O gloriosíssimo São José

O gloriosíssimo São José

“Ite ad Ioseph” é o convite que a Igreja nos faz hoje: “Ide a José!”.  Freqüentemente a Igreja recomendou que os Seus filhos recorressem  a São José, Patrono da Igreja Universal, para que ele nos ensine suas múltiplas virtudes e nos socorra em nossas muitíssimas necessidades. Gosto de uma antiga analogia que compara o Casto Esposo de Maria com uma árvore criada  “não para dar frutos, mas para dar sombra”. De fato, ao glorioso São José sempre foi associada a função de protetor, de guardião. Por isso invocamo-lo sob o título de “custos pudíce Virginis” [casto guarda da Virgem]; e: “Christi defénsor sédule” [zeloso defensor de Cristo]; e ainda: “protector Sanctae Ecclesiae” [protetor da Santa Igreja]. Uma antiga ladainha diz ainda [em referência a São José]: “Constítuit eum dóminum domus suae. Et príncipem omnis possessiónis suae” [Ele constituiu-o Senhor da sua casa. E fê-lo príncipe de todos os seus bens]. Que bonito: José é também administrador das graças divinas [bens], assim como Nossa Senhora é a dispensadora dessas graças. Que ele nos ensine seu silêncio, seu sorriso e sua sabedoria. E, como eu não podia deixar de pedir, que pela poderosíssima intercessão daquele que é “exemplar opíficum” [modelo dos operários], convertam-se os TL’s e os comunistas 😉

Oração I

Ó Deus, que por admirável disposição da vossa Providência Vos dignastes escolher o bem-aventurado José para esposo da Vossa Mãe Santíssima, fazei que mereçamos ter no Céu como advogado aquele que na terra veneramos como protetor. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.

Oração II

Guarda e Pai das Virgens, São José, a cuja fiel proteção foram confiados Jesus Cristo, a mesma inocência, e Maria, Virgem das Virgens, em nome de Jesus e de Maria, esse duplo depósito que tão caro vos foi, vos rogo e suplico que me conserveis isento de toda a impureza, para que, com espírito puro e corpo casto, sempre sirva fielmente a Jesus e a Maria. Amém.

Abaixo um pequeno texto de São Josémaria Escrivá sobre São José:

“Ide a José e encontrareis Jesus”

Ama muito S. José, quer-lhe com toda a tua alma, porque é a pessoa que, com Jesus, mais amou Santa Maria e quem mais conviveu com Deus: quem mais o amou, depois da Nossa Mãe. Merece o teu carinho e convém-te dar-te com ele, porque é Mestre de vida interior e pode muito ante Nosso Senhor e ante a Mãe de Deus. (Forja, 554)

José foi, no aspecto humano, mestre de Jesus; conviveu com Ele diariamente, com carinho delicado, e cuidou dele com abnegação alegre. Não será esta uma boa razão para considerarmos este varão justo, este Santo Patriarca, no qual culmina a Fé da Antiga Aliança, Mestre de vida interior? A vida interior não é outra coisa senão o convívio assíduo e intimo com Cristo, para nos identificarmos com Ele. E José saberá dizer-nos muitas coisas sobre Jesus. Por isso, não deixeis nunca de conviver com ele; ite ad Joseph, como diz a tradição cristã com uma frase tomada do Antigo Testamento.

Mestre da vida interior, trabalhador empenhado no seu trabalho, servidor fiel de Deus em relação contínua com Jesus: este é José. Ite ad Joseph.Com S. José o cristão aprende o que é ser Deus e estar plenamente entre os homens, santificando o mundo. Ide a José e encontrareis Jesus. Ide a José e encontrareis Maria, que encheu sempre de paz a amável oficina de Nazaré. (Cristo que passa, nn. 56)

A Igreja inteira reconhece S. José como seu protetor e padroeiro. Ao longo dos séculos tem-se falado dele, sublinhando diversos aspectos da sua vida, sempre fiel à missão que Deus lhe confiara. Por isso, desde há muitos anos, me agrada invocá-lo com um título carinhoso: Nosso Pai e Senhor.

S. José é realmente Pai e Senhor, protegendo e acompanhando no seu caminho terreno aqueles que o veneram, como protegeu e acompanhou Jesus enquanto crescia e se fazia homem. (Cristo que passa, nn. 39).


 

[Eis aqui uma curta homilia pronunciada por São Bernardo, abade, sobre a submissão de Nosso Senhor a São José e à Virgem Santíssima. A publicação original encontra-se no blog São Pio V]

 

 

Homilía sancti Bernárdi Abbátis

(Homilia de São Bernardo Abade)
 
Homilia 1 supra Missus est, n. 7-8
 
 

“E Ele lhes era submisso”. Quem era submisso a quem? Deus ao homem! Deus, repito-o, a Quem os Anjos são submissos, Que os Principados e Potestades obedecem, era submisso a Maria, e não somente a Maria, mas a José também, por causa de Maria. Maravilhemo-nos, pois, com os dois, e escolhamos o que maravilha mais: se é a benigníssima condescendência do Filhio, ou a excelentíssima dignidade da Sua Mãe. Ambas nos estupefazem, e ambas são milagres. Que Deus obedeça uma mulher, é humildade ímpar; que uma mulher reja Deus, uma elevação incomparável. Em louvor às virgens, canta-se, particularmente, que seguem o Cordeiro por onde quer que Ele vá. De que louvor, portanto, é digna Aquela que até vai diante d’Ele?

Aprende, ó homem, a obedeceres! Aprende, ó terra, a te submeteres! Aprende, ó pó, a seres submisso! O Evangelista, falando de teu Criador, disse : “E Ele lhes era submisso”. E não há dúvida de que isso nos evidencia que Deus era submisso a Maria e José. Que vergonha para ti, ó ser de pó e cinzas! Deus Se abaixou, e tu, ó criatura tirada da terra, te exaltas? Deus Se submeteu ao homem, e tu, sempre tão ávido por te fazer senhor dos homens, ousas desmandar teu próprio Criador? Porque todas as vezes que Eu desejo preeminência sobre os homem, me esforço para superar Deus. Porque d’Ele foi dito : “Ele lhes era submisso”. Se tu desdenhas, ó homem, seguir o exemplo do homem, pelo menos poder seguir o exemplo do teu Criador sem desonra. Se, por acaso, não podes segui-l’O onde quer que Ele vá, digna-te, ao menos, segui-l’O nesse ponto no qual Ele Se rebaixou, desprezando a própria reputação pelo bem daqueles como tu.

Se não podes entrar para os caminhos sublimes da virgindade, ao menos segue Deus pela estrada seguríssima da humildade. Quem se desvia desse caminho reto, mesmo que seja virgem, a verdade seja dita, não segue o Cordeiro por onde quer que Ele vá. O homem humilde, mesmo que manchado de pecado, segue o Cordeiro ; a virgem, se é orgulhosa, também segue ; mas nenhum dos dois O segue por onde quer que Ele vá. O primeiro não pode atingir a pureza do Cordeiro, porque Ele é sem mancha ; a última não se digna descer à Sua mansidão, que cala não diante do tosquiador, mas fica mudo diante do próprio assassino. Ainda assim, o pecador que segue em humildade escolheu um caminho mais salvífico do que o homem orgulhoso que segue em virgindade ; porque o humilde presta satisfação, e é limpo de sua impureza, mas a castidade do orgulhoso é manchada pela sua soberba.