outubro 2008


Universidade da Opus Dei é atacada

Universidade da Opus Dei é atacada

 

 

Veja o vídeo com a reportagem – publicada no El País – neste link.

            A Universidade da Opus Dei em Navarra sofreu um atentado terrorista que deixou 22 pessoas feridas. . O atentado foi provocado pelo Comando Nafarroa (ligado ao ETA) e consistiu na explosão de um carro-bomba no estacionamento do centro acadêmico. Detalhe importante: é a 6ª vez que esta instituição sofre este tipo de ataque.

            O que me impressionou (positivamente) nesta notícia foi o modo como o reitor, Ángel José Gómez Montoro, encarou o incidente: as atividades acadêmicas foram mantidas, e o magnífico reitor disse que a Universidade seguiria seu rumo «sem rancor».

            Segundo este site, na quarta-feira (29), a polícia havia preso 4 acusados de tentar reconstruir o Comando Nafarroa – que havia se dissolvido em 2002. Mesmo assim, não foi possível evitar o atentado. A polícia já desconfiava de que eles estariam planejando atentados em Navarra. E mesmo assim… Pergunto-me: será que a polícia espanhola anda sendo treinada pela brasileira…?!

 

 

 

Na última quarta-feira (29), faleceu o Pe. Bernard Digal. Após mais de 2 meses de luta contra as lesões que sofreu em 25/08/2008 por ser cristão. Extremistas hindus o feriram gravemente, levando-o à morte aos 45 anos de idade durante uma intervenção cirúrgica na cabeça. “Os mortos por causa da violência contra os cristãos são aproximadamente 100, enquanto são milhares os feridos e continuam as matanças, freqüentemente escondidas. Cerca de 15 mil cristãos estão ainda em campos de refugiados, e cerca de 40 mil fugiram para a selva ou a outros lugares, aterrorizados por grupos de extremistas hindus”, publicou Zenit.

            Mas, diante destas desanimadoras estatísticas, graças a Deus, consegue-se entrever um fio de esperança: Segundo a agência de notícias Fides, A comunidade católica está se unindo para enfrentar as dificuldades pelas quais passam os cristãos no estado de Orissa (região em que Pe. Bernard prestava assistência).

 

            Isto serve para pensarmos que não foi só a Igreja Primitiva que sofreu perseguições: ainda hoje a Esposa de Cristo é perseguida. Aliás, faz parte da essência da Igreja ser caçada e passar pelos mais terríveis tormentos: “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus! Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim.Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.Vós sois o sal da terra. Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens”(Mt 5, 10-13)

 

Exsurge, Domine!

 

 

            Antes das eleições entrevistei um padre que era candidato à prefeitura de uma cidade da região metropolitana de Recife. Esse padre era – além de padre – diplomata e agora postulante à cadeira de prefeito. Bom, passadas as eleições, verificou-se – como já previam as pesquisas de intenção de voto – a derrota do reverendíssimo padre. Mas aquela entrevista me levou a uma reflexão muito séria e oportuna. Por que um padre se candidata? Quem – e com qual mentalidade – povoa o cenário político nacional como sacerdotes e candidatos?

 

 

Histórico de candidaturas

 

            Há quatro anos, segundo informações da Folha de São Paulo, no nordeste 14 padres eram candidatos apenas em São Paulo. Segundo a reportagem da Folha, um frade chamado Frei Anastácio (pasmem: do PT da Paraíba) era quem organizava um fórum de padres candidatos no Nordeste.

            O Instituto Humanitas Unisinos (veja o artigo completo neste site) informa que “em 2008, Em todo o Brasil, há 544 candidatos a vereador, 31 candidatos a prefeito e 17 a vice-prefeito que declararam ser ‘sacerdotes ou membros de ordem ou seita religiosa’ na relação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) […] No Estado (de Goiás, apenas), são 26 candidatos a vereador, três a vice-prefeito e um a prefeito”.

            Este blog confirma a informação do IHS como relação ao número de padres candidatos a prefeito: 31. E acrescenta que, no Maranhão, 13 candidatos nas eleições deste ano se declararam “sacerdote ou membro de ordem e seita religiosa”. A maioria, no entanto, são padres que tentaram entrar na vida pública. Destes 13, apenas um candidato era candidato a prefeito. Os demais postulavam o cargo de vereador.

            Daí me pergunto se isso tudo teve origem em Padre Cícero: ele foi prefeito, deputado federal, e em 1912 foi eleito vice-governador do Ceará. Será que foi ele que inspirou o Padre Otoniel Passos, da Diocese de Garanhuns (PE), que foi prefeito da cidade de Canhotinho 4 vezes?

 

 

Comentando os comentários

 

 

Padre Petrônio de Fátima Bonfim Alves (PT), 43, candidato a prefeito de Itagiba (BA), disse: “Temos que mostrar que a vida espiritual não está desligada do cotidiano das pessoas”.

 

            A essa afirmação esdrúxula normalmente se segue aquele tipo de comentário tosco: “não podemos ser pessoas alienadas… que fecham os olhos para os problemas da humanidade…” blá, blá, blá, blá, blá. Não se está pedindo que o padre se desligue do “cotidiano das pessoas”, mas que ele participe dessa realidade dentro do seu estado de vida e na posição que ele escolheu! Acaso pode-se dizer que o goleiro está aquém do jogo apenas por não ficar correndo de um lado para o outro em campo? De forma algumas. Ele vive aquela realidade dentro de suas condições. Não precisa sair da barra e tomar o lugar do atacante para mostrar que está jogando.

 

 

 

Em Anápolis (a 54 km de Goiânia), o candidato do PTB, deputado estadual Frei Valdair, argumentou: “Quando decidi me candidatar, apenas conversei com o bispo e não apareceu nenhum problema”, diz o petebista, que pediu licença depois que já ocupava o mandato legislativo.

            Problema grande! Falta de bispos com fibra! Ausência de Pastores que orientem suas ovelhas com clareza e austeridade, quando preciso for. Mais que dar consentimento, às vezes se encontra bispo que apóiam explicitamente (veja aqui).

Em Cidade Ocidental (a 192km de Goiânia), Frei Francisco (PSDB) – candidato a vereador – afirmou:Continuarei na Ordem Franciscana e na Câmara”.

 

            Jesus já tinha dito: ninguém pode servir a dois senhores. Ou amará um e odiará o outro; ou amará o segundo e odiará o primeiro. Essa idéia de jogar dos dois lados só prejudica.

 

Em entrevista dada à revista ÉPOCA, o padre Rogério de Oliveira Pereira, de 45 anos, tentou se reeleger vereador pelo PT (argh!) no município de Ouro Branco, Minas Gerais. Ele assim expôs as razões de sua candidatura: “Minha candidatura não é coisa minha. Ela nasce de um apelo da comunidade”.

 

            As pessoas querem políticos honestos, sim. Mas seguramente querem – com muito mais razão e necessidade – sacerdotes santos e dedicados. Essa coisa de “é o povo que quer” é messianismo. Tentativa de parecer o salvador da Pátria. Ainda que o povo queira, não se justifica a candidatura. E se o povo não sabe o que quer? E se o que as pessoas querem não for o melhor para elas? Se um filho pedir uma serpente acaso um pai (de verdade!) dará? Apenas para satisfazer o gosto do filho?

 

            Como não bastassem estas pérolas todas, ainda se encontra termos sem nenhum sentido como política da comunhão. O que é isso? Pra mim cheira àquela tese imbecil do PSTU de que é preciso governar com todo o povo. Só quando houver comunhão de opiniões se fará algo. O absurdo disso é o seguinte: se os representantes do povo, antes de tomarem qualquer decisão, precisam consultar toda a população, então para que os elegemos? Se for assim, então sirvamos referendos à la carte! 

 

            Padre João de Barros Filho, de 73 anos, que disputou uma vaga de vereador em Lagoa Santa (MG) disse que se afastou do ministério mais continua a ajudar os “companheiros padres a celebrar missas informalmente”. Que é que isso quer dizer? Ele é uma espécie de acólito oculto? Ou disfarça-se de leigo para concelebrar? Será que essa missa ajudada por ele é um misto de comício com missa? Ou pior: de missa com comício?

 

Os franciscanos

 

            Numa rápida busca na internet, me impressionei com o número de frades franciscanos candidatos ou envolvidos diretamente em política partidária. É lamentável ver que a família franciscana seja uma das que mais colabora como fornecedora candidatos. Isto decorre, em grande parte, do fato de o carisma franciscano estar muito vinculado à lida com os pobres. Obviamente, a idéia que São Francisco tinha da Dama Pobreza, e a forma que ele escolheu para servir a ela, era bem diversa desta que alguns de seus filhos vêm adotando. Estes, deixaram-se contaminar por uma compreensão de pobreza (e de pobre) muito libertária… Vinculou-se a imagem do pobre à do oprimido. E para vencer o opressor, unem forças os paladinos da pobreza! Com suas foices vêm derrotar os opressores: capitalistas, latifundiários, americanos imperialistas, etc.). [Argh! Luta de classes!].

           

 

O ensino da Igreja

 

            A igreja trata da militância política de padres no Código de Direito Canônico, que deve ser obedecido pelos clérigos. O parágrafo terceiro do cânon (norma) 285 diz que “os clérigos são proibidos de assumir cargos públicos, que implicam participação no exercício do poder civil”.
            Já o parágrafo segundo do cânon 287 diz: “os clérigos não tenham parte ativa nos partidos políticos e na direção de associações sindicais, a não ser que, a juízo da competente autoridade eclesiástica, o exijam a defesa dos direitos da igreja ou a promoção do bem comum”.
            Além disso, muitos bispos em suas dioceses já se manifestaram contrários à participação direta de padres na política: D. Mauro, no Paraná (veja
aqui); D. José, em Recife; D. João, em Brasília.

           

Uma esperança

            Frei Valdair, diz: “Me licenciei, mas continuo padre, como sempre serei. É um sacramento”, afirma. O petebista lembra que, caso deixe a política no futuro, pode retornar à função eclesiástica: No mesmo sentido, Padre Ferreira afirma: “Preferi pedir meu afastamento para não ocupar os dois cargos ao mesmo tempo. Ninguém nunca deixa de ser padre. É igual a médico, advogado, você pode não exercer, mas sempre será um. Padre ainda mais, porque a ordenação tem caráter sacramental”.

            Em meio a essa confusão toda, pelo menos uma centelha de consciência: parece que a maioria dos padres que se candidatam está ciente da teologia sacramental da Igreja, a qual professa a irrevogabilidade do sacerdócio católico: Tu es sacerdos in aeternum.

 

O manifesto comunista – 2ª edição

 

            Agora vem o pior: Sob o efeito de algum tipo de ópio satânico alguns padres assinaram em 13 e 14/05/2008 um documento chamado “Carta – manifesto dos padres na política partidária”. A assinatura da carta se deu durante o VI ENCONTRO MINEIRO DOS PADRES NA POLÍTICA PARTIDÁRIA. É um nojo.

“Sob a inspiração do Vaticano II, das Comunidades Eclesiais de Base, da Opção pelos Pobres e da Teologia da Libertação, muitos padres abraçaram a evangelização com inserção no mundo da Política. A história mostra a participação de  inúmeros padres na vida política do Brasil: Pe. Cícero, Pe. Ibiapina, Frei Caneca, Pe. Lage (em Belo Horizonte), Hugo Paiva (no RJ) etc. Muitos sacerdotes foram perseguidos por denunciar tantas injustiças contra as pessoas e muitos foram martirizados. Só para citar alguns: Pe. Ezequiel Ramin, Pe. Gabriel, Pe. Josimo, Dom Oscar Romero Os anais da história política dos pequenos municípios mostram padres que participaram ativamente na política partidária com mandatos no executivo e legislativo e que contribuíram muito para a melhoria de vida do povo. Até um bispo salesiano, Dom Aquino Correia, chegou a ser governador do Estado do Mato Grosso”.

            Acho que os termos que grifei dizem tudo, não é verdade? Depois de evidenciar a adesão total ao pensamento Boffiano, vem a narrativa (quase genealógica) dos nomes que serviram de exemplo, inspiração e motivação dos sacerdotes candidatos de hoje em dia. 

“Há padres que são advogados, diretores de escola, professores, operários,… Por que um padre não pode assumir um cargo político? “Divide a comunidade”, dizem muitos. Engano! Muitas vezes a unidade preconizada é só espiritual e aparente, não é uma unidade real e concreta, pois continuam comungando na mesa da eucaristia pessoas que são solidárias aos oprimidos, ao lado de pessoas que, no dia-a-dia, estão em estruturas de opressão. Se o padre ou o pastor se posiciona politicamente, corre o risco de perder alguns fiéis, mas a comunidade ganhará em qualidade. Explicita as divisões internas na comunidade e faz vir à tona as opções que negam  a postura evangélica. O ministério sacerdotal não se restringe ao âmbito interno da Igreja, mas, em regime de exceção, pode incluir a administração pública, no exercício de cargos administrativos. É questionável o princípio ético que diz: Para não dividir a comunidade, padre não deve se candidatar, não deve indicar candidatos, não deve se posicionar politicamente”.

            Interessante o início deste parágrafo da carta. Os reverendíssimos se questionam o porquê de um padre não poder assumir um cargo político. E eu fico me perguntando por que ele não assume o seu cargo eclesiástico. “Há padres advogados, diretores, professores…” E por que não padres padres?

“Religião e Política não se separam. O nosso mestre Jesus de Nazaré foi condenado à pena de morte por um complô dos poderes político-econômico e religioso”.

            A velha visão TL… Chega a dar tristeza: a dimensão salvífica da morte de Jesus é deixada de lado. A visão de Jesus como Mestre, como Filho de Deus, dá lugar a uma espécie de pré-cursor de Che Guevara.

O Galileu enfrentou os conflitos, tomou partido do lado dos oprimidos e, por isso, foi condenado à pena de morte. Não se contentou com uma paz de cemitério, nem com uma unidade aparente.

Hilário.

 

Que São João Maria Vianney, o Cura d”Ars, interceda por nós e pelos nossos sacerdotes!

 

Fiquei pasmo ao ler comentário de sua Eminência, o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo publicado no site da Agência Ecclesia. O título da notícia era: “D. José Policarpo: Igreja está a perder a sintonia com as pessoas”. Os comentários que a matéria traz foram feitos durante a conferência As Linhas Emergentes para a Evangelização da Europa Globalizada e Laicizada”, ocorrida em Lisboa. Além de D. Policarpo, esteve presente ao encontro o arcebispo de Viena, D. Christoph Schönborn. Ao ler a matéria percebe-se que os bispos quiseram, antes de qualquer coisa, traçar o perfil da Igreja na Europa. E foi exatamente ao fazer essa análise que sua Eminência tirou conclusões, no mínimo, pouco prudentes. Abaixo contraponho algumas idéias às considerações do Patriarca português.

           

            Dizia ele: “A Igreja com respostas demasiadamente rígidas e canônicas às inquietações dos fiéis, perde a sensibilidade de chegar a essas pessoas”.

 

            Não será através dessas respostas rígidas e canônicas que a Igreja consegue manter os fiéis de todas as partes do mundo congregadas numa só fé? Será que não é a norma estabelece a ordem? E os princípios? Não dão eles sentido às normas? Se a Igreja não fosse rígida será que o Depositum Fidei (Depósito da Fé) estaria ainda íntegro?

            Após todos esses questionamentos, chega a uma triste constatação: o problema das pessoas, hoje em dia, é aceitar a autoridade de outrem. Cada um quer ser senhor de si. Bem diverso é o pensamento dos santos, que entendiam a submissão como uma virtude; que se alegravam ao saber que eram comandados por um mesmo Senhor. Atualmente, ser obediente virou sinal de fraqueza. Pior: influenciadas pela lógica marxista, as pessoas são induzidas a crer que a potestade de ordenar é uma característica do ente opressor. Se alguém ordena, rejeita-se de imediato. Vivemos uma ditadura da democracia: “se não for votado e acordado pela maioria, não vale” A democracia é quem manda. Nem sequer se leva em conta a moralidade da norma em si, isto é: independentemente de quem a instituiu, a norma é boa ou não? É coerente? Simplesmente unem-se os achismos e aqueles que conseguirem organizar o maior lobby, ganham. A razão está com quem tem maior número. O princípio fundamental é: Vox populi, vox Dei (A voz do povo é a voz de Deus). Isto é lamentável. Por essa lógica, a morte de Jesus foi justa, porque unanimemente gritavam: Crucifica-o!

            Além disso, me chama a atenção o fato de D. Policarpo parecer insinuar que as coisas devam ser tratadas caso a caso (o que é nem sempre é viável para uma organização do tamanho da Igreja Católica). A sensibilidade de chegar às pessoas se faz precisamente através das normas da Igreja. O “chegar às pessoas” deve ser exercido a partir das instâncias mais próximas. Isto é: o pároco deve aproximar-se de seus paroquianos mais que o bispo, em razão de estar mais próximo a estes fiéis que o bispo. Este, por sua vez, deve ser mais próximo dos padres de sua diocese que o Papa, que reside em Roma. E assim por diante: quem está mais próximo conhece mais. As possíveis dificuldades de “sintonia” devem ser atribuídas com muito mais razão a quem está mais próximo, e não à Igreja, em latu sensu.

 

            D. Policarpo também afirmou que: a “estrutura canônica com que é enquadrada a nossa direção pastoral é demasiadamente rígida para deixar a liberdade de resposta à própria procura de Deus”.  

 

            O homem é livre. Assim Deus o criou. E a sua resposta à procura de Deus será sempre um ato livre. Então me pergunto: como pode a Igreja limitar, restringir, a resposta da criatura ao seu criador? Dito da maneira que está parece que sua Eminência crê que a Igreja dificulta o acesso dos homens a Deus. Isto seria uma anti-evangelização! Aliás, em questões de “direção pastoral” a Igreja deixa os bispos, bem como as conferências episcopais, bastante livres para discernir o modelo mais adequado de evangelização a ser adotado. Não sei, portanto, a que se refere o eminentíssimo cardeal quando fala de uma estrutura canônica rígida na qual está enquadrada a direção pastoral.

 

            Por fim, o Patriarca de Lisboa afirmou: “Começaram a chegar pedidos e dinamismos na linha da adoração contínua do Santíssimo sacramento. Nós temos de responder a isto (… )já foi feito um levantamento sobre quais as experiências de adoração do Santíssimo Sacramento”.

 

            O que exatamente quis dizer D. Policarpo quando falou de “quais as experiências de adoração ao Santíssimo?”. Espero que não esteja ocorrendo em Lisboa os laboratórios de adoração que vez por outra acontecem por esta nossa Terra de Santa Cruz…

 

 

            Ontem (26) conversei com o Pe. Moisés Ferreira de Lima, pároco da Matriz de Apipucos e Reitor do Seminário Menor da Arquidiocese de Olinda e Recife. Comentávamos o caso do Padre João Carlos de Santana, ex-administrador paroquial da Paróquia de Santo Antônio, em Água Fria. Pe. Moisés desmentiu – com a autoridade de quem esteve presente no momento da reintegração de posse – algumas informações veiculadas pela mídia a respeito do caso (o blog Deus lo vult já havia denunciado a inconsistência de certas notícias).

1º – Ao contrário do que afirmou o portal PE 360 graus, não é verdade que o oficial de justiça interrompeu a missa que estava sendo celebrada pelo padre João Carlos. O oficial chegou à Paróquia à tarde quando ainda não havia celebração alguma na Igreja.

2º – Ao contrário do que afirmou o Jornal do Commercio, não é verdade que funcionários da Arquidiocese expulsaram os fiéis que estavam na Igreja participando de uma adoração e de um terço. Da parte da arquidiocese, os únicos presentes à reintegração de posse foram o Pe. Moisés Ferreira de Lima, o Monsenhor Edvaldo Bezerra da Silva, e um dos advogados. Além destes, estavam presentes o Padre João Carlos, o advogado dele, e a senhora Ivânia Olímpio de Almeida Queiroga. Nenhum funcionário da Arquidiocese participou do ato.

            Segundo o Padre Moisés, a reintegração durou cerca de 4 horas (das 15 às 19h) e consistiu na conferência do inventário apresentado pelo ex-administrador paroquial, isto é, na verificação dos bens da Igreja e da Casa Paroquial. Ainda segundo o Reverendíssimo Reitor, é exagerado afirmar que um grupo de fiéis se amontoou para protestar contra o Arcebispo. Havia sim, quando da chegada do oficial, um grupo de cerca de 7 ou 8 pessoas que observavam. Ao fim do processo reintegratório, havia um grupo maior (de não mais que 15 pessoas), presentes mais como curiosos que como manifestantes. Em nenhum momento se ouviu cantos, nem orações que insinuassem um apoio ao padre e críticas a D. José Cardoso Sobrinho. A menos que os fiéis tenham tomado esse tipo de atitude após o término da reintegração.

            Ontem (26), Padre Edmilson, novo administrador paroquial, celebrou a primeira missa após a reintegração da Paróquia de Santo Antônio.

 

 

 

 

            Além da notícia da menina que se arrastava para ir à missa [veja o segundo post abaixo], encontrei uma outra matéria interessante no site da AIS (Ajuda à Igreja que sofre). Diz respeito a um relatório sobre liberdade religiosa. Este, foi elaborado pela própria AIS, e apresentado à Igreja na quinta-feira passada (22). O relatório – que contém 600 páginas e já foi traduzido para 6 línguas – enseja, a partir da análise de um vasto material jornalístico e da coleta direta de informações dos representantes das igrejas locais, emitir um parecer sobre o grau de liberdade religiosa verificado nos diversos países do mundo. Quer-se também identificar quais as causas da repressão religiosa (onde houver). Em 2004 e em 2006 já haviam sido apresentados semelhantes trabalhos.

            Este estudo é importante, sobretudo, porque os tempos em que vivemos são tempos ditadura do ateísmo. Esta ditadura faz com que a restrição à liberdade se transforme, paulatinamente, em perseguição religiosa – instaurada de fato e de direito.

            Constatou-se que, no cenário mundial, mais de 60 países violam “gravemente” a liberdade religiosa. Entre eles: China, Cuba, Coréia do Norte, Irã, Nigéria, Miamar, Laos, Arábia Saudita, Paquistão e Sudão, que figuram como os países em que se registram as mais graves limitações à liberdade religiosa. 

            Era de se esperar que a China estivesse nessa lista. Lá os cristãos são impedidos de dar manifestações públicas de sua fé. A Igreja é controlada pelo Estado. Por isso o Santo Padre, o Papa Bento XVI, enviou uma carta ao povo chinês manifestando sua solidariedade aquele povo, e expressando sua “preocupação por alguns importantes aspectos da vida eclesial”.

            Mas é preciso que nós voltemos a atenção para um tipo perseguição silenciosa e, por isso, mais nociva. Aquela que é feita em países que aparentemente não tem restrições quanto à liberdade de culto e de credo. Dois exemplos para ilustrar:

            Na França, meninas muçulmanas foram proibidas de usar véu, e garotos judeus impedidos de usar o solidéu. Recentemente, o ex-ministro da Educação na França, Luc Ferry, deu uma entrevista à Revista Veja, dizendo que esta foi uma medida de “promoção da paz”.

            No Brasil, a tentativa de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil (criticada pela CNBB aqui), aliada à tentativa de retirar dos órgãos públicos (em que houver) o crucifixo, bem como a insistência em querer aprovar a Lei da Mordaça Gay (PL 122/2006) – que proíbe padres, pastores e quem quer que seja, de expressar sua opinião (contrária) ao homossexualismo, sob acusação de homofobia – são demonstrações de como a perseguição religiosa já se estabeleceu. Sim, porque mesmo sem estas propostas serem aprovadas pela sociedade e legitimadas pelo Estado, elas evidenciam que há um lobby de perseguidores. Pessoas que não querem apenas um Estado Laico, mas também uma sociedade laica.

            Como, sabiamente, nos advertiu o Príncipe dos Apóstolos, em sua primeira carta, há um leão rugindo em torno de nós, buscando a quem devorar (1 Pd 5,8), mas não nos esqueçamos: “Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós”. (Mt 5, 11-12).

 

 

 

Caros,

A Missa de Encerramento da XII Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que será presidida por Sua Santidade Bento XVI,  na Basílica Vaticana, vai ser trasmitida pelo site www.ewtn.com. Basta acessar o link:

 http://viewers.multicastmedia.com/viewer/viewerframes_parent.asp?b=&p=&networkID=3001837&WMP=1&WMPv=7&RPIE=1&RPNAV=0

Assistam!

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