Irar-se durante a Santa Missa é pecado? Se for, cometi-o ontem.  O motivo: a oração da assembléia proposta pelo “semanário litúrgico-catequético” O DOMINGO. A oração fazia coro às preces em favor do 12º Encontro intereclesial das CEBS. As CEBS, para quem não sabe o que é, são as comunidades eclesiais de base: uma criação TL para formar grupos de pessoas comprometidas com a vida política da comunidade em que vivem. Lá, as pessoas estão preocupadas com a justiça social e não estão nem aí para a justiça divina; o Evangelho é interpretado do ponto de vista sócio-cultural-econômico-financeiro-… – humano-interpessoal -… – ecumênico-blá-blá-blá… E só! Todas as dimensões são abordadas, exceto a dimensão ESPIRITUAL da Sagrada Escritura. As CEBS são “minipartidos” políticos comunistas. Como a TL, tal como existe, foi condenada pela Igreja, por extensão estão abolidos estes invencionismos.

            Transcrevo aqui, na íntegra, a oração de ontem (não me espantaria se a autoria da mesma fosse de Frei Betto ou Leonardo Boff…):

 

            “Deus da vida e do amor, Trindade Santa, a melhor comunidade: queremos acolher vossa palavra, partilhar a eucaristia, assumir a missão na comunidade eclesial e no movimento popular (movimento popular = movimento político).

            Somos as CEBS do Brasil, seguidores e seguidoras (faz parte da novilíngua TL, que não admite o machismo da língua portuguesa – a qual exclui as mulheres permitindo que se façam generalizações no masculino) de Jesus em missão profética, ecumênica e transformadora (não se iludam: a transformação aqui não é a do coração do homem, mas sim a das estruturas sociais, da política, etc.).

            Na opção pelos pobres (selo de identidade TL) e na defesa da terra, da água e da vida.

            Do ventre da terra (expressão panteísta), profanada pelo latifúndio depredador (acaso a terra é Deus para ser “profanada”?), nos chega o clamor dos povos indígenas e do povo sem-terra (xiii… Atestado de comunismo).

            Dos nossos campos e das nossas cidades nos chega o clamor por justiça, partilha e paz.

            Animados pelo Espírito do ressuscitado, sob a proteção de Maria, a mãe, e com tantas testemunhas de vida e de martírio (alguma referência a Chico Mendes e Ir. Dorotty?…), seguiremos a caminhada, como Igreja de Jesus, nas lutas e na esperança do reino”.

(grifos meus)

            Ao terminá-la, disse eu: Senhor, NÃO escutai esta prece!

            Há tempos que eu venho engasgado com esse maldito jornalzinho. Às vezes ele me parece a versão “cristã” do Jornal do Commercio (de Pernambuco)…        Não é de hoje que ele vem cometendo e propondo absurdos do ponto de vista litúrgico e doutrinal. Um breve histórico das atrocidades cometidas por esse “semanário litúrgico-catequético”:

 

1 – Durante a Campanha da Fraternidade cujo mote era o cuidado com as populações indígenas, a oração da assembléia proposta era concluída com a expressão indígena AWERÊ (que é uma espécie de amém, assim seja). Não haveria nenhum problema concluir desta forma se estivéssemos rezando a Tupã… Como não era o caso, torna-se totalmente inadequado.

2 – Quando o Santo Padre, o papa Bento XVI, discursou na Universidade de Ratisbona, o jornalzinho incluía, também na oração da assembléia, um prece para que os líderes religiosos soubessem compreender a pluralidade de pensamento e respeitar as demais religiões (não lembro se as palavras eram exatamente essas, mas era algo nesse sentido). Uma clara referência (crítica) à Sua Santidade.

3 – Na edição do 11º Domingo Comum deste ano, a sugestão litúrgica que o jornal trazia era a seguinte, in verbis: “Providenciar sementes e introduzi-las na procissão das oferendas junto com o pão e o vinho, podem ser abençoadas e distribuídas a quem quiser plantá-las”. Pergunto: pra quê isso? O pão e o vinho para Iaweh, as sementes para Tupã… É isso? Criatividade inútil. Inculturação forçada.

4 – Na Missa da Santíssima Trindade deste ano O DOMINGO propunha que “três pessoas com vestes de cores diferentes entrassem dançando para simbolizar a Trindade”. Abuso total! Onde é que se tem registro de que Pai, Filho e Espírito Santo dançam? É inaceitável. O Papa Bento XVI, quando ainda Cardeal Ratzinger, escreveu: “A dança não é uma forma de expressão cristã. Já no século III, os círculos gnósticos-docéticos tentaram introduzi-la na Liturgia (…) As danças cultuais das diversas religiões são orientadas de maneiras variadas – invocação, magia analógica, êxtase místico; porém, nenhuma dessas formas corresponde à orientação interior a Liturgia do “sacrifício da Palavra”. É totalmente absurdo – na tentativa de tornar a Liturgia “mais atraente” recorrera a espetáculos de pantomimas de dança” (Introdução ao Espírito da Liturgia, pg. 146). Preciso dizer mais alguma coisa?  

            Isto sem contar com os artigos horrorosos que vêm na última página do jornal…Por estas e outras é que eu proponho: ABAIXO “O DOMINGO”!

            As paróquias e capelas que abolirem O DOMINGO obterão a vantagem adicional de reduzir os gastos com a assinatura do mesmo 😉

             P.S.: Aqueles que desejarem mandar cartas protestando contra a postura editoral anti-litúrgica que O DOMINGO vem adotando, podem escrever para: Via Raposo Tavares, km 18,5 – Cx. Postal 2.534 – 01060-970 São Paulo, SP. Aos que desejarem ligar, o telefone é: (11) 3789-4000. O fax é: (11) 3789-4004. E o e-mail é: assinaturas@paulus.com.br

 

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