Ontem assisti a uma palestra na Universidade Católica de Pernambuco. O tema da palestra, proferida pelo professor italiano Luigino Bruno, era Economia da Comunhão: uma proposta que Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, idelalizou como opção ética e cristã de resolução das dificuldades econômicas enfrentadas pelos países e empresas. Este site reúne informação teórica (de nível acadêmico) e prática a respeito de como funciona a lógica da Economia de Comunhão.

            A palestra foi interessantíssima (durou quase duas horas, sem ser cansativa!). Luigino Bruno, falou das causas da crise econômica atual. Ele apresentou três tipos de razões: as financeiras, as econômicas e as éticas. De tudo que foi dito, porém, me interessa comentar aqui apenas os pontos relativos aos princípios e idéias cristãs que orientam a lógica da Economia da Comunhão (EDC).

            Primeiro, como bem disse o Prof. Bruno, soa como loucura – num momento de crise econômica – se falar em “comunhão”. No momento do “salve-se quem puder!”, a solidariedade se dissipa, e a caridade que leva à comunhão passa longe de ser uma possibilidade real… Contudo, a comunhão é uma proposta cristã. Ousada, mas possível.

            O segundo ponto que o professor abordou e que, para mim, encaixa como uma luva na realidade brasileira, é o fato de que não se deve esperar que os políticos resolvam a crise. Que o presidente do Banco Central (que, no Brasil, está muito submetido às forças políticas) solucione num passe de mágica os nossos problemas de ordem econômico-financeira. Isso é um tapa na apatia e no paternalismo que, infelizmente, assola o povo brasileiro. E isto, a meu ver, muito se relaciona com o princípio da subsidariedade (que pertence ao escopo da Doutrina Social da Igreja). Subsidariedade significa, grosso modo: quem está mais próximo, tem mais obrigação de ajudar. O estado apenas subsidia aquilo que as pessoas, por si só, não conseguem fazer.

            Em terceiro lugar, mas não menos importante, foi a abordagem feita a respeito do Marxismo e do Comunismo. Estas ideologias, apesar de serem intrinsecamente más, geraram nas pessoas tão somente uma adesão exterior, superficial. É como se as pessoas, em sã consciência, soubessem como eram absurdas as propostas de verve socialista. No “oba-oba” todos aderiam; mas, em verdade, sabiam que eram alternativas fadadas ao fracasso. Na ótica do professor Luigino, o Consumismo ,sim, é a religião da contemporaneidade: afeta diretamente o comportamento das pessoas (que vêem no ato de comprar uma “terapia”). O consumismo torna as relações humanas superficiais: “as mercadorias tomam o lugar das pessoas”, disse o acadêmico. Esta é uma visão, no mínimo, interessante.

            Disso tudo, o que mais me alegra é saber que foi a partir de um movimento da Igreja que surgiu uma alternativa ética, lícita, moral, às dificuldades econômicas e financeiras deste nosso mundo. A missão da Igreja é, fundamental e primordialmente, espiritual; mas, ela não deixa de oferecer, por meio de leigos autênticos como Chiara, sua contribuição à vida secular, terrena, temporal. Isto, sim, é ser humano e engajado sem precisar ser TL…

            O blog de Luigino Bruni – que, atualmente, é professor de economia política na Universidade de Milão, e coordenador da Comissão Internacional de EDC – está hospedado neste endereço.

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