Nem as crianças estão livres dos ardis do gayzismo. Recebi por e-mail esta entrevista com o roteirista dos quadrinhos da turma da Mônica, o qual afirma que “as crianças já crescem com a visão errada de que o único relacionamento ‘sério’ e ‘digno’ é aquele formado entre um homem e uma mulher”. Como bom educador, este distinto roteirista gostaria que se abrisse “uma porta gigantesca (ipsis literis) para a aceitação dos gays na sociedade”. Tragos aqui alguns trechos dessa entrevista:

 

 

            Nas histórias da Turma da Mônica também é comum haver inversões de papéis de gêneros, quando a Mônica acorda e virou menino ou os personagens masculinos usam roupas femininas. Acredita que de certa forma isso ajuda a separar a dicotomia de meninos x meninas ou essa inversão é muito mais pra fazer humor?

           

            Na grande maioria das vezes é apenas uma inversão criada para fazer humor. Mas em alguns casos essas histórias são usadas para quebrar aqueles velhos tabus que ditam que só os meninos jogam bola e que lugar de mulher é no fogão. Nos roteiros da turma da Mônica não existe nenhum elemento oculto ou mensagem subliminar escondida, na verdade a mensagem é a mais clara possível.

 

            No site A Capa, após a publicação da primeira matéria, alguns fãs e internautas se revoltaram com a notícia, querendo “limpar” talvez uma “pecha gay” da personagem. Por que acha que isso aconteceu? Acredita que talvez tenham ligado gírias gays a algo ofensivo?

 

            É claro que sim. Infelizmente, na sociedade em que vivemos, qualquer coisa que tiver uma leve conotação gay é tratada como uma ofensa à moral e aos bons costumes. Existem alguns fãs da Denise que acham suas gírias engraçadas, mas quando descobrem que são expressões gays, eles partem para a defensiva. Tentam argumentar dizendo que as gírias não são gays, que esse é apenas o jeito de falar de qualquer patricinha dos dias de hoje… Provavelmente são pessoas que não sabem que essas expressões existem há mais de 13 anos.

 

            O Maurício de Sousa afirmou recentemente em entrevista à Veja que sempre pedem para que ele faça um personagem gay. Acredita ser possível um personagem gay na Turma da Mônica?

 

            Como eu disse anteriormente, não acredito que seja possível, pelo menos não num futuro próximo. Mas, na minha opinião, isso abriria uma porta gigantesca para a aceitação dos gays na sociedade, porque muito do preconceito existente hoje nas famílias brasileiras é moldado desde a infância. As crianças já crescem com a visão errada de que o único relacionamento “sério” e “digno” é aquele formado entre um homem e uma mulher. Quando uma criança assiste aos programas humorísticos da TV (como o “Zorra Total”) ela acaba acreditando que ser gay é ser motivo de piada e de chacota. Não estou falando que criar um personagem gay influenciaria nossos leitores a seguir esse caminho, o que eu estou dizendo é que as outras crianças aceitariam esse amigo “diferente” com muito mais naturalidade.

 

            Se as crianças tivessem um contato mais cedo com as diversas “alternativas” existentes no mundo elas cresceriam muito mais resolvidas com sua própria identidade. E isso não se aplica apenas à aceitação da sexualidade, mas também à aceitação das diferentes religiões, filosofias de vida e quaisquer outras escolhas que elas terão que enfrentar no futuro.

Anúncios