O Jornal L’Osservatore Romano tem causado muitas decepções nos últimos tempos. Depois de publicarem aquele infeliz artigo de D. Rino Fisichella – em que o presidente da Pontifícia Academia para a Vida criticava a atitude de D. José Cardoso Sobrinho pela atuação no caso do aborto da menina de Alagoinha –, o jornal, completando a série de publicações trágicas, teceu um elogio a João Calvino, o herege que criou uma igreja à sua imagem e semelhança – os calvinistas.  Muitos sites fizeram questão de registrar esse elogio: entre eles, este e este.

            O artigo foi publicado dentro do contexto dos 500 anos do nascimento do protestante francês João Calvino (Jean Calvin, 1509-1564). O L’Osservatore Romano aplicou a Calvino o título de “um cristão” que deixou “marca profunda na face da terra”. De fato, tendo a concordar com o jornal no que se refere à marca (eu diria, ferida…) deixada por Calvino.

            Segundo o jornal, “dois homens tiveram a força de mudar o destino europeu: Jean-Jacques Rousseau que transformou (com suas idéias) o século XIX e o XX, e Calvino, ainda mais”.

            Como frisou a Rádio Vaticano, o artigo publicado no L’Osservatore Romano no sustenta que “a organização calvinista é uma genial criação”, que soube “resistir a todas as mudanças e revoluções da modernidade” graças a sua “superioridade e eficácia, comparada ao rígido autoritarismo do mundo luterano”.

            Agora, vejam quem era Calvino:

            Calvino nasceu no dia 10 de julho de 1509, na Picardia, norte da França e morreu em Genebra no dia 27 de maio de 1564.

            Em 1533, tornou-se adversário da Igreja Católica e condenou, assim como Lutero, o poder do Papa e dos concílios, assim como a confissão.

            Sua obra-prima, “L’Institution de la religion chrétienne” (1536), A Instituição da Religião Cristã, preconiza um protestantismo rigoroso.

            Vítima das perseguições aos protestantes na França, fugiu para Genebra em 1536, onde faleceu em 1564. Genebra havia se tornado, definitivamente, um centro do protestantismo europeu.

            Pergunto: dá para acreditar que elogiaram um sujeito desses? Acho que o Pe. Federico Lombardi, SJ, diretor da Sala da Imprensa da Santa Sé, surtou!