“Escolhei hoje a quem quereis servir” [Js 24, 15]. Esta foi a colocação de Josué perante o povo de Israel em um momento muito significativo da história dos hebreus. O povo que gozava de especial predileção por parte de Deus precisava fazer uma escolha entre servir ao Senhor ou aos ídolos; entre submeter-se a uma visão puramente “horizontal” da vida [visão esta representada pelos ídolos confeccionados pelos próprios homens] ou voltar-se de todo o coração para o Deus Altíssimo, seu Criador. A decisão era entre manter os pés no chão ou dar o ousado “salto da Fé” [como diria o papa Ratzinger]. Josué, que havia interpelado o povo a posicionar-se e pronunciar-se, afirmou: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor” [idem]. Assim ele decidiu – por si e pelos seus – que não abandonaria Aquele que os havia tirado do Egito “com mão forte e braço poderoso” [Dt 5,15] . Ele sabia que Deus os havia criado para o que é “do alto” e que as coisas aqui “de baixo” – por mais importantes que fossem ou parecessem –  deveriam ficar sempre em segundo plano.

               Quando Jesus afirmou que o Seu Reino não era “deste mundo” [Jo 18,36], ele nos estava indicando precisamente esta dimensão transcendente que envolvia Ele próprio e Sua missão. Nosso Senhor estava expondo a dicotomia entre este mundo e o mundo que há de vir. Estava nos alertando para o fato de que – diante de tal dilema – o homem precisa fazer uma escolha. Ora, Josué a fez e não creio que tenha se arrependido. Cada um de nós também precisa decidir. O que queremos? A quem queremos? 

               Diante de tantas propostas que o mundo nos apresenta é lamentável ver que o rumo que nos apontam os Senhores Bispos do Brasil [não todos, é claro] parece ser o “daqui de baixo”, e não o “lá do alto”. Jorge Ferraz publicou estatísticas  lamentáveis com respeito ao materialismo que se observa na Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010. Trago aqui os números que Jorge divulgou no Deus lo vult!   como fruto de suas “buscas” no texto base da CF:

Eis aqui as estatísticas. A metodologia utilizada é trivial: a caixa de pesquisa do Acrobat Reader. Quando as expressões aparecem “puras”, é porque a busca foi feita por elas ipsis litteris; quando aparece “e derivados”, é porque consultei pelo radical (p. ex., ‘arrepend’, o que engloba tanto ‘arrependimento’ quanto as formas verbais ‘arrependei-vos’, ‘arrependi-me’, ‘arrepender’, etc.).

Os resultados são os seguintes:

“Jesus”: 37 ocorrências (“Nosso Senhor”, uma única ocorrência, na oração da CFE).
“Católica” e “católicos”: 8 ocorrências.
“Conversão” (e derivados): 7 ocorrências.
“Oração”: 5 ocorrências (sendo duas vezes no título “oração da CFE 2010″, a do índice e a da página correspondente).
“Caridade”: 4 ocorrências.
“Esmola”: 3 ocorrências.
“Pecado” (e derivados): 2 ocorrências.
“Jejum”: 2 ocorrências (e recomendo que vejam quais são!!).
“Virgem Maria” (a pesquisa foi feita por “Maria”): 2 ocorrências (“Nossa Senhora”, nenhuma).
“Arrependimento” (e derivados): 2 ocorrências.
“Sacramento”: 2 ocorrências.
“Papa”: 2 ocorrências.
“Magistério”: 1 ocorrência.
“Penitência”: nenhuma ocorrência.
“Eucaristia”: nenhuma ocorrência.
“Missa”: nenhuma ocorrência.
“Sacerdote”: nenhuma ocorrência.
“Calvário”: nenhuma ocorrência.
“Cruz”: nenhuma ocorrência.
“Trindade”: nenhuma ocorrência.
“Santificação”: nenhuma ocorrência (“santificar” tem duas, no comentário sobre o Pai Nosso).
“Redenção” (e derivados): nenhuma ocorrência (“Redentor” aparece uma única vez, numa nota de rodapé, em referência – pasmem! – a um livro sobre Martin Luther King, chamado “O Redentor Negro”! Está à página 55).
“Confissão” (sacramento): nenhuma ocorrência (há duas referências a “confissão”, na expressão “Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil”, com as maiúsculas por conta da CNBB).

Em contrapartida:

“Economia (e derivados): 142 ocorrências.
“Solidariedade” (e derivados): 81 ocorrências.
“Pobre” (e derivados): 75 ocorrências.
“Direito(s)”: 74 ocorrências.
“Terra”: 64 ocorrências.
“Trabalho”: 56 ocorrências.
“Social” (e derivados): 54 ocorrências.
“Política” (e derivados): 39 ocorrências.
“Mercado” e “Mercadoria”: 30 ocorrências.
“Desenvolvimento”: 29 ocorrências.
“Povo”: 27 ocorrências.
“Miséria”: 12 ocorrências.
“Exploração” (e derivados): 11 ocorrências.

 

               Bem, vou furtar-me a fazer comentários sobre esses números porque Jorge já os fez de modo brilhante. Mas não posso deixar de manisfestar minha indignação frente a uma realidade, digamos, tão triste…

              Senhores Bispos, queremos estar puros ante a Justiça Divina e não somente alcançar a tão sonhada justiça “social”. Queremos, sim, amar os pobres. Todavia, almejamos mais que isso: queremos ser pobres em espírito para assim herdar o Reino de Deus [vide Mt 5, 3]. Queremos “novos céus e nova terra” [2 Pd 3,13]. Queremos ser mais que solidários: queremos ser caridosos. Somos gente de metas altas e não de propostas medíocres [porque demasiado horizontais]. Queremos, enfim, servir a Deus e não ao dinheiro. Isto nos basta: servir a Deus e nada mais.

 

Desde que manifestei aqui no blog o meu posicionamento no que concerne à Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010, fui interpelado por diversas pessoas acerca da oportunidade e da conveniência dos comentários que fiz. Diante de tantos questionamentos, a mim parece imperioso esclarecer alguns elementos fundamentais sobre os quais está assentada a minha opinião acerca da Campanha anualmente proposta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil [CNBB]. Isto faço por meio desta <<Nota de Esclarecimento>>.

 

I – Em primeiro lugar, é preciso dizer que todo e qualquer comentário postado neste blog reflete, única e exclusivamente, a minha opinião enquanto [indigno] leigo católico e filho da Igreja. A ousadia deste espaço virtual consiste exatamente em que eu manifesto e compartilho as minhas reflexões com os internautas que – por acidente ou por vontade – acessam este blog. Portanto, reitero, cada uma das linhas que escrevo neste blog refletem só, e somente só, o fruto das <<minhas divagações>>, bem como as <<minhas impressões>> acerca da realidade [social e eclesial].  A minha opinião está inteiramente desvinculada do posicionamento de qualquer organismo ou movimento da Igreja.

II – Em face do exposto no item I, convém que eu – com o máximo esforço de objetividade – [re]apresente a minha visão sobre a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010 [assim procedo com o intuito de que as minhas palavras não sejam distorcidas ou mal-interpretadas]:

a)       Não é objeto da minha crítica a “simples existência” da Campanha da Fraternidade. Jamais foi minha pretensão fazer uma análise da CF do ponto de vista ontológico. Nunca quis julgá-la ou classificá-la, do ponto de vista moral, como “boa” ou “ruim”.

b)      O alvo da minha apreciação é, sim, o fato de a CF ocorrer concomitantemente à Quaresma. Penso que isto gere um desvio de foco em relação à temática quaresmal. A penitência, o jejum, a oração e a esmola são os elementos centrais da espiritualidade deste tempo litúrgico [vide §1438 do Catecismo da Igreja Católica]. Logo, discussões – ainda que importantes do ponto de vista social – desconexas desta espiritualidade me parecem inoportunas e inconvenientes. No meu entender, a Quaresma é um tempo de conversão, e não de tomada de consciência política sobre o que quer que seja.

c)       O posicionamento consignado nas alíneas “a” e “b” não se dirige exclusivamente à Campanha da Fraternidade do ano de 2010. É um entendimento extensivo, que perpassa os anos – já que, habitualmente, a CF é realizada durante a Quaresma.

d)       Em nenhum momento fiz menção ao fato de a Campanha deste ano ser “ecumênica”. Todavia, pessoalmente, eu penso que o autêntico ecumenismo se dá através da busca e apresentação da Verdade, e não por meio de acordos políticos nos quais se tenta [embalde] “elaborar” uma verdade que agrade a todos.

 

III – Importa lembrar que a liberdade de manifestação do pensamento, bem como a liberdade de consciência, são asseguradas pela Constituição da República Federativa do Brasil nos incisos IV e VI, respectivamente, do seu artigo 5º. Aliás, esta última [a liberdade de consciência] é declarada “inviolável” de acordo com o texto da Carta Magna. No que toca à lei eclesiástica [que é orientada e confirmada pela Sã Doutrina da Igreja], convém destacar que o Catecismo da Igreja Católica, citando a Constituição Pastoral Gaudium et spes, no seu § 1795, afirma que “a consciência é o núcleo mais secreto e o sacrário do homem, no qual ele se encontra a sós com Deus, cuja voz ressoa na intimidade do seu ser”. E mais:O homem tem o direito de agir em consciência e em liberdade a fim de tomar pessoalmente decisões morais. O homem não deve ser forçado a agir contra a própria consciência. Nem deve também ser impedido de actuar segundo ela, sobretudo em matéria religiosa” [§ 1782, apud Declaração Dignitatis Humanae]. Assim sendo, ao manifestar as minhas restrições à Campanha da Fraternidade, não estou cometendo nenhum ilícito. Pelo contrário: estou tão somente exercendo um direito [natural e positivo].

IV – A Campanha da Fraternidade não tem caráter dogmático. Ou seja: ninguém está obrigado a crer nela com fé divina e católica como se fosse uma verdade revelada.  O cunho exclusivamente “pastoral” da Campanha me permite ter ressalvas a ela, sem que – com isso – eu venha a margear a seara da heresia e/ou do cisma. Em outras palavras: a minha “catolicidade” em nada fica prejudicada por ser eu avesso a tal campanha [no período em que ela ocorre].  

V – Por fim, não creio ter sido desrespeitoso ou agressivo ao apresentar minhas opiniões neste blog. De sorte que este atitude respeitosa – e até um pouco solene – com que tratei todos quantos pensam de modo diverso de mim clama por reciprocidade.  

 

  No coração de Maria Santíssima,

Gustavo Souza

Autor deste blog

 

I – Blog: um meio para aproximações e encontros

 

A internet realmente proporciona coisas maravilhosas.  Recentemente, entrou em contato comigo o Anderson Reis, fundador da Comunidade Católica Escravos de Maria [vejam aqui a comunidade que eles têm no Orkut]. Ele me conheceu através do blog e propôs que nos encontrássemos – já que ele viria de São Paulo a Pernambuco para pregar um retiro. Topei a ideia e, assim, o encontro aconteceu. Conversamos, trocamos presente, rezamos e adoramos o Santíssimo Sacramento na simpática e acolhedora Capela de uma das casas da Obra de Maria. Gilberto Gomes Barbosa, fundador da Obra, também se fez presente e nos acolheu com alegria e muita hospitalidade. Este encontro me trouxe uma grande satisfação por saber que o gérmen desta aproximação entre mim e Anderson se deu a partir deste veículo de comunicação, o blog. Quam bonum est et jucundum, habitare fratres in unum!

 

II – “Bem aventurados os misericordiosos”

 

O Padre Álvaro Corcuera, L.C., diretor geral dos Legionários de Cristo e do Movimento Regnum Christi, escreveu – por ocasião da Quaresma de 2010 – uma carta aos membros e amigos do Movimento. No último dia de Cristo Rei, também postei aqui uma carta lavrada pela pena de Pe. Álvaro. Naquela ocasião, eu dizia que “embora dirigida a um grupo específico, penso que a carta seja de grande utilidade a todos”.  Penso o mesmo desta sua alocução sobre a Quaresma: serve aos católicos em geral [afinal, ele apresenta uma doutrina e uma espiritualidade que, antes de tudo, são genuinamente católicas]. Ao discorrer sobre uma das bem-aventuranças [“Bem aventurados os misericordiosos”], o Superior da Legião de Cristo propõe [e o faz com maestria] uma meditação sobre um tema apropriadíssimo a este tempo de conversão e penitência que vivemos: a Misericórdia. A carta encontra-se disponível neste link.

 

III – “Tolices beato-marxistas”

 

O Percival Puggina escreveu um artigo sobre a Campanha da Fraternidade. Jorge Ferraz, mencionando o texto do Puggina, destacou: “Perdoem-me os mais benevolentes que eu. Mas ano após ano, servindo-nos sempre um pouco mais do mesmo lero-lero beato-marxista e um pouco menos da palavra de Deus, a CNBB já foi bem além da minha capacidade de tolerância. Ao longo dos anos, foi perfeitamente possível encontrar impressões digitais e carimbos das suas pastorais sociais em documentos que deixavam claro que o Reino de Deus tinha partido político na Terra. Ou não?”. Sem comentários…

Quero registrar duas coisas:

 

1 – O absurdo proposto e defendido por um ativista gay neste blog. A bestialidade [=sexo com animais], segundo ele, seria lícita desde que os animais concordem… A que ponto chegou a degradação moral do ser humano! Triste.

 

2 – A justa indignação de Jorge no que tange ao processo de secularização da Quaresma que vem sendo perpetrado pela CNBB. Faço minhas as palavras dele:

 

“No Brasil, na cabeça da CNBB, o que tem a ver com Quaresma é… economia. Como se os bispos fossem economistas, ou como se a Verdadeira Economia estivesse entre aquelas verdades reveladas cuja profissão expressa é absolutamente necessária para a salvação de toda a criatura, ou como se os maiores pecados dos católicos brasileiros fossem a conivência, direta ou indireta, com o “sistema” intrinsecamente injusto que dirige a nossa sociedade”.

[…]

“O mais frustrante é que já é tarde para fazer muita coisa. Já estão escolhidos o tema e o lema, os cartazes estão prontos, a divulgação já começou, e o texto-base provavelmente já está escrito e deverá estar disponível no site da CNBB muito em breve. Ano passado, eu tinha feito o propósito de ensaiar uma mobilização para que, ao menos, esta maledetta campanha fosse colocada bem longe da Quaresma. Não fiz nada – mea culpa. Desta vez, vamos aproveitar enquanto a indignação ainda está fervendo o sangue. Queremos uma Quaresma católica, e isso não pode ser pedir demais”.

 

É realmente lamentável que durante os quarenta dias em que deveríamos nos preparar para a Páscoa do Senhor [que é o evento central da Fé Cristã e, também, o ponto alto do Ano Litúrgico], sejamos instigados a pensar em temas de economia e política em detrimento da reflexão [fundamental] sobre a vida espiritual, lutas interiores, etc. Quaresma é tempo de retiro e não de simpósio sobre economia! Queremos, sim, uma Quaresma católica!

I

 

Os salafrários oportunistas vão dominar o mundo. Já temos um dominando o Brasil e outro dominando os EUA. Então não deve demorar a que todo o resto do planeta seja contaminado… O caso é o seguinte [em proporção de oportunismo bem menor, é claro]:

O José Roldão publicou reportagem sobre um falso padre que cobrava pelas encomendações de corpo que fazia num cemitério em São Paulo. Destaco:

 “Em sua defesa, o ‘padre’ afirma que ‘nunca disse’ fazer parte da Igreja Católica Apostólica Romana e que é ‘monsenhor’ pela Igreja Católica Apostólica Reunida do Brasil, com sede em Guarulhos. ‘Esse monopólio não pode ficar com a Igreja Católica Apostólica Romana’, disse. ‘Não enganei ninguém’.

É mole?

 

II

 

Foi aberto o concurso para letra do Hino da Campanha da Fraternidade 2011. E aí? Alguém se habilita a fazer um canto que realmente preste? Porque, sinceramente, coisa brega são esses hinos da CF! Letras cheias de ideologia política, mulheres cantando com voz de Xuxa Meneghel, arranjos pré-fabricados de teclado. É tudo horroroso!

 

Lançado concurso para letra do hino da CF 2011

 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) está lançando o concurso para a letra do hino da Campanha da Fraternidade 2011. O hino será escolhido em duas etapas: Na primeira, será feita a escolha da letra, com prazo de entrega das composições até dia 01 de dezembro de 2009; na segunda, será feito o concurso para a música, até abril de 2010.

  A Campanha da Fraternidade 2011 tem como tema: “Fraternidade e a vida no planeta”, e o lema é: “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22).

  Contribuir para o aprofundamento do debate e busca de caminhos de superação dos problemas ambientais provocados pelo aquecimento global e seus impactos sobre as condições da vida no planeta é o objetivo geral da campanha.

  “A CNBB solicita a colaboração de todos os poetas para a criação de um texto belo e profundo que possa servir de hino para a Campanha da Fraternidade de 2011” , afirmou o assessor da CNBB para a Música Litúrgica, padre José Carlos Sala.

 

 Pe. José Carlos Sala

Assessor da CNBB para Música Litúrgica

(61) 2103-8300