Enquanto cada vez mais os bispos do Brasil se organizam para **instituir ** a comunhão na mão como “norma litúrgica” – usando como desculpa a pandemia de gripe suína – o Santo Padre, caminhando na “contramão”, estuda manter “a comunhão na mão como algo *extraordinário*”. A notícia, dada por ACI, faz referência a uma matéria escrita pelo Vaticanista Andrea Tornielli. Eis a íntegra da reportagem de ACI (grifos meus):

 

              VATICANO, 24 Ago. 09 / 11:53 am (ACI).- O vaticanista italiano Andrea Tornielli informou que o Papa Bento XVI estaria considerando algumas modificações para a celebração da Missa, manteria a comunhão na mão como algo “extraordinário” e reformaria algumas partes do Missal para evitar abusos, dar maior sacralidade à Liturgia e favorecer a adoração eucarística.
            Em um artigo publicado no jornal “Il Giornale” e titulado “Ratzinger reforma a Missa: Não mais hóstia na mão”, Tornielli explica que em 4 de abril deste ano, o Cardeal Antonio Cañizares Llovera, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, entregou ao Santo Padre um documento com o resultado de uma votação reservada, ocorrida em 12 de março durante a plenária do mencionado dicastério para o que seria o primeiro passo para a “reforma da reforma” auspiciada pelo Pontífice.

            Quase por unanimidade, explica o vaticanista, os bispos membros desta Congregação decidiram: “dar maior sacralidade ao rito, recuperar o sentido da adoração eucarística, recuperar o latim na celebração e a re-elaboração das partes introdutórias da Missa para pôr um freio nos abusos, experimentos e a criatividade inoportuna”.

           Do mesmo modo, assinala, “mostraram-se favoráveis a reafirmar que o modo usual de receber a comunhão segundo as normas não é na mão, a não ser na boca. Embora seja certo que existe um indulto que os permite, dado o pedido de alguns episcopados para distribuir a Eucaristia na palma da mão, isto deve permanecer como um fato extraordinário”.
            Outra das medidas sugeridas pelo Cardeal Cañizares seria a de fazer que durante a consagração, pelo menos, o celebrante olhe para o Oriente, “como acontecia antes da reforma” litúrgica.
            Estas proposições, inspiradas pelo documento Sacrosanctum Concilium, estão em linha com o que foi expresso pelo Cardeal dias atrás pela publicação mensal 30Giorni, a quem disse “às vezes houve mudanças pelo simples gosto de mudar com respeito a um passado percebido como totalmente  negativo e superado. Às vezes se concebe a reforma como uma ruptura e não como um desenvolvimento orgânico da Tradição”.

            As propostas dos bispos também incluem o maior uso do latim, assim como a publicação de missais bilíngües, solicitude feita em seu momento pelo Papa Paulo VI, assinala Tornielli.

            O vaticanista precisa ademais que o Papa Bento XVI já aprovou estas solicitudes, pois estão “perfeitamente em linha com a idéia mais de uma vez expressa por Joseph Ratzinger quando era ainda Cardeal, como testemunha os extratos inéditos sobre a liturgia antecipados ontem pelo “Il Giornale” que serão publicados no livro Davanti al Protagonista (Diante do Protagonista); apresentado na véspera do Encontro de Rimini” que se realiza em Roma.
            Depois de ressaltar que o Santo Padre sabe que não serve de muito “lançar diretivas desde o alto, com o risco de que sejam letra morta”, Tornielli finaliza indicando que o estilo do Pontífice “é o de confrontar as coisas e sobre tudo, o exemplo. Como demonstra o fato que, há mais de um ano, quem deseja receber a comunhão do Papa, deve ajoelhar-se sobre o genuflexório preparado especialmente para as cerimônias”.

 

Adendos:

 

            Aos que lêem em italiano, aqui está o post original do Blog de Andréa Tornielli, publicado em 22/08.

            Aqui também trago o artigo original publicado em Il Gionarle. O título é bem à moda italiana: “Ratzinger riforma la messa Basta con l’ostia sulla mano” (Ratzinger reforma a missa: basta com a hóstia sobre a mão). Perfeito!