[Os comentários que seguem são apenas algumas considerações preliminares. Não correspondem ainda a uma análise teológica mais aprofundada da virtude da Caridade. Portanto, após esta postagem, farei uma outra – sobre a mesma virtude – com o conteúdo doutrinal referente ao tema, isto é, citando o catecismo e as demais fontes de nossa fé que enriquecem e embasam o ensino correspondente à Caridade. Por ora, seguem alguns comentários despretensiosos, mas que julgo importantes].

 

          São Paulo, na sua epístola aos Coríntios, nos diz:

  “Nunc autem manet fides, spes, caritas, tria haec; maior autem ex his est caritas”.

“Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade – as três. Porém, a maior delas é a caridade”.

 

            A Virtude Teologal da Caridade é, portanto, a maior entre as virtudes.

            As novas traduções bíblicas para o português convencionaram traduzir a palavra “caritas” por “amor”. De modo que o texto da 1ª Carta de São João que diz: “Deus caritas est” (4, 8), foi traduzido como “Deus é amor”.  Este trecho da carta joanina, aliás, foi usado pelo Santo Padre, o papa Bento XVI, como título de sua primeira encíclica (disponível aqui),

            Todas as obras de misericórdia (tanto as espirituais como as corporais) são, em última instância, obras de caridade.

            É importante fazer algumas distinções para que o real sentido da Caridade, isto é, o sentido em que a Igreja compreende esta virtude, não seja deturpado.

            A primeira distinção que penso deva ser feita é no sentido de não confundir filantropia com Caridade. Este erro é muito comum entre os espíritas kardecistas. Muitos acham que “fazer Caridade” é dar esmola. Na realidade, o “fazer” da Caridade até passa pelo ajuda ao próximo; mas não é isso. Dar esmola é algo bom, que agrada o coração de Deus e que, conforme o ensino constante da Igreja, nos ajuda a remir os nossos pecados. Mas a Caridade é muito mais que isso. Caridade é saber quem é aquele que me pede uma esmola, por que ele está ali, naquela condição. É interessar-se pelo outro. É ouvi-lo e não simplesmente matar sua fome ou lançar-lhe umas moedas.

            A segunda distinção diz respeito ao fato de que Caridade não se confunde com mansidão. Claro que as almas caridosas exercerão – sempre que oportuno – a mansidão. Entretanto, há momentos em que é oportuna uma atitude mais ríspida, meio bruta mesmo. A vida dos santos está recheada de exemplos disso. Em alguns casos, agir com severidade é uma exigência da Caridade. É como uma mãe que, para bem educar seu filho, não pode sempre concordar com tudo o que ele faz. Há momentos em que o garoto precisa ser advertido seriamente, levar umas boas palmadas (os psicólogos “dialogólatras” que me perdoem), e até mesmo ser castigado. A Caridade não tolera o mau comportamento e exige a correção do mesmo. Não adianta fingir que não viu – em nome de uma falsa mansidão. Não adianta abonar o erro fazendo-lhe vista grossa. Isso não é atitude caridosa. Sim, caríssimos, quem acha que Deus não castiga está redondamente enganado. Deus castiga sim (por amor e com amor):

 

Eu repreendo e castigo aqueles que amo. (Ap 3,19)

 

            Outra coisa, e esta nos foi recordada recentemente pelo papa Bento XVI, é que a caridade deve ser exercida na verdade. O título da encíclica papal é exatamente Caritas in Veritate (Caridade na Verdade). Hoje em dia, em nome do “politicamente correto” (que venho combatendo sistematicamente aqui no blog) têm-se a tendência de contornar a mentira e o erro sob o [falso] pretexto de que a caridade é tolerante. Por este princípio, os cristãos – que deveriam o sal da terra e a luz do mundo – começam a deixar de exercer o seu papel de transformadores do mundo; deixam de salgar aquilo que está insípido, deixam de iluminar as trevas dos que jazem no erro. Ora, Jesus é o único caminho que conduz a Deus, suma Caridade. Jesus também é a única verdade capaz de converter o coração dos homens: se não anunciarmos isso – por medo de faltar com a Caridade – quem o fará?

            Por fim, estamos muito acostumados a ler e ouvir o Hino à Caridade (1Cor 13) – composto por São Paulo. Hoje, porém, convido-vos a rezar com este texto. Quanta riqueza, quanta beleza, quanta verdade há nas palavras do Apóstolo dos gentios! Rezemos, pois:

 

            Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.

            Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada.

            Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!

            A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante.

            Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor.

            Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

            A caridade jamais acabará. As profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência findará.

            A nossa ciência é parcial, a nossa profecia é imperfeita.

            Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá.

            Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança.

            Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido.

            Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade – as três. Porém, a maior delas é a caridade.

 Primeira dica:

             Leiam o excelente post de Jorge intitulado “Comunhão na boca JÁ!”. Trata do modo mais coerente de se comungar nestes tempos de gripe suína. Destaco:

            “Vejamos: a pessoa chega na Igreja, possivelmente de ônibus. Senta-se nos bancos onde outras pessoas já sentaram, apoiando as mãos no banco da frente. Pega em jornaizinhos que foram utilizados anteriormente por outras pessoas. Pega em dinheiro na hora do ofertório. Aperta as mãos de cinco ou seis pessoas durante o “abraço da paz”. Dá as mãos durante o pai-nosso. Depois de tudo isso, sem lavar as mãos, ela vai receber a Eucaristia e, pegando-A com as mãos sujas, leva-a à boca! É muito mais razoável que o sacerdote, com as mãos lavadas antes da Santa Missa e durante o ofertório, coloque diretamente a hóstia sagrada na boca dos comungantes, bastando que ele distribua a comunhão como deve fazer, isto é, sem tocar nos lábios dos fiéis”.

            Recomendo enfaticamente a leitura do texto na íntegra. Não é grande e está bem interessante.

 

Segunda dica:

             Não soa muito bem mas, de acordo com a ACI, um perito socialista italiano elogiou a mais recente encíclica do Papa Bento XVI, Caritas in Veritate.  Diz o italiano: “fez-se sentir a voz do Papa com a Caritas in veritate e com o chamado de 12 de julho ao G8 (…) Será que verdadeiramente só a Igreja é capaz de pedir uma economia à medida do homem e dar também voz aos marginados da terra; assim como ao imperativo da igual dignidade de todos os homens, todas as mulheres e todas as crianças?”. Para ler a reportagem de ACI completa, clique aqui.

 

Terceira dica:

             Quem estiver a fim de ouvir o besteirol que vai ser esse tal 12º Encontro Intereclesial das CEB’S. Poderá ouvir pela Rádio Caiari no site www.radiocaiari.com. Haja estômago! Aos que acham que eu exagero quando falo que as CEB’s são uma realidade desgraçada, vejam a estrutura “litúrgica” montada para a celebração de abertura (registre-se: a celebração de abertura **não** é uma missa…). Destaco: “Dividida em quatro momentos, a celebração se destaca pela diversidade cultural e pela riqueza de símbolos. Logo no início, um indígena tocará sua flauta convocando os presentes para o silêncio, lembrando o silêncio da mata. Em seguida, começa a “composição dos povos da Amazônia”, quando serão convocados os indígenas, os quilombolas, os ribeirinhos e velhos posseiros e os seringueiros extrativistas. Serão convocados ainda os garimpeiros, colonos e urbanos, além dos bolivianos e colombianos, povos de fronteira. Cada um destes grupos entrará com algum instrumento típico de sua cultura ou de seu trabalho”. Repito: haja estômago!

 

A triste notícia:

            Parece que se multiplica a idéia estapafúrdia de leiloar a virgindade. Desta vez é uma equatoriana de 28 anos que se propõe a ser deflorada por qualquer um que se disponha a custear o tratamento de saúde de sua mãe. Desespero? Também. Mas, acima de tudo, falta de critério, falta de fé, falta de amor autêntico a si e a Deus. Diz ela: “Não estou roubando nada. O corpo é meu e faço dele o que quiser”. E viva o suicídio da moral!… Lamentável. Quando será que as pessoas vão entender que os fins não justificam os meios? A matéria completa está neste site.

          Recebi por e-mail e estou repassando:

Nota do Movimento Comunhão e Libertação a respeito da Encíclica Caritas in Veritate

             Somos gratos ao Santo Padre que na sua encíclica social também propôs a originalidade da fé e a contribuição que o cristianismo pode dar à conversão social e ao desenvolvimento.

            Parece-nos decisivo que em uma encíclica dedicada ao fazer do homem, o Papa, com grande realismo, chame a atenção para uma evidência elementar, que se for negada leva qualquer tentativa do homem a ser injusta até a violência: “O homem moderno está erroneamente convencido de ser o autor de si mesmo, da sua vida e da sociedade. É esta presunção que descende do pecado das origens. A sabedoria da Igreja sempre propôs ter presente o pecado original, mesmo na interpretação dos fatos sociais e na construção da sociedade”. De fato, até a recente experiência ensina que a pretensão de auto-suficiência e de “eliminar o mal presente na história somente com a própria ação, levou o homem a fazer coincidir a felicidade e a salvação com formas imanentes de bem-estar e de ações sociais”.

            Pelo contrário, a verdade de nós mesmos é, antes de tudo, “dada”: “A verdade não é produzida por nós, mas sempre encontrada, ou melhor, recebida”. Por isso o Papa afirma que “a caridade na verdade é a principal força propulsora para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade. Em Cristo, a caridade na verdade se torna o Rosto da sua Pessoa”.

              Bento XVI nos chama ao fato – sempre mais esquecido, como atualidade nos testemunha – que “um cristianismo de caridade sem verdade pode facilmente ser torçado por uma reserva de bons sentimentos, úteis para a convivência social, mas marginais. Deste modo, não haveria mais um lugar exato e verdadeiro para Deus no mundo”.

            A Caritas in veritate sublinha que a Igreja “não tem soluções técnicas para oferecer e não pretende se intrometer na política”, mas tem uma missão a cumprir: anunciar Cristo como “o primeiro e principal fator de desenvolvimento”.

            Neste caminho de testemunhos nos sentimos desafiados a verificar – dentro dos acontecimentos da vida – o alcance da fé em Cristo, como Aquele que nos coloca em condições justas para enfrentar os milhares de problemas econômicos, financeiros, sociais e políticos que a encíclica enumera.

 Assessoria de Imprensa de CL

Milão, 8 de julho de 2009

            A respeito da nova Encíclica escrita pelo Santo Padre, o papa Bento XVI, intitulada Caritas in Veritate, deixarei para comentar algo depois que ler. Por enquanto, recomendo o que outros já escreveram:

             Jorge Ferraz apresentou a estrutura da Encíclica e destacou um belíssimo trecho da introdução.

            Taiguara Sousa foi mais longe e comentou o seguinte:

             Alguns pontos me chamaram atenção; o Papa trouxe à tona a questão da vocação. Quase sempre a idéia de um chamado é vista como uma particularidade da vida religiosa. Essa perspectiva só tem fundamento num mundo laicizado, profanizado, onde não há Deus na vida pública e na vida social. Os homens não são apenas cristãos em seus lares e na esfera privada, são testemunhas de Cristo em todos os atos cotidianos. Assim, fiéis a Deus, buscando uma perfeição diária, perfeição esta que não é reflexo de um materialismo moderno de caráter egoístico, mas sim da procura pela plenitude em Deus e na luta contra o pecado, os cristãos devem viver no orbe como arautos do Senhor, convertendo em oração, mortificação, em fé, o trabalho, os problemas, as dívidas, a família.

            O Santo Padre ainda ligou temas de grande importância na modernidade; o relativismo, a laicização, a crise moral, e até mesmo a “hermenêutica da descontinuidade”. Ainda vale lembrar que para os economistas e globalistas sem uma vida espiritual, distantes de uma perspectiva cristã da realidade, as palavras do Papa não passarão de conselhos de auto-ajuda, pintando um mundo de cor-de-rosa, bem distante da prática do mundo real da macro e microeconomia”.

            A Canção Nova publicou uma síntese interessante do documento.

            A Encíclica foi divulgada hoje (07) e, segundo se comenta, tem caráter social. Por ora, é só!