Não conhecia este site com pequenas cartas de Madre Teresa de Calcutá. Vi, li, achei interessante, replico.

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19 de julho de 1997

Meu caro padre Sebastian e todos vós, irmãos,

Agradeçamos a Deus por seu amor por todos nós. Rezemos para que, com sua bênção e sua ajuda, possamos continuar a amá-Lo e a servi-Lo nos pobres. Rezemos especialmente a Nossa Senhora, para que seja uma Mãe para cada um dos Missionários e das Missionárias da Caridade. Continuai a rezar por mim.

Deus vos abençoe.

M. Teresa, M.C.

* Esta foi a última saudação escrita por Madre Teresa a padre Sebastian. Madre Teresa morreu em 5 de setembro de 1997

            Trago aqui alguns trechos do discurso que Madre Teresa de Calcutá proferiu na ONU, em 11 de dezembro de 1979, quando foi contemplada com o Prêmio Nobel da Paz. Quanta coragem, quanta sabedoria…

  

            “Sinto que o maior destruidor da paz hoje é o aborto, porque é uma guerra direta, uma morte direta, um assassinato direto, pela própria mãe. E nós lemos na Escritura, pois Deus nos diz claro: ‘ainda que a mãe se esquecesse do menino que amamentava, Eu nunca te esqueceria. Eis que Eu te gravei nas palmas das Minhas mãos’. Aquela criança não nascida foi gravada nas mãos de Deus […]

            Muitas pessoas estão muito, muito preocupadas com as crianças da Índia, com as crianças da África, onde muitas morrem deliberadamente pela vontade da própria mãe. E isso é o maior destruidor da paz hoje. Por que se uma mãe é capaz de matar o seu próprio filho, o que falta para eu matar você e você me matar? Não falta nada […] Vamos nos assegurar neste ano de que faremos com que todas as crianças nascidas e por nascer, sejam queridas […] Fizemos realmente com que as crianças fossem queridas? […].

            […] Nós somos gravados na palma da Sua mão; essa criança por nascer foi gravada na mão de Deus desde a concepção e é chamada por Deus a amar e a ser amada, não apenas agora nesta vida, mas para sempre. Deus não é capaz de nos esquecer(grifos meus).

 

 (In: Madre Teresa – venha, seja minha luz. Ed. Thomas Nelson Brasil. Pg. 297-298)

            Uma das irmãs mais antigas, espectadora diária dos atos de Madre Teresa, testemunha a enorme fé que tinha na Eucaristia:

 

“A Madre recebia diariamente a Sagrada Comunhão com enorme devoção. E se acontecesse de uma segunda Missa ser celebrada na Casa Mãe em determinado dia, tentava sempre assistir, mesmo que estivesse muito ocupada. Escutava-a dizer em tais ocasiões: ‘Que bonito é receber Jesus duas vezes hoje’. A profunda reverência que a Madre tinha pelo Santíssimo Sacramento era um sinal da fé profunda que tinha na Presença Real de Jesus sob as aparências, gestos com genuflexões – até com ambos os joelhos na presença do Santíssimo Sacramento exposto, mesmo quando já estava bem idosa – as suas posturas tais como ajoelhar-se e juntar as mãos, a preferência por receber a Sagrada Comunhão na boca, tudo isso são provas da fé que tinha na Eucaristia”.

Fonte: Madre Teresa – Venha, seja minha luz!  Pg. 220. Rio de Janeiro. Tomás Nelson Brasil, 2008. Autor: Brian Kolodiejchuk.

            Lendo “Madre Teresa – venha, seja minha luz” (pg. 28-29) deparei-me com este belíssimo poema escrito pela própria Madre Teresa ao partir para o noviciado em Calcutá. Estava no fim do ano de 1928, deixando sua terra natal, a Albânia, em direção à Índia com a única finalidade de “salvar pelo menos uma alma”. Que lição para as freiras dos nossos dias!…

 Adeus

 

 

Estou deixando minha casa querida

E a minha terra amada

Para a fumegante Bengala eu vou

Para orlas longínquas

 

Estou deixando meus velhos amigos

Renunciando à família e ao lar

Meu coração me impele avante

A servir ao meu Cristo

 

Adeus, Oh mãe querida

Que Deus esteja com todos vocês

Um Poder Mais Alto me compele

Em direção à tórrida Índia

 

O navio começa lentamente

Cortando as ondas do mar,

Enquanto meus olhos se voltam pela última vez

Para o querido litoral da Europa

 

Corajosamente de pé no convés

Alegre, de semblante pacificando,

A feliz pequenina de Cristo

Sua nova noiva prometida.

 

Tem na mão uma cruz de ferro

Sobre a qual pende o Salvador,

Enquanto sua alma ardente lá oferece

O seu doloroso sacrifício.

 

“Oh Deus, aceitai este sacrifício

Como sinal do meu amor,

Ajudai, por favor, a Vossa criatura

A glorificar o Vosso nome!

 

Em troca apenas Vos peço

Ó doce Pai de todos nós:

Deixai-me salvar pelo menos uma alma –

Uma que já conheceis.”

 

Suaves e puras como o orvalho do verão

Suas delicadas cálidas lágrimas agora fluem,

Selando e santificando então

O seu doloroso sacrifício.