Depois do Dia Internacional da Prostituta eu espero qualquer coisa deste mundo que esta aí. Deparei-me, há pouco, com a notícia de que ocorreu, em Recife, ontem (05), o I Encontro Pernambucano de Profissionais do Sexo – Por uma Cultura de Direitos. Bom, nem todas as novidades são boas-novas. Fazer o quê? Apenas menciono essa notícia para destacar alguns aspectos curiosos acerca do lema do encontro: “Por uma Cultura de Direitos”.

Ao que me parece, é uma necessidade dos homens ter uma bandeira por que lutar. Não há problema nenhum nisso. Desde que a causa seja, de fato, justa e mereça o nosso suor. Todo mundo tem algum direito que está sendo lesado e precisa ser reivindicado publicamente e com estrondo. As feministas reivindicam os direitos das mulheres [entre os quais, não sei por qual razão estapafúrdia, elas elencam o “direito de abortar”]; os negros também requerem os seus direitos [mesmo que algumas vezes acabem sendo injustos e cometendo preconceito para com os seus próprios pares]; os índios não ficam atrás: querem não só a garantia de que serão respeitados, como exigem a reparação dos danos a que “historicamente” foram submetidos [aqui normalmente eles incluem o processo de “destruição cultural” que vêm sofrendo desde a época da colonização, quando os insistentes padres jesuítas os “forçaram” a viver como os cristãos]. Não vou entrar a fundo na análise do mérito de cada uma dessas alegações, mas quero chamar atenção para o fato de que – perante tanto gritos de “me respeitem” – só há duas conclusões a que podemos chegar: ou vivemos numa terra-sem-lei, onde precisamos reafirmar o tempo inteiro aquilo que, por natureza, deveria estar consolidado e prescindir de positivação legal; ou as pessoas perderam a noção do que é vem a ser “direito”. As duas hipóteses são horripilantes e, tristemente, parece que – no mundo de hoje – ocorrem de forma concomitante.

Um fato curioso é o seguinte: todos reivindicam direitos, mas ninguém quer deveres. Por exemplo: as feministas querem equiparação salarial com os homens. Ótimo. Muito justo. Agora, você – “homem ousado e opressor cretino” – ouse aventar a possibilidade de que, na próxima vez que vocês forem a um restaurante, a conta será dividida entre os dois… Se você sobreviver, creia, você é um herói.

Entretanto, dado que a Lei do Menor Esforço nunca foi revogada [muito pelo contrário: parece ser a única cumprida à risca pela maioria das pessoas], é compreensível que se queira apenas os direitos sem os deveres. É que ter direitos é mais cômodo e prazeroso; ao passo que ter deveres é chato, trabalhoso e implica, por vezes, em privações… A tentação de ceder ao “mais fácil” é compreensível, mas não se deve ceder a ela. Já pensou se Cristo Jesus fosse pautar sua missão pela Lei do Menor Esforço? Será que Ele teria morrido da forma que morreu? Com certeza não.

Recordo-me que há não muito tempo – numa das listas de e-mail da qual participo – surgiu uma discussão acerca do “direito” dos animais a serem bem tratados. Ora, como bem expuseram alguns membros da lista, os animais não podem ser sujeito de direitos. Por uma razão muito simples: só tem *direitos* quem pode ter *deveres*. Se eles não podem ser sujeitos de obrigações [deveres], então também não podem gozar de direitos. Ressalva-se, é claro, que nós – seres humanos – temos a responsabilidade de administrar e preservar toda a Criação:

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. […] E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra”. (Gn 1, 26.28).

Essa discussão ocorrida na lista de e-mails, a meu ver, consolida uma demonstração cabal de que as pessoas não têm mais noção do que vem a ser “direito”. E por isso reivindicam absurdos e lutam por bandeiras que há muito deveriam ter se convertido em pano de chão…

Esse assunto ainda “dá pano pras mangas”. Depois farei uso do meu direito de complementar este ensaio 😉