Hoje, assistindo a uma reportagem na TV sobre os transtornos que a chuva tem causado no Rio de Janeiro, uma coisa me chamou a atenção: um dos homens que teve os seus parentes vitimados pela catástrofe encontrou um livro enlameado, sob os escombros. O título do livro, se bem me recordo, era: “Por que acontecem coisas ruins se Deus é bom?”. Sem dúvida, o achado veio em boa hora para aquele homem da reportagem. Deve lhe trazer algum conforto.

O questionamento sobre a natureza, a origem e as razões pelas quais sofremos sempre inquietou o ser humano. No fundo, o homem sente-se injustiçado quando lhe sobrevém um mal a que ele alega não ter dado causa. Os santos souberam lidar muito bem com isso: Santa Teresinha do Menino Jesus dizia que um dia sem sacrifício (=sofrimento) nada vale. Os filófosos – grande parte deles – não tiveram a mesma sabedoria que os santos. Enquanto escrevo este artigo, por exemplo, o Leonardo Boff [ou alguém usando o nome dele] teve a audácia imbecil [perdoem-me a franqueza] de colocar no twitter a seguinte mensagem: Sempre falei que o Rio é uma cidade burguesa… por isso Javé os castigou… pode ver que em Cuba não acontece isso!”. Francamente… Os ateus modernos passaram a usar o sofrimento [sobretudo o decorrente de catástrofes] como pretexto para sua incredulidade. As perguntas destes últimos são sempre as mesmas: “Onde estava Deus quando aconteceu isso? Por que Deus permitiu isso? Se Ele [Deus] é Bom, porque não trata de impedir a ação do Mal?”.

Enfim, responder todas estas perguntas a alguém que está decidido a não aceitar resposta alguma que contrarie seus preconceitos de Deus é uma tarefa inglória. Pura perda de tempo. Aqueles, porém, que – com suficiente honestidade intelectual e coração aberto – anseiam por entender um pouco o Mistério da Dor poderão desfrutar desta excelente explanação do saudoso D. Estevão Bittencourt, OSB, na revista Pergunte e Responderemos. Está no blog da Maite Tosta. Quem sabe assim compreendamos de uma vez por todas que vivemos in hac lacrimarum vale, i.e., em um vale de lágrimas, esperando por uma Nova Terra onde não haverá mais choro nem ranger de dentes…

 

“De tal modo Deus amou o mundo que lhe entregou seu Filho Unigênito” [Jo 3,16] Ele não merecia, mas nós fomos impiedosos e o condenamos à morte mais ignominiosa… Caiu para que levantássemos. Chorou para que sorríssemos. Morreu para que vivêssemos. Nesta sexta-feira – dia em que a Igreja nos pede para meditar sobre a Paixão do Senhor – voltemos o olhar para o Cristo Sofredor.

Veja mais:

D. Estevão Bittencourt, OSB explica a origem da via sacra. Clique aqui.

Um site ligado à congregação dos salesianos promove uma Via Sacra Virtual. As imagens são bastante interessantes. Clique aqui.

I – “Comungar de joelhos ou em pé?” – por D. Estevão Bittencourt (via Duc in Altum)

 

Encontrei no Duc in Altum um post intitulado: “Comungar de joelhos ou em pé?”. Trata-se da reprodução de uma publicação originalmente feita na revista “Pergunte e responderemos”, idealizada e coordenada pelo saudoso D. Estevão Bittencourt, OSB. Com a sabedoria e fundamentação que lhe eram características, D. Estevão apresenta a história do indulto concedido pela Santa Sé ao clero do Brasil para que a comunhão fosse ministrada aos fiéis na mão [e, por conseguinte, de pé]. Esse indulto data de 1975. Contudo, a “Pergunte e Responderemos” salienta que – conforme declaração da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos datada de 1º de Julho de 2002 – a recusa da Comunhão a um fiel que esteja ajoelhado, é grave violação de um dos direitos básicos dos fiéis cristãos, a saber: o de ser ajudado por seus Pastores por meio dos sacramentos (Código de Direito Canônico cânon 213). Vale a pena acessar o post do Duc in Altum e lê-lo na íntegra 😉

Recentemente, fui a uma cidade em que dois sacerdotes me negaram [por ironia do destino em um mosteiro beneditino] a comunhão na boca. Comunguei na mão. Sem problemas. Mas fiquei indignado por, mais uma vez, ver que – no Brasil – a exceção sempre vira regra…

 

II – Dom Aloísio Roque Oppermann e o Socialismo

 

Ao ler esta matéria do Fratres in Unum [a qual destaca a atitude de um arcebispo que – atendendo ao disposto no Motu Próprio Summorum Pontificum – declarou “abertas as portas” da sua arquidiocese ao Rito Tridentino], tive curiosidade de ir em busca de algo escrito por D. Aloísio Roque Oppermann, arcebispo de Uberaba (MG). Eis que me deparei com este artigo, de sua autoria, publicado no site da CNBB. Em dado momento D. Roque diz:

“[…] Já temos no mundo uma vasta experiência socialista, de duzentos anos, que se instalou em vários países, e deixou rastos de sangue e de atraso. Assim conhecemos sua face. Vejamos as características de tal linha econômico-política. Ela é invencivelmente de alma atéia. E como não consegue convencer a população, via raciocínio, então lança mão do cerceamento da liberdade.  Esvazia tudo o que é de ordem particular, para destinar todos os bens para a administração da sociedade. Como, no seu entender, a livre iniciativa só visa o lucro pessoal e o egoísmo, então o Estado é que deve planejar a produção e a distribuição dos bens. Cabe-lhe ditar regras para a imprensa, selecionar a linha ideológica da escola, e impor a revolução violenta, para implantar o regime dos miseráveis. Para o triunfo do socialismo, a via democrática se mostrou um caminho inviável. Só a coação, para eles, é que resolve. É claro que existem vários tipos de socialismo, mas suas semelhanças são enormes. Com essa descrição também não posso aprovar o capitalismo grosseiro. Mas este admite reformulações, deixa espaço para os partidos de tônica social, e aceita (às vezes constrangido), em aperfeiçoar-se pela Doutrina Social da Igreja. Gente, vamos encurtar caminhos: a via socialista, definitivamente, não é solução. Quem é socialista propõe uma via, comprovadamente retrógrada”.

Maravilha! Fiquei sem palavras ante uma declaração tão corajosa de um Apóstolo. Para D. Aloísio Roque, tiro o chapéu!