Hoje recebi um e-mail interessante de um amigo. O assunto do e-mail dizia: Proibir Marcha da Maconha é atentado aos direitos civis. O e-mail fazia referência à matéria publicada neste site a respeito de uma ação judicial, perpetrada por um promotor público, no sentido de coibir a realização da “Marcha da Maconha” em Recife. Vários promotores, em diversas cidades, fizeram a mesma tentativa e deram com os burros n’água. No máximo, conseguiram adiar a realização da Marcha (é o caso de Fortaleza, Goiânia, Salvador, São Paulo e João Pessoa). A matéria traz fotos, vídeos e argumentos em favor da Marcha.

            O e-mail e a notícia publicada no site me impressionaram por diversos motivos. Entre eles, porque eu não tinha conhecimento de que em Recife acontecia este tipo de marcha (muito menos que ela havia acontecido domingo passado, à revelia do promotor – que não obteve êxito com a ação movida); também porque eu não sabia que o movimento em defesa da legalização do consumo de drogas (especificamente a maconha) era tão organizado a ponto de ter um site: http://www.marchadamaconha.org, e de ter camisetas do movimento à venda (por R$ 25,00).

           Um detalhe para o comentário constante no blog Acerto de Contas: “Não faz tanto tempo assim, década de 1960, cidadãos dos EUA tinham que lutar pela liberdade de orientação sexual e contra leis ridículas, como as que propunham a demissão de todos os professores gays para não “contaminarem” as novas gerações”. Perceba-se que a pessoa que escreveu tamanha asneira perdeu a noção de gravidade moral. Querer estabelecer um paralelo entre o “direito” de fumar maconha e o “direito” de escolher a “orientação sexual” é um completo disparate: Por quê? Porque orientação sexual não se escolhe, se nasce com ela! Homossexualismo é pecado contra a natureza. Além do que, as pessoas têm direito de escolher os professores de seus filhos. Para não ocorrer de os pais ensinarem uma coisa em casa e o professor ensinar outra no colégio. Ora, sempre houve colégios católicos (onde os católicos matriculam seus filhos); colégios protestantes (onde os filhos de protestantes estudam); colégios de judeus (onde os pais judeus põem seus filhos para aprender matemática e Torá), etc. Cada um matricula seus filhos no colégio que mais se afina às suas convicções (porque crê que ali há docentes que vão transmitir aqueles valores às crianças). Que mal há nisso? Agora, se não há colégios de gays (porque não há filhos de gays para serem matriculados…), paciência! São dois casos completamente diferentes. Excluídos os exageros e preconceitos das leis americanas editadas na década de 60 a esse respeito, elas têm, sim, o seu fundamento.

             Não é meu objetivo aqui fazer análise da “licitude moral” de fumar ou legalizar o uso/consumo da maconha. Mas realmente fico surpreso com a capacidade do ser humano de empreender esforços e gastar recursos com coisas irrelevantes. Num artigo publicado no blog do movimento, um sujeito chamado Augusto Boal escreveu: “Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida. Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!”. Belíssimas palavras. Só espero que ele não esteja querendo insinuar que vai mudar o mundo fumando maconha… Tenha dó. Se as pessoas tivessem todo esse empenho para fazer a mudança que Cristo deseja (a dos seus corações), que bem fariam à Igreja de Deus! Se essas pessoas fossem ativistas do Movimento Pró-Vida – tão carente de braços e vozes – que maravilha seria! Que bonito seria se todas essas pessoas marchassem com a Igreja Militante rumo à Pátria Celeste!

             Mudanças simplesmente exteriores, não significam nada. A proposta de transformar o mundo a partir do soerguimento de novas “estruturas sociais” é balela. Os adeptos da Teologia da Libertação pregam isso (é isso mesmo, caro leitor, eu confesso: sou realmente um perseguidor da TL…). Cristo, porém deseja metanóia (mudança de mentalidade, conversão do interior). Para alcançarmos novos céus e nova terra (2Pd 3,13), não precisamos construir torres, como em Babel (Gn 11), precisamos de homens novos (Ef 4,24)!

Anúncios