[Trecho do livro “O Banquete do Cordeiro“, de Scott Hahn. São Paulo, Edições Loyola, 9ª Ed., Jan/2008. pg. 117-118]

              “O ‘gênero humano’, disse o poeta T.S. Eliot, ‘não suporta muita realidade’. Não precisamos ir longe para encontrar provas dessa afirmação. Hoje, as pessoas fogem da vida real, uma a uma, retirando-se para suas distrações particulares. As rotas de fuga vão das drogas e do álcool aos romances de ficção e jogos de realidade virtual.

               O que a realidade tem que a humanidade acha tão insuportável? A enormidade do mal, sua aparente onipresença e ser poder, e nossa evidente incapacidade de fugir dele – na verdade, nossa incapacidade de evitar perpetrar o mal. O inferno, ao que parece, está em toda parte – em imitação barata da onipresença de Deus -, ameaçando nos consumir, nos sufocar.

              Essa é a realidade que não suportamos. Contudo, é a dura e terrível realidade que João descreveu, sem hesitar, no Apocalipse. As bestas de Joã0 assomam monstruosas, além da mais medonha visualização de Hollywood, estalando as mandíbulas para as presas mais inocentes e vulneráveis: uma mulher grávida, um bebê. Desprezam a natureza e a graça, a Igreja e o Estado. Varrem um terço das estrelas do céu. São o poder por trás do trono das nações e dos impérios. Fortalecem-se com a imoralidade das pessoas que seduzem; embriagam-se com o ‘vinho’ da prostituição, da ganância e do poder abusivo de suas vítimas.

             Ao enfrentar essa oposição, precisamos escolher: lutar ou fugir. É um instinto humano básico. Além disso, depois de uma avaliação superficial de nossos recursos aparentes, e  dos recursos aparentes do inimigo, ‘fugir’ parece ser a escolha razoável. Entretanto, segundo os mestres espirituais, a fuga não é opção real. Em sua clássica obra O Combate Espiritual, Dom Lorenzo Scupoli escreveu: ‘Esta guerra é inevitável e é preciso lutar ou morrer. A obstinação dos inimigos é tão ameaçadora que a paz e a arbitragem são completamente impossíveis’. Em suma: fugimos dos mal, mas não conseguimos nos esconder.

               Além disso, não subimos ao céu se fugimos do combate. Deus nos destinou – a nós, a Igreja – a ser a Esposa do Cordeiro. Contudo, não governamos sem antes vencer as forças que se opõem a nós, aos poderes que são pretendentes ao nosso trono.

             O que vamos fazer? Devemos olhar à nossa volta, depois de erguer o véu da simples visão humana. João revela a notícia mais estimulante para os cristãos em combate. Dois terços dos anjos estão do nosso lado, lutando com constância enquanto dormimos. São Miguel Arcanjo, o mais feroz guerreiro do céu, é nosso aliado incansável e imbatível. Todos os santos do céu clamam constantemente a Deus por nossa defesa. E no fim – o mais estimulante de tudo – nós vencemos! João vê o combate da perspectiva da eternidade;  assim, ele revela o fim tão brilhantemente quanto descreve as perdas. As batalhas devastam tão encarnecidamente que os rios ficam vermelhos com sangue e corpos apodrecem amontoados nas ruas. Porém os vitoriosos entram em uma cidade com rios que correm com água da vida e com um sol que nunca se põe.

             Ouça novamente o padre Scupoli: ‘se a fúria dos inimigos é grande e seu número esmagador, o amor qe Deus tem por você é infinitamente maior. O anjo que o protege e os santos que intercedem por você são mais numerosos’.

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