Encontrei no site do Vaticano esta INSTRUÇÃO SOBRE O RESPEITO À VIDA HUMANA NASCENTE E A DIGNIDADE DA PROCRIAÇÃO. Tal instrução – emitida pela Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé e assinada pelo então cardeal Joseph Ratzinger – procura responder a algumas questões trazidas à baila “por diversas Conferências episcopais e, individualmente, por bispos, teólogos, médicos e cientistas, acerca da conformidade [das técnicas biomédicas] com os princípios da moral católica”. Seria maravilhoso [e de muita utilidade] se todos os católicos –  e não apenas os que lidam diretamente com a Defesa da Vida – lessem este documento na íntegra. Afinal, muitas vezes somos interpelados por pessoas de outros credos [ateus inclusos] perguntando “qual a posição da Igreja?” e nós não sabemos, com segurança, dar as “razões da nossa Fé”…  A mídia frequentemente divulga informações incorretas sobre o ensino da Igreja no campo da bioética. E nós, embora tenhamos à nossa disposição a Verdadeira Doutrina Católica, ficamos calados (mudos, na verdade) e envergonhados por não saber como contra-argumentar e responder aos inimigos da Igreja de Cristo. É como estar numa guerra com as armas e a munição, mas não ter a coragem de atirar… É patético ter soldados assim enfileirados no Exército de Nosso Senhor. Portanto, julguei que trazer uma das questões apresentadas e respondidas pela S.C.D.F. poderia motivá-los ler toda a Instrução. 😉

 

 

CRITÉRIOS FUNDAMENTAIS
PARA UM JUÍZO MORAL

Os valores fundamentais conexos com as técnicas de procriação artificial humana são dois: a vida do ser humano chamado à existência e a originalidade da sua transmissão no matrimônio. O juízo moral acerca de tais métodos de procriação artificial, portanto, deverá ser formulado em referência a estes valores.

A vida física, pela qual tem início a caminhada humana no mundo, certamente não esgota em si todo o valor da pessoa, nem representa o bem supremo do homem que é chamado à eternidade. Todavia, de certo modo, ela constitui o seu valor « fundamental », exatamente porque sobre a vida física fundamentam-se e desenvolvem-se todos os outros valores da pessoa.[13] A inviolabilidade do direito do ser humano inocente à vida « desde o momento da concepção até à morte »,[14] é um sinal e uma exigência da inviolabilidade mesma da pessoa à qual o Criador concedeu o dom da vida.

Com respeito à transmissão das outras formas de vida no universo, a transmissão da vida humana tem uma sua originalidade, que deriva da originalidade própria da pessoa humana. « A transmissão da vida humana é confiada pela natureza a um ato pessoal e consciente e, como tal, sujeito às sacrossantas leis de Deus: leis imutáveis e invioláveis que devem ser reconhecidas e observadas. É por isso que não se pode usar meios e seguir métodos que podem ser lícitos na transmissão da vida das plantas e dos animais ».[15]

Atualmente, os progressos da técnica tornaram possível uma pro-criação sexual, mediante o encontro in vitro das células germinais previamente retiradas do homem e da mulher. Mas aquilo que é tecnicamente possível não é necessariamente, por esta mera razão, admissível do ponto de vista moral. Por isso, é indispensável a reflexão racional acerca dos valores fundamentais da vida e da procriação humana, para formular o juízo moral a respeito de tais intervenções da técnica no ser humano desde os primeiros estágios do seu desenvolvimento.

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