A sociedade brasileira – sobretudo o meio católico – está verdadeiramente fervilhando de notícias em virtude da “corrida presidencial” – que neste dias mais parece “boxe presidencial”.

O Reinaldo Azevedo escreveu um excelente artigo “descendo a lenha” no apoio descarado que o Ministério da Saúde, na pessoa do Ministro José Gomes Temporão [abortista fanático], tem dado à causa abortista. A postagem do Reinaldo denuncia a calhordice de Temporão, que desperdiçou R$ 80.000,00 dos cofres públicos [usando a dotação do Ministério da Saúde] na produção de um vídeo com depoimentos [comprados?] de mulheres que se dizem a favor da descriminalização do aborto. O blogueiro da Veja escreveu:

Os abortistas enchem a boca para afirmar que a interdição é de natureza religiosa e que o estado é leigo. Uma ova! Mais de 70% dos brasileiros são contra a mudança da legislação na área. Se é ou não a religião que move boa parte, pouco importa. O estado brasileiro existe também para os crentes. Ou não? Se o estado tem de ser leigo, e tem, também tem de ser neutro no que diz respeito a paixões. Não cabe ao governo, como gerente desse Estado na área executiva, patrocinar campanhas contra interdições legais. O governo é um servo das leis, não um agente do proselitismo.

Enquanto isso, D. Demétrio Valentini decepciona os católicos brasileiros em uma espécie de “anti-campanha” ou “tentativa desesperada de salvar a campanha de Dilma”: o prelado resolveu “esclarecer e denunciar” aquilo que chamou de “instrumentalização da questão do aborto”. Esta infeliz declaração de D. Demétrio teve algumas implicações péssimas:

 

i)          O blog da Dilma publicou a declaração.

ii)        O Padre José Comblin publicou no site da Adital [“tradicionalmente” diabólico] uma Carta Aberta a D. Demétrio na qual ele endossa o posicionamento do bispo, tece loas ao mesmo, e afirma – quase em tom de ameaça – que “se não houver um esclarecimento público, ficará a imagem de uma igreja conivente com as manobras espúrias”. Pe. Comblin ainda acrescentou, antes de finalizar sua Carta: “Queremos continuar confiando nos nossos bispos e por isso aguardamos palavras claras”.

iii)     Pasmem (ou não!): a CNBB atendeu, solícita, ao pedido do Pe. Comblin e publicou uma Nota em Relação ao Momento Eleitoral. A CNBB está preocupada com os bispos que, sensatamente, estão orientando de forma clara os seus fiéis a não votar em uma candidata cujo partido é **institucionalmente** favorável à descriminalização do aborto. Lamentável.

 

Em meio a esta confusão, a Globo compilou as declarações que Dilma, Serra e Marina – ao longo de sua carreira política – já fizeram a respeito do tema aborto. Em algumas declarações, eles – como diria Dilma (argh!) no debate de ontem na Band -“apenas tergiversam”. Mas em outros pronunciamentos fica claro o posicionamento favorável da candidata petista à descriminalização do aborto. Nas palavras dela, é **um absurdo** que abortar seja crime! \o/ Confiram a matéria no G1.

Por falar em debate na Band, quem não assistiu ontem poderá conferir os 5 rounds da Batalha pelo Poder clicando aqui [os links para o debate estão nos comentários feitos a respeito de cada bloco. Quem não conseguir acessar no site da Band pode assistir no Youtube]. Em tempo: ou o debate foi mal divulgado ou as pessoas encheram a paciência de assistir a este tipo de espetáculo circense: a rede amargou o quinto lugar no Ibope durante a transmissão do debate ontem

O Último Segundo, por sua vez, abriu uma enquete com respostas a meu ver propositadamente mal escritas para saber qual o percentual de pessoas que mudariam de voto em função do tema aborto. Votem clicando aqui! O tempo urge e nós precisamos demonstrar a força de nossas posições. A alternativa a ser escolhida é, obviamente, **a segunda**.

E o Gabriel Chalita? Pensam que ele escapou? Justo ele – que adora escrever cartas para amigos e para a mãe – agora tem que engolir uma Carta de Repúdio à sua pessoa, escrita pelo Pe. Michelino Roberto, do Grupo de Oração Sementes do Espírito, da Paróquia de Nossa Senhora do Brasil, em São Paulo. Não consegui acessar a tal carta pelo site da Paróquia (terão recebido ordens de tirar do ar, como as restrições impostas a alguns vídeos do Youtube que demonstram a incoerência do Chalita?… Nunca saberemos). O fato é que sempre há uma solução: a carta está postada neste blog 😉 Um dos trechos diz:

 

Às vésperas da eleição, vimos também a sua presença marcante no encontro de Dilma com a imprensa para tratar publicamente do “apoio religioso”. Como se já não bastasse, vimos nos jornais de hoje duas notícias que só corroboram com nosso terror: a de que o Sr. fora escolhido para “costurar” apoio de religiosos à candidatura Dilma

[…]

Continuaremos rezando por você para que você reencontre seu caminho, a tanto perdido.

“Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna.” Mateus 5:37

É, Chalita. Se eu fosse você não brincava de papagaio do Lula, não. Tua máscara está caindo…

Por fim, eu não poderia me esquecer de fazer côro à Campanha de Orações pela Salvação do Brasil, que reiniciou hoje! Faltam 20 dias para as eleições do segundo turno. Se rezarmos todos os dias, a começar de hoje, um terço em honra de Nossa Senhora, teremos oferecido um milheiro de ave-marias à Santíssima Virgem para que ela nos livre do flagelo do comunismo. Hoje, 11 de Outubro, a intenção especial é “pela vitória da Verdade, contra a mentira”. Participem! Para mais detalhes acessem o site da Campanha.

p.s.: Aproveitem para rezar a fim de que consigamos que os bispos do Brasil consagrem o país ao Imaculado Coração de Maria. Para que o façam, senão pela benevolência episcopal, ao menos pela insistência dos fiéis que lhes suplicam 😉

 

“Ato contra a descriminalização do aborto reúne 3 mil em SP, diz PM”


A Marcha da Cidadania pela Vida aconteceu este fim de semana em São Paulo. Não era de se esperar que houvesse grande divulgação disso por parte de uma mídia anti-cristã, anti-católica e abortista. Depois de muito “catar” na internet, achei esta reportagem no site da Globo – a qual transcrevo integralmente:

Pelo menos 3 mil pessoas participam na manhã deste sábado (20)  da Marcha da Cidadania pela Vida, que percorre ruas do Centro de São Paulo a partir do Viaduto Jacareí com destino à Praça da Sé. A estimativa é da Polícia Militar no início do evento, por volta das 9h30.

Segundo a organização do evento, a ideia é mobilizar a sociedade para que se posicione em defesa da vida desde a concepção e contra as propostas que buscam descriminalizar o aborto no Brasil até o nono mês da gravidez.

Os organizadores da marcha afirmam que o evento é suprapartidário, supra religioso e conta com o apoio de representantes de diversas entidades representativas da sociedade civil.

Ao contrário das estatísticas infladas que os abortistas apresentam quando vão falar da mortalidade materna no Brasil – tentando, com isso, justificar o assassinato de crianças inocentes -, é bem provável que este dado de que “3 mil pessoas participaram do evento” esteja subavaliado. Faz parte da tática abortista: apresentar os atos em defesa da vida como sendo fruto da “rebeldia” de uma minoria fundamentalista. Os que desejarem assistir a um vídeo com as imagens da Marcha podem acessar diretamente o site da Globo clicando no link supra-indicado.

Ah, a Band também publicou matéria a respeito deste assunto.

Por falar em Marcha…


Lembram que o ano passado eu comentei aqui a minha surpresa ao saber da existência da Marcha da Maconha em Recife? Pois bem. Este ano eu soube – através desta matéria – que a justiça suspendeu a Marcha da Maconha em São Paulo:

O promotor de Justiça Walter Tebet Filho argumentou que os organizadores do evento conclamam, por meio de um site na internet, à prática de conduta ilícita, inclusive alardeando que “em ato simbólico, cada um acenderá seu cigarro de maconha”.

  

            Michael Jackson era gay

 

             Calma! Quem está dizendo isso não sou eu: foram os próprios gays que – durante uma Parada Gay no Pará – resolveram “homenagear” o cantor norte americano.

            “Ele era uma das maiores vítimas de preconceito e sofreu com isso até a morte – seja pela cor da pele ou pelo estilo de vida”, disse Paulo Caldas, um dos fãs que prestou a homenagem” (grifos meus).

            Clique aqui para ler a matéria completa.

  

            E o bicho tá pegando em Honduras…

 

             “A tensão ficou mais forte em Honduras neste domingo (27) em antecipação a novos confrontos depois que o presidente deposto Manuel Zelaya pediu a seus partidários que façam uma ofensiva final e os líderes golpistas responderam com uma dura advertência ao Brasil. Trabalhadores rurais de Honduras se dirigem para a capital em apoio a Zelaya, disse o líder religioso Andres Tamayo à agência France Presse. Ele está dentro da embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde o presidente deposto está abrigado desde que voltou ao país na última segunda-feira”.

            O site da Globo acrescenta que “o governo interino de Honduras, liderado por Roberto Micheletti, decretou neste domingo (27) a suspensão de direitos constitucionais públicos, como a liberdade de circulação e expressão, de protestos, e autorizou a suspensão de grupos de mídia que, na visão do governo de fato, “provoquem distúrbios pelo país”. O anúncio foi feito através de uma cadeia nacional de rádio e TV.

 

            Conselho Federal de Serviço Social adere publicamente ao abortismo

  

            Conselhos de classe, ordens e associações profissionais quaisquer normalmente não servem para porcaria nenhuma além de recolher taxas [através de um sutil processo de extorsão]. O Conselho Federal de Serviço Social  – que deve ser uma verdadeira gaiola das loucas – prestou um grande DESserviço social escrevendo a seguinte Moção de Apoio:

 

            Nós, assistentes sociais, delegadas/os, observadores/as e convidadas/os reunidas/os no 38º Encontro Nacional CFESS/CRESS realizado em Campo Grande/MS no período de 06 a 09 de setembro de 2009 manifestamos nosso apoio ao Manifesto contra a criminalização das mulheres que praticam aborto apresentado pela Frente Nacional pelo Fim da Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto.

            Centenas de mulheres no Brasil estão sendo perseguidas, humilhadas e condenadas por recorrerem à prática do aborto. Isso ocorre porque ainda temos uma legislação do século passado – 1940 -, que criminaliza a mulher e quem a ajudar.

            A criminalização do aborto condena as mulheres a um caminho de clandestinidade, ao qual se associam graves perigos para as suas vidas, saúde física e psíquica, e não contribui para reduzir este grave problema de saúde pública.

            As mulheres pobres, negras e jovens, do campo e da periferia das cidades, são as que mais sofrem com a criminalização. São estas que recorrem a clínicas clandestinas e a outros meios precários e inseguros, uma vez que não podem pagar pelo serviço clandestino na rede privada, que cobra altíssimos preços, nem podem viajar a países onde o aborto é legalizado, opções seguras para as mulheres ricas.

            A estratégia dos setores ultraconservadores, religiosos, intensificada desde o final da década de 1990, tem sido o “estouro” de clínicas clandestinas que fazem aborto. Os objetivos destes setores conservadores são punir as mulheres e levá-las à prisão. Em diferentes Estados, os Ministérios Públicos, ao invés de garantirem a proteção das cidadãs, têm investido esforços na perseguição e investigação de mulheres que recorreram à prática do aborto. Fichas e prontuários médicos de clínicas privadas que fazem procedimento de aborto foram recolhidos, numa evidente disposição de aterrorizar e criminalizar as mulheres. No caso do Mato Grosso do Sul, foram quase 10 mil mulheres ameaçadas de indiciamento; algumas já foram processadas e punidas com a obrigação de fazer trabalhos em creches, cuidando de bebês, num flagrante ato de violência psicológica contra estas mulheres.

            A estas ações efetuadas pelo Judiciário somam-se os maus tratos e humilhação que as mulheres sofrem em hospitais quando, em processo de abortamento, procuram atendimento. Neste mesmo contexto, o Congresso Nacional aproveita para arrancar manchetes de jornais com projetos de lei que criminalizam cada vez mais as mulheres.

            Deputados elaboram Projetos de Lei como o “bolsa estupro”, que propõe uma bolsa mensal de um salário mínimo à mulher para manter a gestação decorrente de um estupro. A exemplo deste PL, existem muitos outros similares.

            A criminalização das mulheres e de todas as lutas libertárias é mais uma expressão do contexto reacionário, criado e sustentado pelo patriarcado capitalista globalizado em associação com setores religiosos fundamentalistas. Querem retirar direitos conquistados e manter o controle sobre as pessoas, especialmente sobre os corpos e a sexualidade das mulheres.

            Ao contrário da prisão e condenação das mulheres, o que necessitamos e queremos é uma política integral de saúde sexual e reprodutiva que contemple todas as condições para uma prática sexual segura.

            A maternidade deve ser uma decisão livre e desejada e não uma obrigação das mulheres. Deve ser compreendida como função social e, portanto, o Estado deve prover todas as condições para que as mulheres decidam soberanamente se querem ou não ser mães, e quando querem. Para aquelas que desejam ser mães devem ser asseguradas condições econômicas e sociais, através de políticas públicas universais que garantam assistência a gestação, parto e puerpério, assim como os cuidados necessários ao desenvolvimento pleno de uma criança: creche, escola, lazer, cultura, saúde.

            As mulheres que desejam evitar gravidez devem ter garantido o planejamento reprodutivo e as que necessitam interromper uma gravidez indesejada deve ser assegurado o atendimento ao aborto legal e seguro no sistema público de saúde.

            Neste contexto, não podemos nos calar!

            Nós, sujeitos políticos, movimentos sociais, organizações políticas, lutadores e lutadoras sociais e pelos diretos humanos, reafirmamos nosso compromisso com a construção de um mundo justo, fraterno e solidário, nos rebelamos contra a criminalização das mulheres que fazem aborto, nos reunimos nesta Frente para lutar pela dignidade e cidadania de todas as mulheres.

            Nenhuma mulher deve ser impedida de ser mãe. E nenhuma mulher pode ser obrigada a ser mãe.

            Por uma política que reconheça a autonomia das mulheres e suas decisões sobre seu corpo e sexualidade.

            Pela defesa da democracia e do principio constitucional do Estado laico, que deve atender a todas e todos, sem se pautar por influências religiosas e com base nos critérios da universalidade do atendimento da saúde!

            Por uma política que favoreça a mulheres e homens um comportamento preventivo, que promova de forma universal o acesso a todos os meios de proteção à saúde, de concepção e anticoncepção, sem coerção e com respeito.

            Nenhuma mulher deve ser presa, maltratada ou humilhada por ter feito aborto!

            Dignidade, autonomia, cidadania para as mulheres!

            Pela não criminalização das mulheres!

 

Campo Grande- MS, 09 de setembro de 2009.

Conselho Federal de Serviço Social (CFESS)

Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS)

 Aprovada na Plenária Final do 38º. Encontro Nacional CFESS/ CRESS, realizado de 06 a 09 de setembro de 2009 em Campo Grande-MS.