Li no Religion em Libertad uma notícia que para mim demonstra com muita clareza o “tipo” de perseguição que se está fazendo aos cristãos em todo o mundo. Não se trata mais de uma proibição do “culto” cristão [como fora nos primeiros séculos], mas sim uma proibição da “cultura” cristã. A perseguição aos símbolos religiosos dos cristãos tem sido advogada por inimigos da Igreja em diversos países sob os mais diferentes motivos.

Na Catalúnia, o Partido Socialista Operário Espanhol [obviamente tinha que ser eles, os malditos comunistas], tentou-se utilizar da seguinte tática: pensaram em proibir o uso da burka por parte das muçulmanas para – alegando tratamento “igualitário” – ter o “direito” de proibir os símbolos cristãos também. Nada mais cretino. Pensaram que tolhendo o direito do Islã estariam “aptos” em tolher a Igreja e a própria sociedade católica. A título de curiosidade, o parlamento francês seguiu um caminho diferente: primeiro proibiu os símbolos religiosos [notadamente a cruz dos cristãos] nos colégios e repartições públicas e só agora está tentando aprovar uma lei contra o uso público da burka.

Graças a Deus, até o presente momento, frente à resistência que o Partido Popular apresentou – recordando que “tanto Espanha como Catalúnia são zonas de tradição cristã” -, o governo não conseguiu levar adiante essa idéia. Rezemos para que não consiga jamais.

 

[Faço questão de trazer aqui a íntegra de um artigo, de autoria de Carlos Ramalhete, publicado na Gazeta do Povo. Neste artigo, o Carlos demonstra a total inconsistência das reivindicações laicistas feitas pelo Ministério Público Federal no sentido de remover os crucifixos das repartições públicas do Estado de São Paulo].

  

São Paulo ou “Seu” Paulo?

            O Ministério Público Federal (MPF) mandou tirar os crucifixos das repartições do estado de São Paulo, alegando que a sua presença ofenderia os não católicos. Mas… será que não deveríamos, então, falar do estado de “Seu” Paulo? Mais ainda, do estado do inominável, na medida em que São Paulo, em homenagem a quem o estado foi batizado, ops, nomeado, só recebeu esta homenagem por ter sido apóstolo cristão?

            Os judeus ortodoxos dão graças a Deus todos os dias por não terem nascido não judeus (“gói”). São Paulo, ou “Seu” Paulo, escreveu que “não há mais judeu nem grego”. A julgar pelo pensamento do MPF do estado Tal, deve haver um monte de suscetibilidades feridas nesta história. Melhor mudar o nome do estado. Ah, Santa Catarina também dança, assim como todas as cidades com nome de santos. O Estado do Amazonas, que recebeu este nome em homenagem a um povo da mitologia grega, também pode ofender quem não acredita nele. O Rio de Janeiro, por trazer no nome do mês (que também teria que mudar) uma referência à divindade romana Janus, o deus de duas caras, também deve provocar comichões e abespinhar suscetibilidades. Ih, qual será o dano ao turismo provocado pela retirada, à moda Taleban, da imensa estátua do Cristo Redentor que ofende os não católicos que olhem para cima na antiga capital do país?

             Creio ser bastante evidente, para quem não faz parte de uma minoria ínfima de gente cuja sensibilidade à flor da pele torna a convivência cotidiana um exercício de masoquismo e suscetibilidades feridas, que o MPF pisou na bola. Epa, eu não gosto de futebol. Devo proibir esta expressão? Não. Se eu não gosto de futebol, o problema é meu. Não posso me ofender com a onipresença do jogo e de suas metáforas.

             Ainda mais que futebolista, contudo, a nação brasileira é culturalmente católica. Os nomes de santos são os nomes das pessoas, e a própria noção de bem e de mal é definida em moldes católicos; podemos mesmo dizer que o padrão da sociedade é católico.

             Para a imensa maior parte dos brasileiros, católicos ou não, um crucifixo é um símbolo da Justiça, do Bem. Ver uma ofensa a outras crenças na presença de um crucifixo implica necessariamente em vê-la nos nomes de estados e cidades, nos nomes próprios das pessoas, na organização social do país, nos dias da semana, nos meses, no preâmbulo da Constituição Federal…

             Querer proibir a presença do crucifixo implica em querer proibir um dado constitutivo da própria nacionalidade brasileira, importar uma noção a nós estranha do que seja a Justiça, o Bem, o certo e o errado. O Brasil não surgiu nem subsiste em um vácuo; temos uma cultura própria, com base lusitana e católica, que independe até mesmo da própria religião seguida por cada brasileiro.

             O brasileiro protestante, o brasileiro espírita, o brasileiro judeu, muçulmano ou ateu é em grande medida culturalmente católico. Cada um deles passou a vida dentro de uma sociedade que define seus padrões de comportamento dentro de uma matriz católica e que não pode ser explicada ou compreendida sem constante referência à catolicidade de sua origem, bem como à língua portuguesa, a costumes africanos e indígenas etc.

             Ofender-se com símbolos católicos significa, em última instância, ofender-se com o Brasil, significa negar as origens e a presença da cultura brasileira, com todos os seus matizes. Mais ainda: para desgosto dos católicos mais ortodoxos, a percepção brasileira típica destes símbolos católicos frequentemente é operada em chave sincrética, vendo nos santos orixás africanos ou entidades espíritas.

             O que neles não se vê, o que apenas o MPF vê, é um instrumento de proselitismo católico. Um crucifixo não faz de um lugar ou de uma pessoa algo católico, tal como o Rio Amazonas não leva ninguém a tomar como verdade a mitologia grega. As imagens sacras, no Brasil, são percebidas como símbolos do Bem e do Justo, não como afirmações de uma dada fé. Melhor seria se o MPF deixasse de lado esta estranha “cruzada” contra os crucifixos e procurasse fazer o bem e promover a justiça.

             Somos neuróticos ou a perseguição aos católicos é sistemática e generalizada?… Não faz mal. A perseguição faz parte da nossa identidade, é o atestado de nossa autenticidade. Disse Nosso Senhor:

             “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!” (Mt 5,10).

            “Em verdade vos digo: ninguém há que tenha deixado casa ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras por causa de mim e por causa do Evangelho que não receba, já neste século, cem vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, com perseguições e no século vindouro a vida eterna” (Mc 10, 29-30).

 

 

MPF pede retirada de símbolos religiosos das repartições públicas federais

 

            A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão propôs na última sexta-feira (31) uma ação civil pública pedindo uma liminar para obrigar as repartições de órgãos federais no Estado de São Paulo a retirar símbolos religiosos em locais de atendimento ao público. Se a Justiça Federal acatar o pedido, as repartições terão 120 para cumprir a decisão.

             Em nota, o Ministério Público Federal defende a proibição à ostentação de símbolos religiosos em repartições por ofender a liberdade de crença das pessoas que procuram os serviços dos órgãos públicos e não compartilham da mesma fé. E, pelo fato de o Brasil ser um Estado laico, a administração pública não poderia abrigar manifestações religiosas sem o risco de ferir os princípios da impessoalidade e imparcialidade no atendimento aos cidadãos.

            Ainda segundo o MPF, a ação civil pública foi amparada no artigo 5º da Constituição Federal, que garante a liberdade de crença religiosa ou a opção por não ter nenhuma.

 

 

Oito cristãos queimados vivos por extremistas islâmicos no Paquistão

 

            WASHINGTON DC, 03 Ago. 09 (ACI) – No sábado passado 1º de agosto, uns três mil extremistas islâmicos atacaram à colônia cristã na cidade da Gojra, província de Punjab (Paquistão), queimando a oito pessoas vivas – entre homens, mulheres e crianças – e deixando feridas outras 20. Do mesmo modo, os atacantes muçulmanos incendiaram 40 casas e 2 Igrejas que foram totalmente queimadas.

             O ataque se produziu em resposta a uma suposta “profanação” por parte de alguns cristãos do Corão – algo que segundo alguns meios era só um rumor – na localidade de Koriyan, a uns quatro quilômetros de Gojra; dois dias antes deste brutal ataque. Esse mesmo dia, os extremistas já tinham incendiado mais de 50 casas e 2 Igrejas como primeira reação. Frente à tensão e às ameaças, as autoridades não tomaram nenhuma medida de segurança.

             “Embora a polícia estivesse presente ao momento do ataque, os muçulmanos não foram detidos”, indicaram alguns dos cristãos locais.

             Rana Sanaullah, a Ministra de Justiça da província do Punjab, assinalou por sua parte a quão médios diversas investigações comprovam que não existiu nenhum incidente de profanação contra o Corão em toda a região durante a última semana; enquanto que o único ministro cristão e encarregado dos Assuntos para as Minorias, Shahbaz Bhatti, culpou à administração local que não proporcionou segurança alguma aos cristãos da Gojra.

             Ao seu turno, o Primeiro-ministro Yousaf Raza Gilani solicitou ao Primeiro-ministro de Punjab Shahbaz Sharif que encontre os responsáveis por estes ataques para que compareçam ante a justiça; e exortou os fundamentalistas islâmicos a deporem a violência.

             Em declarações à organização internacional de caridade Ajuda à Igreja Necessitada (AIN), o Bispo de Faisalabad (localizada a 50 quilômetros de Gojra) Dom Joseph Coutts, quem presidiu os funerais dos cristãos assassinados, assinalou que “existe muita cólera entre as pessoas pelo sucedido. As emoções fluem e estão ao máximo. As pessoas poderiam responder de qualquer forma porque este é, indubitavelmente, um dos piores ataques que recebemos”.

             Ao referir-se ao brutal ataque, o Prelado denunciou que nesse e “em todos os casos, a polícia não tem feito quase nada para deter as massas violentas. Condolências, desculpas e promessas (sempre) se escutam das autoridades; mas a ação que se requer no momento para acautelar este tipo de incidentes sempre faltou”.

 

            Para Dom Coutts, esta sangrenta agressão dos extremistas muçulmanos é “uma espécie de limpeza religiosa” para fazer do Paquistão um estado totalmente islâmico.

             AIN precisa também que entre os cristãos assassinados se encontram uma menina de nove anos, Umia Alnaf, sua mãe Asifa e Mausa Masih; de dez anos. Também estão a Asia Victar, de 22 anos; e sua mãe Eerueen, Ikhlaf Hameed; e outros dois anciãos: Haneed Khan e outro de nome Sharif.

             Este é o terceiro incidente deste tipo nos últimos dois meses na província de Punjab aonde as comunidades cristãs foram atacadas devido a supostas acusações de profanação. Os cristãos, que protestaram de maneira pacífica ante este brutal ataque, em todo o país são apenas 1.5 por cento da população.