Ontem Jorge publicou a carta escrita ao Santo Padre pelos participantes do Encontro de Formação para Padres sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum. Uma belíssima demonstração de “profunda gratidão pelo ministério petrino” de Bento XVI, bem como uma manifestação de “plena comunhão” com o Romano Pontífice. Um dos sacerdotes presentes ao Encontro ligou-me informando que no site da Diocese de Garanhuns estava postada também a carta que o Cardeal William Levada escreveu, em resposta a D. Fernando Guimarães, bispo de Garanhuns e membro da Signatura Apostólica, quando este apresentou o projeto para realização do evento. Acho importante dar publicidade a esta carta para que os que acham que este “coetus sacerdotalis” [grupo sacerdotal] é constituído por padres e bispos “rebeldes” que não aceitam a reforma litúrgica e, portanto, agem à revelia da Igreja, tomem ciência de que o perfume da obediência é inerente a quem respeita a Liturgia e ama a Igreja.

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Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei”


Do Vaticano, 10 de abril de 2010

Prot. N.  27 ∕2010

Excelência Reverendíssima,

Agradeço-lhe de coração pela carta N. 0081 ∕10, de 14 de março último, com a qual apresentava a esta Pontifícia Comissão o projeto de um encontro para sacerdotes brasileiros sobre o Motu Próprio “Summorum Pontificum”, que acontecerá nos dias 17 a 19 de junho deste ano, nessa Diocese de Garanhuns.

Gostaria de expressar o meu apreço pela iniciativa e formular votos de que a nobre empresa tenha êxito positivo, a fim de promover a aplicação do mencionado documento pontifício, segundo a intenção do Santo Padre, e suscite uma ação pastoral sempre mais adequada às necessidades dos fieis, de maneira que se possa chegar, em tempo oportuno, a um enriquecimento recíproco e legítimo das duas formas do Rito Romano.

Apraz-me a oportunidade para desejar a Vossa Excelência a abundância das bênçãos celestes, enquanto apresento-lhe a expressão do meu respeito.

William Cardeal Levada

Presidente

 CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 8 de julho de 2009 (ZENIT).- Publicamos a carta apostólica de Bento XVI, em forma de “motu proprio”, “Ecclesiae unitatem“, sobre a Comissão Pontifícia “Ecclesia Dei”.

 MOTU PROPRIO DATAE

BENEDICTUS PP. XVI

            1. A tarefa de custodiar a unidade da Igreja, com a solicitude de oferecer a todos a ajuda para responder de forma oportuna a esta vocação da graça divina, corresponde em particular ao Sucessor do Apóstolo Pedro, que é perpétuo e visível fundamento da unidade seja dos bispos ou dos fiéis. A prioridade suprema e fundamental da Igreja em todos os tempos, de levar os homens até o encontro com Deus, deve favorecer-se mediante o compromisso de alcançar o testemunho comum de fé de todos os cristãos.

            2. Em fidelidade a esse mandato, depois do ato com o qual o arcebispo Marcel Lefebvre, a 30 de junho de 1988, conferiu ilicitamente a ordenação episcopal a quatro sacerdotes, o Papa João Paulo II, de venerada memória, instituiu, a 2 de julho de 1988, a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, com a tarefa de colaborar com os bispos, os dicastérios da Cúria Romana e os ambientes interessados, com o objetivo de facilitar a plena comunhão eclesial dos sacerdotes, seminaristas, comunidades ou simples religiosos e religiosas, ligados até então, de várias formas, à Fraternidade fundada por Monsenhor Lefebvre, que desejam permanecer unidos ao Sucessor de Pedro na Igreja Católica, conservando suas tradições espirituais e litúrgicas à luz do Protocolo firmado a 5 de maio anterior pelo cardeal Ratzinger e Monsenhor Lefebvre.

            3. Na mesma linha, aderindo fielmente à própria tarefa de servir à comunhão universal da Igreja também em sua manifestação visível e fazendo todos os esforços possíveis para que todos os que sentem realmente o desejo de unidade possam permanecer nela ou reencontrá-la, ampliei e atualizei, com o Motu Proprio “Summorum Pontificum”, a indicação geral contida no Motu Proprio “Ecclesia Dei”, sobre a possibilidade de utilizar o Missale Romanum de 1962, através de normas mais precisas e detalhadas.

            4. No mesmo espírito e com o mesmo compromisso de favorecer a superação de qualquer fratura e divisão na Igreja e de curar uma ferida sentida cada vez com mais dor no tecido eclesial, retirei a excomunhão dos quatro bispos ordenados ilicitamente por Monsenhor Lefebvre. Com essa decisão, quis eliminar um impedimento que poderia prejudicar a abertura de uma porta ao diálogo e convidar assim os bispos e a Fraternidade São Pio X a reencontrar o caminho para a plena comunhão com a Igreja. Como expliquei na Carta aos Bispos católicos de 10 de março passado, o levantamento da excomunhão foi uma medida no âmbito da disciplina eclesiástica para liberar as pessoas do peso de consciência que representava a censura eclesiástica mais grave. Mas as questões doutrinais, obviamente, permanecem e, até que não se esclareçam, a Fraternidade não tem um estatuto canônico na Igreja e seus ministros não podem exercer de forma legítima nenhum ministério.

            5. Dado que os problemas que se devem abordar agora com a Fraternidade são de natureza essencialmente doutrinal, decidi, vinte e um anos depois do Motu Proprio “Ecclesia Dei” e de acordo com o que tinha pensado fazer, reorganizar a estrutura da Comissão “Ecclesia Dei”, ligando-a estreitamente com a Congregação para a Doutrina da Fé.

            6. A Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei” terá, portanto, a seguinte configuração:

a) O Presidente da Comissão é o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé;

b) A Comissão tem seu próprio organograma composto pelo Secretário e os Oficiais;

c) A tarefa do Presidente, ajudado pelo Secretário, será expor os casos principais e as questões de caráter doutrinal para o estudo e discernimento das instâncias ordinárias da Congregação para a Doutrina da Fé, além de submeter os resultados à disposição superior do Sumo Pontífice.

            7. Com esta decisão, quis, em particular, demonstrar solicitude paterna para a Fraternidade São Pio X, com a finalidade de reencontrar a plena comunhão com a Igreja.

            Peço a todos que rezem sem descanso ao Senhor pela intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, “ut unum sint“.

            Dado em Roma, em São Pedro, dia 2 de julho de 2009, quinto ano de nosso Pontificado.

BENEDICTUS PP. XVI