesmo tendo público]. Para que haja uma missa na paróquia, uma missa pública, é preciso que um grupo de fiéis estável faça o pedido. Se o pároco não atender a esse pedido dos fiéis, eles devem procurar o bispo, que deve fazer todo o possível para atender aos fiéis. Caso isso não ocorra, então se deve recorrer à Comissão Ecclesia Dei, em Roma.

FOLHA – Quais as principais diferenças entre a missa tradicional e a missa rezada hoje?

LAGUÉRIE – Há muita, muita, muita diferença. Em primeiro lugar, na missa antiga, todos rezam voltados para Deus e voltados para o Oriente, onde nasce o sol, que simboliza a luz de Cristo e o surgimento da verdade. Somente na explicação do Evangelho, nas leituras e no sermão, o padre se volta para o povo, pois está se dirigindo a ele. Na missa nova, o padre reza sempre voltado para o povo. A segunda diferença é a língua sagrada, o latim. Nós não nos dirigimos a Deus na mesma língua que usamos nas compras, nos negócios, no dia-a-dia. Sempre houve na igreja, mesmo no Oriente, uma língua sagrada para falar com Deus. Na Síria, rezava-se a missa em aramaico; na Judéia, rezava-se a missa em siríaco.  Em terceiro lugar, os próprios textos da missa são diferentes: na missa nova não se fala mais do sacrifício nem do pecado nem da vida eterna nem da redenção.

FOLHA – Essa volta à missa antiga pode ser vista como exemplo de um retorno da Igreja Católica, sob Bento 16, ao conservadorismo?

LAGUÉRIE – A nova missa corresponde à teologia dos anos 1960. A missa antiga, a uma teologia que foi eterna na Igreja Católica.

FOLHA – Existe alguma estimativa do número de católicos adeptos desse rito antigo?

LAGUÉRIE – Duas pesquisas feitas na França em maio, por institutos não-católicos, constataram que 68% dos franceses, mesmo não-católicos, se diziam adeptos da missa tradicional.

FOLHA – A idéia que se tem é justamente a inversa: que a missa rezada em latim pode afastar os fiéis. Como o sr. explica isso?

LAGUÉRIE – O papa disse que, de fato, recuou muito o conhecimento do latim e que isso pode diminuir a demanda pela missa tradicional. Mas não é preciso conhecer latim para apreciar a missa antiga. Além disso, o papa nota que, quando se suprimiu a missa tradicional, acreditava-se que as pessoas que seguiam ligadas a ela eram velhos, nostálgicos.
Mas o que se vê é justamente o contrário: há uma preponderância de jovens pedindo a volta da missa antiga.

FOLHA – Hoje, no Brasil, as missas tradicionais acontecem somente com autorização dos bispos?

LAGUÉRIE – Sim, existem algumas missas privadas. Sempre há missas em Campos (RJ), onde há um instituto de padres que rezam a missa antiga. O Instituto Bom Pastor está justamente procurando igrejas para transformar em paróquias pessoais [paróquias que têm controle sobre um grupo de pessoas, e não sobre uma área geográfica, como ocorre com as paróquias convencionais].

FOLHA – Nesse contexto de mudanças na Igreja Católica, qual o papel do Instituto Bom Pastor, ao qual o sr. pertence?

LAGUÉRIE – O instituto é um balão de ensaio do “Motu Proprio” e também uma chamada para a reaproximação com a fraternidade de São Pio X, dado que todos os membros iniciais do instituto vieram desse grupo.


p.s.: A entrevista acima foi concedida em 15 de julho de 2007.

Fonte: Associação Cultural Montfort
 

            1 – No Fratres in Unum encontra-se uma carta absurda escrita por um padre da Diocese de Limeira em defesa da  Missa de Paulo VI e contrária ao Rito de São Pio V. O reverendíssimo sacerdote a chega a dizer a seguinte bobagem: “O excesso de ritualismos, que acabava tirando a atenção da essência (que dá o ser a uma realidade) deveria dar lugar a uma liturgia mais envolvente, participativa e ligada à vida do povo”. Como não bastasse esse comentário infeliz do Padre Marcos Radaéllii, a Coordenação das CEB’s (sim, infelizmente elas ainda da existem!) da Diocese de Limeira complementou, e piorou, a asneira do padre. Em Nota Oficial de apoio a D. Vilson Dias, bispo daquela diocese, a organização TL diz (grifos e comentários entre parêntesis meus):

                   (…) As CEB’s, fiel aos ensinamentos do Cristo (piada, né?) e assumindo sua missão profética contemporânea quer colaborar nesta reflexão. Embora respeitemos o direito de expressão e organização dos aludidos cidadãos e cidadãs, estamos convencidos que a Santa Missa deve continuar sendo celebrada no idioma de cada comunidade. E mais: ao contrário do que defendem os referidos cidadãos, a catequese de nossa santa igreja evoluiu consideravelmente ao incluir elementos culturais dos nossos irmãos indígenas e afro-descendentes (afirmação gratuita de quem não tem a mínima noção da realidade em que a Igreja vive).

                   Embora a Missa celebrada em latim resgate a tradição tridentina, objetivo maior dos seus defensores, certamente seu ritual distanciará nossos irmãos da compreensão do amor salvífico do Pai e de nosso compromisso com seu reino (afirmação blasfema e herética! Quanta petulância!). É na Santa Missa que nos encontramos para, ao redor do altar, celebrarmos o amor de Deus por nós. No ritual, oferecemos a Deus o fruto do trabalho humano, para em seguida, consagrado no corpo de cristo, partilharmos o pão/corpo de cristo. Esta aí a catequese máxima: Se partilharmos anteciparemos o Reino de Deus (que visão medíocre do Evangelho… é lamentável!). É necessário que esta mensagem seja assimilada pelos nossos irmãos, caso aspiremos de fato o Reino de Deus entre nós. Agora, para que possamos compreender a mensagem é necessário que ela nos seja clara, perfeitamente audível e compreensível para o nosso irmão mais simples que não pode sequer freqüentar uma escola, que dirá conhecer outro idioma.

               Cabe ao profeta a missão de evangelizar. Para evangelizar é necessária uma comunicação eficiente, a exemplo de Paulo, o arauto do Evangelho. Agora, somente haverá comunicação eficiente quando nos despirmos de uma pseudo-erudição extemporânea, para falar a língua que todos possamos compreender. (tsc, tsc, tsc) (…)

 

            2 – No site da Montfort uma curiosa entrevista com o padre Héry que, segundo a própria Montfort é “uma das figuras das mais significativas do Instituto do Bom Pastor, do qual ele  é um dos fundadores, protagonista dos acordos com a Santa-Sé e da convenção entre o IBP e o Cardeal Ricard em Bordeaux”

Da entrevista destaco o seguinte trecho:

 

D.T. –Como uma tal «crítica construtiva » do Concílio será possível, já que o Vaticano II é um ato do magistério autêntico, na prática intocável?  

 

Abbé Hery – Certamente, o Concílio é um ato do magistério autêntico. Mas ele não é intocável, visto que a «autêntica recepção» do Concílio, conforme o Santo Padre, ainda não aconteceu, ou não é ainda satisfatória; portanto, ele é retocável, por via do processo de interpretação. Há um espaço de liberdade deixado à controvérsia teológica sobre o texto do magistério conciliar, mantendo salva a Tradição dogmática e apostólica…

 

D.T. –Isso não é colocar a Tradição acima do magistério? 

 

Abbé Hery — A Tradição não está nem acima, nem abaixo do Magistério. Nesse mesmo discurso de 25/12/2005, nosso Papa fustigou «a hermenêutica da descontinuidade», que opõe o magistério conciliar à  Tradição. Com efeito, o magistério autêntico não utiliza jamais a Tradição a seu capricho e não está acima dela: quando ele estatue de modo infalível, ele é o que chamo a Tradição «em ato». Quando ele não estatue de modo infalível, como a maior parte do Vaticano II faz, o magistério (ainda que autêntico) deve ser interpretado e recebido, sem ruptura com a Tradição, portanto à  luz dela.

 

D.T.– O senhor pode precisar em que a recepção de um Concílio permite fazer dele uma crítica construtiva?

 

Abbé Hery — O problema posto pelo Vaticano II é que ele não se parece em nada com os Concílios precedentes. Estes apresentavam ensinamentos, definições do dogma, condenações de erros opostos, que obrigavam a fé. Ao contrário, renunciando por princípio pastoral à toda pretensão dogmática (exceto a repetição de alguns pontos anteriormente definidos pelo magistério solene), o Vaticano II não se impõe à Igreja como objeto de obediência absoluta para a fé (cfr. Cânon 749), mas como objeto de «recepção».

Ora, a recepção induz a um processo de interpretação. Para um tal corpus de textos, a recepção exige trabalho, e sobretudo tempo. O Cardeal Jean-Pierre Ricard, em Lourdes, em 4 de Novembro de 2006, notou: «O Concílio está ainda para ser recebido» (isto é, para ser reinterpretado). E ele indicou a direção a seguir: aplicar-se à «uma releitura calma de nossa recepção do Concílio» e não «uma leitura ideológica», notadamente para «verificar os pontos que merecem ainda ser levados em conta.» O que significa uma vasta operação de colocar em questão (no sentido escolástico) de esclarecimento (no sentido de triagem) entre o que precisa ser salvo e o que não deve ser salvo; e, mais ainda, uma interpretação correta do que pode ou deve ser guardado.

 

 

            3 – Ainda sobre Anjos e Demônios, o Márcio Campos escreveu alguns comentários. No Tubo de Ensaio ele escreveu:

 

            “(…) Meu maior problema com livros e filmes do tipo Anjos e Demônios é que, ao misturar ficção e realidade, a tendência é que tudo seja absorvido pelo público como realidade. Não é como os livros do Jô Soares, que são comédias usando personagens históricos. Dan Brown se pretende sério; coloca “listas de fatos” no começo de seus livros. A pessoa vai ao cinema ver Anjos e Demônios e sai realmente achando que Galileu e Bernini eram Illuminati, que Copérnico morreu assassinado, que a Igreja atrapalha a ciência, que Pio IX era um maníaco que atravessava o Vaticano de martelo na mão, que a Igreja “marcou” quatro Illuminati (Langdon reprova o chefe da Guarda Suíça, perguntando se os católicos não lêem sua própria história. Bom, nós lemos; é que La purga não é história, é invenção de Dan Brown), que os cientistas querem refazer o momento da criação, que Galileu escreveu o tal Diagramma e por aí vai. Isso é um desserviço considerável à verdade histórica, e também à ciência”.

 

            No Blog do Veritatis, o mesmo Márcio Campos complementou:

 

            “Fora essa tentativa absurda de jogar lama na reputação da Igreja, o filme ainda tem um punhado de erros. Pelamordedeus, tivemos um conclave real em 2005! Nunca se escreveu tanto, nunca se explicou tanto na imprensa como funciona a eleição de um Papa. E conseguem fazer um zilhão de coisas erradas. Tudo bem que o livro foi escrito em 2000, mas ainda assim temos uma série de aberrações. Tem cardeal citando a Romano Pontifice Eligendo, de Paulo VI, que foi abolida em 1996 pela Universi Dominici Gregis, de João Paulo II; tem cardeal propondo eleição por aclamação, quando ela foi abolida por João Paulo II no mesmo documento; o filme coloca muito mais de 120 cardeais na Capela Sistina; inventa um cargo de “cardeal grande eleitor”, inelegível, que não existe. Será que Dan Brown não sabia que o camerlengo é necessariamente um cardeal? Que não existe restrição à eleição de não-cardeais ao papado? O pior é que dá para perceber que foi, sim, feita pesquisa. Há detalhes como as cédulas sendo costuradas depois da votação, o “extra omnes”, coisa que só quem estudou o assunto conhece. E ainda assim cometem essas barbaridades.

            Mas isso é o de menos comparado à difamação da Igreja, retratada como cruel adversária da ciência, quando na verdade ela foi uma grande incentivadora da pesquisa científica. De fato, só por isso não valeria a pena gastar dinheiro com o filme. Se um ingresso cair do céu, ou se um dia passar na televisão, até seria uma oportunidade para evangelizar alguém, explicar o que está errado. Mas financiar a calúnia, aí não sei não…”