Hoje eu recebi um e-mail que – a julgar pelo título – pensei se tratar de mais uma dessas leviandades que circulam na internet e que caem de pára-quedas na nossa caixa de entrada. O título da mensagem era: “Igreja Católica aceita livro psicografado de D. Hélder Câmara”. Incrédulo em relação à manchete estapafúrdia, pus-me a vasculhar se a tal obra “psicografada” existia mesmo. E, para minha surpresa, ela existe:

Aliás, embora eu não saiba precisar de quando é a primeira edição, vi que este livro já está no mercado há pelo menos 2 anos. Contudo, dado que algumas pessoas ainda andam confusas por causa dele, creio que seja válido tecer alguns comentários. Façamo-lo.

Segundo o e-mail – que recebi de um amigo – o resumo da história é o seguinte:

 […] foi lançado no mercado cultural um livro mediúnico trazendo as reflexões de um padre depois da morte, atribuído, justamente, ao Espírito Dom Helder Câmara, bispo católico, arcebispo emérito de Olinda e Recife, desencarnado no dia 28 de agosto de 1999, em Recife (PE).

O livro psicografado pelo médium Carlos Pereira, da Sociedade Espírita Ermance Dufaux, de Belo Horizonte, causou muita surpresa no meio espírita e grande polêmica entre os católicos. O que causou mais espanto entre todos foi a participação de Marcelo Barros, monge beneditino e teólogo, que durante nove anos foi secretário de Dom Helder Câmara, para a relação ecumênica com as igrejas cristãs e as outras religiões.

E o e-mail continua. Não o transcreverei completamente aqui porque, além de extenso, julgo que seja desnecessário divulgar os excertos – para lá de toscos – da infeliz obra. Ainda segundo o e-mail que recebi, em algumas passagens do livro – por exemplo – D. Hélder afirma, através do médium Carlos Pereira, que a Igreja Católica cedo ou tarde teria que admitir a comunicação entre os mortos; reporta, ainda, que teve – em vida – algumas “experiências íntimas espirituais”; e conta que são muitos os padres que desejam se comunicar com o mundo dos vivos através da chamada “escrita mediúnica”. Bobagens mil… Bem, prescindindo destes detalhes inúteis e absurdos, passemos a comentar algumas coisas que, a meu ver, devem ficar bem claras em meio a toda essa história maluca:

i) Além de Marcelo Barros (que com esta sua atitude em nada me surpreende dado o seu histórico de desserviço à Igreja), outras figuras são mencionadas como sendo “pessoas ligadas à Igreja Católica”. São elas: o filósofo e teólogo, Inácio Strieder; e a historiadora Jordana Gonçalves Leão. Você não os conhece? Nem eu! Menos mal: se são pouco conhecidos, presume-se que causarão pouco escândalo.

ii) Marcelo Barros não representa a voz da Igreja. Nem da Igreja particular de Olinda e Recife (cujo Pastor é o Exmo. Revmo. D. Antônio Fernando Saburido) e muito menos da Igreja Universal, cujo governo foi confiado ao Sumo Pontífice, o Papa Bento XVI, gloriosamente reinante. Lamentavelmente, a voz de Marcelo Barros quase sempre ressoa em sentido contrário a tudo o que a Igreja anuncia e defende. Ele faz parte daquela tríade satânica apelidada de “BBB” (Frei Betto, Leonardo Boff e Marcelo Barros) cujo único objetivo parece ser o de minar a Igreja por dentro, como lobos em pele de cordeiro. Aliás, há algum tempo o arcebispo, D. Saburido, havia confiado a Barros a responsabilidade pela comissão arquidiocesana para o ecumenismo e o diálogo inter-religioso (!). Em uma rápida pesquisa no site da AOR, vi que – ao que parece – ele não ocupa mais esse cargo, tendo sido nomeado para o seu lugar o Fr. Tito Figuerôa, OC. Deo gratias!

 

iii) O magistério da Igreja é bastante claro com relação a inaceitabilidade da doutrina espírita – por total incompatibilidade com a fé cristã. Diz o Catecismo da Igreja Católica (grifos meus):

O espiritismo implica freqüentemente práticas de adivinhação ou de magia. Por isso a Igreja adverte os fiéis a evitá-lo (Parágrafo 2117)

§1013 A morte é o fim da peregrinação terrestre do homem, do tempo de graça e de misericórdia que Deus lhe oferece para realizar sua vida terrestre segundo o projeto divino e para decidir seu destino último. Quando tiver terminado o único curso de nossa vida terrestre, não voltaremos mais a outras vidas terrestres. “Os homens devem morrer uma só vez” (Hb 9,27). Não existe “reencarnação” depois da morte (Parágrafo 1013).

Portanto, atenção! Se forem à alguma dessas livrarias que se dizem católicas – do tipo Paulus, Paulinas, et catervae encontrarem essa obra (sim, a insensatez das livrarias e editoras é tamanha que elas são capazes de colocar na prateleira este tipo de fábula), não se iludam: trata-se de obra de cunho espírita e portanto: falsa, não cristã e anti-católica.

Para saber mais sobre a incompatibilidade da doutrina espírita com a doutrina católica, leia isto e assista isso.

No post anterior, tratei de alguns aspectos da Parada Gay de São Paulo. Agora, acabo de ler que em Recife o movimento gayzista também quer fazer algo diferente no sentido de “chamar a atenção para o respeito ao amor diferente”. Não dançarão valsa – como se pretende fazer na Parada da capital paulista – mas resolveram programar um “beijaço” gay para amanhã, dia dos Namorados. Diz a matéria do JC:

Esse gesto simples será a forma de chamar a atenção para o amor diferente. Estão convocados gays, bissexuais e heterossexuais para um beijaço neste domingo, Dia do Namorados, no Recife. O ato vai acontecer no Sítio da Trindade, bairro de Casa Amarela, zona norte da cidade.

A realização é da ONG Leões do Norte que quer chamar a atenção para o respeito ao amor diferente. “Nós nos beijamos pelo direito de amar diferente quando milhares de homossexuais não pode expressar o amor que sentem em razão do preconceito e da discriminação” explica o cartaz da mobilização. O beijaço está programado para às 17h.

O Sítio da Trindade é um polo cultural e artístico muito conhecido e frequentado em Recife. Por ser um lugar muito arborizado e amplo, alguns pais costumam levar seus  filhos para passear lá – sobretudo em dias de domingo. Portanto, aqui vai um aviso aos pais que pretendem dar aos seus filhos uma educação cristã, e que não querem submetê-los à visualização de cenas inadequadas à sua idade e formação: não levem suas crianças amanhã, 12 de junho de 2011, para o Sítio da Trindade! Poupem-nas!

"Antes te houvessem roto na batalha, que servires a um povo de mortalha!"

Daqui a 2 semanas (para ser mais exato: no dia 26 de junho) ocorrerá a 15ª Parada Gay de São PauloO R7 publicou esta semana a seguinte manchete: “Parada Gay vai comemorar 15 anos em São Paulo com valsa para 1 milhão de casais homossexuais”. A Parada (bizarra de per si) deste ano pretende “causar impacto”  com dois tipos de atitude:

I) A promoção do esdrúxulo;

Promover o esdrúxulo (i.e.: algo escandalosamente inusitado) é muito comum entre os ativistas gays. O desejo de ser sempre diferente, segundo todos os psicólogos não-gayzistas, configura uma enorme carência afetiva. É a marca registrada desse pessoal. Dessa vez, a “escolha diferente” foi idealizada com a pretensão de bater o recorde do “maior número de casais gays dançando valsa” (!). Eu, sinceramente, não quis nem investigar de quem era o recorde anterior (se é que existe)…

Em 1913, o imperador alemão Guilherme II proibiu que os seus oficiais dançassem tango. Oxalá a nossa ditadora, a Dilma, tivesse a coragem de proibir que os oficias da indecência bailassem ao som de um outro alemão, Richard Strauss, o compositor de Danúbio Azul, que foi a valsa escolhida pela organização da Parada.

II) A afronta aos cristãos.

Pasmem, senhores: o tema da Parada este ano é “Amai-vos uns aos outros: basta de homofobia!”. Aplicar o princípio fundamental do Evangelho, pervertendo o seu sentido, para sedimentar as convicções imorais e amorais da ideologia gay é calhordice sem limites. Essa malfadada tentativa de “catequese” causou polêmica até entre as próprias lideranças do movimento gayzista (!). Alguns desses líderes acham que não “pega bem” usar os termos do inimigo para defender a própria causa. Um sujeito chamado Caio Varela, ativista LGBT e assessor parlamentar, chega ao ponto de dizer:

“Que equívoco! A maior Parada do mundo cede a este apelo religioso que tanto destrói a sociedade. Precisamos de revolução e não de contenção, de atos pudicos! F***-se o cristianismo! Tomemos a rua para exigir direitos. Não quero que nenhum hipócrita homofóbico venha a me amar. Amor está ligado ao privado. Uma nação não garante direitos aos seus cidadãos por amor. 14 anos de luta pra isso? Dessa Parada, eu estou fora!”. 

Uma declaração emblemática, eu diria. Primeiro ele destaca que esse “apelo religioso” ( o “amai-vos uns aos outros”) **destrói a sociedade**. Depois ele manda o cristianismo às favas com os termos chulos que, provavelmente, advêm daquilo que está dentro dele mesmo. Afinal, a boca fala daquilo que o coração está cheio ( cf. Lc, 6, 45) . E, por fim, mas não menos importante, ele anuncia a base do catecismo gayzista: “Amor está ligado ao privado”, diz ele.  Eu acho ótimo quando algum estúpido imprudente faz este tipo de declaração: não é necessário explicar nada. Tudo está dito de maneira muito clara e, portanto, sem as suavizações que fazem com que muitos queiram tornar aceitável o que, por si mesmo, é inaceitável.

Isto posto, passemos agora a um outro tipo de reflexão (mais “encarnada“,  diriam os TL’s): segundo a própria matéria do R7, o custo do evento está estimado em cerca de 2,2 milhões de reais. Sinta só como alguns zeros fazem diferença: R$2.200.000,00. Percebeu o quanto é caro?  Pior: 1 milhão (R$ 1.000.000,00) deve sair dos cofres municipais. Dir-me-ão os capitalistas: mas o turismo gay (digo, LGBT) vai gerar muito mais que isso. É verdade. Permitam-me, entretanto, fazer apenas alguns questionamentos: é lícito ganhar dinheiro promovendo a imoralidade? A prostituição dos valores não é tão grave (ou até mais grave) que a do próprio corpo? E para quem irá o lucro da Parada? Para os mendigos que vivem jogados na ruas e praças da capital paulista? Para tentar recuperar os drogados que frequentam a Cracolândia? Será?

Fica a reflexão.

Há exatos 40 anos começava a história da relação nada amigável entre a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (à época, ainda em gérmen) e o Novus Ordo (a missa segundo as rubricas do papa Paulo VI). Grifos meus.

Em 10 de Junho de 1971, Mons. Lefebvre, conjuntamente com o claustro do Seminário São Pio X de Ecône (Suíça), manifesta a sua recusa de adoção do Novus Ordo da Missa, do qual tinham afirmado os Cardeais Ottaviani (à época Prefeito do Santo Ofício) e Bacci, em carta dirigida a Paulo VI: «o Novus Ordo Missae (…) afasta-se de maneira impressionante, no conjunto e nos detalhes, da teologia católica da Santa Missa, tal como foi formulada na XXIII Sessão do Concílio de Trento.» (25 de Setembro de 1969).  [Fonte: FSSPX – Brasil]

 

O tempo passou – e está passando – e a briga continua…

Para vós, caros leitores recifenses, isto não é um convite, mas sim uma INTIMAÇÃO! Como eu não consegui transformar o cartaz abaixo (que chegou a mim na forma .pdf) em um arquivo de  imagem legível, seguem os dados do convite para o evento (que, aliás, já haviam sido publicados no Deus lo vult!):

Convite

O Presidente e os demais diretores do Círculo Católico de Pernambuco convidam seus Sócios, Colaboradores, Religiosos, Líderes Pró Vida e Amigos para participarem do Encontro com o Padre Luis Carlos Lodi da Cruz; Líder do Pro Vida de Anápolis-GO. A ser realizado nos dias 18 (sábado) e 19 (domingo) de junho de 2011. No horário de 8 h as 17 h no Auditório Alfredo Álvares de Carvalho, situado na Rua do Riachuelo, 105, 10° andar- Boa Vista- Recife- PE.

O quê: Círculo de palestras com o padre Lodi
Onde: Edifício Círculo Católico, Recife/PE
Quando: 18 de junho (manhã e tarde, com intervalo para almoço) e 19 de junho (manhã)
Horário: 8:00 às 17:00 (sábado) e 8:00 às +/- 12:00 (domingo)

Monsenhor Guido Pozzo, secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, concedeu uma longa e interessantíssima entrevista ao site Nouvelles de France. Até o momento, infelizmente, eu não consegui encontrar uma tradução completa dessa entrevista em língua portuguesa. O Fratres in Unum publicou apenas parte dela, com base em um post do Rorate Caeli. Para os que não o conhecem, Monsenhor Pozzo é – talvez – o homem mais importante dentro da Ecclesia Dei (que recentemente foi integrada à Congregação para a Doutrina da Fé e, portanto, responde à Sua Eminência, o Cardeal William Levada). Em virtude do cargo que desempenha, ele tem informações bastante privilegiadas sobre as demandas, querelas, e discussões envolvendo tradicionalistas católicos (tanto os “radicias” quanto os “moderados”). Foi ele, por exemplo, que assinou – em nome da comissão da qual é secretário – uma carta de esclarecimento sobre a participação das mulheres no serviço da Missa Antiga.

Pois bem. Pus-me a ler a tal entrevista em francês (mesmo o meu francês não sendo uma coisas que se diga: “ó, minha nossa, fantastique!”) e três perguntas me chamaram a atenção. Abaixo apresento uma tradução é livre – libérrima, na verdade – que eu mesmo fiz. Havendo melhores termos em português para expressar a ideia do original em língua francesa não hesitem em agregar nos comments 😉

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Pourquoi ce succès de la messe de saint Pie V chez les jeunes catholiques ?

Je pense que le recueillement intérieur, le sens de la messe comme sacrifice est particulièrement valorisé par la forme extraordinaire. C’est ce qui explique en partie l’augmentation du nombre de fidèles qui la réclament.

Tradução: Por que o sucesso da missa de São Pio V entre os jovens católicos?

Eu penso que o recolhimento interior, o sentido da missa como sacrifício é particularmente valorizado pela forma extraordinária. É o que explica em parte o aumento do número de fiéis que a requerem.

Savez-vous si le Pape est satisfait de l’application du Motu Proprio ?

La Commission pontificale Ecclesia Dei tient le Saint-Père constamment informé sur l’évolution de l’application du Motu Proprio et sur la croissance de sa réception, malgré les difficultés d’application que nous constatons ici ou là.

Tradução: O senhor sabe se o Papa está satisfeito com a aplicação do Motu Proprio?

A Pontifícia Comissão Ecclesia Dei tem informado o Santo Padre constantemente sobre a evolução da aplicação do Motu Proprio e sobre o crescimento da sua recepção, malgrado as dificuldades de implementação que nós constatamos aqui e acolá.

Quelles sont concrètement les difficultés d’application que vous rencontrez ?

Il y a encore des résistances de la part de certains évêques et membres du clergé qui ne rendent pas assez accessible la messe tridentine.

Tradução: Quais são concretamente as dificuldades de aplicação que o senhor tem encontrado?

Ainda há resistência da parte de certos bispos e membros do clero que não fizeram o suficiente para tornar acessível a missa tridentina.

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 É, meus amigos, “résistances, résistances”…

Eu vi no Mídia Sem Máscara que o Olavo de Carvalho concedeu uma entrevista ao site Panorama Mercantil. Como sempre, Olavo fez declarações [pertinentes] com aquela “acidez” que lhe é própria. Uma pergunta, entre as tantas, chamou-me a atenção e por isso trago-a à baila para reflexão dos leitores:

Panorama – O que mais prejudicou a humanidade: a ciência, os bancos ou as religiões e por quê? 

Carvalho – Faça as contas. O movimento revolucionário, que prometeu nos libertar de todos os males do mundo, matou mais gente, em dois séculos, do que todas as epidemias, terremotos, furacões e guerras desde a origem da espécie humana. Some Revolução Francesa, Revolução Mexicana, Revolução Russa, Revolução Chinesa, etc., e compare com as demais causas de mortandade, incluindo guerras. Nada se compara, em capacidade mortífera, aos construtores de “um futuro melhor”. Não é uma questão de opinião. É uma questão de números. Perto disso, acusar as religiões ou a ciência é de uma hipocrisia sem par.

Para uma pergunta clássica, uma resposta óbvia. Boa, Olavo!