“O novo status que cães e gatos estão assumindo nos lares tem pelo menos duas razões sociais distintas. A primeira diz respeito ao encolhimento das famílias. Hoje são raros os casais que optam por ter mais de um ou dois filhos – o terceiro, que costuma desembarcar em casa quando esses já estão mais crescidos, é quase sempre um cão ou gato. Como demonstra o Radar Pet, as famílias em que os filhos adolescentes ou adultos ainda moram com os pais são aquelas em que a presença dos bichos é mais forte. O segundo fator é o crescimento do contingente de pessoas que vivem sozinhas nas grandes cidades e buscam um companheiro animal”.

            (…)

            “Na Europa e nos Estados Unidos, o porcentual de donos que consideram seus bichos como familiares já chega a 30% (veja o teste).”

 

            Estes são trechos de uma reportagem de Veja. A constatação é esta: há lares em que cães e gatos preenchem o espaço deixado pela ausência de filhos. É uma pena. Que mal há em ter bichos de estimação? Nenhum. E que mal há em ter filhos? Nenhum! E por que não ter os dois? Realmente não sei. Custos? Bom, se eu tenho 1 filho (a) e pago R$ 1.000 por mês à escola em que ele estuda, por que não posso ter outro filho (a) e matricular a ambos numa escola que custe R$ 500,00? Será que as razões econômicas são fortes os suficiente para delimitar o tamanho das nossas famílias? Não será isso falta de fé na Divina Providência (com conseqüente excesso de prudência)?

            Penso que a questão de ter ou não uma “prole numerosa” está profundamente atrelada à questão cultural. Como os muçulmanos criam a “penca” de filhos que têm? Acaso todos os seguidores de Maomé são donos de dezenas de poços de Petróleo? Vivem eles num mundo distinto do nosso, onde o dinheiro mana dos chafarizes públicos? Claro que não.

            O caso está tão sério que as pessoas já casam determinando quantos filhos vão ter. Aquela “abertura à vida” de que nos fala o Papa Paulo VI fica meio esquecida, num canto, esperando o “tempo de vacas gordas” que, na realidade, nunca virá (porque, como ensina a Economia, os nossos desejos – que são infinitos – sempre acabam consumindo toda a gordura das vacas…).

            Cães e gatos, com todo o respeito a eles, viraram remédio contra a solidão e contra a depressão. E aí cabe consignar que, ao que parece, as pessoas têm desistido umas das outras. E isso é demasiado triste. É como se pensassem: “Bah, o tal do ser humano é muito complicado. Não tenho mais paciência. Vou comprar um cachorro: ele não vai nunca discordar de mim, não vai acordar de cara feia, nem estará nunca de mau-humor. Um cão vai me dar muito menos trabalho que uma criança; e, como não bastasse estas vantagens, ainda me será fiel até o fim. É tudo o que eu queria!”. Mas será que é por aí? Ao invés de cativar e compreender, devemos *desistir* das pessoas? Desistir de investir no ser humano? E se Deus tivesse feito isso? Que seria de nós?

            Num dado momento da matéria diz-se que “os donos muitas vezes não sabem impor os devidos limites ao comportamento de seus companheiros de quatro patas – e o drama ganha cores semelhantes ao dos pais que enfrentam adolescentes revoltosos”.  Depois de ler isso, me deparei com uma “brecha” para alcançar consolo frente a esta situação tão desoladora [a de constatar que *bichos* andam assumindo o lugar de *gente*]. Pensei comigo mesmo: “talvez seja melhor que certas pessoas adotem um animal de estimação em lugar de ter uma criança. Se não sabem educar os animais, que dirá um filho?!“ E assim decidi prosseguir na ilusão de tentar justificar o injustificável. Acho que vou comprar um Labrador (ou, quiçá, um São Bernardo) que me console do triste impacto que esta notícia me causou…

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