[Este texto foi escrito a quatro mãos por Jorge Ferraz e eu. A publicação original foi feita no Deus lo Vult!, em 29/08/2008 . Trago-o novamente para vossa apreciação].

 

“Quis putas est fidelis servus et prudens, quem constituit dominus supra familiam suam, ut det illis cibum in tempore? Beatus ille servus, quem cum venerit dominus eius, invenerit sic facientem. Amen dico vobis quoniam super omnia bona sua constituet eum”.


“Quem julgais que é o servo fiel e prudente, que o senhor pôs à frente da sua família para os alimentar a seu tempo? Feliz esse servo a quem o senhor, ao voltar, encontrar assim ocupado. Em verdade vos digo: Há-de confiar-lhe todos os seus bens”
(Mt 24, 45-47).

Ainda no espírito do Evangelho de domingo passado (Mt 16,13-20), o qual nos apresenta a instituição da Igreja e do Papado, teceremos alguns comentários a respeito de uma figura que sempre foi sistematicamente vilipendiada pelos meios de comunicação: o Papa, verdadeiro mártir devido às inúmeras incompreensões e perseguições que sofre nos dias de hoje.

A mídia [em especial, a do Brasil] tenta sempre passar para o povo uma imagem o mais negativa possível do Sucessor de Pedro. No início do seu pontificado, o “espantalho” preferido dos meios de comunicação anticlericais era aquele segundo o qual Bento XVI seria um inquisidor (já que, quando cardeal, Joseph Ratzinger presidiu a Congregação para a Doutrina da Fé, antigo Santo Ofício). Depois, naquele malfadado episódio sobre o discurso do Papa na Universidade de Ratisbona, na Alemanha, os meios de comunicação tentaram disseminar que o Romano Pontífice era um preconceituoso “eurocêntrico” que não tinha nenhum respeito ao Islã. Depois, ainda, quando o Santo Padre declarou que os casais de segunda união representavam uma “piaga”, isto é, uma “chaga” na sociedade moderna, tentou-se mostrar que o Sucessor de Pedro tinha dado uma demonstração cabal de sua personalidade anacrônica que – “sem abertura ao novo” – considerava tais casais uma “praga”. Na visita ao Brasil, em maio de 2007, a imprensa esperava um Papa sisudo, com ares puritanos [na realidade, encontrou um homem dócil, afável, um verdadeiro pastor, disposto a largar noventa e nove ovelhas para buscar aquela que se perdeu (Mt 18, 12-13)]. Sem contar os foliões que – por ocasião das festividades do carnaval – vestem-se de papa, debochando do líder católico e, não raro, causando escândalo e praticando orgias que insinuam às pessoas ser o Papa, como eles, devasso. Enfim, os ataques são muitos e de todos os lados. Mas, diante de tantos episódios tristes de ataque ao Servo dos Servos de Deus percebemos duas coisas:

– o ministério petrino precisa ser melhor compreendido;

– cumprem-se as promessas de perseguição que Jesus fez no Evangelho de São Marcos (Mc 10, 30).

Em face de tantas interpretações maldosas – e mal feitas -, a supracitada passagem do Evangelho de São Mateus (em epígrafe) nos convida a um questionamento muito pertinente: Quem é o Santo Padre? Como ele deve agir?

As diretrizes da ação do papa – que acabam se tornando suas características – é Jesus mesmo quem descreve, no Evangelho. Espera-se que ele seja Fiel e Prudente. Comentando este Evangelho, São João Crisóstomo vai nos dizer:

“Duas coisas o Senhor exige de semelhante servo, a saber, prudência e fidelidade. Chama em verdade fiel àquele que não se apropria de nada do que pertença a seu Senhor, nem gasta inutilmente as Suas coisas. E chama prudente àquele que conhece o modo com o qual convém administrar o que lhe foi confiado” [Homiliae in Matthaeum, hom. 77,3, in Catena Aurea, tradução livre]

Olhemos estas duas características mais a fundo:

Fiel – fiel às tradições da Igreja, leal a Jesus Cristo e à sua Boa Nova. A fidelidade tem um quê de coerência e, sobretudo, de comprometimento com a Verdade; o Papa não pode se apropriar daquilo que pertence a Deus e usar ao seu arbítrio aquilo que lhe foi confiado para defender e propagar! Também de dentro da Igreja, muitas vezes surgem críticas ao Santo Padre. Muitos grupos “tradicionalistas” já ousaram [e alguns ainda ousam] dizer o Papa filiou-se ao modernismo; que já não faz as coisas “de sempre”. A pretensão de certos “fiéis” chega a tanto que muitos acabam por se esquecer de que Jesus roga pelo Seu Servo a fim de que a Fé dele não desfaleça e, assim, ele possa confirmar a Fé de seus irmãos (Lc 22, 32). A fidelidade do Papa é um dom que Deus concede em atenção à oração de Seu Filho Jesus.

Prudente – o Santo Padre deve ser prudente. Mesmo quando acusado de antiquado, retrógrado ou qualquer adjetivo semelhante, ele deve estar atento às palavras do apóstolo Paulo: “(…) virá o tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si. Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas. Tu, porém, sê prudente em tudo, paciente nos sofrimentos, cumpre a missão de pregador do Evangelho, consagra-te ao teu ministério” (2Tm 4, 3-5). Ao mesmo tempo, deve ter o discernimento para saber como convém anunciar a Boa Nova, segundo as variedades das pessoas, dos tempos e dos lugares, de acordo com o conselho do mesmo São Paulo (Hb 5, 12-14). Jesus já havia aconselhado: “Sede prudentes como as serpentes” (Mt 10, 16).

O Papa, portanto, precisa ser ao mesmo tempo Fiel e Prudente. Alguns ditos “católicos” não percebem isto e, dissociando uma dessas características da outra, terminam por exigir que o Papa se comporte segundo a caricatura pontifícia por eles criada. Os modernistas, por exemplo, querem um Papa “somente prudente” que, em nome do politicamente correto, trabalhe incessantemente para evitar as discórdias e adaptar a Igreja às exigências do mundo moderno – mesmo que isso implique em sacrificar a Verdade. Já os rad-trads, no extremo oposto, negam ao Papa o direito de se exprimir da maneira que ele julgar mais conveniente – mesmo que, com isso, dificultem que a Boa Nova chegue ao conhecimento de todos os homens -, considerando que a menor alteração na forma como são ditas as verdades de Fé implica numa traição ao Depósito da Fé. Quando o Papa fala, pois, é duplamente atacado: os modernistas de um lado o chamam de imprudente e os rad-trads, do outro, de infiel. Levantando-se e fazendo frente aos dois erros opostos, todavia, ergue-se o Sumo Pontífice, coluna da Igreja, referencial seguro da Verdade Eterna, o servus servorum Dei. A expressão – que já era cara a São Gregório Magno – indica-nos qual é exatamente a natureza da função do Papa na Igreja de Cristo [“Quem quiser ser grande entre vós, faça-se vosso servidor (διάκονος); e quem quiser ser o primeiro entre vós, faça-se o servo de todos” (Mc 10, 43-44)] e completa-nos a definição de quem é o Papa: est fidelis servus et prudens.

Além disso, o Papa deve ser amado por ter uma vocação única entre todos os homens do mundo. Alguns podem dizer: “ah, Jesus poderia ter escolhido qualquer um”. De fato, a vontade divina é soberana e poderia ter escolhido qualquer um. Mas este, precisamente o que foi escolhido, vai sempre carregar o selo da eleição divina. Quem quer que seja, a partir do momento em que Deus o chama, passa a ser “o escolhido”. A eleição é sinal de amor. Se Deus ama o Papa, por que nós não o amaremos?

Ainda olhando para o trecho bíblico de S. Mateus que encabeça este texto, podemos contemplar a figura do Santo Padre como guardião dos Sagrados Mistérios, administrador e dispensador dos tesouros da Igreja, em especial a Santíssima Eucaristia. A Eucaristia é o alimento com o qual Deus nutre a nossa alma. E o Papa Bento XVI tem exercido o ofício de guardião deste Mistério de modo magistral. Primeiro, escrevendo aquela magnífica exortação apostólica chamada Sacramentum Caritatis, na qual o mistério da Eucaristia é aprofundado (mas não esgotado), em continuidade com a Encíclica Ecclesia de Eucharistia, de autoria do Papa João Paulo II, de felicíssima memória. Depois, através do motu proprio Summorum Pontificum, no qual se estabeleceu que a rica liturgia tridentina deve ser tratada como Forma Extraordinária do Rito Romano, podendo ser celebrada por qualquer sacerdote que o deseje, sem necessidade de indulto por parte do Ordinário local. Além disso, as atitudes mais recentes do Chefe da Igreja Universal têm mostrado o grande apreço que ele tem ao Santo Sacrifício: a comunhão de joelhos que tem feito questão de administrar nas celebrações em Roma, por exemplo, mostram a piedade eucarística de Bento XVI. A Igreja vive da Eucaristia – como esperar, então, que aquele que foi colocado como Cabeça Visível da Igreja (para alimentar a família de Deus no tempo oportuno) pudesse não ser profundamente devoto deste tão sublime Sacramento?

Em suma, o “servo fiel e prudente” é – de maneira especialíssima – o Papa. E ele tem feito o seu papel. Ponhamo-nos nós, leigos, no nosso lugar, e desprezemos os juízos maldosos que muitas vezes são feitos a respeito da pessoa e do ministério do Sucessor de Pedro. Roguemos a Santa Catarina de Sena que nos ensine e nos ajude a amar o “Doce Cristo na Terra”. Que possamos afirmar com os Padres da Igreja: é somente “cum Petrus et sub Petrus” (com Pedro, e sob Pedro) que queremos marchar neste Vale de Lágrimas rumo à Pátria Celeste .

[Para os que não tiveram acesso na época da publicação, achei importante trazer à tona novamente a matéria do Fratres in Unum tratando do posicionamento da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos sobre a forma de ministrar a comunhão diante da “pandemia” de Gripe Suína. Jorge chegou a comentar ligeiramente a carta da Congregação].

 

Congregação para o Culto Divino: Não é lícito negar a comunhão na língua devido ao H1N1.

A Congregação para o Culto Divino e para a Disciplina dos Sacramentos respondeu a um católico leigo da Grã-Bretanha, na diocese em que a comunhão na língua havia sido restringida devido a preocupações relacionadas à epidemia do vírus Influenza A  – subtipo H1N1 (“gripe suína”).

Não faz qualquer sentido científico uma vez que parece melhor ter apenas uma mão envolvida (aquela do Sacerdote). Parece mais seguro ter apenas um homem distribuindo a Sagrada Comunhão (o Sacerdote), nenhum “ministro extraordinário”  de qualquer tipo, e que todos os fiéis recebessem a Comunhão da maneira tradicional.

Fonte: Rorate-Caeli

Carta da Congregação para o Culto Divino

Carta da Congregação para o Culto Divino

 

 

 

* * *

Tradução da carta

 

Prot. N. 655/09 L

Roma, 24 de julho de 2009

Prezado,

Esta Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos deseja dar-lhe ciência do recebimento de sua carta datada de 22 de julho, acerca do direito dos fiéis de receber a Sagrada Comunhão na língua.

Este Dicastério observa que sua Instrução Redemptionis Sacramentum (25 de março de 2004) claramente determina que “todo fiel tem sempre direito a escolher se deseja receber a sagrada Comunhão na língua” (n. 92), nem é lícito negar a Sagrada Comunhão a qualquer dos fiéis de Cristo que não estão impedidos pelo direito de receber a Sagrada Eucaristia (cf. n. 91)

A Congregação lhe agradece por trazer esta importante matéria à sua atenção. Esteja assegurado que os apropriados contatos serão feitos.

Possa o senhor perseverar na fé e no amor a Nosso Senhor e sua Santa Igreja, e em contínua devoção ao Santíssimo Sacramento.

Com todo bom desejo e benevolente estima, sou,

Sinceramente Vosso em Cristo,

Pe. Anthony Ward, S.M.

Sub-Secretário

             Há alguns dias lancei aqui no blog uma enquete acerca das aparições de Medjugorje: eu queria ter uma idéia de como os católicos em geral consideravam as supostas aparições da Virgem naquele lugarejo. Até o presente momento, a situação é:

 

50% dos votantes não acredita nas aparições

39% não têm opinião formada sobre o assunto

11% acredita nas aparições

 

            Eu ainda não vou emitir nenhuma opinião sobre o assunto; mas, escrevi este post apenas para recomendar a leitura de um artigo publicado no Deus lo vult! a respeito de um suposto “milagre do sol” (similar ao de Fátima) em Medjugorje. Pensemos… consideremos…rezemos.

             Parece que alguns não leram os argumentos de Jorge em favor da comunhão na boca. É uma pena… A mim, particularmente, parece muito mais sensato comungar na boca. Alguns bispos dos Brasil, porém, pensam de modo diverso. Sagrada e legítima discordância 😉

Recomendação de evitar abraços e mãos dadas durante missas divide fiéis

 

            Dom Pedro Luiz Stringhini, responsável pela região episcopal Belém, mandou uma carta na terça-feira (21) aos padres das 63 paróquias e 140 comunidades da Zona Leste de São Paulo aconselhando mudanças nas missas por causa da doença. São três recomendações: “pedir que os fiéis recebam a comunhão na mão”, “não fazer o convite ao abraço da paz, passando diretamente ao ‘Cordeiro de Deus’” e “não convidar os fiéis a darem as mãos na oração do Pai Nosso”. 

            Não é uma medida alarmista, é uma precaução sanitária. É um ajuste dentro da missa para não precisar suprimir as celebrações”, afirmou o bispo ao G1. A assessoria da arquidiocese disse que o cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, voltará de uma viagem nesta quinta-feira (23) e decidirá sobre eventuais indicações por causa da doença. Enquanto isso, os bispos responsáveis pelas regiões podem adotar medidas específicas.

            Dom Nelson Westrupp, bispo da diocese de Santo André, fez as mesmas recomendações para os padres e diáconos de 95 paróquias de sete municípios: Santo André, São Bernardo do Campo, Mauá, São Caetano do Sul, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. “Eu julguei necessário porque a vida é um dom de Deus e temos a obrigação de cuidar do outro, de sua saúde”, afirmou. Um e-mail com as indicações foi enviado às paróquias na segunda-feira (20).

 Primeira dica:

             Leiam o excelente post de Jorge intitulado “Comunhão na boca JÁ!”. Trata do modo mais coerente de se comungar nestes tempos de gripe suína. Destaco:

            “Vejamos: a pessoa chega na Igreja, possivelmente de ônibus. Senta-se nos bancos onde outras pessoas já sentaram, apoiando as mãos no banco da frente. Pega em jornaizinhos que foram utilizados anteriormente por outras pessoas. Pega em dinheiro na hora do ofertório. Aperta as mãos de cinco ou seis pessoas durante o “abraço da paz”. Dá as mãos durante o pai-nosso. Depois de tudo isso, sem lavar as mãos, ela vai receber a Eucaristia e, pegando-A com as mãos sujas, leva-a à boca! É muito mais razoável que o sacerdote, com as mãos lavadas antes da Santa Missa e durante o ofertório, coloque diretamente a hóstia sagrada na boca dos comungantes, bastando que ele distribua a comunhão como deve fazer, isto é, sem tocar nos lábios dos fiéis”.

            Recomendo enfaticamente a leitura do texto na íntegra. Não é grande e está bem interessante.

 

Segunda dica:

             Não soa muito bem mas, de acordo com a ACI, um perito socialista italiano elogiou a mais recente encíclica do Papa Bento XVI, Caritas in Veritate.  Diz o italiano: “fez-se sentir a voz do Papa com a Caritas in veritate e com o chamado de 12 de julho ao G8 (…) Será que verdadeiramente só a Igreja é capaz de pedir uma economia à medida do homem e dar também voz aos marginados da terra; assim como ao imperativo da igual dignidade de todos os homens, todas as mulheres e todas as crianças?”. Para ler a reportagem de ACI completa, clique aqui.

 

Terceira dica:

             Quem estiver a fim de ouvir o besteirol que vai ser esse tal 12º Encontro Intereclesial das CEB’S. Poderá ouvir pela Rádio Caiari no site www.radiocaiari.com. Haja estômago! Aos que acham que eu exagero quando falo que as CEB’s são uma realidade desgraçada, vejam a estrutura “litúrgica” montada para a celebração de abertura (registre-se: a celebração de abertura **não** é uma missa…). Destaco: “Dividida em quatro momentos, a celebração se destaca pela diversidade cultural e pela riqueza de símbolos. Logo no início, um indígena tocará sua flauta convocando os presentes para o silêncio, lembrando o silêncio da mata. Em seguida, começa a “composição dos povos da Amazônia”, quando serão convocados os indígenas, os quilombolas, os ribeirinhos e velhos posseiros e os seringueiros extrativistas. Serão convocados ainda os garimpeiros, colonos e urbanos, além dos bolivianos e colombianos, povos de fronteira. Cada um destes grupos entrará com algum instrumento típico de sua cultura ou de seu trabalho”. Repito: haja estômago!

 

A triste notícia:

            Parece que se multiplica a idéia estapafúrdia de leiloar a virgindade. Desta vez é uma equatoriana de 28 anos que se propõe a ser deflorada por qualquer um que se disponha a custear o tratamento de saúde de sua mãe. Desespero? Também. Mas, acima de tudo, falta de critério, falta de fé, falta de amor autêntico a si e a Deus. Diz ela: “Não estou roubando nada. O corpo é meu e faço dele o que quiser”. E viva o suicídio da moral!… Lamentável. Quando será que as pessoas vão entender que os fins não justificam os meios? A matéria completa está neste site.

            Aqui trato um texto escrito a quatro mãos com o autor do blog Deus lo vult!, meu grande amigo, Jorge Ferraz.

 

 

            Estou seguro de que algumas pessoas carecem de ofício, isto é: não tem o que fazer! Encontrei na internet um artigo intitulado “Sexualidade e discursos religiosos”, de autoria de uma senhora chamada Lúcia Ribeiro. Trata-se de um conjunto de asneiras e mentiras escritas em linguagem TL e relativista.

            Fiz questão de tecer aqui alguns ligeiros comentários por dois motivos: primeiro, porque a leitura deste texto me provoca náuseas e a indignação precisa de algum modo ser extravasada; segundo, porque há alguns elementos e afirmações, enunciados pela Srª Lúcia Ribeiro, que – infelizmente – são transmitidos e absorvidos por muitos católicos como sendo “doutrina da Igreja”. É mister, portanto, desmenti-los.

 

            Nas últimas décadas, alguns marcos importantes caracterizaram este processo: o matrimônio deixou de ser visto preponderantemente em função da procriação – considerada como seu fim primário – para valorizar igualmente o encontro amoroso entre os cônjuges;

 

            Conversa fiada, porque o fim primário do Matrimônio é e permanece sendo a procriação. Acontece que “fim primário” nunca significou “fim exclusivo”, exceto na cabeça dos inimigos da Igreja que, na ânsia de atacá-La, precisam inventar caricaturas as mais bizarras possíveis; e o que me incomoda profundamente é ver como essas caricaturas encontram acolhimento pelo “grande público”!

            “Esta doutrina [acerca do matrimônio], muitas vezes exposta pelo Magistério, está fundada sobre a conexão inseparável que Deus quis e que o homem não pode alterar por sua iniciativa, entre os dois significados do ato conjugal: o significado unitivo e o significado procriador. Na verdade, pela sua estrutura íntima, o ato conjugal, ao mesmo tempo que une profundamente os esposos, torna-os aptos para a geração de novas vidas, segundo leis inscritas no próprio ser do homem e da mulher. Salvaguardando estes dois aspectos essenciais, unitivo e procriador, o ato conjugal conserva integralmente o sentido de amor mútuo e verdadeiro e a sua ordenação para a altíssima vocação do homem para a paternidade. Nós pensamos que os homens do nosso tempo estão particularmente em condições de apreender o caráter profundamente razoável e humano deste princípio fundamental”. (Humanae Vitae, Nº.12)

 

 

Por outro lado, a sexualidade, que antes tinha uma conotação preponderantemente negativa, associada ao pecado, começou a ser valorizada em si mesma, enquanto dom de Deus.

 

Mais conversa fiada. A sexualidade associada ao pecado é a sexualidade dissociada de seus fins inerentes – o procriativo e o unitivo. Óbvio é que a sexualidade (o prazer sexual inclusive) é dom de Deus, como, aliás, todo prazer, porque Deus é o Criador de todas as coisas (do prazer, inclusive), não havendo no mundo nada que seja criação de Satanás (o pecado não é propriamente uma “criação” em si, e sim uma ausência, uma desordem). A idéia de que existem coisas que foram criadas por Deus e coisas que foram criadas por outra pessoa (Satanás, talvez) não é católica e sim gnóstica, tendo sido sempre combatida pela Igreja.

 

Daqui a pouco vão dizer também que a comida, antes com conotação negativa (afinal, existe a luxúria, mas também existe a gula…), foi finalmente valorizada enquanto dom de Deus…

 

E tem ainda outra coisa: em si mesma a sexualidade só pode conduzir ao pecado, porque é exatamente aí que entra a desordem da qual falávamos: como todas as coisas criadas e todas as dimensões do ser humano, a sexualidade precisa estar orientada para os seus fins, para a procriação e para a união dos cônjuges, e não buscada em si mesma! A sexualidade como sendo ela própria o seu próprio fim é que conduz à desordem moral que nós encontramos nos nossos dias, e que sempre foi – e ainda é, e sempre será – condenada veementemente pela Igreja.

Desta forma, o debate que antes girava sobre a proibição da contracepção transferiu-se para o nível da proibição dos métodos a serem utilizados.

 

Negativo. A contracepção permanece proibida (vide Humanae Vitae, Nº. 14); os chamados métodos naturais de regulação da fertilidade não são propriamente métodos contraceptivos, pois se baseiam nos períodos naturais de fertilidade da mulher. Não existe um ato que se propõe a tornar impossível a procriação (como o ato de colocar uma barreira plástica como a camisinha, ou de tomar veneno para que os ovários deixem de funcionar, etc); existe, simplesmente, a identificação dos períodos nos quais a mulher está naturalmente incapacitada para conceber. Se alguém não consegue ver a diferença entre uma intervenção humana na natureza e uma observação da natureza, o caso é sério.

Se pensamos a Igreja como “Povo de Deus” – de acordo com o Concílio Vaticano II – é fundamental distinguir aí também a voz de outros setores, que se expressam através da reflexão teológica, da orientação pastoral e da prática dos/as fiéis.

 

Sabe-se lá o que foi que a Sra. Lúcia quis dizer com isso! A Igreja é Povo de Deus, sim, mas também é o Corpo Místico de Cristo, é a Esposa de Nosso Senhor e é a Coluna e Sustentáculo da Verdade! Isto significa que a “voz de outros setores” só tem vez, evidentemente, enquanto não contraria a voz da Igreja, que é a voz de Cristo (“quem vos ouve, é a Mim que ouve” – Lc 10,16).

 

Não existe “democracia docente” na Igreja; o Povo de Deus é Povo que caminha em direção à Pátria Celeste, e não povo que, juntamente, “descobre” o caminho que quer seguir. O Caminho já Se revelou aos homens, e os percursos a serem percorridos já estão traçados. O Povo de Deus caminha junto, sem dúvidas, mas não “inventa” o caminho a ser percorrido. Quando os judeus quiseram por si só ser “povo de Deus” igualitário, oferecendo sacrifícios a Deus por si próprios e prescindindo de Moisés, Deus os castigou severamente (Nm 16). Também na Igreja não existe “Povo de Deus” que prescinda da Sagrada Hierarquia.

 

Como bem clarifica Fabri dos Anjos, quando se fala em Igreja, com facilidade se subentende sua hierarquia mais alta, ou seja, o Papa e os Bispos. Estes falam oficialmente em nome da Igreja. No entanto, a Igreja não se reduz à instância hierárquica que é minoritária. Embora o posicionamento oficial seja nela de grande peso, a reflexão ética se tece em seu meio também com a participação de outros segmentos importantes como o trabalho dos teólogos e a prática e o sentimento dos católicos em geral. (Fabri dos Anjos,1986: 1066) .

 

Na verdade, mais blá-blá-blá. Quem tem autoridade de ensino na Igreja é o Magistério, formado pelo Papa e pelos bispos em comunhão com ele; obviamente que esta instância é minoritária porque, em qualquer estrutura hierárquica possível, o número dos governantes é menor do que o dos governados. Um reino obviamente tem mais súditos do que rei e membros da corte; um rebanho tem evidentemente mais ovelhas do que pastores. Postular o contrário disso é destruir toda possibilidade de hierarquia.

Os fiéis leigos têm, sem a menor sombra de dúvidas, a sua importância, mas o ponto aqui é que esta não se exerce à margem ou à revelia do Magistério da Igreja.

Entre estes diversos tipos de discurso existem diferenças e coincidências, dado o seu contexto e o lugar social em que se originam, gerando defasagens e contradições dentro da própria Igreja. (Ribeiro, 2001: 39)

 

As contradições existem entre os que são obedientes à Igreja e os que Lhe desobedecem. Não pode pretender ser católico fiel quem não tem docilidade para com os ensinamentos da Igreja, quem ousa, por sua própria conta, contestar os ensinamentos d’Aquela que Cristo deixou no mundo como farol a iluminar todos os homens e a mostrar o caminho que deve ser seguido por quem deseja alcançar a Vida Eterna.

 

 

 

P.S.: O artigo da Srª. Lúcia Ribeiro, foi encontrado no site de um instituto de pesquisa chamado ISER (veja aqui a missão da ISER). A vice-presidência do instituto é exercida pelo digníssimo Leonardo Boff. Na seção de artigo se encontra uma elegia a D. Pedro Casaldáliga, de autoria de D. Tomás Balduíno. O artigo de D. Balduíno chama-se: Pedro, Bispo. Acho que eu preciso rever em que sites ando entrando (mesmo que sem querer…).

 

 

 

A Jorge Ferraz

 

 

            “Meu amigo”. Orgulho-me em poder dirigir a ti, Jorge, estas palavras. Há muito deveria ter-te manifestado a imensa gratidão que sinto em dispor de tua amizade. Uma amizade que o tempo não desvanece, que brilha quando é noite, e que – mesmo o outono – não consegue acinzentar. De bons momentos que passamos juntos, posso escrever centenas de páginas. Mas quero recordar aqui apenas alguns, para que aqueles que vierem a ler esta carta aberta tenham a noção de que amigos não são necessariamente aqueles que convivem intensamente; mas, sim, aqueles que conseguem eternizar os momentos que passam juntos.

            E eu quero começar pelas viagens. Foram tantas, caríssimo! São Paulo, Rio de Janeiro, Natal, Caruaru, Brasília… Cada uma com suas histórias. Mil e uma histórias. Recordo-me de você declamando “Navio Negreiro” enquanto caminhávamos na orla de Copacabana. Tu sabias o poema quase inteiro de cor. Eu mal sabia o quarto canto! E que dizer da situação naquela pizzaria da Lapa? O garçom chega à nossa mesa e pergunta: “o corte da pizza será à francesa?”. Ao que eu respondo: “sim”. Quando o garçom se retira, tu me perguntas: “Que corte é esse?”. E eu: “Não faço idéia. Mas o garçom precisava de uma resposta e eu dei”. E nos rimos à vontade. Rimos-nos também quando numa turbulência no vôo para Brasília, em meio ao terço, você puxou a invocação a Nossa Senhora da Boa morte. Foi hilário. Graças a Deus não foi daquela vez que nos encontramos com a Santíssima Virgem…

            De pizzarias, bares, lanchonetes, botecos, restaurantes, e afins nós entendemos. Em Recife, creio que são poucos os lugares nos quais não estivemos. Sempre a mesma coisa: tu de chopp e eu de coca-cola… E nessa vida – quase que boêmia, eu diria – quantas lágrimas e sorrisos compartilhamos. Das lágrimas, não quero lembrar. Mas dos sorrisos, ah, como é bom recordá-los: rimos de tudo! Da vida, de nós mesmos, rimos um do riso do outro, com ou sem motivos! Rimos até dos nossos poemas de guardanapo feitos num bar da Boa Vista… Lembras-te?

            E que dizer das nossas conversas naquela lanchonete da Torre? Ás vezes eram puro besteirol. Às vezes discussões sérias e calorosas que pareciam intermináveis. Os assuntos eram os mais diversos (por vezes, totalmente díspares): Ora falávamos do PT, ora discutíamos sobre a Moral Católica…      

            Vivemos situações das mais diversas: de retiros a assaltos! Sim, fomos assaltados juntos, e juntos fomos prestar queixa na delegacia. E não sabíamos se ríamos ou chorávamos quando o policial que nos atendeu disse que não saia à noite porque a cidade não oferecia segurança…

            Lembras-te daquele Encontro de Jovens com Cristo em que trocamos recados em latim (o nosso pífio latim macarrônico)? Como era engraçado ver que os censores encarregados de ler as mensagens liberavam os nossos recados porque não entendiam absolutamente nada do que estava escrito na língua imortal!

            E como não mencionar que foste tu quem me apresentou ao Regnum Christi, mesmo sem ser membro do Movimento! Obrigado, caro. Lá encontrei muitos, novos e excelentes amigos. Lá encontrei minha vocação.

            Tu és o amigo que liga pra mim e diz com muita franqueza: “caro, vamos sair hoje. Tenho saudades de ti”. O amigo que se lembra de me trazer presentes quando eu não o acompanho nas viagens. O amigo com quem já escrevi alguns textos a quatro mãos. O amigo com quem compartilho tantos segredos e sonhos e planos… Enfim, O amigo.

            Como disse, foram muitas as ocasiões que vivemos juntos. Mas, antes de finalizar quero apenas recordar mais duas. Dois dezembros: um sombrio, o outro radiante.

            Primeiro aquela noite de Natal em que você bateu com o carro. Deixaste-me em casa e eu, mesmo vendo que estavas sem condições de dirigir (em virtudes de algumas muitas doses em excesso), deixei-te partir. Que grande erro de minha parte! Quando partiste, porém, rezei três ave-marias por ti. Bateste com o carro. O veículo: perda total. Tu, porém: ileso!… Como me senti culpado em saber que não fui capaz de impedir tua ida para casa naquelas condições. Mas, conforta-me saber que a partir daquela oração simples Deus produziu o milagre de salvar tua vida do desastre. Porque tu és precioso aos olhos dele.

            O outro episódio que quero mencionar, ocorrido em dezembro do ano passado é luminoso. É deveras bonito. O lugar: centro de convenções de Brasília. A situação: gravação do DVD da banda Anjos de Resgate. A música: amigos pela fé. Nada falamos. Mas enquanto ouvíamos e cantávamos a canção percebíamos aquilo que realmente nos liga: a fé. “Bons amigos que nasceram pela fé”. Era a nossa história. Apenas nos olhamos. E, dando uma tapa em minha cabeça, passaste o braço por cima do meu ombro como que a me dizer: “unidos pela fé, seremos amigos para sempre”. Recordo-me até hoje vivamente este momento.

            Tu tens sido para mim mais que um amigo: um pai, um irmão, um conselheiro. A ti, portanto, meu muito obrigado! Pela tua existência e pela tua caridade em conceder-me ser teu amigo. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos”. Obrigado, caro, por tantas vezes terdes dado a vida por mim.

 

No Coração de Jesus,

Gustavo Souza

 

 

 

            Esta carta deve ser divulgada aos quatro cantos da terra, com um único objetivo: provar que a amizade sincera e desinteressada existe, e eu tive – e tenho – a graça de experimentá-la através de Jorge Ferraz.