Hoje li esta notícia comentada no Deus lo vult!  Trata-se do fato de que a missa do primeiro dia de maio, na Catedral de São Paulo, será celebrada apenas para os empregados: a participação do empresariado na celebração foi vetada por resistência da Pastoral Operária. Pastoral Operária, é como a Pastoral da Terra, cheira a TL…

            A notícia, em si, já foi muito bem comentada por Jorge Ferraz. Quero apenas me deter nos aspectos de fundo dela, nas entrelinhas do que foi publicado. Primeiro, permitam-me os profissionais e estudantes de direito, dizer algo que me atravessa a garganta há muito tempo e que, apesar disso, eu nunca tive a coragem de dizer nem de escrever: a visão de o empregador como o “demônio” (que, portanto, não deve ter acesso à missa) é de origem marxista, e se reflete sobremaneira no Direito do Trabalho (ramo do direito que, aliás, existe em pouquíssimos países). Especialmente no Direito brasileiro, a lógica embutida é a seguinte:

 

1 – Todo empregador é intrinsecamente mau; cresceu oprimindo os mais fracos;

2 – Todo empregado é vítima de sua dependência econômica do emprego; e é “tapado” a ponto de não poder reagir às barbáries a que o patrão lhe submete.

           

            As duas afirmações, obviamente, são falsas. Há bons e maus empregadores, como também há bons e maus empregados. Por que então essa necessidade de segregar? É simples:  a dicotomia – qualquer que seja ela: ricos-pobres, bons-maus, oprimidos-opressores – não só faz parte da doutrina marxista, como é condição sine qua non para a existência da mesma.

            A Teologia da Libertação – distorcendo o termo evangélico “pobres” – pretende “evangelizar” apenas os miseráveis. A doutrina TL é mais ou menos assim: quem tem muito dinheiro certamente o obteve ilicitamente (oprimindo os pobres); e quem não tem dinheiro, é porque não teve oportunidade de crescer na vida (já que foi a vida inteira oprimido pelos ricos, pelos marajás, burgueses, etc,). Esse raciocínio, contudo, faz parte de um ciclo mortífero. Explico: digamos que ao miserável sejam dadas as oportunidades para crescer profissionalmente e ganhar dinheiro. Tão logo consiga uns trocados a mais, a TL não mais o “evangelizará” sob alegação de que ele passou para o lado dos opressores, dos que têm grana. Para se manter em vigor, para que os seus corolários continuem sendo verdadeiros, o marxismo (que norteia as bases da TL) precisa que existam classes totalmente díspares e imiscíveis: como haverá luta de classes se não houver, no mínimo, duas delas em oposição? A TL, para subsistir, precisa de um sistema de castas: quem é pobre deve morrer pobre; e quem é rico que morra rico (e, depois, vá para o inferno!).

            Essa distorção lógica (repito: advinda do marxismo) acaba se infiltrando na Igreja por meio de uma gente sem noção que quer fazer da Igreja de Cristo palco para apresentação de doutrinas diversas, em substituição à Sã Doutrina da Salvação. O mais danoso é que esse discurso, que se reveste de “compaixão pelos pobres” engana a muita gente. Ele é sofismático: faz crer que é verdadeiro, motivado por “boas intenções”, mas – em essência – é completamente equivocado.

            E quando essa “lógica” toma a forma de protesto contra a hierarquia da Igreja? Aí é a desgraça completa! A Santa Sé é vista como uma espécie de palanque onde os poderosos ostentam sua potestade. A púrpura cardinalícia é vista não como sinal de dignidade, mas como sinal de poder; O Papa é visto apenas como Chefe da Igreja, e não como Servo dos servos de Deus. Roma é tida como uma sede administrativa. E só. Esquecem-se de que foi em Roma que morreram Pedro e Paulo, colunas da Igreja; foi em Roma que milhares de cristãos, no início do cristianismo, derramaram seu sangue em honra de Nosso Senhor e por amor à Santa Igreja; esquecem-se de que Roma foi a cidade que, após tanto perseguir a Igreja, teve que se curvar ao poder da mão de Deus: Roma é, para a Igreja, quase um despojo de guerra! Portanto, ter sua sede em Roma é providencial! Se a Igreja é católica (=universal), podemos dizer que o epicentro desta universalidade é Roma. Então porque querer criar duas Igrejas (a “de Roma” e a “do Povo”)? Não deixou Nosso Senhor tão somente uma Igreja? Não é única a Esposa de Cristo?

            A noção de “povo” também é por mais distorcida. Quando falam em povo, os teologistas da libertinagem querem se referir a um “conglomerado de pessoas (pobres)”. “Povo”, entretanto, é uma terminologia que está associada à idéia de “nação”: o povo é uma nação que está subordinada a um poder estatal. E que, em paralelo a isso, conserva os mesmos costumes, a mesma língua, a mesma religião, as mesmas tradições, etc. Como conciliar isso com o fato de que a diversidade é um princípio fundamental da TL? Definitivamente, eles não sabem o que dizem!

            Ainda bem que a Igreja é sábia, é mãe,e  obedece ao mandato de Cristo, que disse: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações” (Mt 28,19).

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