Quem acha que o clima de ataques e acusações à Igreja arrefeceu um pouco nos últimos dias está redondamente enganado. A Igreja continua pagando o preço da má-fama e da imoralidade de ALGUNS clérigos. Por conta disso, abundam ofensas graves à Fé Católica, sátiras das mais diversas, e matérias completamente tendenciosas [e injustas para com a esmagadora maioria dos sacerdotes católicos – que vivem fielmente o seu celibato].

A última destas reportagens, no estilo “Roberto Cabrini”, foi feita pela revista italiana Panorama [vide capa abaixo].



A respeito desta matéria na Panorama, diz o site da Revista Veja diz:

Baseada em um mês de investigação com câmeras escondidas, uma longa reportagem expõe três religiosos sob o título “As Noitadas dos Padres Gays”. Há fotos dos padres em clubes e a capa da revista mostra um homem de batina, segurando um rosário, com as unhas pintadas de rosa.

Embora eu tenha achado na internet o site da citada revista, bem como um blog conexo, acho desnecessário reproduzir aqui o que está disponível lá. As cenas de vídeo, bem como as fotografias que foram tiradas, são bastante fortes. Realmente chocantes. [Dói no coração ver o padre que momentos antes compartilhara o leito com outro homem paramentar-se logo em seguida para celebrar o Santo Sacrifício da Missa…]

“E por que choca?” – perguntei-me hoje. Por causa da incoerência.

A incoerência – ou vida dupla, ou falsidade, como queiram chamar – realmente nos choca. Sobretudo a nós, cristãos, dos quais – como ensinaram os Santos Padres – se espera unidade de vida. Espera-se que as nossas palavras correspondam às nossas obras, e que as nossas obras manifestem aquilo que anunciamos. Nada menos que isso. E aí está a grande luta da vida cristã: uma luta por coerência.

“Mas uma sociedade que faz apologia do sexo livre e do homossexualismo pode exigir coerência, fidelidade ou retidão de quem quer que seja?” – perguntei-me em seguida. “Sim, pode” – respondi para mim mesmo. A sociedade – mesmo estando afundada em pecado e sendo amante da luxúria – ainda se choca com esses casos de infidelidade sacerdotal. Só agora me dou conta de que isso é bom. É ótimo, na verdade. É prova de que a Moral realmente transcende o tempo e as culturas, e supera a letra da Lei. É prova de que o homem tem gravado dentro de si as leis eternas e imutáveis que devem pautar, reger, a conduta humana. O clamor por coerência aponta para um mínimo de bom senso moral.

Frise-se (i): a revista Panorama, na realidade, em nenhum momento quis incentivar, muito menos exigir, a fidelidade ao celibato. Na visão dela, o ideal é que a Igreja possa “acolher” esses padres gays de modo a permitir que eles assumam sua “opção” sexual e, assim, oficializar a sua vida dupla. A proposta dela [inaceitável, é claro] é a de que homossexuais possam ser admitidos ao sacerdócio. Como para a Igreja essa argumentação “não cola”, eles acabam “chutando o pau da barraca” e lançando mão de ofensas gratuitas e injustas.

Os inimigos da Igreja não são bobos: ultrajam-na publicamente para pô-La em descrédito perante todos, para enfraquecê-La, para desmerecer a validade de Seu posicionamento em matéria de Moral. Embalde tentam calar-Lhe a voz. Não sabem eles que a voz que lhes oprime a consciência – e os leva, muitas vezes, a querer fugir de si mesmos – é a do próprio Deus. Não sabem eles que, ainda que a voz cale, a Palavra não passa… Não sabem eles que a consciência (aquele “morcego” de que falara Augusto dos Anjos) habita os nichos silenciosos do coração, onde ressoa só – e somente só – a Voz do Deus Altíssimo.

Frise-se (ii): de muito mau gosto, e profundamente ofensiva à piedade católica, é a capa da revista. O uso que se deu ao Rosário da Virgem Maria, colocado-o entre mãos másculas com unhas pintadas de rosa, fere o sentimento religioso dos católicos em todo o mundo. Retratação já!

E Deus segue tirando dos males que advêm à Sua Igreja os bens de que necessita o homem. Assim, dos ultrajes que a Esposa de Cristo tem sofrido, Deus sabe tirar os últimos resquícios de moral que existem no coração enlameado desta “geração má e adúltera” [Mt 12,39].

Neste dia de São Bento, deparei-me com o seguinte trecho da sua Regra (grifos meus):

Capítulo 62 – Dos Sacerdotes do Mosteiro

[1] Se o Abade quiser pedir que alguém seja ordenado presbítero ou diácono para si, escolha dentre os seus, quem seja digno de desempenhar o sacerdócio. [2]Acautele-se o que tiver sido ordenado contra o orgulho ou soberba [3] e não presuma fazer senão o que for mandado pelo Abade, sabendo que deverá submeter-se muito mais à disciplina regular. [4] E não se esqueça, por causa do sacerdócio, da obediência e da disciplina da Regra, mas progrida mais e mais para Deus.

[5] Atente sempre para o lugar em que entrou no mosteiro, [6] exceto no ofício do altar, mesmo que, pelo mérito de sua vida, o quiserem promover a escolha da comunidade e a vontade do Abade. [7] Saiba, no entanto, observar de sua parte a Regra constituída para os Decanos e Priores. [8] E se presumir proceder de outro modo, seja julgado não como sacerdote, mas como rebelde[9] e se, admoestado muitas vezes, não se corrigir, chame-se também o bispo em testemunho. [10] Se nem assim se emendar, sendo claras as suas faltas, seja expulso do mosteiro[11] mas isso no caso de ser tal a sua contumácia, que não queira submeter-se ou obedecer à Regra.

Fonte: Regra de São Bento


Impressionou-me particularmente a veemência das declarações, e a admissão de uma espécie de “foro privilegiado” para os sacerdotes (em contraposição ao juízo dos “rebeldes”). Esta discussão a respeito dos tribunais eclesiásticos já foi objeto de elucubrações mil. Várias vezes debati com amigos sobre esse assunto, sem saber que o argumento de que os sacerdotes não são homens “quaisquer” encontra-se referendado nos escritos do Santo Monge! Mas isso é tema para outra ocasião. Hoje, importa rezar a Oração de São Bento, e voltar o olhar para o seu exemplo de santidade e dedicação a Deus.

São Bento, rogai por nós!

Para assistir à homilia feita pelo Pe. Mateus Maria, FMDJ, neste XV Domingo do Tempo Comum, ano C, clique aqui.