Domingo passado eu estava assistindo ao Provocações, na TV Cultura. Gostaria de compartilhar aqui – embora já com algum atraso – algo que me chamou a atenção nesta edição do programa. O entrevistado era Roberto Cordovani, ator e diretor de teatro. Cordovani é brasileiro e há 25 anos mora fora do Brasil. Naturalizou-se português e, atualmente, vive na região da Galícia (Espanha). Em uma rápida busca no Youtube encontrei apenas a primeira parte da entrevista neste link.

Eu, apesar de não conhecer o Roberto Cordovani, assisti à entrevista e me impressionei quando o Abujamra, apresentador do programa, perguntou-lhe o que ele esperava encontrar depois da morte (note-se que o Abu faz toda uma “encenação” para perguntar, de maneira claramente atéia,  sempre a mesma coisa). Esta pergunta, costumeiramente, é respondida com alguma bobagem. Dessa vez, a resposta foi: um texto! Sim, senhores: o indivíduo afirmou que espera encontrar do outro lado desta vida o mesmo que encontra neste vale de lágrimas! Aquilo que hoje lhe serve como instrumento de trabalho é, isso mesmo, objeto de sua esperança no futuro após a morte. Nem Deus, nem Satanás, nem a Virgem, nem os Santos, nem os seus familiares, nem coisa alguma que remeta à dimensão de um encontro transcendental. Simplesmente um texto: letra morta, palavras inteiramente desnecessárias quando se está diante d’Aquele que é a Palavra, o Justo Juiz!

Fiquei impressionado com a mediocridade da colocação de Roberto Cordovani. Pelo desenrolar da entrevista percebi que não podia esperar muita coisa dele. Mas não imaginava que ele diria algo tão estúpido. Pensar na eternidade desta maneira é minimizar ao extremo (eu diria até ridicularizar) aquilo que Deus nos tem preparado [se vivermos na Sua Graça, obedientes à Sua Lei]. “O que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou, tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que O amam” [1Cor 2,9]. Entretanto, no fundo eu senti pena do Cordovani: talvez ele não tenha sido catequizado, talvez ninguém lhe tenha dito que a vida não é uma encenação, mas uma realidade; que o mundo é mais que o palco; que o Eterno é mais que o Tempo…  Pensando nisso, entristeci-me pelo mundo que dia após dia perde a esperança porque não sabe em quem colocá-la. Percebi, uma vez mais, que este mundo afunda porque não olha para o alto… Lembrei, por fim, que São Pedro, na Sagrada Escritura, fala em “novos céus e nova terra” [2Pd 3,13]. Ah, se o mundo escutasse a voz de Pedro! Se o mundo percebesse que esta vida é passageira talvez não perdesse tempo em tentar eternizá-la.

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