Caríssimos, conforme lhes havia prometido, hoje –  FESTA DA ASSUNÇÃO DA VIRGEM MARIA – volto a postar aquilo que, no meu juízo, possa ser do interesse de todos quantos buscam agradar a Deus por uma fé pura e simples. Na realidade, ainda não voltei à “vida normal” (na terra natal, entre os meus), mas darei um jeito de continuar escrevendo. Deus me ajude e vocês façam a gentileza de encomendar orações em meu favor 😉 Hoje, emudecido ante o mistério da Assunção, trago-lhes um comentário de São Bernardo ao Evangelho de hoje. Chamaram-me a atenção as seguintes palavras: “«Arrasta-me atrás de ti. Corramos ao odor dos teus perfumes!» (Ct 1, 3-4) Viajantes sobre a terra, enviamos à frente a nossa advogada […], a Mãe de misericórdia, para defender eficazmente a nossa salvação”. Ah, uma boa notícia: consegui recuperar os meus equipamentos de informática! \o/ =)

Nossa Senhora da Assunção

Comentário ao Evangelho do dia feito por
São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e Doutor da Igreja
1º Sermão para a Assunção (a partir da trad. Pain de Cîteaux 32, p. 63 rev.)

«Em Cristo, todos serão vivificados, cada qual na sua ordem» (1Cor 15, 22-23)

Hoje a Virgem Maria sobe, gloriosa, ao céu. É o cúmulo de alegria dos anjos e dos santos. Com efeito, se uma simples palavra sua de saudação fez exultar o menino que ainda estava no seio materno (Lc 1, 44), qual não terá sido sido o regozijo dos anjos e dos santos, quando puderam ouvir a sua voz, ver o seu rosto, e gozar da sua presença abençoada! E para nós, irmãos bem-amados, que festa a da sua assunção gloriosa, que motivo de alegria e que fonte de júbilo temos hoje! A presença de Maria ilumina o mundo inteiro, a tal ponto resplandece o céu, irradiado pelo brilho desta Virgem plenamente santa. Por conseguinte, é justificadamente que ecoa nos céus a acção de graças e o louvor.

Ora […], na medida em que o céu exulta da presença de Maria, não seria razoável que o nosso mundo chorasse a sua ausência? Mas não, não nos lastimemos, porque não temos aqui cidade permanente (Heb 13, 14), antes procuramos aquela aonde a Virgem Maria chegou hoje. Se já estamos inscritos no número de habitantes dessa cidade, convém que hoje nos lembremos dela […], compartilhemos a sua alegria, participemos nesta alegria que hoje deleita a cidade de Deus; uma alegria que depois se espalha como o orvalho sobre a nossa terra. Sim, Ela precedeu-nos, a nossa Rainha, precedeu-nos e foi recebida com tanta glória que nós, seus humildes servos, podemos seguir a nossa Rainha com toda confiança gritando [com a Esposa do Cântico dos Cânticos]:

«Arrasta-me atrás de ti. Corramos ao odor dos teus perfumes!» (Ct 1, 3-4) Viajantes sobre a terra, enviamos à frente a nossa advogada […], a Mãe de misericórdia, para defender eficazmente a nossa salvação.

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Aos que desejarem assistir a homilia do Pe. Mateus Maria, FMDJ, cliquem aqui: Assumpta est Maria in coelum!

Segue a homilia do Padre Antoine, LC, sobre a Solenidade de Pentecostes – que celebraremos no próximo domingo. O texto foi publicado aqui. Recomendo que, antes de lerem, rezem ou cantem a belíssima invocação da Igreja ao Espírito Santo: Veni, Creator Spiritus! Escutem, vejam, saboreiem o canto em preparação para esse momento tão especial que o calendário litúrgico nos reserva.

Quem nunca teve a experiência de ser invadido com força pelo Espírito Santo dificilmente poderá entender o que experimentaram os Apóstolos no dia de Pentecostes. O que não foi conseguido depois de três anos com o Senhor, depois de serem testemunhas de Sua morte e Ressurreição, foi conseguido por este fogo divino que lhes encheu os corações, liberando-os do seu medo, dos bloqueios interiores e sobretudo de uma existência centrada sobre si mesmos.

Conta são Lucas que ouviram primeiro um rumor como uma forte rajada de vento, que encheu toda a casa, e depois viram línguas como de fogo, pousando-se sobre cada um deles. Invadiu-os uma alegria inimaginável e uma força ardente. Por momentos o céu inclinou-se para eles, dando-lhes a entender com mais nitidez o que significa viver em Deus.

Depois, sabemos o que ocorreu: “saturados” de Deus, sairam a anunciá-lo. Era quase mais forte que eles, como Jeremias, que até chegava a desejar não mais pronunciar oráculos de Iahweh, a causa da perseguição que padecia: “E eu dizia, “não voltarei a recordá-lo [Deus], nem já falarei em seu Nome”. Mas havia no meu coração algo parecido a um fogo ardente, aceso nos meus ossos, e ainda que eu tentasse afogá-lo, não podia”.

Depois de dois mil anos, esta experiência é ainda possível, ou pertence irremediavelmente aos tempos fundacionais da Igreja? É uma vivência que estamos condenados a contemplar, ou podemos também tomar parte dela? A minha experiência pessoal é esta: quem busca Pentecostes, encontrará Pentecostes e na medida em que o desejará.

Diversos elementos são necessários para que se produza esta experiência transformante, na qual Deus começa realmente a tomar as rédeas das nossas vidas, na qual sentimos que já deixamos de recolher nas nossas redes alguns peixes e que a pesca começa a ser miraculosa.

Em primeiro lugar, Cristo tem de ser realmente o centro das nossas vidas. O Espírito vem de Cristo. De facto, o Evangelho deste domingo mostra-nos claramente que Cristo sopra sobre os Apóstolos. É Ele também que lhes promete Pentecostes. Noto que, com certa frequência, podemos ter a impressão que damos o primeiro lugar a Deus, mas não sempre este sentimento é real. Inclusive pessoas que praticamente não pensam em Deus durante o dia, estão convencidos de que realmente lhe dão o primeiro lugar, simplesmente porque lhes parece que não fazem nada errado.

Então, como saber se Cristo é o nosso centro de gravidade? Normalmente quem ama a Cristo com todo o coração, dará uma clara prioridade à vida de oração durante o dia. “Mas não posso rezar enquanto trabalho!”, podemos objetar. Certamente não podemos sempre pensar em Deus quando trabalhamos, mas todo o nosso trabalho tem de ser uma oração, uma oferenda a Deus. Por outro lado, quem vive realmente da oração, buscará rezar o mais possível, viverá com este profundo desejo, porque entendeu que a oração é tão necessária à alma quanto o oxigênio ao corpo. Se pequenas orações não alimentam com frequência o nosso espírito, é muito fácil que os desejos e impulsos do mundo comecem a corroê-lo.

Se queremos que venha o Espírito com força divina transformadora, que nos leve onde as nossas forças humanas nunca poderão levantar-nos, não nos façamos ilusões, devemos seguir o exemplo dos apóstolos que nos dias imediatamente anteriores a Pentecostes “estavam continuamente no templo”, ou seja, e aplicando-o às nossas situações concretas, rezavam tudo o que podiam para que Ele viesse.

Há uma terceira condição fundamental, para além de colocar Cristo no centro da vida e de ter um hábito de oração realmente vigorosa: viver o abandono nas mãos de Deus. Ou seja, temos de começar a tomar seriamente em conta esta verdade evangélica: se nós nos ocuparmos das coisas de Deus, Ele se ocupará dos nossos problemas. Israel nunca foi a nenhum lado enquanto seguia o seu próprio juízo. A Bíblia não se cansa de repeti-lo.

Especialmente significativa neste sentido, é a guerra, narrada pela Bíblia, de Josafá contra um exército claramente superior de moabitas e amonitas. Quando os numerosos adversários estavam já aproximando-se da capital, o profeta recorda ao povo: “Prestai atenção, vós todos de Judá e habitantes de Jerusalém, e tu ó rei Josafá! Assim fala Iahweh: “não temais, não vos deixeis atemorizar diante desta imensa multidão; pois esta guerra não é vossa mas de Deus”. Então o próprio Josafá toma a palavra e exorta os seus súbditos: “Ouvi-me, Judá e habitantes de Jerusalém! Crede em Yahweh vosso Deus e estareis seguros; crede em seus profetas e sereis bem sucedidos”.

Mas Josafá não se limitou a proclamar a sua fé com os lábios. Abandonou-se completamente nas mãos de Deus, até ao ponto de designar cantores que marchariam diante dos guerreiros, louvando Yahweh. Ele era consciente de que o elemento decisivo para a vitória era a fé que se abandona nas mãos de Deus e a oração dos cantores. E, de facto, sem sequer terem necessidade de travar o combate, os inimigos tiveram que se retirar por uma providência especial de Deus. Assim vencem-se todas as batalhas no terreno espiritual, sabendo que o adversário é muito mais forte que nós, como nos recorda são Paulo: “Pois o nosso combate não é contra o sangue nem contra a carne, mas contra os Principados, contra as Autoridades, contra os Dominadores deste mundo de trevas, contra os Espíritos do Mal, que povoam as regiões celestiais. Por isso deveis vestir a armadura de Deus, para poderdes resistir no dia mau e sair firmes de todo combate”.

Quem se abandona nas mãos de Deus, faz um acto de fé extraordinário, mostra que realmente acredita que Deus é Deus, que Ele é um Pai bondoso, de confiança…E por isso o Espírito Santo derrama-se com abundância. Abandonar-se é fundamentalmente aceitar que Deus conduza a minha vida, aceitar que Ele tenha o volante da mesma. É um acto muito difícil, mas muito profundo e comprometedor, e por isso extraordinariamente potente do ponto de vista espiritual. É realmente difícil, é talvez até o que mais nos custa: retirar as nossas mãos que agarram tensamente o volante, deixando que o plano de Deus nos invada e guie os nossos passos. Então entra em plenitude a força de Deus, a nossa vida torna-se sobrenatural, as pessoas ao redor de nós começam a mudar, o poder de Deus vai espalhando-se sem limites porque finalmente Deus encontrou alguém em quem pode residir sem barreiras. Mas para chegar ao abandono e para abandonar-se cada dia, é preciso muita oração. Quem não vive imerso em Deus fatidicamente cairá na tentação de tomar de novo as rédeas, de sentir que tem a vida controlada, mais segura, porque ele mesmo a controla. Quando, na verdade, é exactamente o oposto que se produz.

Pensemos em Jonatá: ter-lhe-ia assaltado muitas vezes a tentação de pôr os guerreiros na frente de combate, de começar a actuar como se tudo dependesse dele. Ao fim de contas, nesta batalha estava em jogo a sua vida. Teve de rezar muito, de recordar muitas vezes que Deus é fiel, que Deus cumpre as suas promessas, que Deus existe realmente…

Esse é pois o caminho: que nada seja mais importante que Cristo, nada mais prioritário do que a oração e que a nossa vida seja um aceitar ser guiado por Cristo. A primeira comunidade cristã soube integrar muito bem estes elementos. Por isso Pentecostes foi realmente para ela uma revolução, uma força de irradiação que, logo na primeira pregação da história cristã, conseguiu 3 mil conversões!! Mas como dizíamos ao início, não o vejamos como um acontecimento exclusivo dos primeiros tempos. Seria um grave erro. “Farão obras maiores que as minhas”, diz Cristo no Evangelho. Isso aplica-se aos cristãos de todos os tempos, a todos os que querem lançar-se com seriedade e radicalidade na aventura cristã.

[Fonte: ACI Digital]

Homilia do Santo Padre

Abertura da Porta Santa na Basílica de Santa Maria Maior

 

1° de Janeiro de 2000

Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus

XXXIII Jornada Mundial da Paz

1. “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho. Ele nasceu de uma mulher” (Gl 4, 4).

Ontem à tarde detivemo-nos para meditar sobre o significado destas palavras de Paulo, tiradas da Carta aos Gálatas, e perguntamo-nos em que consiste a “plenitude dos tempos” de que ele fala, em relação aos processos que assinalam o caminho do homem ao longo da história. O momento que estamos a viver é mais denso de significado do que nunca:  à meia-noite o ano de 1999 entrou no passado, cedeu o caminho a um novo ano. Eis-nos agora, desde há poucas horas, no ano 2000!

O que isto significa para nós? Começa-se a escrever outra página da história. Ontem à tarde dirigimos o nosso olhar para o passado, para o modo como era o mundo quando iniciava o segundo milênio. Hoje, dando início ao ano 2000, não podemos deixar de nos interrogar acerca do futuro:  que direção tomará a grande família humana nesta nova etapa da própria história?

2. Tendo em conta um novo ano que começa, a hodierna liturgia formula a todos os homens de boa vontade os votos com as seguintes palavras:  “Javé te mostre o seu rosto e te conceda a paz!” (Nm 6, 26).

O Senhor te conceda a paz! Eis os bons votos que a Igreja apresenta à inteira humanidade, no primeiro dia do ano novo, consagrado à celebração do Dia Mundial da Paz. Na Mensagem para essa Jornada recordei algumas condições e urgências, em vista de consolidar o caminho da paz a nível internacional. Um caminho infelizmente sempre ameaçado, como no-lo recordam os dolorosos eventos que várias vezes assinalaram a história do século XX. Por isso devemos, hoje mais do que nunca, desejar a paz em nome de Deus:  o Senhor te conceda a paz!

Neste momento, penso no encontro de oração pela paz que, em Outubro de 1986, viu reunidos em Assis os representantes das principais religiões do mundo. Estávamos ainda no período da chamada “guerra fria”:  reunidos, rezamos para esconjurar a grave ameaça de um conflito que parecia incumbir sobre a humanidade. Num certo sentido, demos voz à prece de todos e Deus acolheu a súplica dos seus filhos. Embora tenhamos testemunhado o início de perigosos conflitos locais e regionais, foi-nos contudo poupado o grande conflito mundial que se anunciava no horizonte. Eis por que, ao cruzarmos o limiar do novo milênio, nos apresentamos reciprocamente com maior consciência os bons votos de paz:  Javé te mostre o seu rosto. Ano 2000 que vens ao nosso encontro, Cristo te conceda a paz!

3. “A plenitude dos tempos!”. São Paulo afirma que esta “plenitude” se realizou quando Deus “enviou o seu Filho. Ele nasceu de uma mulher” (Gl 4, 4). Hoje, oito dias depois da Natividade, primeiro dia do ano novo, evocamos de maneira especial a “Mulher” de que o Apóstolo fala, a Mãe de Deus. Ao dar à luz o Filho eterno do Pai, Maria contribuiu para a obtenção da plenitude dos tempos; contribuiu de forma singular para fazer com que o tempo humano alcançasse a medida da sua plenitude na Encarnação do Verbo.

Neste dia tão significativo, tive a alegria de abrir a Porta Santa nesta veneranda Basílica Liberiana, a primeira no Ocidente dedicada à Virgem Mãe de Cristo. A uma semana do solene rito realizado na Basílica de São Pedro, hoje é como se as comunidades eclesiais de todas as nações e continentes se reunissem idealmente aqui, sob o olhar da Mãe, para cruzar a soleira da Porta Santa que é Cristo.

Efectivamente é a Ela, Mãe de Cristo e da Igreja, que desejamos confiar o Ano Santo há pouco iniciado, a fim de que proteja e encorage o caminho de quantos se fazem peregrinos neste tempo de graça e de misericórdia (cf. Incarnationis mysterium, 14).

4. A Liturgia da hodierna solenidade possui um carácter profundamente mariano, não obstante nos textos bíblicos isto se manifeste de forma bastante sóbria. O trecho do evangelista Lucas como que resume aquilo que escutamos na noite de Natal. Ali narra-se que os pastores foram a Belém e encontraram Maria e José, e o Menino na manjedoura. Depois de O terem visto, referiram aquilo que lhes tinha sido dito acerca d’Ele. E todos se admiraram ao ouvirem a narração dos pastores. “Maria, porém, conservava todos estes factos e meditava sobre eles no seu coração” (Lc 2, 19).

Vale a pena deter-se nesta frase que exprime um aspecto admirável da maternidade de Maria. Num certo sentido, o inteiro ano litúrgico segue as pegadas desta maternidade, a começar pela Solenidade da Anunciação, a 25 de Março, precisamente nove meses antes da Natividade. No dia da Anunciação, Maria ouviu as palavras do anjo:  “Eis que vais ficar grávida, terás um Filho e dar-lhe-ás o nome de Jesus… O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso, o Santo que vai nascer de ti será chamado Filho de Deus” (Lc 1, 31.35). E respondeu:  “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Ibid., v. 38).

Maria concebeu por obra do Espírito Santo. Como todas as mães, trouxe no próprio seio Aquele que só Ela sabia que se tratava do Filho unigênito de Deus. Deu-O à luz na noite de Belém. Assim tiveram início a vida terrena do Filho de Deus e a sua missão de salvação na história do mundo.

5. “Maria… conservava todos estes factos e meditava sobre eles no seu coração”. Como se surpreender que a Mãe de Deus se recordasse de tudo isto de modo singular, ou melhor, único?

Cada mãe possui uma análoga consciência do início de uma nova vida nela. A história de cada homem está inscrita em primeiro lugar no coração da própria mãe. Não admira que a mesma coisa se tenha verificado em relação à vicissitude terrena do Filho de Deus.

“Maria… conservava todos estes factos e meditava sobre eles no seu coração”.

Hoje, primeiro dia do ano novo, no início de um novo ano deste novo milênio, a Igreja evoca esta experiência interior da Mãe de Deus. Fá-lo não só meditando os eventos de Belém, de Nazaré e de Jerusalém, ou seja, as várias etapas da existência terrena do Redentor, mas também considerando tudo aquilo que a sua vida, morte e ressurreição suscitaram na história do homem.
Maria esteve presente com os Apóstolos no dia do Pentecostes, participando diretamente no nascimento da Igreja. Desde então, a sua maternidade acompanha a história da humanidade redimida, o caminho da grande família humana, destinatária da obra da Redenção.

No início do ano 2000, enquanto progredimos no tempo jubilar, confiamos nesta tua “recordação” materna, ó Maria! Colocamo-nos neste singular itinerário da história da salvação, que se conserva vivo no teu coração de Mãe de Deus. Confiamos a ti os dias do novo ano, o futuro da Igreja, da humanidade e do universo inteiro.

Maria, Mãe de Deus, Rainha da Paz, vigia sobre nós!

Maria, Salus Populi Romani, roga por nós! Amém!

A Mãe do Menino-Deus

A Mãe do Menino-Deus

Hoje, dia em que a Igreja Celebra a Solenidade da Mãe de Deus, convém recordar esta passagem do evangelho de São Mateus. “Maria de qua natus est Jesus”, isto é, “Maria de quem nasceu Jesus” (Mt 1,16).

 

 

           

            Mãe de Deus – o título

 

            Frei Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia, faz uma importante observação: “Mãe, não é um título como qualquer outro, que provém do exterior, sem incidir sobre a essência mesma da pessoa. Torna-se mãe passando por uma série de experiências que deixam um sinal perpétuo e modificam não só a conformação do corpo da mulher, mas também a própria consciência que ela tem de si”. (Gettate le reti. Riflessioni sui Vangeli. Anno A. Tradução livre minha).                

            Desta forma, a Maternidade Divina de Nossa Senhora está ligada a ela enquanto pessoa escolhida e preparada por Deus para exercer este ofício (e, ao mesmo tempo, receber esta glória). Este título não foi outorgado à Santíssima Virgem; ele é o reconhecimento de um atributo essencial de Maria.

 

            A Heresia Nestoriana e o Concílio de Éfeso

 

            Entretanto, até que o dogma da maternidade divina fosse definido pela Igreja, houve muita discussão. No século V, Nestório, bispo Constantinopla, insinuou e começou a ensinar que Jesus tinha em si duas pessoas: uma humana e outra divina. Deste modo, segundo Nestório, Nossa Senhora seria mãe do “Jesus homem”, mas não do “Jesus Deus”. (leia mais sobre isso aqui). Em 430, São Celestino I, o Papa de então, condenou a heresia nestoriana com base nas refutações propostas por São Cirilo de Alexandria, dizendo que “em Jesus Cristo, o Filho do homem não é pessoalmente distinto do Filho de Deus”, e que “a Virgem Santíssima é verdadeiramente a Mãe de Deus, por ser a Mãe de Jesus Cristo, que é Deus”. A Fé Católica, professa que Jesus teve sim, duas naturezas, mas que estão perfeitamente unidas numa só pessoa. De modo que, Nossa Senhora é mãe da Pessoa de Jesus como um todo. Certa vez, ouvi uma colocação muito inteligente feita por um padre. Ele dizia mais ou menos assim: nossos pais nos dão o corpo; e Deus, a alma. Mas quem ousaria dizer que nossas mães são apenas mães de nossos corpos? Só um insensato! A maternidade abrange todo o nosso ser. Assim também é a maternidade de Virgem Maria: ela é mãe não só do corpo de Jesus, mas d’Ele como um todo: em corpo, sangue, alma e divindade.

            O Concílio de Éfeso demonstrou o quanto a realidade da Maternidade Divina está unida indissoluvelmente à Fé Católica por meio desta declaração:

 

            “Se alguém não confessa que Deus é verdadeiramente o Emanuel e que, portanto, a Santa Virgem, tendo gerado segundo a carne o Verbo de Deus feito carne, é a Theotókos, seja anátema”. (Concílio de Éfeso, 431).

 

            Em outras palavras, o Concílio amaldiçoou aqueles que não crêem que a virgem Maria é Mãe de Deus.

 

            A fé dos Santos

 

            “A Virgem Maria é a Mãe do Filho de Deus, é verdadeiramente Mãe de Deus […], pelo que não pode ser comparada com os outros santos. Ser criado, ser adotado por Deus, isso ainda se pode entender. Mas ser realmente a Mãe de Deus, e não apenas a mãe da humanidade de Jesus, ultrapassa a nossa inteligência. É uma verdade de fé”. [São Maxilimiliano Kolbe (1894-1941), franciscano, mártir. Conferência de 26/11/1938 (trad. Villepelée, A missão da Imaculada, Lethielleux 2003, p. 24)].

 

            Nossa oração

           

            Unamos nossa voz à voz da Igreja, nesta Solenidade da Mãe de Deus, rezando com  a Igreja:

 

            Sub tuum praesidium confugimus, Sancta Dei Genetrix. Nostras deprecationes ne despicias in necessitatibus, sed a periculis cunctis libera nos semper, Virgo gloriosa et benedicta. Amen.

 

            A vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Amém.