[Reflexões de um sujeito liso e doente em torno do fenômeno do “feriadão”]

 

Curtir, relaxar, descansar, desopilar: FAZER NADA!

Curtir, relaxar, descansar, desopilar: FAZER NADA!

 

 

 

Feriadão

 

 Tarde vazia: sem prosa, sem poesia

Sem canto, sem encanto; só a triste maresia

Sem sono, na cama, com dor de ócio

Esqueço que a preguiça é o tal negócio:

“Obra do Demônio”, “Arte do Cão”,

Muito diferente da Contemplação.

 

Teatro vazio, cinema sem graça

Céu cinzento – sem nuvem -, chuva que não passa.

E o tempo (inclemente) inexoravelmente devagar!

Obriga-me a viver horas e demoras sem nunca passar.

 

O fumo se acaba, o cigarro se apaga

Os copos esvaziam, as cartas viciam.

E o tempo – ah, Maldito!

Não corre, não pára, nem vai e nem vem

Como um bloco de granito não cede a ninguém.

 

Não seca, não escorre,

Não geme, não canta,

Não sopra, não morde,

Nem ao menos espanta.

 

Ampulheta emperrada não funciona

Relógio de Sol em dia de chuva estaciona

Quero vinho! Só há mosto…

Que tristeza, que desgosto!

Que enorme maldição

Esse tal “Feriadão”!

 

 

P.S.: Se você – como eu – ficou doente, não se preocupe. Eis aqui um remédio que, aliado ao repouso, há de lhe curar:

Soro não faz mal a ninguém...

Soro não faz mal a ninguém...

 

 

 

Anúncios