D. Clemente Isnard publicou um livro chamado “A experiência ensina o Bispo”. O livro – lançado durante a XII Jornada Teológica D. Hélder Câmara – é uma continuação do polêmico “Reflexões de um Bispo” e trata basicamente dos mesmos temas, entre eles: o papel dos Bispos Titulares e Auxiliares, a eleição do Papa, a Ação Católica, os Títulos Honoríficos, as CEB’s, o “Carreirismo”, Colegialidade Episcopal e algumas questões de ordem litúrgica. Farei aqui uma breve e [horrenda] resenha desta obra altamente contraproducente de autoria deste bispo beneditino de 92 anos.

            A primeira coisa que percebi quando peguei o livro – e que, num primeiro momento, muito me animou – foi a citação da declaração Dignitatis Humanae sobre a Liberdade Religiosa. Em determinado trecho desta citação se diz que o Concílio Vaticano II “investiga a Sagrada Tradição e Doutrina da Igreja, das quais tira novos ensinamentos, sempre concordantes com os antigos” (grifos meus). Pensei: se D. Clemente usar esta declaração como fio condutor de seu pensamento exposto neste livro, será ótimo. Será ótimo se ele [re]fletir a partir daquilo que os Padres da Igreja já colocaram como esteio: D. Clemente preferiu tirar novos [e errôneos] ensinamentos da obra de D. Aloísio Lorscheider a investigar a Tradição e a Doutrina. Em prol da adulação sacrificou-se a Verdade. Que pena.

            Virei a página e me deparei com um prefácio escrito por ninguém menos que Reginaldo Veloso (aquele mesmo que entrevistei e que, agora, se apresenta como “presbítero das CEB’s). A partir daí, fui me convencendo de que a leitura seria penosa, e de que talvez fosse melhor tomar um remédio para conter a ânsia de vômito que eu certamente sentiria diante de tanta bobagem e heresia contidas naquelas 100 páginas que o arcebispo emérito de Nova Friburgo havia escrito.

            Com coragem, prossegui. Depois de fazer um memento ao que ele chama o “Esplendor das Origens”, isto é, a Igreja primitiva, Dom Clemente faz um breve relato de sua vocação, e aproveita para explicar a diferença entre um padre diocesano e um padre pertencente ao clero religioso. Em seguida, põe-se a fazer o panegírico de Dom Aloísio Lorscheider. Essa parte do livro é traumática. Aos que não se recordam – ou não sabem – D. Aloísio, junto com D. Evaristo Arns, foram os advogados da heresia boffiana junto à Santa Sé… Entre as pérolas do pensamento do Cardeal Lorscheider estão:

 

  • A abolição do colégio cardinalício;
  • A suspensão da figura do “Bispo Auxiliar”
  • A extinção dos títulos honoríficos de Monsenhor, Cônego e todos os demais;
  • A proposta de que a eleição do Papa fosse feita pelos presidentes das conferências episcopais (para dar “representatividade” ao povo católico de todo o mundo);
  • A admissão de mulheres ao sacerdócio.

 

             Acho que já consegui deixar claro quem era D. Lorscheider. Não pense o leitor que D. Isnard é diferente. Ele mesmo diz que encontrou no cardeal D. Aloísio muita “comunhão de idéias”. Como se diria aqui no Nordeste os dois são “farinha do mesmo saco”.

            Bom, agora está na hora de trabalhar. Mais tarde complemento este post. É até melhor assim: em pequenas doses, a possibilidade de alguém ter um infarto lendo é menor. 😉

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