Neste dia de São Bento, deparei-me com o seguinte trecho da sua Regra (grifos meus):

Capítulo 62 – Dos Sacerdotes do Mosteiro

[1] Se o Abade quiser pedir que alguém seja ordenado presbítero ou diácono para si, escolha dentre os seus, quem seja digno de desempenhar o sacerdócio. [2]Acautele-se o que tiver sido ordenado contra o orgulho ou soberba [3] e não presuma fazer senão o que for mandado pelo Abade, sabendo que deverá submeter-se muito mais à disciplina regular. [4] E não se esqueça, por causa do sacerdócio, da obediência e da disciplina da Regra, mas progrida mais e mais para Deus.

[5] Atente sempre para o lugar em que entrou no mosteiro, [6] exceto no ofício do altar, mesmo que, pelo mérito de sua vida, o quiserem promover a escolha da comunidade e a vontade do Abade. [7] Saiba, no entanto, observar de sua parte a Regra constituída para os Decanos e Priores. [8] E se presumir proceder de outro modo, seja julgado não como sacerdote, mas como rebelde[9] e se, admoestado muitas vezes, não se corrigir, chame-se também o bispo em testemunho. [10] Se nem assim se emendar, sendo claras as suas faltas, seja expulso do mosteiro[11] mas isso no caso de ser tal a sua contumácia, que não queira submeter-se ou obedecer à Regra.

Fonte: Regra de São Bento


Impressionou-me particularmente a veemência das declarações, e a admissão de uma espécie de “foro privilegiado” para os sacerdotes (em contraposição ao juízo dos “rebeldes”). Esta discussão a respeito dos tribunais eclesiásticos já foi objeto de elucubrações mil. Várias vezes debati com amigos sobre esse assunto, sem saber que o argumento de que os sacerdotes não são homens “quaisquer” encontra-se referendado nos escritos do Santo Monge! Mas isso é tema para outra ocasião. Hoje, importa rezar a Oração de São Bento, e voltar o olhar para o seu exemplo de santidade e dedicação a Deus.

São Bento, rogai por nós!

Para assistir à homilia feita pelo Pe. Mateus Maria, FMDJ, neste XV Domingo do Tempo Comum, ano C, clique aqui.

Anúncios