A equipe do Nascer é um Direito enviou, hoje [07], aos assinantes do site um convite imperdível: S. Excª Revmª D. Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo de Guarulhos, proferirá uma palestra sobre “A cultura da vida contra a cultura da morte”. A realização do evento está a cargo do IPCO. Replico o convite para que todos quantos tenham condições de ir não percam de forma alguma a oportunidade de ouvir as palavras deste digno sucessor dos apóstolos. Abaixo, mais detalhes sobre a palestra.

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No próximo dia 20 de junho temos um compromisso. O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira está promovendo mais um importante evento, com o objetivo de coligar forças em defesa da vida humana inocente e da família.

A cultura da vida contra a cultura da morte

Cristãos, não tenhais medo: mobilizemo-nos em defesa da vida e da família.

Temos visto, ao longo dos últimos anos sobretudo, uma investida internacional para implantar o aborto em todos os países e destruir a família, com projetos de “casamento” homossexual, “lei da homofobia”, entre outros.

No Brasil a agenda abortista está encontrando vigorosas reações, e aí está nossa esperança. Uma das vozes que se levantaram a nível nacional contra a lei do aborto foi Sua Excelência Reverendíssima, o Bispo de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini. Por esta razão o convidamos para tratar do assunto, e da importância da mobilização para impedir que o aborto seja imposto em nossa Pátria.

De fato, ou ficamos de guarda e avançamos, ou as manobras sorrateiras, tão utilizadas pelos movimentos pró-aborto, vão acabar empurrando essa prática ignominiosa no Páis inteiro. E essa mobilização depende de cada um de nós. Eventos, palestras, campanhas, abaixo-assinados, tudo deve formar um conjunto que vá fortalecendo nossa posição. Espero sua presença, e de toda sua família.

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Faça sua inscrição para Conferência “A cultura da vida contra a cultura da morte”

Data: 20 de junho de 2011

Horário: 19h00 (recepção) 19h30 (início da palestra)

Local: Colégio e Faculdade São Bento s/n°

Centro – São Paulo/SP

Há estacionamento dentro do próprio colégio para os que forem de automóvel.

No fim será servido um cocktail para que os assistentes possam se conhecer, trocar idéias e combinar ações.

Clique aqui para fazer sua inscrição.

  Fonte:

Instituto Plinio Corrêa de Oliveira  

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I – Sobre Ritos

Para os que apreciam o riquíssimo patrimônio litúrgico da Santa Madre Igreja, há duas publicações recentes no Salvem a Liturgia que valem a pena conferir. : uma é sobre o Rito Bizantino, e a outra sobre o Rito Dominicano. Há fotos muito interessantes!

 

II – Dilma, o Dragão

 

Frei Rojão – com o seu peculiar bom humor – publicou um excelente post intitulado “O Dragão é a Dilma!”. Transcrevo-o na íntegra [mas acessem para ver a foto 😀 ]:

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Estava numa homilia falando da astúcia de Satanás, como ele persegue a Igreja, restringe a liberdade, promove o aborto, favorece a corrupção, engana os homens,  promove a mentira, desobedece as leis, enfraquece as instituições, degrada a família, estimula o comunismo, muda de discurso conforme a ocasião, oprime os pequenos, escraviza o homem, tiraniza o mundo, etc, etc, etc … num certo momento, disse aquele verso de São Pedro que o Dragão estava em toda a parte, procurando a quem devorar. E usei a seguinte frase: “Inclusive para devorar o Brasil“. Ouvi alguém falar mais alto do que deveria nos bancos:
 
– O Dragão é a Dilma Rousseff !!!
 
E muitas risadas em volta. Pego de surpresa indo da angelologia à política, eu concordei intimamente, mas não podia falar nada. O que é a política senão a ética aplicada ao coletivo? Continuei meu sermão.

Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai! – Jo 8,44

 

E quem foi que disse que os tradicionalistas são carrancudos e mal humorados? 😉

 

III –A angústia de um bispo”

 

Esta semana circulou amplamente na internet a angustiante carta que S. Excª Revma., D. Manoel Pestana Filho, bispo emérito de Anápolis, escreveu aos seus irmãos no Episcopado. Aos que não leram, recomendo não só a leitura, mas a meditação] das palavras do digníssimo prelado. Transcrevo um trecho:

 

“Horroriza-me a frieza com que olhamos [nós, os bispos] tal estado de coisas. Somos pastores ou cães voltados contra as ovelhas? Somos ou não, além disso, cúmplices de uma política atéia empenhada em apagar os últimos traços da nossa vida cristã?”  

 

De fato, D. Pestana, a omissão de alguns dos Sucessores dos Apóstolos nos entristece deveras e, infelizmente, traz prejuízo à muitas almas… =/

O Santo Padre criou mais uma Diocese em Pernambuco: a Diocese de Salgueiro. Como primeira bispo desta foi nomeado o Fr. Magnus Henrique Lopes, OfmCap. Tive a ventura de conhecê-lo quando ele era Ministro Provincial e residia no Convento de Nossa Senhora Penha, em Recife [Casa-Mãe dos capuchinhos do Nordeste do Brasil]. A ele desejo um excelente pastoreio! Parabéns e, sobretudo, coragem!

Eu traduzi o comunicado de nomeação constante no site do Vaticano, em língua italiana:

 

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O Santo Padre Bento XVI erigiu a Diocese de Salgueiro (Brasil), com território desmembrado da Diocese de Petrolina e Floresta, tornando-a sufragânea da Igreja Metropolitana de Olinda e Recife.

O Papa nomeou como primeiro bispo da Diocese de Salgueiro (Brasil) o Revmo. Pe. Magnus Henrique Lopes, OfmCap., até então Vigário Conventual e Ecônomo do Convento de Santo Antonio, em Natal.

O Revmo. Pe. Magnus Henrique Lopes, OfmCap., nasceu em 31 de Julio de 1965, em Açu, na Diocese de Mossoró, estado do Rio Grande do Norte.

Entrou para Ordem dos Franciscanos Capuchinhos, emitiu os votos religiosos em 6 de Janeiro de 1989. Concluiu os estudos de Filosofia na Faculdade de Filosofia do Recife e os de Teologia no Instituto Franciscano de Teologia de Olinda. Obteve a Licença e em Psicologia no Centro de Estudos Superiores, em Maceió e a Licença em Teologia Moral na Pontifícia Academia Afonsiana, em Roma.

Em 21 de dezembro de 1996 foi ordenado sacerdote na sua cidade natal. Como sacerdote desempenhou os seguintes cargos: Promotor Vocacional da Província Capuchinha de Nossa Senhora da Penha do Nordeste do Brasil (1991-1995), Mestre de Postulantes em Maceió (1997-1999), Ecônomo em diversas fraternidades provinciais capuchinhas (1989-1998), Vigário Paroquial em diversas paróquias e Vigário Conventual da Fraternidade Capuchinha de Maceió, Definidor Provincial (1996-2001), Ministro Provincial (2001-2007), Vice-Presidente da Conferência dos Capuchinhos do Brasil (2001-2007).

Atualmente é Vigário Conventual e Ecônomo do Convento de Santo Antonio, em Natal.

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A recém-criada Diocese de Salgueiro abrangera os municípios de Araripina, Bodocó, Cabrobó, Cedro, Exu, Ipubi, Moreilandia, Ouricuri, Parnamirim, Serrita, Terra Nova, Trindade, Verdejante – além do próprio Município de Salgueiro, é claro. Quem quiser ver os números da nova Diocese com mais detalhes pode conferir no site supralinkado.

 

I – CEB’s e CNBB


[Trago aqui um trecho da vergonhosa mensagem que a CNBB divulgou acerca das CEB’s, por ocasião da 48ª Assembléia Geral dos Bispos. Estou publicando aqui apenas a introdução – para que o leitor não tenha náuseas lendo o resto do documento… Grifei as partes que mais me enojam].


MENSAGEM AO POVO DE DEUS SOBRE AS

COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE


48ª Assembléia Geral da CNB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

“As Comunidades Eclesiais de Base”, dizíamos em 1982, constituem “em nosso país, uma realidade que expressa um dos traços mais dinâmicos da vida da Igreja (…)” (Comunidades Eclesiais de Base na Igreja do Brasil, CNBB, doc. 25,1). Após a Conferência de Aparecida (2007) e o 12º Intereclesial (Porto Velho-2009), queremos oferecer a todos os nossos irmãos e irmãs uma mensagem de animação, embora breve, para a caminhada de nossas CEBs.

Queremos reafirmar que elas continuam sendo um “sinal da vitalidade da Igreja” (RM 51). Os discípulos e as discípulas de Cristo nelas se reúnem para uma atenta escuta da Palavra de Deus, para a busca de relações mais fraternas, para celebrar os mistérios cristãos em sua vida e para assumir o compromisso de transformação da sociedade. Além disso, como afirma Medellín, as comunidades de base são “o primeiro e fundamental núcleo eclesial (…), célula inicial da estrutura eclesial e foco de evangelização e, atualmente, fator primordial da promoção humana (…)” (Medellín 15).

Por isso, “Como pastores, atentos à vida da Igreja em nossa sociedade, queremos olhá-las com carinho, estar à sua escuta e tentar descobrir através de sua vida, tão intimamente ligada à história do povo no qual elas estão inseridas, o caminho que se abre diante delas para o futuro”. (CNBB 25,5)

Fonte: Adital [cuidado: este site reúne o maior número de hereges e comunistas que eu já vi. Recomendo rezar a São Miguel antes de clicar…]


II – Zapatero e o aborto

O Presidente da Espanha, Zapatero, quer resolver o problema financeiro das famílias espanholas. Mas, a seu modo… O Hazteoir está promovendo mais uma mobilização popular para protestar contra a proposta, feita pelo senhor José Luis Rodrigues Zapatero, de cortar o auxílio dado às mães solteiras e desempregadas. O problema não é simplesmente cortar um benefício assistencialista. O problema é fazer isso e, por outro lado, continuar, como bom comunista, sustentando e subvencionando sindicatos e partidos políticos que já há muito não mais exercem os seus papéis – porque servem somente à manutenção da ditadura. O problema, mais grave ainda, é o raciocínio esdrúxulo que está por trás de todo esse plano: i) as pessoas não têm emprego; ii) se as pessoas não têm emprego, não tem dinheiro; iii) se não têm dinheiro, não podem sustentar seus filhos; iv) se não podem sustentar os seus filhos, não merecem tê-los! Brilhante conclusão, D. Zapata!

             

             
              “Escolhei hoje a quem quereis servir” [Js 24, 15]. Esta foi a colocação de Josué perante o povo de Israel em um momento muito significativo da história dos hebreus. O povo que gozava de especial predileção por parte de Deus precisava fazer uma escolha entre servir ao Senhor ou aos ídolos; entre submeter-se a uma visão puramente “horizontal” da vida [visão esta representada pelos ídolos confeccionados pelos próprios homens] ou voltar-se de todo o coração para o Deus Altíssimo, seu Criador. A decisão era entre manter os pés no chão ou dar o ousado “salto da Fé” [como diria o papa Ratzinger]. Josué, que havia interpelado o povo a posicionar-se e pronunciar-se, afirmou: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor” [idem]. Assim ele decidiu – por si e pelos seus – que não abandonaria Aquele que os havia tirado do Egito “com mão forte e braço poderoso” [Dt 5,15] . Ele sabia que Deus os havia criado para o que é “do alto” e que as coisas aqui “de baixo” – por mais importantes que fossem ou parecessem –  deveriam ficar sempre em segundo plano.

               Quando Jesus afirmou que o Seu Reino não era “deste mundo” [Jo 18,36], ele nos estava indicando precisamente esta dimensão transcendente que envolvia Ele próprio e Sua missão. Nosso Senhor estava expondo a dicotomia entre este mundo e o mundo que há de vir. Estava nos alertando para o fato de que – diante de tal dilema – o homem precisa fazer uma escolha. Ora, Josué a fez e não creio que tenha se arrependido. Cada um de nós também precisa decidir. O que queremos? A quem queremos? 

               Diante de tantas propostas que o mundo nos apresenta é lamentável ver que o rumo que nos apontam os Senhores Bispos do Brasil [não todos, é claro] parece ser o “daqui de baixo”, e não o “lá do alto”. Jorge Ferraz publicou estatísticas  lamentáveis com respeito ao materialismo que se observa na Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010. Trago aqui os números que Jorge divulgou no Deus lo vult!   como fruto de suas “buscas” no texto base da CF:

Eis aqui as estatísticas. A metodologia utilizada é trivial: a caixa de pesquisa do Acrobat Reader. Quando as expressões aparecem “puras”, é porque a busca foi feita por elas ipsis litteris; quando aparece “e derivados”, é porque consultei pelo radical (p. ex., ‘arrepend’, o que engloba tanto ‘arrependimento’ quanto as formas verbais ‘arrependei-vos’, ‘arrependi-me’, ‘arrepender’, etc.).

Os resultados são os seguintes:

“Jesus”: 37 ocorrências (“Nosso Senhor”, uma única ocorrência, na oração da CFE).
“Católica” e “católicos”: 8 ocorrências.
“Conversão” (e derivados): 7 ocorrências.
“Oração”: 5 ocorrências (sendo duas vezes no título “oração da CFE 2010″, a do índice e a da página correspondente).
“Caridade”: 4 ocorrências.
“Esmola”: 3 ocorrências.
“Pecado” (e derivados): 2 ocorrências.
“Jejum”: 2 ocorrências (e recomendo que vejam quais são!!).
“Virgem Maria” (a pesquisa foi feita por “Maria”): 2 ocorrências (“Nossa Senhora”, nenhuma).
“Arrependimento” (e derivados): 2 ocorrências.
“Sacramento”: 2 ocorrências.
“Papa”: 2 ocorrências.
“Magistério”: 1 ocorrência.
“Penitência”: nenhuma ocorrência.
“Eucaristia”: nenhuma ocorrência.
“Missa”: nenhuma ocorrência.
“Sacerdote”: nenhuma ocorrência.
“Calvário”: nenhuma ocorrência.
“Cruz”: nenhuma ocorrência.
“Trindade”: nenhuma ocorrência.
“Santificação”: nenhuma ocorrência (“santificar” tem duas, no comentário sobre o Pai Nosso).
“Redenção” (e derivados): nenhuma ocorrência (“Redentor” aparece uma única vez, numa nota de rodapé, em referência – pasmem! – a um livro sobre Martin Luther King, chamado “O Redentor Negro”! Está à página 55).
“Confissão” (sacramento): nenhuma ocorrência (há duas referências a “confissão”, na expressão “Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil”, com as maiúsculas por conta da CNBB).

Em contrapartida:

“Economia (e derivados): 142 ocorrências.
“Solidariedade” (e derivados): 81 ocorrências.
“Pobre” (e derivados): 75 ocorrências.
“Direito(s)”: 74 ocorrências.
“Terra”: 64 ocorrências.
“Trabalho”: 56 ocorrências.
“Social” (e derivados): 54 ocorrências.
“Política” (e derivados): 39 ocorrências.
“Mercado” e “Mercadoria”: 30 ocorrências.
“Desenvolvimento”: 29 ocorrências.
“Povo”: 27 ocorrências.
“Miséria”: 12 ocorrências.
“Exploração” (e derivados): 11 ocorrências.

 

               Bem, vou furtar-me a fazer comentários sobre esses números porque Jorge já os fez de modo brilhante. Mas não posso deixar de manisfestar minha indignação frente a uma realidade, digamos, tão triste…

              Senhores Bispos, queremos estar puros ante a Justiça Divina e não somente alcançar a tão sonhada justiça “social”. Queremos, sim, amar os pobres. Todavia, almejamos mais que isso: queremos ser pobres em espírito para assim herdar o Reino de Deus [vide Mt 5, 3]. Queremos “novos céus e nova terra” [2 Pd 3,13]. Queremos ser mais que solidários: queremos ser caridosos. Somos gente de metas altas e não de propostas medíocres [porque demasiado horizontais]. Queremos, enfim, servir a Deus e não ao dinheiro. Isto nos basta: servir a Deus e nada mais.

 

I – “Comungar de joelhos ou em pé?” – por D. Estevão Bittencourt (via Duc in Altum)

 

Encontrei no Duc in Altum um post intitulado: “Comungar de joelhos ou em pé?”. Trata-se da reprodução de uma publicação originalmente feita na revista “Pergunte e responderemos”, idealizada e coordenada pelo saudoso D. Estevão Bittencourt, OSB. Com a sabedoria e fundamentação que lhe eram características, D. Estevão apresenta a história do indulto concedido pela Santa Sé ao clero do Brasil para que a comunhão fosse ministrada aos fiéis na mão [e, por conseguinte, de pé]. Esse indulto data de 1975. Contudo, a “Pergunte e Responderemos” salienta que – conforme declaração da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos datada de 1º de Julho de 2002 – a recusa da Comunhão a um fiel que esteja ajoelhado, é grave violação de um dos direitos básicos dos fiéis cristãos, a saber: o de ser ajudado por seus Pastores por meio dos sacramentos (Código de Direito Canônico cânon 213). Vale a pena acessar o post do Duc in Altum e lê-lo na íntegra 😉

Recentemente, fui a uma cidade em que dois sacerdotes me negaram [por ironia do destino em um mosteiro beneditino] a comunhão na boca. Comunguei na mão. Sem problemas. Mas fiquei indignado por, mais uma vez, ver que – no Brasil – a exceção sempre vira regra…

 

II – Dom Aloísio Roque Oppermann e o Socialismo

 

Ao ler esta matéria do Fratres in Unum [a qual destaca a atitude de um arcebispo que – atendendo ao disposto no Motu Próprio Summorum Pontificum – declarou “abertas as portas” da sua arquidiocese ao Rito Tridentino], tive curiosidade de ir em busca de algo escrito por D. Aloísio Roque Oppermann, arcebispo de Uberaba (MG). Eis que me deparei com este artigo, de sua autoria, publicado no site da CNBB. Em dado momento D. Roque diz:

“[…] Já temos no mundo uma vasta experiência socialista, de duzentos anos, que se instalou em vários países, e deixou rastos de sangue e de atraso. Assim conhecemos sua face. Vejamos as características de tal linha econômico-política. Ela é invencivelmente de alma atéia. E como não consegue convencer a população, via raciocínio, então lança mão do cerceamento da liberdade.  Esvazia tudo o que é de ordem particular, para destinar todos os bens para a administração da sociedade. Como, no seu entender, a livre iniciativa só visa o lucro pessoal e o egoísmo, então o Estado é que deve planejar a produção e a distribuição dos bens. Cabe-lhe ditar regras para a imprensa, selecionar a linha ideológica da escola, e impor a revolução violenta, para implantar o regime dos miseráveis. Para o triunfo do socialismo, a via democrática se mostrou um caminho inviável. Só a coação, para eles, é que resolve. É claro que existem vários tipos de socialismo, mas suas semelhanças são enormes. Com essa descrição também não posso aprovar o capitalismo grosseiro. Mas este admite reformulações, deixa espaço para os partidos de tônica social, e aceita (às vezes constrangido), em aperfeiçoar-se pela Doutrina Social da Igreja. Gente, vamos encurtar caminhos: a via socialista, definitivamente, não é solução. Quem é socialista propõe uma via, comprovadamente retrógrada”.

Maravilha! Fiquei sem palavras ante uma declaração tão corajosa de um Apóstolo. Para D. Aloísio Roque, tiro o chapéu!

[Trechos de uma locução do Venerável João Paulo II, de feliz memória, durante o Jubileu dos Bispos, em Roma (2000). Os grifos são meus. Notem que todo o comentário de Sua Santidade se dá num contexto de busca da própria santidade do bispo, bem como do esforço pela santificação dos fiéis. Nenhuma menção ao “dever” do bispo de lutar por justiça social, de fazer politicagem, nem de atuar como comentarista econômico… Ah, se todos os bispos ouvissem o sucessor de Pedro…]

 

[…] Podemos experimentar juntos toda a consolação da verdade enunciada por Santo Agostinho:  “Para vós, sou bispo; convosco, sou cristão. O primeiro é o nome de um cargo assumido; o segundo, de uma graça. Aquele é o nome de um perigo; este, de salvação” (Sermão 340, 1:  PL 38, 1483). São palavras fortes!

Caríssimos Irmãos no Episcopado, como pessoas sacramentalmente configuradas com Cristo, Pastor e Esposo da Igreja, somos chamados a “reviver” nos nossos pensamentos, sentimentos e opções o amor e a abnegação total de Jesus Cristo pela sua Igreja.

O Apóstolo indica de forma luminosa a finalidade suprema do dilexit Ecclesiam:  “Cristo amou a Igreja e entregou-Se por ela… e santificou-a” (Ef 5, 25-26). Assim é também o nosso múnus episcopal:  ele está ao serviço da santidade da Igreja.

Cada uma das nossas actividades pastorais tem como objectivo último a santificação dos fiéis, a começar pelos sacerdotes, nossos directos colaboradores. Por conseguinte, deve ter em vista suscitar neles o compromisso de responder ao chamamento do Senhor com prontidão e generosidade. E não é acaso o nosso próprio testemunho de santidade pessoal o apelo mais credível e mais persuasivo que os leigos e o clero têm direito a esperar no seu caminho rumo à santidade? Proclamou-se o Jubileu precisamente para “suscitar em cada fiel um verdadeiro anseio de santidade” (Tertio millennio adveniente, 42).

É necessário redescobrir aquilo que o Concílio Vaticano II diz sobre a vocação universal à santidade. Não é por acaso que o Concílio se dirige em primeiro lugar aos Bispos, recordando que devem “desempenhar o seu ministério santamente e com entusiasmo, com humildade e fortaleza; assim, encontrarão nele um magnífico meio da santificação própria” (Lumen gentium, 41). Como se vê, é a imagem de uma santidade que cresce ao lado do ministério, mas através do mesmo ministério. Uma santidade que se desenvolve como caridade pastoral, encontrando o seu paradigma em Cristo Bom Pastor e impelindo cada pastor a tornar-se o “modelo da grei” (cf. 1 Pd 5, 3).

5. Esta caridade pastoral deve vivificar os tria munera em que se articula o nosso ministério. Em primeiro lugar o munus docendi, ou seja, o serviço do ensino. Quando relemos os Actos dos Apóstolos, ficamos impressionados perante o fervor com que o primeiro núcleo apostólico semeava a mãos-cheias, com a força do Espírito, a semente da Palavra. Devemos encontrar de novo o entusiasmo pentecostal do anúncio. Em um mundo que, através dos mass media, conhece uma espécie de inflação das palavras, o verbo do Apóstolo só pode distinguir-se e progredir apresentando-se, com toda a luminosidade evangélica, como palavra repleta de vida. Não tenhamos medo de anunciar o Evangelho, “opportune et importune” (2 Tm 4, 2).

Sobretudo hoje, no meio de muitas vozes discordantes que criam confusão e perplexidade na mente dos fiéis, o Bispo tem a grave responsabilidade de esclarecer. O anúncio do Evangelho é o acto de amor mais excelso em relação ao homem, à sua liberdade e à sua sede de felicidade. Através da Liturgia, fonte e ápice da vida eclesial (cf. Sacrosanctum concilium, 10), esta mesma caridade torna-se sinal, celebração e acção orante. Aqui, o dilexit Ecclesiam de Cristo faz-se memória viva e presença eficaz. Nesta obra, mais que em qualquer outra, o papel do Bispo delineia-se como munus sanctificandi, ministério de santificação, graças à presença operosa d’Aquele que é o Santo por excelência.

Enfim, a caridade do Bispo deve brilhar no vasto âmbito da orientação pastoral:  no munus regendi. Exige-se muito de nós. Em tudo devemos trabalhar “como bons pastores que conhecem as suas ovelhas e por elas são conhecidos, como verdadeiros pais que se distinguem pelo espírito de amor e solicitude por todos” (Christus Dominus, 16).