Há alguns dias, lancei uma enquete aqui no blog argüindo os blogonautas sobre a “moralidade” (estou usando este termo por falta de um melhor) de se votar num candidato do Partido dos Trabalhadores. Resultado da enquete até o momento: 70% não votariam num candidato petista, ainda que ele se dissesse católico. 25% afirmam que priorizariam a análise do o perfil do candidato e não do partido ao qual ele pertence. 5% alegam que política e religião pertencem a esferas distintas, portanto, alegar “motivos religiosos” para não se votar em determinado candidato não faz sentido.

            Por incrível que pareça, não me impressiono tanto com os 70% que disseram não ao PT.  O público que freqüenta este blog tem convicções morais muito sólidas (e, seguramente, também lê o blog do Reinaldo Azevedo). Somos acusados de direitistas, conservadores, capitalistas, falsos moralistas, latifundiários (quisera eu!), retrógrados, preconceituosos, exagerados, etc. Na realidade, o raciocínio que nos faz tomar uma posição dessa natureza (sim, eu me incluo no número destes) é o de que um católico que quisesse se envolver diretamente com política deveria escolher um partido menos canalha que o PT para filiar-se. Se ele fosse mais sensato, não engrossaria as fileiras de um partido degradado moralmente como o PT (aos que discordam dessa afirmação, recomendo fortemente a leitura deste artigo do Pe. Lodi). Em teoria, haveria uma outra opção para esse candidato: a de lançar uma candidatura independente. Mas, no Brasil, é obrigatória a filiação partidária para se concorrer a um cargo eletivo. Além disso, por aqui só se ganha uma eleição com muito apoio ($$$)… O que nos incomoda, é o fato de que a opção por um partido, implica a anuência com o ideário deste. E, se um católico consegue se manter no PT, mesmo com a política de expulsão que tem sido implantada (vide o caso do deputado Luiz Bassuma), é porque ele não discorda ou não incomoda tanto assim… E isso é grave!

            E que dizer dos 25% que julgam por candidato e não por partido? Faz um pouco de sentido. Se estivéssemos nos Estados Unidos (onde, ou se é democrata ou republicano), aí sim votaríamos em virtude da afinidade com este ou aquele partido político. Mas no Brasil, com os atuais 28 partidos políticos que existem, fica difícil para o eleitor afinar-se à ideologia e as propostas de um. Assim, vota-se na pessoa do candidato. Algumas pessoas usam como critério a concessão de alguma benesse… Penso que essa alternativa – de fazer vista grossa ao partido e deter-se na pessoa do candidato – seja a mais aconselhável num pleito em que não haja opções boas. Se todas as opções são ruins, escolhe-se o mal menor. E pode ser que o mal menor seja um petista. Assim, como é provável que os dinossauros voltem a existir e dominem o mundo…

            Os 5% que distinguem a análise política das convicções religiosas são, provavelmente, as mesmas pessoas que acham que a Igreja deve ficar muda diante de todas as propostas indecentes do Estado; entre as quais, podemos citar: a perseguição aos crucifixos em órgãos públicos, o ensino da promiscuidade e da imoralidade nas escolas públicas, o direito ao aborto, etc. Tudo com a mesma justificativa: “o Estado é laico. A Igreja deve orientar os seus adeptos. Quem está à frente do poder estatal, porém, deve governar para todos”. Essa é a argumentação mais esdrúxula que alguém pode fazer porque ela contradiz aquilo mesmo a que se propõe: Ora, se se governa para todos porque ignorar, por exemplo, que a maioria dos pais não quer ver os seus filhos estudando pornografia pela cartilha cretina do Ministério da [des]Educação? Na verdade, no Brasil se governa para quem concorda com ideais imorais petistas. Quem não faz parte desse todo, não importa.