Era uma tarde chuvosa do mês de abril. O outono espalhava seus tons de cinza por todos os lados. No leito de um hospital, uma mulher grávida gemia devido às contrações (que cada vez vinham com mais força, provocando dores e desconforto). Enquanto aguardava a hora do parto, porém, a mulher enxergava – pela janela da enfermaria – a silhueta de uma senhora: era Nossa Senhora. O parto foi difícil, demorado. Mas, sob o patrocínio da Virgem Mãe, ao fim tudo transcorreu bem. Em agradecimento e homenagem a esta Senhora, a mãe revestiu seu filho de amarelo: a cor da Virgem do Carmelo, por quem tinha especial apreço.

            Dois anos depois, quiseram batizar o menino. E a Igreja escolhida foi a de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

            Na quinta série foi estudar no colégio Maria Imaculada. E foi nesse colégio que teve seu primeiro encontro “de frente” com Nossa Senhora de Fátima. Era 13 de Maio de 2000. Estava cursando seu último ano naquele colégio; o garoto era 8ª série. Os Arautos do Evangelho haviam levado a imagem peregrina da Virgem de Fátima aquele colégio. Os alunos deveriam passar na Capela para ouvir os Arautos falarem um pouco da história e dos milagres de Nossa Senhora. Quando o garoto chegou à Capela ficou simplesmente deslumbrado com aquela imagem: seu tamanho, sua perfeição, sua beleza. E ali, pasmo, ouviu entoarem a “Consagração a Nossa Senhora”.  Sem que o garoto percebesse com clareza, a Mãe de Deus o estava conquistando para Si. A partir daquele momento, o garoto teve o desejo de fazer a Primeira Comunhão. E tomou uma importante decisão: não mais freqüentaria a religião de seus pais (sim, embora o houvessem batizado, seus pais não eram católicos). Ela o atraiu, Ela o converteu, Ela o animou a seguir na Igreja de Deus. Ponto para Nossa Senhora!

            Foi então assistir à sua primeira missa.  Ao entrar na Igreja, sem saber nem como fazer as devidas reverências, o que estavam tocando? A ladainha de Nossa Senhora! Era mês de maio e a Igreja começara a cantar os louvores da Rainha do Céu. Como foi marcante aquela música, como foi marcante aquela missa!

            Ao entrar no catecismo, além das orações mais comuns (pai-nosso, ave-maria) tinha especial predileção por uma: a Salve Rainha. Mais tarde, descobriu o quanto era poderosa essa oração, e quão útil era sabê-la de cor…

            Já fazia catecismo no colégio. Agora precisava ser paroquiano de algum lugar. Todos eram e ele não seria “diferente”. Apesar de sua paróquia, territorialmente falando, ser a de São Sebastião, sentiu-se atraído a freqüentar uma outra paróquia (mais distante, inclusive). Depois, descobriu que a padroeira daquela “outra paróquia” era Nossa Senhora do Rosário.

            Começando sua caminhada como “jovem de Igreja” participou de seu primeiro retiro na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima. Depois, continuando esta caminhada, o garoto fez sua primeira “romaria”. O destino:  Santuário da Mãe Rainha.

            Nesse ínterim, houve muitos fatos e pessoas marcantes: entre eles, uma palestra sobre Nossa Senhora de Guadalupe que simplesmente o deixou encantado. A palestra fora transmitida pela TV. Anos depois, o garoto esteve cara a cara com o Padre que proferiu a palestra, conversando  com ele: agora, ambos faziam parte do mesmo Movimento! Inimaginável. Ponto para Nossa Senhora!

                  Houve também, na vida do garoto, fatos trágicos ligados à violência que permeia a nossa sociedade: nesses momentos, em que o garoto esteve sob ameaça de armas, ou mesmo quando via sua família ser cercado pelo medo, recorreu a Nossa Senhora através do terço. Resultado: venceu todos os medos! Ponto para Nossa Senhora!

            Certa vez, entrou num ônibus, num domingo à tarde. Tudo transcorria bem até que dois rapazes empreenderam um assalto aos passageiros. O assalto acabou virando seqüestro relâmpago… Alguém na rua percebeu a movimentação estranha no ônibus e ligou para a polícia. Carro da polícia atrás do ônibus, sirene ligada: uma verdadeira corrida policial! Nesse ínterim, alguém começa a recitar em voz alta a Salve Rainha… Era o garoto nascido na tarde cinzenta de abril sob os auspícios da Santíssima Virgem. O medo o fazia rezar cada vez mais alto. Os assaltantes se aproximavam cada vez mais dele – que estava no fundo do ônibus. À medida que se aproximavam iam orientando os passageiros a que “facilitassem” o trabalho: que tirassem os celulares e carteira da bolsa (ou do bolso) e os deixassem à mostra. Obediente às instruções (e cheio de amor por sua própria vida), o garoto fez como haviam dito: deixou o que tinha bem à vista dos assaltantes. Eles, porém, não levaram nada dele. Ele foi o único não assaltado efetivamente. Ponto para Nossa Senhora!

            Passou o tempo e os pais da criança ficaram desempregados. Ambos. Não havia como sustentar-se caso algo não acontecesse de imediato. Era 8 de Dezembro, festa da Imaculada Conceição. Ante aquela imensa e bela imagem, que fica no Morro das Conceição, deixaram seus pedidos. E as mãos delicadas da Virgem recolheram aquela súplica desesperada, que havia sido deixada aos seus pés, implorando respostas urgentes. Ao voltarem (frise-se: no mesmo dia) havia um proposta de emprego que tiraria a família do sufoco. Proposta aceita. Ponto para Nossa Senhora!

            A essa época, o garoto havia crescido. Já tinha entrado na faculdade e queria ajudar os pais. Apesar de o pai ter arrumado emprego, a família ainda vivia uma situação financeira difícil. Até que a coisa piorou de novo: a empresa em que o pai da família estava empregado ameaçara falência. O desejo do garoto de colaborar com algo virou uma obsessão. Porém, acabara de iniciar sua vida acadêmica. Não podia, portanto, sequer conseguir um estágio remunerado: a coordenação do curso universitário informou que o professor-coordenador responsável não autorizaria nenhum aluno a estagiar antes do terceiro período. Além disso, quem queria um moleque de 17 anos como estagiário? Teria que ser menor aprendiz! Era 1º de Janeiro, Solenidade da Mãe de Deus. O garoto foi à missa. Sozinho. E disse à Virgem: “não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades (…) ó Virgem Gloriosa e Bendita”.  Feito o pedido, feita a concessão: na semana seguinte, o moleque de 17 anos estava estagiando. Ponto para Nossa Senhora!

            Chegou então o ano de 2007. Ano em que a secretaria de Estado do Vaticano anunciara que o Santo Padre, o papa Bento XVI, viria ao Brasil em visita apostólica. Que sonho e que honra: ver o Santo Padre! “Mas com que dinheiro?”, pensava o garoto. Entregou aquele sonho nas mãos da Mãe do Céu e pediu que ela providenciasse sua ida a São Paulo. O tempo passava e quem pretendia ir a São Paulo já estava juntando dinheiro. O garoto, porém, nada juntara. Além disso, como conseguir ausentar-se do trabalho por 3 dias, se ele havia acabado de ser contratado? Era loucura pedir folga (repito: de 3 dias) acabando de ser efetivado na empresa!  Mas, pela intercessão da Virgem Mãe, naquele feliz maio de 2007, mês de Nossa Senhora, o garoto entrava no avião rumo ao encontro com o Vigário de Cristo. Sua chefe o havia liberado. Com uma única condição: que rezasse por ela. Fácil como empurrar bêbado de ladeira! O garoto participou de quase todos os eventos, inclusive os que ocorreram na cidade de Aparecida. Diante da imagem milagrosa da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil, o garoto cantava os louvores da Virgem Santíssima cuja providência não falha. Ah, antes que esqueça: ao chegar à cidade de São Paulo, no lugar em que ficara hospedado, havia na entrada uma grande imagem da Virgem, sobre a qual estava escrito o seguinte: “Assumpta est Maria in Caelum”. Era o Seminário Menor da Imaculada Conceição. Que graça: Ela mesma o acolhera e hospedara! Ponto para Nossa Senhora!

            Naquele mesmo ano de 2007, no mês de dezembro, a avó do garoto se encontrava na UTI. Já havia sido traumático para ele o fato de ter passado, no ano anterior, as festividades de fim de ano longe da avó. Que fez ele, então? Prometeu à Virgem que, se Ela lhe concedesse passar o natal com sua avó, ele iria – no dia de natal, naquele mesmo hospital em que sua avó se encontrara – anunciar aos doentes que lá estavam o nascimento do filho de Deus. Graça obtida, promessa cumprida: foi emocionante e gratificante para o garoto fazer missões hospitalares sozinho! Ponto para Nossa Senhora!

            O garoto cresceu e criou um blog na internet. Dedicou o blog à Virgem de Fátima. Hoje, o garoto narra aos seus leitores (sejam um ou um milhão) a história de amor que viveu, e vive, com uma mulher espetacular chamada Maria. Ele testemunha que, de fato, “nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à proteção da Virgem, implorado a Sua assistência, e reclamado o Seu socorro, tenha sido desamparado”. (São Bernardo) Ponto para Nossa Senhora!

Ela - a Virgem de Fátima

Ela - a Virgem de Fátima

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