Mesmo tendo outros públicos “à sua disposição”, o demônio não pára de atormentar os católicos. Sou obrigado a constatar que – não obstante o cheiro de enxofre lhe tenha prejudicado o paladar – o infeliz tem bom gosto. Seguramente, para ele deve ser mais instigante, mais satisfatório e mais emocionante, tentar um católico que tentar um qualquer: invadir uma cidade que possui um exército para defendê-la é sempre mais meritório que tomar uma aldeia abandonada; ganhar uma luta após um prolongado [e, portanto, cansativo] combate, é sempre mais honroso que vencer por W.O. Logo, quando o diabo consegue conquistar a alma de um católico, ele a ostenta com a maior satisfação e sorri com largueza. A alma católica é uma espécie de trunfo, uma medalha de ouro. É por isso que o demônio continua perseguindo os católicos: ele quer o ouro. Não se contenta com latão.

            É interessante perceber que – enquanto nos templos protestantes o diabo “entra e sai” nas pessoas como se estivesse no parque de diversões entrando na fila várias vezes para ir ao mesmo brinquedo – na história da Igreja, o diabo sempre deu um trabalho danado [acho que, para o assunto tratado, esse termo cai como uma luva ;)] para abandonar a alma de alguém. Do ponto de vista do demônio, católicos representam “material de primeira” pelo qual ele batalha até o último instante para adquirir. Aí está, então, a prova do bom gosto de satanás. Aliás, um dia alguém me deu uma curiosa razão para não ser protestante. Disse: “em ‘igreja de crente’ há mais presença do diabo que presença de Deus”. Tem lá o seu fundo de verdade…

            Com relação ao ofício de certos “pastores” – para quem (perdoem-me a comparação) até uma flatulência com som estranho é sinal de manifestação demoníaca, acho que o demônio se diverte. E isso é triste porque ele se diverte enquanto outros – pessoas simples, na maioria das vezes sem formação espiritual – viram objeto do espetáculo oferecido pelos mercenários hereges. As pessoas, supostamente endemoninhadas, viram como que animais de circo que – ao se tornarem ‘peça de observação’ – ou provocam comoção, ou viram alvo de deboche…

            Uma coisa é certa: o maligno odeia os filmes que tratam da temática do exorcismo. Embora ele, ali – na tela – possa exercer sua aguçada vaidade [mostrando parte das coisas espetaculares de que é capaz] normalmente acaba vencido. O padre é mostrado como alguém que tem autoridade sobre ele. E é esse “sentir-se inferior” que deve deixar o demônio furioso.

            Além disso, acho que o tinhoso de vez em quando entra em crise de identidade. São tantos nomes para um único sujeito: Diabo, Demônio, Inimigo, Satanás, Satã (abreviatura do anterior), Tinhoso, Maligno, Belial, Belzebu, ufa! É para enlouquecer qualquer um. Eu, particularmente, não gosto de chamá-lo de “Encardido”, como fazia o saudoso Pe. Léo, da Comunidade Betânia. Acho pejorativo demais =P Além do que, as pessoas [demônio incluso] são livres para gostar ou não de tomar banho. O pior mesmo, entretanto, é quando chamam qualquer demoniozinho de Lúcifer! O chefão deve ficar mais endiabrado do que já é. Ora, Lúcifer é um só! Os outros são simples diabinhos que fazem parte daquele um terço de anjos rebeldes que São Miguel Arcanjo botou pra correr do Paraíso.

            Outra coisa: tem gente que vai ao restaurante e, quando vê o garçom tropeçar e derrubar a bandeja, acha que foi “o cão que botou o pé”. Pera lá! Atrapalhar a caminhada espiritual dos filhos de Deus é, sim, ofício do maligno; mas, a triste sorte do garçom desajeitado não é culpa do diabo. Justiça seja feita!

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