A Notícia:

             A ACI noticiou as recentes – e importantíssimas – modificações no que diz respeito ao poder de um bispo de reduzir um padre ao estado laical. Entre os principais esclarecimentos prestados pelo arcebispo D. Mauro Piacenza, secretário da Congregação para Clero e, conseqüentemente, colaborador de D. Cardeal Cláudio Hummes, destaco:

 

            As mudanças autorizadas pelo Papa Bento XVI permitirão aos bispos proceder com a redução ao estado laical nos casos não contemplados pelo direito canônico, como quando um sacerdote deixa o ministério por vontade própria, informa a seu bispo e cedo ou tarde solicita ao bispo a dispensa do compromisso do celibato.

            Outro caso é quando um sacerdote deixa o sacerdócio sem informar o bispo, contrai matrimônio civil e tem filhos, e não está interessado em solucionar sua situação canônica.

            “Nesses casos, pelo bem da Igreja e seu próprio bem”, explicou D. Piacenza, “o poder (de um bispo) para dar uma dispensa a um sacerdote se solicita como um ato de caridade, especialmente se tiver filhos, já que as crianças têm direito a um pai em boa posição com a Igreja”.  “Nestes casos, é o bispo quem deve tomar a iniciativa”, acrescentou o Arcebispo.

            Entretanto, esclareceu que não há nada “automático”, não há “automatismo no momento ou nos casos, cada caso deve ser examinado com cuidado e rigorosamente”.

             (…)

             Segundo a nova normativa, os bispos podem iniciar o procedimento para declarar a perda de estado clerical daqueles sacerdotes que “procuraram o matrimônio, inclusive só os direitos civis”, e que, depois da devida advertência não mudaram, e os sacerdotes “culpados de graves pecados públicos contra o sexto mandamento”.

             Finalmente, recordou que “celibato sacerdotal é um dom que a Igreja recebeu e quer preservar, mais convencida que nunca de que é bom para ela e o mundo”.

            

             Recomendação (1ª):      

            Uma conversa descontraída: assim foi a entrevista, realizada e publicada pela equipe de Zenit, com o bispo de Garanhuns (PE), D. Fernando Guimarães. Sua Excelência foi professor de língua portuguesa do papa João Paulo II! Entre as perguntas feitas por Zenit à D. Fernando, duas me chamaram a atenção:

 

– (…) o Papa dedicava muita atenção à realidade que visitava?

 

– Dom Fernando Guimarães: Sim. Isso me impressionou muito. Lembro-me de um episódio. Estávamos vindo do sul do Brasil para o nordeste –visitamos naquela viagem o país inteiro, do norte ao sul– e me lembro que fizemos uma escala técnica em Sergipe, porque o embaixador do Brasil junto à Santa Sé naquela época era natural de lá. Quando estávamos já com o avião baixando para aterrissar, eu recebi um aviso do monsenhor Stanislaw, dizendo que o Papa me chamava para ir a sua cabina.

            O Papa me disse: “Fernando, eu percebo que as casas dos pobres daqui não são iguais às que a gente viu no sul. Quais são as diferenças?” Do avião ele viu os mucambos do nordeste. No sul ele tinha visto as pequenas casas de madeira. Ele estava vendo pela primeira as casas de barro e de teto de palha. O Papa queria que eu explicasse como é que o pobre nordestino vivia. Eu, sendo nordestino, expliquei para ele. Até o pouso eu pude falar da situação de pobreza no nordeste. João Paulo II tinha uma sensibilidade enorme. Depois, no momento de fazer o pequeno discurso, ele saiu com umas improvisações. Disse: “Senhor, o teu povo passa fome”. Isso não estava no texto oficial. Era a reação dele à realidade que enxergava com os próprios olhos.

             – O Papa foi ágil em aprender o português?

             – Dom Fernando Guimarães: Sim. (…) No encontro privativo com os bispos, ao final da visita (a primeira viagem apostólica do papa ao Brasil, em 1980), tinham preparado que alguns bispos falassem, o que não estava previsto no programa. O Papa não tinha nenhum texto preparado para essa ocasião. Foram cinco ou seis intervenções em que os bispos manifestaram suas preocupações e anseios, com temas precisos e delicados. Eu estava no fundo da sala, ao lado de monsenhor Stanislaw, e indiquei que o Papa respondesse em algum idioma que ele dominava bem, como o espanhol, o francês, ou mesmo o italiano, que quase todos os bispos compreendem bem, dada a delicadeza dos temas.

            O Papa tinha pedido ao início papel e lápis para fazer anotações. Quando terminaram as intervenções, João Paulo II se levantou e disse em português: “os senhores vão compreender que eu não tenho condições de responder neste momento, mas, por favor, me dêem os textos por escrito que eu vou estudar com calma em Roma e darei as respostas. No entanto…” E aí começou, em português, uma reflexão séria, teológica, pastoral. Ponto por ponto, ele falou pouco mais de 20 minutos, sem um texto escrito. Apesar de vários ‘italianismos’ na estrutura, que não foram propriamente erros, se ele cometeu nesse tempo uns quatro ou cinco erros de português, isso foi muito. Erros que não atrapalharam em nada a compreensão do que ele estava dizendo. Quando ele terminou de falar, eu, do fundo da sala, pensava comigo: “meu Deus, estou vendo a realidade do Espírito Santo”.

 

            Recomendação (2ª):

             Um padre, chamado Inácio José, publicou um EXCELENTE artigo sobre a Teologia da Prosperidade. Foi a Catolicanet quem publicou. A primeira coisa que me chamou a atenção nesse artigo foi o título: “A herética teologia da prosperidade”. Até quem enfim alguém que põe os pontos nos is, alguém que dá nome aos bois! Heresia é heresia e ponto. Não se tem que ficar arrumando meio-termo com medo de constranger e desejo de exercer o “politicamente correto”.

            Aos que não sabem a Teologia da Prosperidade é o princípio da ganância protestante. É a institucionalização da barganha com Deus: “este mês eu dou 10% do meu dinheiro a Deus, e isso fará com que Deus me dê 110% no próximo mês” (ou seja: Deus me quer rico como o Tio Patinhas…); “A doença é obra do demônio. Logo, basta que eu me liberte dele, que ficarei curado” (Deus me quer sempre saudável, imortal como Peter Pan); etc. O raciocínio é sempre o mesmo: “Deus resolve tudo. Sofrer é para otários”. O problema dessa “teologia” – e o que a faz se tornar incompatível com a Doutrina Católica – é que a provação, a purificação pela via do sofrimento, a confiança filial (e não interesseira) na misericórdia de Deus, e o exercício da paciência na adversidade, passam longe da vivência cristã.

            Esta horrenda tese protestante foi, com maestria, combatida pelo Padre Inácio.  A ele os meus parabéns pela coragem, pela intrepidez, no anúncio do evangelho!

Recomendo fortemente a leitura deste artigo, na íntegra!

           

            Nota:

             Faz alguns dias, mas como eu ainda não havia publicado, aqui vai: a Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou a seguinte “Nota de dor e pesar aos parentes dos desaparecidos do vôo 447”:

         “A salvação dos justos vem do Senhor, é ele seu refúgio no tempo da desgraça” (Sl 36,39).

            Profundamente consternada, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil–CNBB manifesta sua dor e pesar pelas vítimas do acidente com o vôo 447 da companhia aérea Air France, ocorrido no domingo, 31 de maio. Com seus familiares e amigos, choramos o passamento de forma trágica e inesperada destes irmãos e irmãs, que confiamos a Deus a fim de que sejam acolhidos no seu Reino.

            Nesta hora em que o país é tomado de comoção por tão grande tragédia, conforte-nos a esperança que nasce da fé cristã. Consolem-nos as palavras do próprio Cristo que, solidário à dor e ao sofrimento de seu povo, nos convida a repousar nele nossa confiança: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso. Pois meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11, 28.30).

            Às autoridades competentes fazemos forte apelo para que apurem as causas de tão grave acidente e envidem todos os esforços possíveis para que tragédias como esta não se repitam. É mister, ainda, que aos familiares das vítimas seja garantida toda a assistência de que necessitarem. 

            Conclamamos toda a Igreja a se unir em preces ao Deus da vida em favor das vítimas do vôo 447 e que seus familiares encontrem em nossa solidariedade a força que os ajudará a superar as marcas deixadas por esta catástrofe.

Brasília, 3 de junho de 2009

 

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

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